No inicio do blog

28 de maio de 2016

Compreensão e interpretação de textos


Compreensão e interpretação de textos é um tema que, geralmente, está presente em todos os concursos públicos. Porém, a maioria não atenta para a diferença que há entre compreensão de texto e interpretação de texto. Compreensão e interpretação de textos são duas coisas completamente diferente. 

Segundo a professora Rafaela Motta¹, quando o comando da questão trabalha a área de compreensão, aquela informação está no texto. Diante disso, você terá alguns enunciados básicos de questões de compreensão. Porém, se a informação estiver além do texto, fora do texto, trata-se de uma questão de interpretação

A questão é que é uma informação que, além de estar fora do texto, tem conexão com o texto. É a chamada inferência textual, dedução textual. Ao ler o texto, o leitor consegue inferir, tirar conclusões a partir de ideias que foram explicitadas no texto. Basta ao leitor passar a ter a visão qualificada e apurada de, no enunciado, conseguir visualizar e identificar, qualificar, caracterizar o comando, se é de compreensão (informação que está no texto) ou de interpretação (informação que não está no texto, mas está atrelada ao texto).
  • Compreensão de texto – consiste em analisar o que realmente está escrito, ou seja, coletar dados do texto. Os comandos de compreensão (está no texto) são:
    • Segundo o texto...
    • O autor/narrador do texto diz que...
    • O texto informa que...
    • No texto...
    • Tendo em vista o texto...
    • De acordo com o texto...
    • O autor sugere ainda...
    • O autor afirma que...
    • Na opinião do autor do texto...
  • Interpretação de texto – consiste em saber o que se infere (conclui) do que está escrito. Os comandos de Interpretação (está fora (além) do texto) são:
       Gramática para concursos
    • Depreende-se/infere-se/conclui-se do texto que...
    • O texto permite deduzir que...
    • É possível subentender-se a partir do texto que...
    • Qual a intenção do autor quando afirma que...
    • O texto possibilita o entendimento de que...
    • Com o apoio do texto, infere-se que...
    • O texto encaminha o leitor para...
    • Pretende o texto mostrar que o leitor...
    • O texto possibilita deduzir-se que...
"Entenda: Enquanto a compreensão de texto trabalha com as frases e ideias escritas no texto, ou seja, aspectos visíveis, a interpretação de textos trabalha com a subjetividade, com o SEU entendimento do texto."

Interpretação de texto


Leia o texto abaixo para responder às questões de 01 a 04

TEXTO I - Mendigo
Eu estava diante de uma banca de jornais na Avenida, quando a mão do mendigo se estendeu. Dei-lhe uma nota tão suja e tão amassada quanto ele. Guardou-a no bolso, agradeceu com um seco obrigado e começou a ler as manchetes dos vespertinos. Depois me disse:
– Não acredito um pingo em jornalistas. São muito mentirosos. Mas tá certo: mentem para ganhar a vida. O importante é o homem ganhar a vida, o resto é besteira.
Calou-se e continuou a ler as notícias eleitorais:
– O Brasil ainda não teve um governo que prestasse. Nem rei, nem presidente. Tudo uma cambada só.
Reconheceu algumas qualidades nessa ou naquela figura (aliás, com invulgar pertinência para um mendigo), mas isso, a seu ver, não queria dizer nada:
– O problema é o fundo da coisa: o caso é que o homem não presta. Ora, se o homem não presta, todos os futuros presidentes serão ruínas. A natureza humana é que é de barro ordinário. Meu pai, por exemplo, foi um homem bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante muito tempo: então ele virou ruim.
Suspeitando de que eu não estivesse convencido da sua teoria, passou a demonstrar para mim que também ele era um sujeito ordinário como os outros:
– O senhor não vê? Estou aqui pedindo esmola, quando poderia estar trabalhando. Eu não tenho defeito físico nenhum e até que não posso me queixar da saúde.
Tirei do bolso uma nota de cinqüenta e lhe ofereci pela sua franqueza.
– Muito obrigado, moço, mas não vá pensar que eu vou tirar o senhor da minha teoria. Vai me desculpar, mas o senhor também no fundo é igualzinho aos outros. Aliás, quer saber de uma coisa? Houve um homem de fato bom. Chamava-se Jesus Cristo. Mas o senhor viu o que fizeram com ele

01.   Sobre a crônica, assinale a afirmativa correta.
a) Intenciona levar o leitor a refletir sobre a relação homem e qualidade de vida.
b) Aborda um momento na vida do mendigo, leitor de jornais, que se posiciona frente às manchetes.
c) Contrasta características inerentes a presidentes com as inerentes a jornalistas.
d) A fala do mendigo, ao usar a si mesmo como exemplo de sujeito ruim, é um argumento incoerente.
e) O cronista, no final do texto, mantém a mesma percepção do mendigo tida no início.

02.   As frases “Não acredito um pingo em jornalistas.” E “São muito mentirosos.” Guardam implícita uma relação de sentido de causa/consequência. Reescrevendo-as em um único período e conservando esse sentido, ficaria:
a) Não acredito um pingo em jornalistas, embora sejam muito mentirosos.
b) Não acredito um pingo em jornalistas, por serem muito mentirosos.
c) Não acredito um pingo em jornalistas, apesar de serem muito mentirosos.
d) Não acredito um pingo em jornalistas, mas são muito mentirosos.
e) Não acredito um pingo em jornalistas, portanto são muito mentirosos.

