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25 de novembro de 2014

Tema de redação


A proposta desta semana foi tirada da prova de redação do vestibular 2014 da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-Rio).
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Você deve criar um título e produzir um texto dissertativo/argumentativo com o mínimo de 25, o máximo de 30 linhas sobre felicidade. Antes de desenvolver o tema, leia o fragmento abaixo. Ele pode despertar ideias para desenvolver o seu trabalho.
Felicidade e alegria
Contardo Calligaris

Quando eu era adolescente, pensava que a felicidade só chegaria quando eu fosse adulto, ou seja, autônomo, respeitado e reconhecido pelos outros como dono exclusivo do meu nariz.  Contrariando essa minha previsão, alguns adultos me diziam que eu precisava aproveitar bastante minha infância ou adolescência para ser feliz, pois, uma vez chegado à idade adulta, eu constataria que a vida era feita de obrigações, renúncias, decepções e duro labor. Por sorte, meus pais nunca disseram nada disso; eles deixaram a tarefa de articular essas inanidades a amigos, parentes ou pedagogos desavisados. Graças a esse silêncio dos meus pais, pude decretar o seguinte: os adultos que afirmavam que a juventude era o único tempo feliz da vida deviam ser, fundamentalmente, hipócritas. Com isso, evitei uma depressão profunda, pois, uma vez que a adolescência, que eu estava vivendo, não era paraíso algum – nunca é –, qual esperança me sobraria se eu acreditasse que a vida adulta seria fundamentalmente uma decepção? Cheguei à conclusão de que, ao longo da vida, nossa ideia da felicidade muda: quando a gente é adolescente, a felicidade é algo que só será possível no futuro, na idade adulta; quando a gente é adulto, a felicidade é algo que já se foi – a lembrança idealizada (e falsa) da infância e da adolescência como épocas felizes. Em suma, a felicidade é uma quimera que seria sempre própria de outra época da vida – futura ou passada.
No filme de Arnaldo Jabor, “A Suprema Felicidade” (2010), o avô (Marco Nanini) confia ao neto que a felicidade não existe e acrescenta que, na vida, é possível, no máximo, ser alegre. Concordo com o avô do filme. E há mais: para aproveitar a vida, o que importa é a alegria, muito mais do que a felicidade. Então, o que é a alegria? Ser alegre não significa necessariamente ser brincalhão. Nada contra ter a piada pronta, mas a alegria é muito mais do que isso: ser alegre é gostar de viver mesmo quando as coisas não dão certo ou quando a vida nos castiga. É possível, aliás, ser alegre até na tristeza ou no luto [...] Essa alegria, de longe preferível à felicidade, é reconhecível, sobretudo, no exercício da memória, quando olhamos para trás e narramos nossa vida para quem quiser ouvir ou para nós mesmos. Para quem consegue ser alegre, a lembrança do passado sempre tem um encanto que justifica a vida. Para que nossa vida se justifique, não é preciso narrar o passado de forma que ele dê sentido à existência. Não é preciso que cada evento da vida prepare o seguinte. Tampouco é preciso que o desfecho final seja sublime – “descobri a penicilina, solucionei o problema do Oriente Médio, mereci o Paraíso”. Para justificar a vida, bastam as experiências – agradáveis ou não – que a vida nos proporciona, à condição de que a gente se autorize a vivê-las plenamente. Ora, nossa alegria encanta o mundo, justamente, porque ela enxerga e nos permite sentir o que há de extraordinário na vida de cada dia, como ela é. Para reencantar o mundo, não precisamos de intervenções sobrenaturais, de feitos sublimes. Para reencantar o mundo, é suficiente descobrir que o verdadeiro encanto da vida é a vida mesmo.

