No inicio do blog

26 de fevereiro de 2015

Redação


Atualmente, vivemos em um mundo bombardeado de informações. Com o advento da internet, a maioria da população tem acesso ao o que está acontecendo ao seu redor e em lugares distantes por meio do computador, do tablet e do celular e, às vezes, desconectar-se para estudar, por exemplo, é muito difícil, já que tudo isso é muito atraente.
Obviamente que estar conectado ao mundo, deste modo, é de fundamental importância para todos nós e, especialmente, para os candidatos do Enem, já que o Exame Nacional do Ensino Médio traz em suas questões e na sua proposta de redação temas atuais e relevantes para a sociedade brasileira.
No entanto, no momento de escrever uma redação, após a pesquisa e o aprofundamento do tema, é necessário um tempo sem distrações. Em outras publicações, afirmamos que há dois momentos de se escrever um texto: o primeiro, sem pressa, pesquisando e debatendo a proposta de redação com professores e amigos e, o segundo, simulando o dia do Enem, por exemplo, controlando o tempo para se escrever o rascunho e para passar a limpo o texto na folha oficial.
Para estas simulações ocorrerem da melhor maneira possível, como se fosse realmente o segundo dia de prova do Enem no qual há a aplicação da proposta de redação, o candidato deve estar concentrado e, portanto, não pode se distrair. As distrações atrapalham muito o rendimento, tanto no estudo quanto no trabalho e para o candidato trabalhar sobre isso indicamos o uso da técnica Pomodoro.
redação_distraído
A técnica Pomodoro foi criado por um italiano no final da década de 80 a partir da observação dos timers usados nas cozinhas em forma de tomates; por isso o nome Pomodoro – tomate em italiano. Os pomodoros ou timers são programados para soarem um alarme quando o tempo selecionado para se assar um bolo, por exemplo, acabar; deste modo, quem está assando o bolo é avisado de que pode desligar o forno.
Ao levar esta técnica da cozinha para o escritório, seu criador objetivou evitar distrações de uma maneira muito simples. Os Pomodoros são períodos de 25 minutos que devem ser aproveitados para estudar ou trabalhar em uma tarefa de forma ininterrupta; entre um período e outro (entre um Pomodoro e outro) deve haver uma pausa rápida de até 5 minutos que devem ser aproveitados para beber água, ir ao banheiro, tomar um café etc. Ao completar quatro períodos ou quatro Pomodoros, a pausa deve ser mais longa, de até 30 minutos, na qual algo que dê prazer possa ser feito, ou seja, para que haja uma recompensa por todo o tempo estudado ou trabalhado.
Para começar a utilizar a técnica Pomodoro, é preciso, primeiramente, listar todas as tarefas que devem ser realizadas no dia de acordo com as suas prioridades; é importante definir quais tarefas são mais importantes e/ou demandam mais tempo. Feito isso, controle-se para não ser distraído por fatores externos, como por exemplo, notificações de redes sociais no computador e no celular, televisão e outras distrações. Um ambiente bem iluminado e silencioso é fundamental.
Então, um celular, um relógio ou um timer deve ser ajustado em 25 minutos e o estudo ou trabalho deve começar. Caso, durante um Pomodoro, uma ideia surja, esta deve ser anotada para ser desenvolvida posteriormente, em outro Pomodoro; já se a tarefa selecionada acabe antes do término dos 25 minutos, este tempo restante deve ser aproveitado para realizar tarefas mais rápidas, como por exemplo, responder a um e-mail.
Esta técnica pode ser utilizada pelos candidatos do Enem e de outros vestibulares para estudar, além da redação, todas as outras disciplinas treinando a concentração e o empenho contínuo em cada tarefa. Além disso, por meio do Pomodoro, é possível verificar quanto tempo é gasto ao se escrever uma redação, por exemplo e controlar esta fator pensando no dia do exame.

25 de fevereiro de 2015

Redação - vamos ler para poder escrever!!

1. Diálogo entre ciência e sociedade

A ciência realiza novas descobertas frequentemente, o que possibilita melhorias e desenvolvimento de novas tecnologias. Entretanto, muitas vezes a sociedade não entende o método científico e muitas coisas são confrontadas com paradigmas culturais, morais ou religiosos. Para lidar com isso, é necessário haver comunicação entre o meio científico e a população.

2. Limites entre estética e saúde

Academia, dietas, cirurgias plásticas, anabolizantes etc. É grande a busca pelo corpo perfeito caracterizado por um padrão de beleza. Mas até que ponto a estética coincide com hábitos saudáveis? Conhece-se muitas doenças causadas por insatisfação corporal como anorexia, bulimia, depressão, compulsão alimentar e obesidade, além de consequências no convívio social como discriminação e baixa autoestima.

3. Novos modelos de educação

Há muitos debates ocorrendo sobre as problemáticas do sistema tradicional de ensino e novos modelos de educação para o século XXI, tendo em pauta os métodos de avaliação, uso de tecnologias, interação professor-aluno, formação crítica e social etc. Um recente documentário realizado no Brasil que ajuda na discussão desse tema é o “Quando sinto que já sei” que pode ser encontrado no Youtube.

4. Dificuldades da formação universitária

A formação universitária no Brasil encontra diversos obstáculos como financeiro (o alto valor das mensalidades em faculdades privadas, custeio de transporte ou residência, materiais didáticos, alimentação), psicológico (escolha de curso, afastamento de familiares e amigos, aumento de responsabilidades, inserção no mercado de trabalho), entre outros. Ao mesmo tempo, o Estado tem criado políticas públicas como Fies, Pronatec, sistemas de cotas, criação de novas universidades etc.