03.   Assinale a alternativa que apresenta a mesma ideia contida no seguinte trecho: “Meu pai, por exemplo, foi um homem bastante bom. Mas não deu certo ser bom durante muito tempo: então ele virou ruim.”

a) “Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.”

b) “O homem, que, nesta terra miserável,
mora, entre feras, sente inevitável
necessidade de também ser fera.”

c) “Um galo sozinho não tece uma manhã;
ele precisará sempre de outros galos.”

d) “Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
embora o pão seja caro
e a liberdade pequena.”

e) “Amigos para sempre
é o que nós iremos ser
Na primavera
e em qualquer das estações”

Leia a frase abaixo

“Tirei do bolso uma nota de cinquenta e lhe ofereci pela sua franqueza.”

04.   Com relação a essa atitude do narrador, pode-se afirmar que o mendigo
a) passa a admirá-lo pelo gesto solidário.
b) começa a enxergá-lo como um ser menos nocivo à
c) sociedade.
d) não o vê melhor do que antes, apesar da doação.
e) se coloca inferior ao narrador ao receber tamanha quantia.

Texto para as questões de 05 a 07
TEXTO II - Os filhos do lixo
Lya Luft

Há quem diga que dou esperança; há quem proteste que sou pessimista. Eu digo que os maiores otimistas são aqueles que, apesar do que vivem ou observam, continuam apostando na vida, trabalhando, cultivando afetos e tendo projetos. Às vezes, porém, escrevo com dor. Como hoje.
Acabo de assistir a uma reportagem sobre crianças do Brasil que vivem do lixo. Digamos que são o lixo deste país, e nós permitimos ou criamos isso. Eu mesma já vi com estes olhos gente morando junto de lixões, e crianças disputando com urubus pedaços de comida estragada para matar a fome.
A reportagem era uma história de terror – mas verdadeira, nossa, deste país. Uma jovem de menos de 20 anos trazia numa carretinha feita de madeiras velhas seus três filhos, de 4, 2 e 1 ano. Chegavam ao lixão, e a maiorzinha, já treinada, saía a catar coisas úteis, sobretudo comida. Logo estavam os três comendo, e a mãe, indagada, explicou com simplicidade: "A gente tem de sobreviver, né?".
Não sei como é possível alguém dizer que este país vai bem enquanto esses fatos, e outros semelhantes, acontecem. Pois, sendo na nossa pátria, não importa em que recanto for, tudo nos diz respeito, como nos dizem respeito a malandragem e a roubalheira, a mentira e a impunidade e o falso ufanismo. Ouvimos a toda hora que nunca o país esteve tão bem. Até que em algumas coisas, talvez muitas, melhoramos.
Mas quem somos, afinal? Que país somos, que gente nos tornamos, se vemos tudo isso e continuamos comendo, bebendo, trabalhando e estudando como se nem fosse conosco? Deve ser o nosso jeito de sobreviver – não comendo lixo concreto, mas engolindo esse lixo moral e fingindo que está tudo bem. Pois, se nos convencermos de que isso acontece no nosso meio, no nosso país, talvez na nossa cidade, e nos sentirmos parte disso, responsáveis por isso, o que se poderia fazer?

05.  Assinale a alternativa que NÃO contém uma característica comum ao texto lido:
a) É argumentativo.
b) Trata de uma questão relevante em termos sociais, sustentando a opinião do autor.
c) As justificativas das posições elencadas pela autora reiteram o caráter argumentativo do texto.
d) A autora sustenta seu ponto de vista em bases sólidas, embora não emita opinião permitindo que o leitor a forme.
e) O texto oferece uma análise mais detalhada e reflexiva de uma notícia veiculada pela mídia.

06.  ‘Eu mesma já vi com estes olhos’. Assinale a alternativa que contém a melhor análise do significado da expressão:
a) O trecho contém um termo que repete desnecessariamente uma ideia já retratada.
b) A redundância do termo ‘já vi com estes olhos’ é legítima para conferir à expressão mais vigor e clareza.
c) A construção ‘eu mesma já vi’ é irrepreensível em seu emprego e constitui um pleonasmo vicioso.
d) ‘vi com estes olhos’ deixa a desejar a confirmação da ideia que desejou reiterar.
e) ‘eu mesma’ contém um fenômeno chamado tautologia que se configura pela repetição desnecessária de dois termos que se excluem.

07.  Pelo termo ‘ufanismo’, entende-se:
a) orgulho exagerado
b) corrupção
c) falta de patriotismo
d) ocultação da verdade
e) imitação do estrangeiro

Texto III
O que o povo quer do próximo presidente

    Um bom candidato presidencial precisa estar atento às preocupações que mais afligem os cidadãos. Essa postura é necessária, primeiramente, pela razão óbvia de que ninguém ganha as eleições sem tocar nos temas mais importantes para a maioria da população. Mas há outro motivo para levar em conta a voz do povo: em grande medida, as sondagens de opinião expressam os erros e os avanços das políticas públicas, de modo que podem ser usadas como uma bússola para que o eleito priorize as questões mais relevantes.
Revista Época

08. O texto 3 NÃO permite afirmar que
a) os candidatos à presidência sempre levam em consideração as preocupações do povo.b) as sondagens de opinião podem servir como referência para as questões prioritárias do candidato eleito.c) as sondagens de opinião, geralmente, revelam o que o povo considera certo ou errado nas políticas públicas.d) um bom candidato deve estar atento aos problemas que mais preocupam o cidadão.e) dois motivos são apontados para que um bom candidato esteja atento às preocupações do cidadão: a) ninguém ganha as eleições sem tocar nos temas mais importantes para o povo; b) conhecer os erros e acertos nas políticas públicas indicados pelas pesquisas de opinião.