Tema de redação

Nova proposta de redação: relação homem-natureza

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Para o desenvolvimento do tema “A relação homem-natureza”, leia atentamente os fragmentos de textos apresentados a seguir. O fragmento 1 foi retirado da reportagem intitulada “R$ 7 bilhões para salvar a Amazônia”. O fragmento 2 é parte de uma reportagem intitulada “Twitteiros fazem manifestação inédita contra queimadas no Brasil”.
Fragmento 1: 
R$ 7 bilhões para salvar a Amazônia
“[...] cientistas e economistas dos nove principais institutos de pesquisa e ONGs ambientalistas do país, como Imazon, WWF, Greenpeace, Instituto Socioambiental e Ipam, se juntaram para responder à seguinte pergunta: quanto custa frear a destruição da Amazônia? A resposta que eles encontraram, divulgada na quarta-feira passada no Congresso Nacional, é R$ 1 bilhão por ano. Não é um investimento tão alto. Só as usinas do Rio Madeira, em Rondônia, deverão custar R$ 17 bilhões [...]
[...] O desmatamento é um problema que o Brasil terá de enfrentar nas próximas décadas durante as negociações mundiais para o controle do clima. Não fosse por ele, o país seria um dos heróis mundiais na guerra contra as mudanças climáticas. O Brasil é um dos poucos países que podem se orgulhar de sua matriz energética. Mais de 80% de nossa eletricidade vem de usinas hidrelétricas. Essa energia não depende da queima de combustíveis fósseis e não gera resíduos radioativos. Também temos um dos programas de geração de combustíveis mais inovadores do mundo. Cerca de 45% de nossos veículos são movidos a partir de fontes renováveis, como o álcool ou o biodiesel, que não contribuem para o aquecimento do planeta. A média mundial é de menos de 15%. O país seria um dos mais isentos de culpa pelas mudanças climáticas se não fosse o desmatamento [...]”
Fragmento 2:
Twitteiros fazem manifestação inédita contra queimadas no Brasil
“#chega de queimadas. É esse o mais novo protesto na rede social Twitter. Iniciada ontem (25), a manifestação é um marco histórico na área ambiental: nunca antes uma campanha para denunciar os impactos das queimadas foi feito de maneira tão rápida e espontânea. [...]
[...] A situação mais crítica ocorre no Tocantins, onde as queimadas já destruíram 216 mil hectares do Parque Nacional do Araguaia. O instituto também considera crítica a situação no sul do Pará e em Rondônia. Além da destruição das florestas, as queimadas trazem prejuízos sociais e econômicos. Os aeroportos de Rondônia e Acre ficaram fechados por vários dias, por falta de visibilidade ocasionada pela fumaça. O tráfego nas estradas também foi afetado, principalmente no período noturno [...]
Em Rondônia os ribeirinhos estão com dificuldades para navegarem no Rio Madeira, já que além da baixa do rio, ocasionada pelo período de seca, a visibilidade é praticamente zero. Na região urbana a cidade está tomada por neblina, e a fumaça, em certos momentos chega a tomar conta das residências. Os atendimentos nos postos de saúde e nas policlínicas aumentaram substancialmente: apenas no Hospital Infantil Cosme e Damião, o atendimento a crianças que apresentam problemas respiratórios subiu 70% [...]”
A RELAÇÃO HOMEM-NATUREZA
Vidas secas, romance de Graciliano Ramos publicado em 1938, já tematizava sobre a relação homem-natureza, ou seja, como o meio-ambiente pode influir na vida do ser humano. Os fragmentos anteriores também trabalham essa questão. O primeiro, embora trate da questão da destruição da Amazônia, apresenta uma possibilidade de salvação, cujo custo seria de R$ 1 bilhão por ano, como aponta a reportagem.
A partir da releitura dos fragmentos de textos, manifeste sua opinião em um texto argumentativo/dissertativo sobre o tema.

