No inicio do blog

25 de janeiro de 2014

Tema de redação - CONCURSO CAIXA FEDERAL

TEXTO I
 Estamos hoje vivendo numa sociedade em que as pessoas se agridem por motivo nenhum.
Um colega olha diferente e você já tira satisfações. Um garçom entrega um prato errado e
você vira a mesa. Alguém disca seu número por engano e você manda longe. Dentro do
ônibus, na fila do banco, na beira da praia: todo local serve de ringue para agressões
desmedidas. Em entrevista, o antropólogo Roberto DaMatta afirma que é enganosa a ideia de
que não toleramos a desigualdade: na verdade, o que não toleramos é a igualdade. Cidadãos
com os mesmos direitos, a mesma liberdade e a mesma importância é uma democracia com
que não estamos acostumados a lidar na prática, só no discurso. No fundo, mantemos uma
atitude aristocrática que nos impede de aguardar a nossa vez e respeitar o espaço do outro.
Porém, em vez de aprofundar essa questão, simplesmente botamos tudo na conta do stress.
Trabalha-se muito,  ganha-se pouco:  stress. Vários compromissos, pouco tempo para lazer:
stress. Acorda-se cedo, dorme-se tarde: stress. Sem falar no pior dos desaforos: ninguém
reparar que você existe. Existo, sim, olhe aqui: bang! Chá de camomila não resolve. Terapia
coletiva para todos.
MEDEIROS, Martha. Superaquecimento. Revista O Globo, 13 mar. 2011, p. 24. (Adaptado).




TEXTO II
 Estamos todos mais irritados do que nunca, mais impacientes do que jamais estivemos. Não
há tempo para nada e nos comportamos como uma bomba-relógio. As pessoas trabalham
estressadas, loucas para voltar para casa.  Mas, antes de chegar aos seus ninhos, sabem que
vão enfrentar filas, engarrafamentos, metrô superlotado e ônibus que chacoalham, freiam e
desrespeitam seus usuários. Não há, em quase nenhuma forma de relacionamento hoje, a
delicadeza de ouvir o desejo do outro. Somos todos produtos. Pior, somos produtos xplodindo.
Conviver com o próximo deixou de ser um exercício de respeito e delicadeza para se tornar o
de um caminhar num campo minado. Nossas bombas podem ser detonadas por uma bobagem
qualquer. Retomando o lado mais fraco da corda, o que é preciso é torná-la mais resistente. É
esta a palavra que deve ser adotada como uma reza nos tempos de hoje. O mais importante
para combater as indelicadezas que sofremos todo dia não é reagir e, sim, resistir. E tem mais,
resistir pacificamente. O que mais se espera do outro é a reação violenta. Jamais a delicadeza.
E só para fechar, gentileza gera gentileza.
LISBOA, Claudia. Gentileza gera gentileza. Revista O Globo, 1o mai. 2011, p. 62. (Adaptado).




TEXTO III
TOLERÂNCIA - Tendência a admitir, nos outros, maneiras de pensar, de agir e de sentir
diferentes ou mesmo diametralmente opostas às nossas.
                                   HOUAISS, Antonio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua
Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.


Os Textos I e II são fragmentos de crônicas que abordam questões a respeito do
comportamento das pessoas na atualidade, revelando determinadas atitudes que
comprometem o relacionamento social. Os dois textos apresentam propostas distintas para a
falta de tolerância entre as pessoas. Já o Texto III, é um verbete de dicionário que define
“tolerância”.  
Tomando como ponto de partida essas reflexões, elabore um texto dissertativo-argumentativo
em que você discuta a  necessidade da tolerância como uma das condições da vida na
sociedade contemporânea.  Justifique sua posição por meio de argumentos.  
Dê um título ao seu texto