27 de maio de 2016

Acrósticos: o que são e como utilizá-los na sua preparação?


A quantidade de conteúdos cobrados no Enem e em outros vestibulares é realmente assustadora. Independentemente da disciplina, sempre existem determinados assuntos em que a chamada “decoreba” precisa (e deve!) ser utilizada.
Antes de continuarmos, vale ressaltar que o entendimento por completo de uma matéria é sempre a maneira mais adequada de se estudar. Mas quando só isso não for o suficiente e você necessitar decorar algumas coisa (e pode apostar que isso vai acontecer!), uma das técnicas mais eficazes são os chamados acrósticos.
Primeiro vamos a definição. Segundo o dicionário Michaelis, acróstico é uma composição poética em que as letras iniciais, mediais ou finais de cada verso, reunidas, formam um nome de pessoa ou objeto, tomado como tema.
E como usar isso nos estudos? Basicamente de duas maneiras. A primeira é utilizar alguns acrônimos já bastante conhecidos. Por exemplo, em Biologia, você se lembra das fases embrionárias, que são Mórula, Blástula, Gástrula e Nêurula?
Provavelmente não, pois essa “decoreba”, sem nenhuma “ajudinha”, desaparece de nossa memória em poucos dias depois de estudada. Mas se experimentar guardar que as fases embrionárias têm tudo a ver com aquela mãe de algum conhecido? Sabe aquela “Mãe Bem Gorda e Neurótica”?
Entendeu a brincadeira? Ainda não?
Compare as fases embrionárias com as iniciais da frase “Mãe Bem Gorda e Neurótica”. Percebeu agora? É importante destacar que, neste caso, este método de memorização não se encaixaria, tecnicamente falando, como um acróstico. Afinal, as iniciais da frase não formam uma palavra e sim, as iniciais dos itens que precisa decorar.
Deixando um pouco de lado essa parte técnica, vamos à segunda maneira de utilizar os acrósticos nos seus estudos: crie os seus acrósticos! E não se esqueça de ser criativo! Invente frases engraçadas para guardar aqueles nomes chatos que aparecem em praticamente todas as disciplinas. E nesse momento, não se acanhe! Quanto mais engraçada for a associação, melhor será a fixação e mais fácil será lembrar dos assuntos.

22 de maio de 2016

Surgiu a dúvida: É com “Ç”? Por quê?


É comum aparecerem algumas dúvidas de ortografia no momento da escrita. Existem, no Português, alguns sons registrados por diferentes letras, o que pode causar dificuldades e erros. Isso acontece porque a base da ortografia de nosso idioma é fonético-etimológica, o que significa que leva em conta o som, a pronúncia da palavra, e também a origem dela. Daí haver sons iguais com escrita diferente. E, para não errarmos, existem dois jeitos de estudar ortografia: o jeito fácil e o difícil!
Falemos primeiro sobre o jeito fácil: esse, todos colocamos em prática desde que começamos a ler. Como assim? É que quando desenvolvemos o hábito da leitura e a fazemos com atenção (não basta ‘passar os olhos’ sobre o texto para saber mais ou menos do que ele trata), acionamos um mecanismo de ‘memória visual’: mesmo sem nos darmos conta, nosso cérebro registra a ‘aparência’ daquelas palavras.
É isso que nos possibilita verificarmos a ortografia escrevendo o termo de dois modos e escolhermos a ‘mais bonita’ ou a ‘mais simpática’… Ela não foi escolhida pela beleza, mas porque seu cérebro reconheceu a forma com que ele já se deparou algumas vezes, durante a atividade da leitura. Assim, fica a dica: leia bastante, mas textos bem escritos. E consulte o dicionário sempre que encontrar termos desconhecidos, o que também fixará a grafia na sua memória.
Agora, passemos ao segundo jeito. É estudar e memorizar as regras. Como eu mencionei, a base da ortografia de nosso idioma é fonético-etimológica, mas não é aleatoriamente que se escolheu escrever o vocábulo com uma e não com outra letra. Existe um padrão, que resulta nas regras apresentadas na Gramática.
Será empregado Ç:
1) Nos substantivos derivados dos verbos “ter” e “torcer”
ater– atenção
deter– detenção
manter– manutenção
contorcer– contorção
distorcer-distorção
contorcer– contorção
2) Na conjugação de alguns verbos
nascer – nao, naa
crescer- creo, crea
descer- deo, dea
Aqui a presença do Ç se justifica, pois o verbo no infinitivo já apresenta a letra C, que tem som sibilante diante de vogal E e para manter a mesma letra e o mesmo som, acrescenta-se a cedilha.
3) Na correlação t > ç, c: quando o termo primitivo apresenta um T, o derivado apresentará Ç (pela etimologia: o T está presente na palavra em Latim, geralmente)
Ato – ação,
Canto – cancioneiro,
Ereto – ereção,
Isento – isenção
Exceto – exceção
Deter – detenção
infrator – infração
trator – tração
redator – redação
introspectivo – introspecção
relativo – relação
Exceção: dissentir/dissensão e a correlação rt > ers: divertir/diversão
4) Em palavras derivadas de verbos dos quais se retira a desinência R:
reeducar – reeducação
importar – importação
repartir – repartição
fundir – fundição
5) Após ditongo quando houver som de s:
eleição
traição
6) Em vocábulos de origem árabe, italiana, tupi e africana:
açúcar, muçulmano, açafrão, açoite, açougue
muçarela, carroça
araçá, açaí, Iguaçu, Juçara, Guaçu
bagunça, cachaça, caçula, miçanga
Propositalmente, deixei por último as palavras de origem estrangeira, pois a pergunta que me fazem é sempre a mesma: “Como vou saber que o termo vem de outra língua?
E para responder, volto ao jeito fácil de aprender ortografia… Não é preciso saber, se a palavra for incorporada na nossa bagagem vocabular e cultural por meio da leitura!!!
E o conhecimento detalhado das regras servirá apenas para resolver questões, pois nem os professores de Língua Portuguesa, quando estão redigindo textos, ficam pensando em cada uma das regras… Nós lançamos mão de nosso estoque de palavras guardado na memória. E recorremos ao dicionário, quando a memória dá uma falhada, afinal, apesar de tudo, somos humanos, como os alunos hehe!