Análise de uma redação



Com base na proposta de redação extraída do vestibular 2014 da Universidade Federal de Roraima (UFRR), o estudante deveria escrever um texto dissertativo/argumentativo discutindo as formas de violência contra as mulheres. Por coincidência, o tema da prova de redação do vestibular de inverno 2014 da Unesp, aplicado no último fim de semana, foi bem parecido com esse.
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Leia o texto escolhido, com os comentários em vermelho.
Desigualdade de gênero
A violência contra as mulheres não é um fato contemporâneo, mas, sim histórico. Em Roma antiga as mulheres já sofriam discriminação e violação de direito, não podiam votar e nem exercer cargos públicos. Se isso  já não o bastasse [o certo seria "já não bastasse"], hoje as mulheres são as principais vítimas de violência física, sexual, e psicológica praticada pelo seu próprio companheiro, o qual devia zelar por sua integridade.
Embora os movimentos feministas, nas últimas décadas, tenham contribuído para a  igualdade [melhor usar "algumas equiparações"] de direitos, essa igualdade ainda não fora [foi] concretizada, pois os homens ainda têm maior poder aquisitivo e ocupam os cargos mais altos da sociedade em sua maioria, como cargos políticos por exemplo. A sociedade brasileira encontra-se ainda arraigada a valores e costumes patriarcais, machistas e preconceituosos, em encubação dessa prática mulheres são violentadas sexualmente por seus próprios maridos, mesmo não afim do ato sexual, acabam sendo violentadas sexualmente em razão ou justificação do matrimônio. [Trecho confuso; deve ser reescrito com mais clareza].
Essa sujeição leva muitas se calarem ou a se omitirem diante de tamanha barbárie, permitindo o ato sexual em forma de estupro consentido em preservação à honra da família e os costumes segundo valores patriarcalistas [patriarcais]. É certo que as inovações no combate à violência contra a mulher, com a implantação da “Lei Maria da Penha”têrefletido [mostrado] resultados, porém estes são insuficientes,. A violência domestica e familiar ainda é alarmante pois, segundo o estudo mais recente do Ministério da Justiça, 50 mil mulheres são agredidas de alguma forma de violência por ano no Brasil. Embora o Estado assine um pacto de enfrentamento [esclarecer que pacto e como ele acontece] e crie políticas, ainda não oferece mecanismos eficientes para sua aplicabilidade.
Em vista disso, é necessária maior intervenção do Estado no combate à violência contra a mulher. Apesar da [de a] “Lei Maria da Penha” coibir mecanismos no combate a essa prática de violência, ela sozinha não surtiu efeito desejado,. As instituições dos juizados especiais de competência cível e criminal (,) precisam encarregar [encarar] o problema não só como doméstico ou familiar, mais[mas] como do Estado, para hostilizar [melhor escrever "a fim de acabar com  essa impunidade"]. E que também promova campanhas e propagandas generalizando a conscientização, para que aquelas desenformadas ou ameaçadas possam sentir amparo e criar coragem para denunciar seus agressores.
Comentários 
Como venho expondo nas análises que faço das redações, a dissertação tem uma característica muito específica que é de expor e discutir um ponto de vista apresentado pelo autor a respeito de um tema. Por isso, é fundamental que o aluno, logo de início, esclareça para o leitor de que assunto vai falar e de que forma vai abordá-lo. No caso desta proposta, a aluno deveria “discutir as formas de violência contra a mulher”. Um bom texto deveria apresentar o assunto amplamente falando sobre o impasse que há entre os dois gêneros e depois apresentar as formas de violência que ainda pairam sobre a mulher. O trabalho argumentativo aqui é simples: expor, discutir e analisar essas formas: como e por que ainda existem em nossa época.
Vejamos, agora, o que fez  o aluno:
Primeiramente, uma explicação sobre os grifos no texto dele: em azul o que está incorreto: do ponto de vista formal ou das ideias. Em vermelho, as correções e reescritas.
1.    O aluno começou bem, apresentando um  panorama da situação da mulher no mundo antigo e no atual. É lógico que esse histórico poderia ser mais completo ou poderia ter resgatado mais dados sobre a situação de inferioridade da mulher. Depois, ele apresentou, ainda no 1º parágrafo, os tipos de violência: física, sexual e psicológica. Aí, comete o primeiro deslize: atribui a culpa só ao companheiro, mas reforça o preconceito quando diz que: “o qual devia zelar por sua integridade.” Na verdade, não é apenas o companheiro que oprime a mulher. Isso é muito mais amplo: cultura, religião, família, sociedade também têm culpa no cartório nessa violência.
2.    Era de se esperar, portanto, pela introdução, que abordasse os três tipos de violência que apontou. Mas ele não fez isso. Limitou-se à violência sexual. Não falou dos maus tratos, dos crimes, das pressões, das humilhações a que estão sujeitas as mulheres em todo o mundo e, principalmente, no Brasil que, infelizmente, é um dos campeões mundiais em assassinatos de mulheres por ano.
3.    Fez bem em referir-se à Lei Maria da Penha. Mas poderia tê-la aproveitado melhor: uma análise mais crítica e atualizada dos seus resultados. A lei existe, mas é incapaz de resolver o problema sozinha, como o estudante apontou. O que falta então? Conscientização da mulher, do homem, dos pais, dos patrões, enfim, de todos: a mulher, como todo ser humano, merece respeito e deve viver com dignidade.
4.    Embora a proposta não tenha sugerido “soluções” para o problema, ele apresentou-as. E fez de forma correta.
5.    O que faltou para que o texto fosse mais adequado à proposta foi uma leitura mais atenta das instruções da banca: discutir as formas de violência contra a mulhere não apenas uma forma de violência.
6.    Há alguns trechos mal redigidos; embora a ideia seja boa, a maneira de expressá-la prejudicou o entendimento. Isso apareceu, principalmente, no segundo e terceiro parágrafos.
7.   O vocabulário é bom, embora seja discutível o uso de algumas palavras e expressões, conforme ficou anotado no texto.
Nota: 6,0 numa escala de  0 a 10.