Redação - mãos à obra - em síntese, vamos ler

5. Conceito de família no século XXI

O projeto de Lei 6583 de 2013 cria o Estatuto da Família. Nesse texto, família é definida como união entre homem e mulher. A partir disso, muitas discussões têm sido feitas sobre o conceito de família atualmente, com o intuito de refletir sobre famílias formadas por mães ou pais solteiros, avós e tios, casais homossexuais, poligamia etc.

6. Justiça com as próprias mãos

Tema bastante polêmico em 2014 e que pode ser discutido com mais imparcialidade esse ano. O combate à violência através da justiça com as próprias mãos é válido? Definições de justiça, casos de linchamentos, rebeldia com a ordem e segurança públicas são alguns pontos que abordam essa temática.

7. Obsolescência programada

Esse conceito significa a diminuição da vida útil de equipamentos com o intuito de incentivar a compra de novos produtos ou versões atualizadas. Rodeio esse tema a questão do consumismo exacerbado, resíduos eletrônicos, responsabilidade e consciência social do consumidor. Um documentário sobre esse assunto também pode ser encontrado no Youtube e ajuda no entendimento.

8. Trânsito em grandes metrópoles

Grandes cidades têm tido cada vez mais problemas com o trânsito. Muitos pontos podem ser discutidos nessa temática como a preferência dos cidadãos por transporte público ou individual, poluição causada por muitos carros, poluição sonora (buzinas em congestionamento), via exclusiva para ônibus, ciclovias, tempo gasto diariamente entre trabalho e residência, atraso nos horários e superlotação em ônibus, trens e metrôs, greves dos funcionários de transportes públicos, preços das passagens, catraca livre etc.

9. Voluntariado e transformações sociais

O trabalho voluntário no Brasil tem passado por uma transformação. Não se pensa mais no voluntariado como assistencial (doação de roupas, alimentos e agasalhos, por exemplo), mas como uma tentativa de mudança social, através de medidas inclusivas e de impacto. Outro ponto a ser considerado é a valorização que as empresas fazem de candidatos e funcionários que realizam trabalhos voluntários, assim como próprios projetos sociais realizados pelas empresas para contribuição à sociedade ou marketing.

10. Liberdade de expressão e mídia

Tema bastante atual, a liberdade de imprensa tem sido muito discutida, principalmente após o ataque à revista francesa Charlie Hebdo no início desse ano. Pode-se refletir sobre os limites entre liberdade de expressão e respeito às diferenças ou respeito à verdade.

11. Consumo de álcool e droga por adolescentes

Por lei, o consumo de álcool é proibido por adolescentes. Entretanto, é crescente o uso não só de bebidas alcoólicas mas também de drogas lícitas e/ou ilícitas entre os jovens, como cigarro, maconha, cocaína, LSD etc. As razões e consequências desse ato podem servir como base para a discussão do tema.

12. Limites entre humor e bullying

Os limites do humor é algo que tem chamado bastante atenção atualmente por causa de diversos processos a comediantes do Brasil como Rafinha Bastos, Danilo Gentili etc, e o constante uso de discriminação das minorias para fazer piada. A responsabilidade social do comediante foi discutida no excelente documentário de Pedro Arantes, “O riso dos outros”, encontrado no Youtube.

13. Desigualdade étnica e de gênero

O Brasil é um dos países com maior desigualdade do mundo e entre muitos tipos de desigualdade, a étnica e a de gênero costumam ser as mais discutidas, assim como os preconceitos gerados por essa situação, respectivamente, racismo e machismo. Os direitos conquistados, as lutas e reivindicações e as políticas públicas são alguns pontos que merecem ser estudados para entender a causa e argumentar com clareza.

14. Gestão de resíduos urbanos

Em 2010, foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos. A gestão de resíduos ainda é um tema bastante em alta devido à enorme quantidade de lixo produzido anualmente no Brasil. Coleta seletiva e logística reversa são alguns dos termos importantes de serem entendidos. Para conhecer mais sobre a lei e sua importância na sociedade, pode ser consultada a explicação no site do Ministério do Meio Ambiente.

15. Saúde pública

Problemas no Sistema Único de Saúde (SUS) como falta de médicos, atrasos, grandes filas de espera e falta de equipamentos são possíveis de serem tratados em uma dissertação. O tema também é bastante atual devido ao programa de governo Mais Médicos que trouxe médicos de outras nacionalidades (cubanos) para atuar no Brasil com o intuito de amenizar os problemas na saúde pública.

16. Abuso em trotes universitários

Todo ano, vários casos de abuso em trotes universitários são noticiados. Esse ano, um dos casos mais alarmantes foi de uma jovem que teve a perna queimada por ácido. O fator psicológico dos jovens recém inseridos no ensino superior também é pauta nessa discussão. Leia mais sobre esse tema nessa coluna.

17. Tráfico de drogas e violência urbana

A correlação entre o tráfico de drogas e a violência urbana, principalmente em favelas, é muito propício de discussão. Esse tema foi recentemente abordado nos filmes Tropa de Elite (1 e 2) e é sempre mencionado quando se debate sobre Legalização da Maconha, já que o combate às drogas é um dos fatores que mais causam violência e conflito entre policiais e civis no Brasil.

18. Uso da água na economia brasileira

O Estado de São Paulo passa por uma intensa crise hídrica e isso tem colocado a água no centro de grandes discussões. Uma das possibilidades de tema envolvendo a água é a sua importância em diversas atividades econômicas no Brasil como a agroindústria e a geração de energia elétrica através de hidrelétricas.