Tema de redação

Na verdade, durante a maior parte do século XX, os estádios eram lugares onde os executivos empresariais sentavam-se lado a lado com os operários, todo mundo entrava nas mesmas filas para comprar sanduíches e cerveja, e ricos e pobres igualmente se molhavam se chovesse. Nas últimas décadas, contudo, isso está mudando. O advento de camarotes especiais, em geral, acima do campo, separam os abastados e privilegiados das pessoas comuns nas arquibancadas mais embaixo. (...) O desaparecimento do convívio entre classes sociais diferentes, outrora vivenciado nos estádios, representa uma perda não só para os que olham de baixo para cima, mas também para os que olham de cima para baixo. Os estádios são um caso exemplar, mas não único. Algo semelhante vem acontecendo na sociedade americana como um todo, assim como em outros países. Numa época de crescente desigualdade, a “camarotização” de tudo significa que as pessoas abastadas e as de poucos recursos levam vidas cada vez mais separadas. Vivemos, trabalhamos, compramos e nos distraímos em lugares diferentes. Nossos filhos vão a escolas diferentes. Estamos falando de uma espécie de “camarotização” da vida social. Não é bom para a democracia nem sequer é uma maneira satisfatória de levar a vida. Democracia não quer dizer igualdade perfeita, mas de fato exige que os cidadãos compartilhem uma vida comum. O importante é que pessoas de contextos e posições sociais diferentes encontrem-se e convivam na vida cotidiana, pois é assim que aprendemos a negociar e a respeitar as diferenças ao cuidar do bem comum. Michael J. Sandel. Professor da Universidade Harvard. O que o dinheiro não compra. Adaptado

Comentário do Prof. Michael J. Sandel referente à afirmação de que, no Brasil, se teria produzido uma sociedade ainda mais segregada do que a norte-americana. O maior erro é pensar que serviços públicos são apenas para quem não pode pagar por coisa melhor. Esse é o início da destruição da ideia do bem comum. Parques, praças e transporte público precisam ser tão bons a ponto de que todos queiram usá-los, até os mais ricos. Se a escola pública é boa, quem pode pagar uma particular vai preferir que seu filho fique na pública, e assim teremos uma base política para defender a qualidade da escola pública. Seria uma tragédia se nossos espaços públicos fossem shopping centers, algo que acontece em vários países, não só no Brasil. Nossa identidade ali é de consumidor, não de cidadão. Entrevista. Folha de S. Paulo, 28/04/2014. Adaptado. [No Brasil, com o aumento da presença de classes populares em centros de compras, aeroportos, lugares turísticos etc., é crescente a tendência dos mais ricos a segregarͲse em espaços exclusivos, que marquem sua distinção e superioridade.] (...) Pode ser que o fenômeno “camarotização”, isto é, a separação física entre classes sociais, prospere para muitos outros setores. De repente, os supermercados poderão ter ala VIP, com entrada independente, cuja acessibilidade, tacitamente, seja decidida pelo limite do cartão de crédito. Renato de P. Pereira. www.gazetadigital.com.br, 06/05/2014. [Resumido] e adaptado

. Até os anos de 1960, a escola pública que eu conheci, embora existisse em menor número, tinha boa qualidade e era um espaço animado de convívio de classes sociais diferentes. Aprendíamos muito, uns com os outros, sobre nossas diferentes experiências de vida, mas, em geral, nos sentíamos pertencentes a uma só sociedade, a um mesmo país e a uma mesma cultura, que era de todos. Por isso, acreditávamos que teríamos, também, um futuro em comum. Vejo com tristeza que hoje se estabeleceu o contrário: as escolas passaram a segregar os diferentes estratos sociais. Acho que a perda cultural foi imensa e as consequências, para a vida social, desastrosas. Trecho do testemunho de um professor universitário sobre a Escola Fundamental e Média em que estudou. Os três primeiros textos aqui reproduzidos referem-se à “camarotização” da sociedade nome dado à tendência a manter segregados os diferentes estratos sociais. Em contraponto, encontra-se também reproduzido um testemunho, no qual se recupera a experiência de um período em que, no Brasil, a tendência era outra

. Tendo em conta as sugestões desses textos, além de outras informações que julgue relevantes, redija uma dissertação em prosa, na qual você exponha seu ponto de vista sobre o tema “Camarotização” da sociedade brasileira: a segregação das classes sociais e a democracia. Instruções:  A redação deve ser uma dissertação, escrita de acordo com a norma padrão da língua portuguesa.  Escreva, no mínimo, 25 linhas, com letra legível. Não ultrapasse o espaço de 30 linhas da folha de redação.  Dê um título a sua redação. 