19. Saúde feminina na gravidez

A preocupação com a saúde da mulher durante a gravidez é um bom tema de redação pois nele podemos tratar várias problemáticas presentes na sociedade brasileira como o aborto não legalizado que fere e mata milhares de mulheres por ano, os maus tratos nos hospitais durante abortos espontâneos ou nos partos. O tema também é atual por causa da recente resolução que limita a quantidade de cesáreas que podem ser realizadas, o que é uma intervenção do Estado na escolha da mulher.

20. Sustentabilidade nas empresas

O termo sustentabilidade está bastante em alta no Brasil com a crescente preocupação com o meio ambiente. Nesse contexto, as empresas precisam atuar coincidindo a busca por lucros com o cuidado ambiental. Políticas empresariais e marketing verde são os pontos de destaque nessa discussão.

21. Intolerância religiosa

Novamente, o ataque à revista Charlie Habdo pode exemplificar o tema. Mas muito mais do que um caso isolado, a intolerância religiosa é grande tanto no Brasil como em outros países. Ao debater esse tema, precisamos lembrar da laicidade do Estado e do respeito aos diferentes tipos de crenças e rituais religiosos, podendo destacar, no caso do Brasil, o grande preconceito existente com religiões de origem africana.

22. Ativismo em redes sociais

Cada vez mais, as redes sociais têm sido usadas para estar em contato com a política e com movimentos sociais. Eventos são criados para marcar protestos, projetos de leis polêmicos facilmente viram virais e reivindicações têm sido feitas através de abaixo-assinado online. Essa nova forma de participação política e suas causas e consequências na sociedade é um bom tema de pesquisa e escrita.

23 de fevereiro de 2015

Exercícios



1. Assinale a única alternativa que está de acordo com as normas de regência da língua culta.


a) avisei-o de que não desejava substituí-Io na presidência, pois apesar de ter sempre servido à instituição, jamais aspirei a tal cargo;
b) avisei-lhe de que não desejava substituí-lo na presidência, pois apesar de ter sempre servido a instituição, jamais aspirei a tal cargo;
c) avisei-o de que não desejava substituir- lhe na presidência, pois apesar de ter sempre servido à instituição, jamais aspirei tal cargo;
d) avisei-lhe de que não desejava substituir-lhe na presidência, pois apesar de ter sempre servido à instituição, jamais aspirei a tal cargo;
e) avisei-o de que não desejava substituí-lo na presidência, pois apesar de ter sempre servido a instituição, jamais aspirei tal cargo.


2. Assinale a opção em que o verbo chamar é empregado com o mesmo sentido que
apresenta em ________ “No dia em que o chamaram de Ubirajara, Quaresma ficou reservado, taciturno e mudo”:


a) pelos seus feitos, chamaram-lhe o salvador da pátria;
b) bateram à porta, chamando Rodrigo;
c) naquele momento difícil, chamou por Deus e pelo Diabo;
d) o chefe chamou-os para um diálogo franco;
e) mandou chamar o médico com urgência.


3. Assinale a opção em que o verbo assistir é empregado com o mesmo sentido que apresenta em “não direi que assisti às alvoradas do romantismo”.


a) não assiste a você o direito de me julgar;
b) é dever do médico assistir a todos os enfermos;
c) em sua administração, sempre foi assistido por bons conselheiros;
d) não se pode assistir indiferente a um ato de injustiça;
e) o padre lhe assistiu nos derradeiros momentos.


4. Em todas as alternativas, o verbo grifado foi empregado com regência certa, EXCETO em:

a) a vista de José Dias lembrou-me o que ele me dissera.
b) estou deserto e noite, e aspiro sociedade e luz.
c) custa-me dizer isto, mas antes peque por excesso;
d) redobrou de intensidade, como se obedecesse a voz do mágico;
e) quando ela morresse, eu lhe perdoaria os defeitos.


5. O verbo chamar está com a regência INCORRETA em:

a) chamo-o de burguês, pois você legitima a submissão das mulheres;
b) como ninguém assumia, chamei-lhes de discriminadores;
c) de repente, houve um nervosismo geral e chamaram-nas de feministas;
d) apesar de a hora ter chegado, o chefe não chamou às feministas a sua seção;
e) as mulheres foram para o local do movimento, que elas chamaram de maternidade.


6. Assinale o exemplo, em que está bem empregada a construção com o verbo preferir:

a) preferia ir ao cinema do que ficar vendo televisão;
b) preferia sair a ficar em casa;
c) preferia antes sair a ficar em casa;
d) preferia mais sair do que ficar em casa;
e) antes preferia sair do que ficar em casa.


7. Assinale a opção em que o verbo lembrar está empregado de maneira inaceitável em relação à norma culta da língua:


a) pediu-me que o lembrasse a meus familiares;
b) é preciso lembrá-lo o compromisso que assumiu conosco;
c) lembrou-se mais tarde que havia deixado as chaves em casa;
d) não me lembrava de ter marcado médico para hoje;
e) na hora das promoções, lembre-se de mim.


8. O verbo sublinhado foi empregado corretamente, EXCETO em:

a) aspiro à carreira militar desde criança;
b) dado o sinal, procedemos à leitura do texto.
c) a atitude tomada implicou descontentamento;
d) prefiro estudar Português a estudar Matemática;
e) àquela hora, custei a encontrar um táxi disponível.


9. Em qual das opções abaixo” o uso da preposição acarreta mudança total no sentido do verbo?

a) usei todos os ritmos da metrificação portuguesa. /usei de todos os ritmos da metrificação portuguesa
b) cuidado, não bebas esta água./ cuidado, não bebas desta água;
c) enraivecido, pegou a vara e bateu no animal./ enraivecido, pegou da vara e bateu no animal;
d) precisou a quantia que gastaria nas férias./ precisou da quantia que gastaria nas férias;
e) a enfermeira tratou a ferida com cuidado. / a enfermeira tratou da ferida com cuidado.