Tema de redação

Quando você busca apoiar uma causa social, o que faz? Provavelmente uma das primeiras coisas é acessar a internet: fazer uma doação, compartilhar campanhas e experiências, assinar uma petição ou confirmar presença em algum protesto. Esses são alguns dos exemplos de como a rede vem ampliando o ativismo social e político e criando novas formas de atuação e mobilização, compondo o que é chamado de ciberativismo. O ciberativismo é um termo recente e consiste na utilização da internet por grupos politicamente motivados que buscam difundir informações e reivindicações sem qualquer elemento intermediário com o objetivo de buscar apoio, debater e trocar informação, organizar e mobilizar indivíduos para ações, dentro e fora da rede. Com essas possibilidades, todos podem ser protagonistas de uma causa. A internet pode ser usada ainda como um canal de comunicação adicional ou para coordenar ações offline de forma mais eficiente. Além disso, permite a criação de organizações online, permitindo que grupos tenham sua base de atuação na rede; o que possibilita ações no próprio ambiente da rede, como ocupações virtuais e a invasão de sites por hackers.O século 21 apresentou um fenômeno cultural tão novo quanto revolucionário: as redes digitais. Não é possível afirmar, com retidão acadêmica, que elas tenham surgido apenas nos últimos vinte anos, mas foi nesse período que ganharam relevância suficiente para se tornar um fenômeno globalizado e ao mesmo tempo político. Nesse sentido e para entender esse fenômeno, a ciência da Cultura, Política e Ativismo nas Redes Digitais é de grande auxílio. Pesquisadores de áreas das ciências sociais, da comunicação, que se dedicam ao estudo dos impactos das novas tecnologias de informação nos diversos âmbitos das sociedades contemporâneas, discutem diversos aspectos da sociedade e sua relação política com as redes digitais.

A partir da leitura dos fragmentos de textos colocados abaixo e de seus argumentos sobre o tema, elabore um texto ‘dissertativo-argumentativo’, com o uso da norma padrão da língua portuguesa, sobre o tema: O ativismo social e a repercussão cultural, política e social nas redes digitais. Apresente uma proposta de intervenção. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos em defesa de um ponto de vista.

Tema de redação

A saga dos refugiados: o caminho entre a fuga e a xenofobia. A partir da leitura dos fragmentos de textos colocados abaixo e de seus argumentos sobre o tema, elabore um texto ‘dissertativo-argumentativo’, com o uso da norma padrão da língua portuguesa, sobre o tema: A saga dos refugiados: o caminho entre a fuga e a xenofobia. Apresente uma proposta de intervenção. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos em defesa de um ponto de vista.
PROPOSTA TEXTO 1 - DESLOCANDO-SE ATRAVÉS DAS FRONTEIRAS A prática de conceder asilo em terras estrangeiras a pessoas que estão fugindo de perseguição é uma das características mais antigas da civilização. Referências a essa prática foram encontradas em textos escritos há 3.500 anos, durante o florescimento dos antigos grandes impérios do Oriente Médio, como o Hitita, Babilônico, Assírio e Egípcio antigo. Mais de três milênios depois, a proteção de refugiados foi estabelecida como missão principal da agência de refugiados da ONU, que foi constituída para assistir, entre outros, os refugiados que esperavam para retornar aos seus países de origem no final da II Guerra Mundial. A Convenção de Refugiados de 1951, que estabeleceu o ACNUR, determina que um refugiado é alguém que “temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país”. Desde então, o ACNUR (Agência da ONU para Refugiados) tem oferecido proteção e assistência para dezenas de milhões de refugiados, encontrando soluções duradouras para muitos deles. Os padrões da migração se tornaram cada vez mais complexos nos tempos modernos, envolvendo não apenas refugiados, mas também milhões de migrantes econômicos. (...) Migrantes, especialmente migrantes econômicos, decidem deslocar-se para melhorar as perspectivas para si mesmos e para suas famílias. Já os refugiados necessitam deslocar-se para salvar suas vidas ou preservar sua liberdade. Eles não possuem proteção de seu próprio Estado e, de fato, muitas vezes é seu próprio governo que ameaça persegui-los. Se outros países não os aceitarem em seus territórios, e não os auxiliarem uma vez acolhidos, poderão estar condenando estas pessoas à morte ou à uma vida insuportável nas sombras, sem sustento e sem direitos.

Tema de redação

O cenário da autonomia da mulher brasileira nos casos de interrupção da gestação. PROPOSTA A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema: O cenário da autonomia da mulher brasileira nos casos de interrupção da gestação. Apresente proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
 TEXTO  motivador - “O médico Renato Azevedo, presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, acredita que a iniciativa do CFM (Conselho Federal de Medicina) de defender a liberação do aborto até o 3º mês de gestação terá um grande impacto na saúde pública do país, pois ajudará a diminuir o número de procedimentos clandestinos que são realizados em locais que não dispõem de estrutura adequada. “São feitos no Brasil cerca de 1 milhão de abortos por ano, na maioria das vezes conduzidos por profissionais não qualificados, o que aumenta os riscos de infecção por causa das más condições de higiene.” “A Pesquisa Nacional do Aborto,  mostra que 1 em cada 5 mulheres já fez aborto. A questão é: se continuar a ser considerado crime, haverá cadeia para todos ?”, completa Azevedo. O fato de ser indicado até a 12ª semana de gestação, de acordo com o médico, ocorre porque até essa fase da gestação o risco de morte para a mãe é menor. “[Nessa fase] O sistema nervoso do feto também não está completo.” Esse assunto já vem sendo discutido pela comunidade médica há mais de dois anos, segundo Azevedo. Foram ouvidos representantes de diferentes segmentos e analisados inúmeros estudos e contribuições. Também foram levados em conta aspectos éticos e bioéticos; epidemiológicos e de saúde pública; sociais; e jurídicos. Até o momento, o aborto é ilegal no país, com exceção dos casos de estupro, ou quando há risco de morte da mãe. Em abril do ano passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que o aborto de fetos anencéfalos (má-formação que consiste na ausência total ou parcial do cérebro) não é mais considerado crime. “Não se trata de ser a favor, mas o que estamos discutindo aqui é a autonomia da mulher, seu poder de escolha”, finaliza Renato Azevedo. “Com base na constatação de administrar os interesses da coletividade, emerge o Estado a fim de regular e impor normas jurídicas, propulsionando a efetivação dos direitos fundamentais reconhecidos no ordenamento, seja de forma omissiva, de modo a não interferir na esfera individual, seja de modo comissivo, com o fito de resguardar os referidos direitos, especialmente no que se refere ao direito à vida humana. Etimologicamente, o termo autonomia deriva do grego onde auto significa próprio e nomos significa lei, regra, norma. Dessa forma, significa a autodeterminação da pessoa em realizar suas escolhas, decidindo o que é o bom. Para se falar em autonomia, há que se verificar se existe liberdade de pensamento, sem coações internas ou externas. Se não existir possibilidade de escolha, não se pode falar em liberdade e, por conseguinte, não existe autonomia. Deste modo, a autonomia nada mais é que uma liberdade moral, conferida a todos e que deve ser respeitada. Tendo em vista o controle social, o estado psíquico do ser humano, as suas relações sociais, se torna impossível falar numa autonomia pura, desvinculada de qualquer coação interna ou externa; no entanto, existem algumas situações em que é visível a falta total da autonomia. Se não há liberdade, a autonomia não é desenvolvida de forma ampla: é o que ocorre, por exemplo, com a falta de recursos em membros de determinado grupo social tornando-os vulneráveis e os impedindo-os de ter escolhas, seja pela falta de recursos econômicos, seja pela falta de conhecimentos

Tema de redação

As ações humanas atuais e a herança para o futuro PROPOSTA A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema: As ações humanas atuais e a herança para o futuro. Apresente proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

 TEXTO motivador - Nossos passos sobre a terra Caminhar na praia oferece um misto de sensações reconfortantes. Pisar na areia macia, respirar a brisa carregada de oxigênio e ter a certeza de que o mar vai apagar nossos passos depois. Isso tudo, provavelmente, faz parte de uma experiência ancestral. Foi andando pela orla marinha que um pequeno grupo de antepassados nossos aventurou-se para fora da África pela primeira vez, há cerca de 50 mil anos. Alimentando-se de peixes, mariscos e frutos do litoral do Oceano Índico e do Mar Mediterrâneo, eles seguiram adiante. Geração após geração, exploraram os recursos daquelas terras generosas. O grupo inicial, de umas 150 pessoas, cresceu e se multiplicou. Hoje, somos 6 bilhões de humanos.E nossa caminhada deixa para trás rastros que o planeta não consegue mais limpar. Seis ameaças e uma esperança: Contaminação dos alimentos. O uso de fertilizantes e pesticidas na agricultura cresceu mais de 350% entre 1961 e 2002. São mais de 141 milhões de toneladas no mundo todo. Por enquanto, a agricultura orgânica representa menos de 1% da produção na maioria dos países. Invasões biológicas. Organismos fora de seu habitat desequilibram o meio ambiente. Os mexilhões-zebra da China, trazidos por navios, invadiram os rios e lagos das Américas, entupindo canos. Causam bilhões de dólares de prejuízo. A proliferação de algas exóticas do mar, chamada de maré vermelha afeta a pesca. Perda de biodiversidade. A caça e o desmatamento afetam a biodiversidade do planeta. Calcula-se que 16.118 espécies, entre aves, mamíferos e anfíbios estejam ameaçadas de extinção. Falta de água. A erosão e o uso inadequado estão secando alguns dos principais rios do planeta, como o Amarelo na China, e o Colorado, nos Estados Unidos. Em média, 18% da população mundial tem de andar mais de 1 quilômetro a pé para buscar água

Tema de redação

As consequências do consumismo infantil PROPOSTA A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema: As consequências do consumismo infantil. Apresente proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

 TEXTO 1 No Brasil, a publicidade na TV e na internet são as principais ferramentas do mercado para a persuasão do público infantil, que cada vez mais cedo é chamado a participar do universo adulto quando é diretamente exposto às complexidades das relações de consumo sem que esteja efetivamente preparado para isso. As crianças são um alvo importante, não apenas porque escolhem o que seus pais compram e são tratadas como consumidores mirins, mas também porque impactadas desde muito jovens tendem a ser mais fiéis a marcas e ao próprio hábito consumista que lhes é praticamente imposto. 