10. Assinale o mau emprego o vocábulo “onde”:

a) todas as ocasiões onde nos vimos às voltas com problemas no trabalho, o superintendente nos ajudou;
b) por toda parte, onde quer que fôssemos, encontrávamos colegas;
c) não sei bem onde foi publicado o edital;
d) onde encontraremos quem nos forneça as informações de que necessitamos;
e) os processos onde podemos encontrar dados para o relatório estão arquivados


11. Assinale o item que preenche convenientemente as lacunas na sentença:

Não ____ conheço o suficiente para entender seus motivos, mas aviso ____ de que não ____ perdoo a traição.


a) lhe, lhe, lhe;
b) o, o, o;
c) o, lhe, o;
d) lhe, lhe, o;
e) o, o, lhe.


12. Assinale a frase em que há erro de regência verbal:


a) a notícia carece de fundamento;
b) o chefe procedeu ao levantamento das necessidades da seção;
c) os médicos assistiram o simpósio e acharam-no muito interessante;
d) é necessário que todos obedeçam às diretrizes estabelecidas;
e) daqui posso ver-lhe o passo oblíquo e trôpego.


13. Uma das opções apresenta erro quanto a regência verbal. Assinale-a:

a) na sala do superintendente aspirava sempre fumaça de um legítimo havana.
b) chegando na repartição, encontrou as portas cerradas;
c) todos obedeceram às determinações superiores;
d) informei-o de que no dia 15 não haverá expediente;
e) o gerente visou todas as folhas do ofício.


14. De acordo com a norma culta, a frase em que se teve o cuidado de obedecer à regência é:

a) o Colégio São Geraldo, sito a Rua da União, encerrou suas atividades;
b) o preço fixado tornou-se compatível de minhas posses;
c) as regras do jogo não são passíveis por mudanças;
d) sua decisão implica uma mudança radical;
e) prefiro o cinema mais do que o teatro.


GABARITO


1. A
2. A
3. D
4. B
5. D
6. B
7. B
8. E
9. D
10. B
11. E
12. C
13. B
14. D

Regência verbal

Regência Verbal (lista)

Hoje, veremos um assunto que, inevitavelmente, é pura decoreba: Regência Verbal. Se você não conhecia, prazer em conhecer (ou "desprazer").

Parte "Zero": Conceituando

Regência Verbal nada mais é do que uma lista de verbos para decorar a chamada "transitividade verbal": se eles são transitivos direto, indireto, os dois (total flex) ou intransitivo. Tá certo, você não entendeu nada, né? Vamos com calma. Nada mais didático do que os exemplos:

Geraldo assistiu o filme 
Geraldo assistiu ao filme 

Observe essas duas frases, por exemplo. A correta é a segunda, pois o verbo "assistir" exige preposição "a":

Geraldo assistiu ao filme

Portanto, o verbo "assistir" exige preposição "a" quando tem o sentido de "ver", "olhar". Isso que é Regência Verbal: decorar uma lista de verbos e ver o que eles exigem.

OBS: O "ao" é composto da preposição "a" (exigida pelo verbo) e pelo artigo "o" (que define o substantivo "filme"). 



Parte 1: Os verbos que enganam o povão

Nessa parte, vamos ver os verbos que estão na boca do povão de forma errada: todo mundo fala errado e só na prova da escola ou no vestibular está certo. Vamos lá:


# NAMORAR

Qual é o certo?

Geraldo namora Maria.
Geraldo namora com Maria.


O correto é “Geraldo namora Maria”. Namorar é um verbo transitivo direto: não tem necessidade de enfiar nenhuma preposição. Todo mundo fala, de forma errada, “eu namoro com a fulana”, “beltrana namora com o sicrano”.

Portanto, não esqueça que o verbo “namorar” não exige o “com”.


OBS: Verbo transitivo direto: não precisa de preposição depois do verbo. Verbo transitivo indireto: precisa de preposição depois do verbo. 


# PREFERIR

Outro verbo muito interessante vem no próximo exemplo.

Qual é o certo?

Geraldo prefere matemática do que filosofia
Geraldo prefere matemática à filosofia 





O correto é “Geraldo prefere matemática a filosofia”. Todo mundo fala “eu prefiro isso do que aquilo”, masnão se usa o termo “do que” para o verbo preferir, mas sim o “a”: “eu prefiro isso aquilo”.

Sim, eu sei: é estranho, tanto que, às vezes, eu mesmo prefiro falar errado a pensarem que eu estou falando errado.


Agora, vejamos essa próxima:

#(DES)OBEDECER

Geraldo obedece o aviso
Geraldo obedece ao aviso
Um aviso bem útil
O correto é “obedece ao aviso”. O verbo obedecer é transitivo indireto, portanto você precisa literalmente enfiar a preposição “a” entre ele e seu complemento. Portanto, sempre diga “eu obedeço AOS meus pais”. Bem... no caso de desobedecer, a regra vale também: “eu desobedeço AOS meus pais” e, no exemplo, seria “Geraldo desobedece AO aviso”. Está errado falar “obedeço o fulano, obedeço o ciclano”.




OBS:  O “AO” é a junção de “A” mais “O”. Se tiver uma palavra feminina depois do verbo, o “O” vira “A” e a junção é “A” com “A”. A fusão de dois “A” é o “A” craseado (à). Ex: Geraldo obedece à advertência (advertência=palavra feminina)

Para finalizar essa primeira parte, vejamos esse caso:

#DESFRUTAR/USUFRUIR

Geraldo desfruta de seu carro novo
Geraldo desfruta seu carro novo

O correto a se dizer é “Geraldo desfruta seu carro novo”. Desfrutar é verbo transitivo direto, assim como o verbo “usufruir”. Portanto, é errado dizer, por exemplo: “fulano desfruta do final da tarde”. O correto é “fulano desfruta o final da tarde”...