 TEXTO 2 O impacto da publicidade no desenvolvimento infantil é um tema atual e bastante polêmico. Através da visão proposta pelos meios de comunicação, as crianças são constantemente bombardeadas por conteúdo especial direcionado a elas. Dentro desse contexto de mercado, as crianças estão cada vez mais informadas (devido ao amplo acesso às mídias eletrônicas: principalmente a internet, o celular e a televisão). Na verdade, antes mesmo de nascerem, as crianças já estão inseridas na sociedade consumista. Já no período de gestação, os pais consomem para suprir as necessidades de seu futuro bebê, que nascerá para contemplar um mundo novo que é cada vez mais norteado por relações baseadas no consumo.

19 de maio de 2016

Redação e os adjetivos

Redação no ENEM: A Importância dos Adjetivos Enem


adjetivo é uma classe de palavra que modifica outra classe de palavra, o substantivo, acrescentando a este uma qualidade, uma extensão ou ainda uma quantidade àquilo que ele nomeia. A qualidade acrescida, por sua vez, pode ser uma qualidade positiva ou negativa, pois não é sempre que o adjetivo modifica, positivamente, um substantivo. Por isso, recomendo que pensemos que o adjetivo caracteriza um substantivo ao invés de qualificar um substantivo. Além dos adjetivos, temos também as locuções adjetivas e os adjetivos substantivados, ou seja, adjetivos que têm funções sintáticas de substantivos.
A conceitualização do adjetivo é conhecida da maioria das pessoas que sabe identificar tal classe de palavra e que a usa, sem maiores problemas, no dia a dia ao falar e ao escrever. Porém, na maior parte das vezes, não nos damos conta de que os adjetivos que usamos indicam, de antemão, nossa opinião sobre um determinado assunto ou uma determinada pessoa. Dependendo do contexto no qual estamos inseridos, usamos adjetivos para expressarmos posicionamentos, posturas, ideias e opiniões e, no contexto da redação do ENEM, portanto, os adjetivos são fundamentais para construirmos nossas estratégias argumentativas a fim de elaborarmos uma tese embasada.
Em uma dissertação-argumentativa, como a proposta de redação do ENEM, devemos, como autores, opinar, de maneira consistente, acerca de uma determinado tema, sempre respeitando os direitos humanos. Deste modo, somos postos em uma situação de escolha de lados, como por exemplo, na proposta de redação do ENEM sobre a publicidade infantil em questão no Brasil; o candidato, nesse caso, tinha duas opções: ser contra ou favorável às propagandas para as crianças.
Neste sentido, o uso dos adjetivos no momento do embasamento crítico e argumentativo é essencial para indicar as opiniões do autor acerca do referido tema em relação à publicidade infantil propriamente dita, à regulamentação das mesma, às famílias, ao papel do governo, da escola e dos pais etc.
Para exemplificarmos de uma maneira mais objetiva, e até divertida, usaremos uma tirinha da Mafalda, personagem do cartunista argentino Quino:
mafaldaa_redacao
No primeiro quadrinho da tirinha, Mafalda refere-se ao Cavaleiro Solitário (personagem do gibi que Filipe está lendo) por meio da expressão “esse cara” que, por sua vez, é usada quando não conhecemos um referido homem ou rapaz ou quando o conhecemos, mas temos uma impressão ruim do mesmo. Vale lembrar que, obviamente, também depende da forma como pronunciamos tal expressão, da nossa entonação, do nosso interlocutor e do contexto no qual estamos inseridos.
Já no segundo quadrinho, Filipe responde a Mafalda que o Cavaleiro é solitário (adjetivo) porque o super-herói luta sozinho (adjetivo) contra os maus (adjetivo). No terceiro quadrinho, como sempre contestadora e questionadora, Mafalda inverte o sentido que usualmente damos à palavra “solitário”: ao invés de despertar pena ou dó do personagem por ele ser solitário ou, ainda, ao invés de Mafalda o elogiar porque “ele luta sozinho contra os maus”, a menina o caracteriza como tonto (adjetivo) porque ele não sabe que é mais positivo (adjetivo) trabalhar em grupo, chamando-o de “ignorante” (adjetivo) no fim da tirinha. O que para a maioria das pessoas é um ato de bravura, para Mafalda é uma ignorância e uma bobagem.
Neste caso, os adjetivos contribuem para com o efeito de humor da tirinha, já que a compreensão de Mafalda e a expressão facial de Filipe geram risos, já que o menino fica atônito com as conclusões da amiga. Já no caso de uma dissertação-argumentativa, os adjetivos expressam, assim como Mafalda fez, a nossa apreciação de valor sobre determinado assunto e, portanto, devem ser usados com precisão vocabular.

17 de maio de 2016

Colocação pronominal

No momento da escrita, é comum que surjam algumas dúvidas com relação ao emprego correto dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, nos, vos, o, a, os, as, lhe, lhes). Ex.: Quero te ver ou quero ver-te? Te amo ou amo-te? Não me irrite ou não irrite-me? Vamos estudar agora a colocação desses pronomes em relação ao verbo.
Os pronomes oblíquos átonos podem ocupar três posições: antes do verbo (próclise), no meio do verbo (mesóclise) e depois do verbo (ênclise).
colocação pronominal
Veja:
  • Não me incomode, pois preciso estudar. (pronome antes do verbo – próclise)
  • Enviar-te-ei o dinheiro hoje à noite. (pronome no meio do verbo – mesóclise)
  • Entregaram-me os documentos. (pronome depois do verbo – ênclise)
De acordo com a norma culta, há várias regras definidas para cada uma dessas situações. Vamos conhecê-las!
Quando se usa a próclise: 
  • Advérbios em geral – Hoje me enviaram os livros.
  • Palavras de sentido negativo – Jamais me direcione a palavra.
  • Pronomes indefinidos – Tudo me incomoda neste lugar.
  • Pronomes interrogativos – Quem lhe enviou a encomenda?
  • Pronomes relativos – Acharam duas crianças que se encontravam desaparecidas.
  • Conjunções e locuções conjuntivas subordinativas – Soube que me negaram a resposta.
  • Algumas conjunções coordenativas aditivas e alternativas – Ora me ajuda, ora meatrapalha.
  • Orações exclamativas e optativas (exprimem desejo)  – Como se ofendem por nada! / Deus te proteja, meu filho!
  • Preposição seguida de gerúndio – Em se tratando de negócios, você precisa falar com o gerente.
  • Infinitivo flexionado – Foram aplaudidos por nos tratarem bem.
  • Formas verbais proparoxítonas – Nós lhes desobedecíamos sempre.
  • Numeral ambos – Ambos me abraçaram com cuidado.
Quando se usa a mesóclise: 
  • Verbos no futuro do presente – Entregar-lhe-ei as flores amanhã.
  • Verbos no futuro do pretérito – Enviar-te-ia os relatórios da empresa.
Quando se usa a ênclise: 
  • Frase iniciada com verbo (desde que não seja no futuro) – Envie-me as contas hoje.
  • Orações reduzidas de infinitivo – Espero contar-lhe isto hoje à noite.
  • Orações reduzidas de gerúndio – A mãe ajudou a criança, dando-lhe carinho.
  • Pausa antes do verbo – Se eu recuperar a saúde, mudo-me para o campo.
  • Orações imperativas afirmativas – Professor, ajude-me neste exercício!
  • Verbo no infinitivo não flexionado – Machucar-te não era a minha intenção.
  • Verbo no gerúndio – Recusou a resposta, fazendo-se de desentendida.
colocação pronominal2
Importante! 
Vale lembrar que os pronomes o, a, os, as viram -lo, -la, -los, las diante de verbos terminados em –r, -s ou -z e viram -no, -na, -nos-nas diante de verbos terminados em -m, -ão, -õe. Veja alguns exemplos: Vou vender meu carro. Vou vendê-lo / Quisaquelas roupas. Qui-las. / Fiz o dever ontem. Fi-lo ontem. / Eles escreveram uma carta. Eles escreveram-na. / Dão os resultados. Dão-nos. / Põe as cadeiras aqui. Põe-nas aqui.
colocação pronominal1
Na língua falada atual, ocorre uma tendência para a próclise, no entanto iniciar frase com pronomes átonos não é aconselhável em uma conversa formal. Por exemplo:
Vamos aos exercícios para fixar o conteúdo aprendido?
Exercícios
De acordo com a norma culta, marque a opção correta:
  1. a. Tudo resolve-se com o tempo.
    b. Tudo se resolve com o tempo.
  2. a. Ela argumentou se fazendo de boba.
    b. Ela argumentou fazendo-se de boba.
  3. a. É um trabalho que me absorve muito.
    b. É um trabalho que absorve-me muito.
  4. a. Mãe, ajude-me a escolher a roupa!
    b. Mãe, me ajude a escolher a roupa!
  5. a. Preciso vê-lo, me disse o rapaz.
    b. Preciso vê-lo, disse-me o rapaz.
  6. a. Ontem disseram-me a nota.
    b. Ontem me disseram a nota.
  7. a. Quero convidar-te para o baile.
    b. Quero te convidar para o baile.
  8. a. Alguém contou-me uma piada.
    b. Alguém me contou uma piada.
  9. a. Aquilo mostrou-me a verdade.
    b. Aquilo me mostrou a verdade.
  10. a. Em tratando-se de frutas, prefiro as cítricas.
    b. Em se tratando de frutas, prefiro as cítricas.
  11. a. Me sigam, por favor.
    b. Sigam-me, por favor.
  12. a. Se for possível, me encaminho à empresa.
    b. Se for possível,  encaminho-me à empresa.
  13. a. O concurso realizar-se-á no domingo.
    b. O concurso se realizará no domingo.
  14. a. Recusei a ideia que me contaram.
    b. Recusei a ideia que contaram-me.
  15. a. Ela partiu quando contaram-lhe sobre o acidente.
    b. Ela partiu quando lhe contaram sobre o acidente.
Resposta: 1. b / 2. b / 3. a / 4. a / 5. b / 6. b / 7. a  / 8. b  / 9. b / 10. b. / 11. b / 12. b / 13. a / 14. a / 15. b