Agora, depois dessas explicações, você concluiu a 1ª parte da Regência Verbal. Dê mais uma lida nos seis verbos que acabamos de ver e vamos para a segunda parte dessa epopeia.

Parte 2: Os verbos clássicos que sempre caem nas provas 

Na parte 2, veremos a clássica trindade do "A" (Aspirar, Assistir, Agradar) e outros verbos bem comuns (visar, querer, esquecer...). Você não pode estudar Regência Verbal sem saber a regência desses verbos.


#ASSISTIR

Você imediatamente associa o verbo "assistir" ao "ver", principalmente TV (estou assistindo ao programa tal). Porém, "assistir" tem, pelo menos, 4 significados diferentes. Vamos nos ater a 3, que são os que tropeçam e caem nas provas.

No sentido de “ver”, nós usamos a preposição “A”: 

Geraldo assistiu ao filme do Homem-Aranha.


Veja como é perigoso quando não se tem nada de útil para se fazer

Portanto, assistir no sentido de “ver” tem que usar o “a”: “assisti ao jogo, ao filme, ao campeonato, aodesenho, à apresentação, à opera" e por aí vai. Está errado dizer “assisti o filme”.

OBS: mais uma vez saliento e bato na mesma tecla: "ao" é união da preposição "a" (exigida pelo verbo) com o artigo "o" (substantivo masculino que vem em seguida) e "à" é a união da preposição "a" (exigida pelo verbo) com o artigo "a" (substantivo feminino que vem em seguida). 

Assistir no sentido de “morar”, nós usamos a preposição “EM”:

Assisto em Tangamandápio.

Isso quer dizer que moro em Tangamandápio. É uma expressão já em desuso hoje em dia e só serve para cair em provas mesmo, porque eu nunca vi alguém falar isso (exceto o professor que explica essa matéria).

Assistir no sentido de dar assistência (ajudar, auxiliar) não tem preposição:

Assisti o cachorro a usar o computador.


Nesse sentido, de dar assistênciade ajudarnão tem preposição.

Observe essas duas frases:

Assisti o velhinho a cair.
Assisti ao velhinho caindo.

O primeiro exemplo não tem preposição (só o artigo "o", que define "velhinho"). Portanto, "assistir" tem sentido de "dar assistência", "ajudar". Portanto, "eu ajudei o velhinho a cair".

O segundo exemplo tem preposição (preposição "a" + artigo "o"). Portanto, "assistir" tem sentido de "ver", de "olhar". Portanto, eu fiquei observando o velhinho caindo.

Portanto, uma simples preposição pode mudar todo o sentido.

#ASPIRAR

O verbo aspirar tem dois sentidos: o mais comum, que é "sugar" e o menos comum, que é "desejar".

No sentido de “sugar” (aspirar o ar, sugar o ar) não tem preposição


Geraldo odeia aspirar fumaça de cigarro.


Vejam que não tem preposição nenhuma entre “aspirar” e “fumaça”, pois aspirar tem sentido de sugar a fumaça, respirar a fumaça.

Aspirar no sentido de “desejar”, “querer”, “sonhar” tem preposição:

Maria aspira ao talento de dirigir de modo satisfatório.



Observe que entre “aspira” e “talento” tem o “AO”, que é o encontro da preposição A, exigida pelo verbo, com o artigo “O” (que define “talento”)

Portanto, aspirar no sentido de sugar não tem preposição, enquanto no sentido de querer ou desejar tem preposição “a”.

Vejamos, agora, o verbo “agradar”.

# AGRADAR

O verbo "agradar" tem dois sentidos: fazer carinho (acariciar) ou agradar mesmo, da forma que a gente conhece (ser agradável)

No sentido de “acariciar” ou “fazer carinho” não exige preposição:

Maria agradou Geraldo

Ou seja: Maria acariciou, fez carinho em Geraldo.

No sentido de “ser agradável”, “satisfazer” ou “contentar” exige a preposição “a”:

O jogo não agradou ao técnico. 



Portanto, só se usa preposição com o verbo “agradar” quando ele ter o sentido de “ser agradável” ou “satisfazer”.

# VISAR


O verbo “visar” tem três significados: “dar o visto”, “desejar” e “mirar no alvo”.

Só vai ter preposição “a” quando significar “desejar”, “almejar”. Veja:

Maria visa a se tornar uma boa treinadora de cães




# QUERER


Esse é um daqueles casos "sem noção": a gente aprende algo que nunca é usado. O verbo "querer" tem dois significados: o normal, que é "desejo de algo, desejo de posse", ou então pode ter o sentido de "gostar" ou "estimar".

No sentido de “desejo de posse por algo”, não exige preposição “a”. 

Eu quero o carro do Geraldo.


“Querer”, nesse caso, tem o mesmo significado de “desejo de posse”. Portanto, não tem preposição “a” depois dele: é transitivo direto. Não tem preposição entre o “quero” e o “carro”: só tem o “o”, que é artigo definido.  

No sentido de “estimar” ou "gostar" exige a preposição "a". 

Geraldo quer ao seu cachorro.

Estranho, não? Significa que Geraldo gosta, tem estima por seu cão... Esse é mais um caso que está em completo desuso na língua portuguesa, exceto nos vestibulares da vida e nos concursos públicos. Não entendo o fundamento de estudar coisas que nós não usamos. 


Nessas duas partes, nós vimos a regência verbal de 11 verbos: namorar, preferir, obedecer, desobedecer, desfrutar, usufruir, assistir, aspirar, agradar, visar, querer. Você se lembra de todos? Aconselho a dar mais uma olhada para fixar, mas não se esqueça de que fazer exercícios é a forma mais eficaz de fixar esse conteúdo.


Parte 3: Verbos peculiares

Agora, vamos partir para alguns verbos mais chatos e problemáticos. Na primeira parte, nós vimos os verbos mais comuns de serem confundidos e, na segunda, nós vimos os verbos que variam de significado.

#ESQUECER/LEMBRAR

Se forem pronominais, eles se tornam transitivos indiretos. Caso contrário, serão transitivos diretos. Se você não entendeu o que eu acabei de dizer então não se preocupe. Nada mais didático do que os exemplos:

Geraldo se esqueceu do carro no estacionamento.
Geraldo esqueceu o carro no estacionamento.



Essas duas orações estão corretas. A primeira é pronominal. Antes de “esqueceu” tem um “se”. Portanto, tem que dizer “se esqueceu da”. A segunda oração não é pronominal, portanto vai direto: “esqueceu a”. Entendeu? Vamos ver outro exemplo:

Ontem, eu me esqueci do pendrive em casa.
Ontem, eu esqueci o pendrive em casa.



A primeira oração é pronominal: tem um “me” antes do “esqueci”. Logo, preciso usar preposição depois do verbo esquecer, ficando “me esqueci da”. Na segunda oração, não tem pronome. Portanto, é direto: “esqueci a chave”.

Essa mesma propriedade acontece com o verbo “lembrar”. Portanto, ou a gente fala “me esqueci disso”, ou fala “esqueci isso”. Ou a gente fala “me lembrei disso”, ou “lembrei isso”. Como também, ou a gente fala “seesqueceu disso” ou “esqueceu isso”. E, se o tempo verbal mudar, a regra continua: “se esquecerá disso” ou “esquecerá isso”, “me esquecerei disso” ou “esquecerei isso”. Certo?

O "me" e o "se" são pronomes (me, te, se, lhe, nos, vos, o, a...). Sempre que eles aparecerem junto com os verbos "esquecer" e "lembrar", esses verbos serão pronominais e, dessa forma, vão exigir a preposição "a". Caso contrário, não vão exigir.


# PAGAR/PERDOAR/AGRADECER


Os verbos “pagar”, "perdoar" e "agradecer" só exigem preposição quando se referem a alguma pessoa. Se ele se referir a uma coisa ou objeto, então não terá preposição. Veja o exemplo a seguir:

Geraldo pagou o cheque ao José.


Só tem preposição “a” em “pagou AO José”, pois José é pessoa (não é objeto, coisa ou animal... quer dizer, pode até ser um "animal", mas não vamos entrar nesse mérito).

Não há preposição em cheque, pois cheque não é gente, não é pessoa: é coisa, é objeto. Por isso que a gente fala “pagou o cheque” e não “pagou ao cheque” e falamos “pagou AO José” e não “o José”. 

Seguem essa regra os verbos “Agradecer” e “Perdoar”. 

#CHAMAR 


O verbo "chamar" tem três significados 

Significando "apelidar"

O verbo "chamar", significando "apelidar", tem liberdade total:




Chamei Maria de "Bruxa do 71". 
Chamei a Maria de "Bruxa do 71". 
Chamei Maria"Bruxa do 71". 
Chamei a Maria "Brxa do 71". 

Lembre-se: "chamar", nesse caso, tem o sentido de "apelidar".

Significando "invocar"

O verbo "chamar", significando "invocação", precisa da preposição "a"

Chamei Jesus Cristo 

Observe, nessa oração, que eu estou invocando a Jesus Cristo (e não o "chamando", o convidando)

Significando "convocar"

O verbo "chamar", significando "convocar", não precisa da preposição "a"

Chamei o cachorro voador 




Observe que, diferente do caso anterior, eu não estou "invocando" o cachorro voador, mas sim o convocando, "chamando" ele. Senão seria "chamei ao cachorro voador" (estou "invocando" o cachorro).

Já vimos, até aqui, a regência de 17 verbos. Acredito que esses sejam os principais que você deve saber. Na parte 4, logo abaixo, temos mais 17 verbos (nem tão usados). Portanto, o Gramaticando mostrou, ao todo, a regência de 34 verbos para você nessa postagem. Agora é simples: é só decorar tudo.

Parte 4: Outros verbos

Abaixo, a regência de alguns outros verbos (nem tão usados como os que já foram apresentados)

#SIMPATIZAR/ANTI-SIMPATIZAR
Sempre exige a preposição “com”. (eu simpatizo com fulano, com ciclano,...)

#AGUARDAR
Exige e não exige preposição: (Eles aguardavam o ônibus ou eles aguardavam pelo ônibus)

#FALTAR/RESTAR/BASTAR
Intransitivos ou exigem a preposição A.
Ele faltou hoje (intransitivo)
Ele faltou ao trabalho (prep. A)

#PROCEDER
Significando "dar início" ou "realizar" exige preposição A
Geraldo precedeu à realização das provas

Significando "originar-se" exige preposição DE
A dor de barriga de Geraldo procede da comilança do final de semana

Significando "conduzir-se" ou "ter fundamento" é intransitivo
As palavras de Geraldo não procedem

#RENUNCIAR
Exige ou não exige preposição "a"
Geraldo renunciou o cargo (sem)
Geraldo renunciou ao cargo (com)
Geraldo renunciou a presidência (sem)
Geraldo renunciou à presidência (com)

Admitem duas construções (com e sem preposição) os verbos:

Avisar, advertir, certificar, cientificar, comunicar, informar, noticiar, notificar, prevenir

Exemplo:
"avisar algo a alguém" ou "avisar alguém de algo"
"advertir algo a alguém" ou "advertir alguém de algo"
etc..

20 de fevereiro de 2015

Risco de vida - risco de morte????

Um estudo acerca das expressões Risco de vida e Risco de morte
Discorrer sobre tais expressões, indubitavelmente, contextualiza-nos ao dinamismo do qual se perfaz esta entidade social chamada língua. Durante muitas gerações, a expressão proferida entre os falantes no sentido de atribuir um aspecto mais grave a uma determinada pessoa enferma era que ela corria “risco de vida”. Tal situação ilustra uma ocorrência, ora de cunho recorrente, que se torna cristalizada mediante a prática de nosso léxico – usuários do sistema linguístico. Para representá-la, citamos as palavras do imortal Cazuza, em uma de suas criações, intitulada Ideologia:
Meu partido
É um coração partido
E as ilusões
Estão todas perdidas
Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato
Que eu nem acredito
Ah! eu nem acredito...
Que aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Frequenta agora
As festas do "Grand Monde"...
[...]
O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs
Não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar
A conta do analista
Pra nunca mais
Ter que saber
Quem eu sou
Ah! saber quem eu sou..
[...]
Cazuza
Não raro, permeando as “entranhas” deste mesmo dinamismo, surgiram algumas contestações a respeito do emprego da expressão em voga, sob a alegação de que este incidiria diretamente no sentido semântico por ela atribuído, uma vez que o ato de viver jamais pode ser considerado um risco. Daí, como o modismo representa um dos elementos essenciais à representação do aspecto dinâmico, os meios de comunicação em massa optaram por achar que realmente tal constatação fazia sentido e optaram pela troca: ao invés de “risco de vida”, fizeram uso da expressão “risco de morte”, pois assim se adequaria melhor ao discurso pretendido.
O fato é que esta contestação poderia até ser considerada plausível se nós, de acordo com a competência da qual dispomos assiduamente, não constatássemos que na expressão “risco de vida” há a presença da elipse – uma figura de linguagem na qual se evidencia a omissão de alguns termos, mas que estes são facilmente identificáveis pelo contexto. Assim, ao analisarmos a referida expressão, asseveramos que, embora subentendido, há a presença do verbo perder, ou seja:
Risco (de perder) a vida.
Partindo desta premissa, chegamos ao ápice de nossa discussão – afinal, estaria incorreta tal expressão? Realmente a que hoje impera no vocabulário das pessoas é que deve ser considerada como certa?
A resposta para esta indagação reside no fato de que “risco de vida” possui todos os requisitos para integrar o padrão convencional da linguagem, embora “risco de morte” também seja dotada deste mesmo aspecto, ou seja, correta da mesma forma, mesmo porque já a utilizamos tanto, não é verdade?

Palavras brasileiras

A origem popular de certas expressões brasileiras

Quando se trata da linguagem informal, percebemos que certas expressões já se incorporaram ao vocabulário dos falantes, parece tudo tão automático, que muitas vezes as proferimos sem ao menos entendermos o verdadeiro significado. Mas que tal sabermos a origem das mesmas, a fim de que possamos enriquecer nossos conhecimentos sobre a linguagem?
Remontando aos tempos pré-modernos, havia uma expressão muito usual entre os casais que queriam sentir-se mais à vontade sem que ninguém estivesse segurando a vela.
Pois bem, esta expressão “Segurar Vela” remonta um passado bastante histórico. Quando não existiam lâmpadas, a principal fonte de luz eram as velas.
Não era hábito incomum, na época, os trabalhadores braçais as segurarem para que seu senhor enxergasse o que estava fazendo.
Nos recintos abertos ao público à noite, como teatros, meninos acendiam e seguravam velas para iluminar o palco.
Em obscuros tempos medievais, um criado da casa tinha singular e discreta obrigação: a de segurar um candeeiro para iluminar as relações sexuais dos patrões, entretanto, o criados deveria ficar de costas para não ver os folguedos e, assim não invadir a privacidade do casal - embora pudesse escutar gemidos e grunhidos, sons da própria alcova. O grotesco procedimento caiu em desuso, obviamente, após a invenção da eletricidade.
Caso fôssemos associar esta expressão à modernidade atual, ela certamente se restringiria ao universo das gírias, como sendo aquela pessoa que não é bem aceita, que “embaça” a convivência.
Outra expressão é Vira-Lata - que retrata aquele cachorro sem pedigree, o mais baixo representante da raça canina, que vive na rua revirando lixo a procura de comida, sem ter ninguém que se interesse por ele.
Por volta da década de 40, Carlito Rocha, então presidente do Botafogo - Rio, encantou-se com um vira-lata malhado de preto e branco, as cores do alvinegro carioca.
Ele transformou Biriba no mascote do clube,e a lenda conta que o animal ajudou o time a levantar o título de 1948, com só uma derrota - para o São Cristóvão, por 4X0, logo no primeiro jogo do campeonato.
Pode ser lenda, mas tem pessoas que acreditam...
Coroa - É um termo jocoso atribuído a pessoas com mais de 40 anos. Mas a expressão vem do latim corona, círculo, roda.
Em termos físicos, é o ornamento de formato circular usado sobre a cabeça como símbolo de poder e legitimidade - até mesmo em concursos de beleza.
É a tonsura circular usada por sacerdotes na parte superior da cabeça, o círculo luminoso que se forma ao redor do Sol ou da Lua em decorrência da modificação da luz na atmosfera úmida.
A parte do dente revestida de esmalte, o arranjo floral sobre o túmulo e o ornamento que arremata o topo de um edifício, seu coroamento.
Perceberam quantas acepções? Porém, nenhuma analogia com a figura humana com mais de 40 anos, não é mesmo?

Redação para concurso

Gabaritando sua redação da Caixa Econômica Federal: como deveria ser seu texto

Como vimos em nossas aulas, no bloco de atualidades, mais precisamente no último encontro, a questão da tecnologia foi o grande debate de sua prova do final de semana para seu ingresso na Caixa Econômica Federal. Acho que você deve se lembrar do slide em que falei das atualidades e apontei como um assunto interessante Viver em rede: as redes sociais X o isolamento das pessoas. Partindo desse assunto, você poderia explorar em sua prova como a tecnologia tem nos afastado, ao mesmo tempo em que nos aproxima; contraditório, não? Mas basta irmos a um restaurante, a um barzinho e constataremos tal afirmação, veremos muitas pessoas teclando com os smartphones e se isolando das pessoas próximas...
Então, como você poderia trabalhar sua redação na prova da Caixa? É só se lembrar do roteiro que passamos nas nossas aulas, trabalhar com os 4 parágrafos: um para a introdução, dois para o desenvolvimento e um para a conclusão. Na verdade, a prova usou um esquema também muito fácil de ser estruturado, denominado de prós e contras, nele você argumenta os benefícios e os problemas em torno de uma mesma questão, ou seja, os impactos da tecnologia.
Esquematizando, seria assim:
1º parágrafo: começaria elogiando os impactos da tecnologia no mundo, tecendo elogios a respeito (no ramo da comunicação, da saúde, dos automóveis, por exemplo). Porém, fecharia essa introdução afirmando que nem tudo é positivo em torno de tais impactos (poderia lembrar que gerou também problemas de saúde, desemprego ou ainda a invasão da privacidade ou o isolamento das pessoas por conta das redes sociais). Veja que essa introdução seria uma espécie de resumo do que seria desmembrado logo a seguir.
2º parágrafo: na ordem, seria provar o que foi dito anteriormente, mas seguindo o estilo da dissertação argumentativa, nesse momento, visto que você iria provar para o leitor a respeito do que a sociedade ganhou com tantos avanços tecnológicos, basta olhar o que foi dito na introdução e provar. (os prós)
Já no 3º parágrafo convém fazer uma coesão por oposição de ideias (porém, entretanto, no entanto, mas) ou ainda uma concessão (embora, apesar de) e nesse instante criticar os impactos negativos da tecnologia, seguindo a mesma lógica anterior, olhe o que está de crítica na introdução e prove aqui nesse 3º parágrafo. (os contras)
Finalizando sua redação, chegamos ao 4º parágrafo, mais uma vez usando conectivo para que o corretor veja como seu texto é coeso. Caberia aí conectivos do tipo: portanto, em suma, dessa forma. As ideias conclusivas podem retomar o que você afirmou na introdução (a velha retomada da tese, porém não dizendo com as mesmas palavras) ou ainda apontando medidas, soluções para um melhor aproveitamento dos recursos tecnológicos da vida moderna.
Viu só como a prova foi fácil de estruturar e de abordar? A velha conhecida de vocês, dissertação, apareceu e para sua sorte, em um assunto muito bom de discutir. Agora é conferir o gabarito das outras disciplinas, porque em redação você já foi APROVADO e muitos até com a nota máxima de 20 pontos, você vai ver..

Colocação pronominal

Colocação pronominal – Emprego dos pronomes oblíquos átonos!
Colocação pronominal por meio de questões comentadas de português. O Professor Leo comentará todas as alternativas para que você compreenda melhor a material. A questão foi retirada de prova de concurso público.
Assinale a opção em que o pronome lhe não está convenientemente empregado:
a) Uma auto avaliação bem feita sempre trar-lhe-á algum benefício.
b) O autorretrato parece que lhe significou críticas severas.
c) Ao motorista que se torna um selvagem, ninguém lhe quer bem.
d) Numa análise rápida, acharam-no inteligente e alegre.
e) Ao brasileiro, não lhe agrada a falta injustificada ao trabalho.
Comentário da questão de colocação pronominal
Os pronomes oblíquos átonos são: se, te, me, lhe, nos, vos, o, a. Eles podem ficar antes do vero (próclise); no meio do verbo (mesóclise) e depois do verbo (ênclise).
a) O advérbio “sempre” é uma palavra atrativa, logo deve ocorrer a próclise, ou seja: o pronome deve vir antes do verbo. Embora o verbo esteja no futuro, a próclise prevalece sobre a mesóclise: Uma auto avaliação bem feita sempre lhe trará algum benefício.
b) A palavra “que” é sempre atrativa, fazendo com que o pronome oblíquo átono “lhe” fique antes do verbo.
O autorretrato parece que lhe significou críticas severas.
c) O “que” exerce função de pronome relativo, por isso é uma palavra atrativa. Todos os pronomes relativos são palavras atrativa, fazendo com que os pronomes oblíquos átonos fiquem antes do verbo, isto é, na posição proclítica: Ao motorista que se torna um selvagem, ninguém lhe quer bem.
d) Como os pronomes oblíquos átonos não podem iniciar frase, eles devem assumir a posição de ênclise, isto é, após o verbo. O pronome “o” recebeu a consoante “n”, pois vem após um verbo terminado em “m”:Numa análise rápida, acharam-no inteligente e alegre.
e) Todas as palavras negativas são atrativas (não, nunca, jamais), fazendo com que o pronome oblíquo átono fique na posição de próclise. Pode também gravar que todos os advérbios são palavras atrativas: Ao brasileiro, não lhe agrada a falta injustificada ao trabalho.

Redação