Tema de redação

Proposta de redação: Corrupção no Congresso Nacional

A proposta de redação desta semana foi tirada do vestibular 2014 da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Leia as instruções abaixo:
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Texto 1
Dos 594 deputados e senadores em exercício no Congresso Nacional, 190 (32%) já foram condenados na Justiça e/ou nos Tribunais de Contas.
As ocorrências se encaixam em quatro grandes áreas: irregularidades em contas e processos administrativos no âmbito dos Tribunais de Contas (como fraudes em licitações); citações na Justiça Eleitoral (contas de campanha rejeitadas, compra de votos, por exemplo); condenações na Justiça referentes à lida com o bem público no exercício da função (enriquecimento ilícito, peculato etc.); e outros (homicídio culposo, trabalho degradante etc.).
(Natália Paiva. www.transparencia.org.br. Adaptado.)
Texto 2
Nossa tradição cultural, por diversas razões, criou um ideal de cidadania política sem vínculos com a efetiva vida social dos brasileiros. Na teoria, aprendemos que devemos ser cidadãos; na prática, que não é possível, nem desejável, comportarmo-nos como cidadãos. A face política do modelo de identidade nacional é permanentemente corroída pelo desrespeito aos nossos ideais de conduta.
Idealmente, ser brasileiro significa herdar a tradição democrática na qual somos todos iguais perante a lei e onde o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade é uma propriedade inalienável de cada um de nós; na realidade, ser brasileiro significa viver em um sistema socioeconômico injusto, onde a lei só existe para os pobres e para os inimigos e onde os direitos individuais são monopólio dos poucos que têm muito.
Preso nesse impasse, o brasileiro vem sendo coagido a reagir de duas maneiras. Na primeira, com apatia e desesperança. É o caso dos que continuam acreditando nos valores ideais da cultura e não querem converter-se ao cinismo das classes dominantes e de seus seguidores. Essas pessoas experimentam uma notável diminuição da autoestima na identidade de cidadão, pois não aceitam conviver com o baixo padrão de moralidade vigente, mas tampouco sabem como agir honradamente sem se tornarem vítimas de abusos e humilhações de toda ordem. Deixam-se assim contagiar pela inércia ou sonham em renunciar à identidade nacional, abandonando o país. Na segunda maneira, a mais nociva, o indivíduo adere à ética da sobrevivência ou à lei do vale-tudo: pensa escapar à delinquência, tornando-se delinquente.
(Jurandir Freire Costa. http://super.abril.com.br. Adaptado.)
Texto 3
Se o eleitorado tem bastante clareza quanto à falta de honestidade dos políticos brasileiros, não se pode dizer o mesmo em relação à sua própria imagem como “povo brasileiro”. Isto pode ser um reflexo do aclamado “jeitinho brasileiro”, ora motivo de orgulho, ora de vergonha.
De qualquer forma, fica claro que há problemas tanto quando se fala de honestidade de uma forma genérica, como quando há abordagem específica de comportamentos antiéticos, alguns ilegais: a “caixinha” para o guarda não multar, a sonegação de impostos, a compra de produtos piratas, as fraudes no seguro, entre outros. A questão que está posta aqui é que a população parece não relacionar seus “pequenos desvios” com o comportamento desonesto atribuído aos políticos.
(Silvia Cervellini. www.ibope.com.br. Adaptado.)

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma redação de gênero dissertativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
Corrupção no Congresso Nacional: reflexo da sociedade brasileira?

Análise de um texto



Imagem tirada do tumblr  Rich Kids of Instagram
Imagem tirada do tumblr Rich Kids of Instagram
Com base na proposta extraída do vestibular 2014/2 da Universidade de Passo Fundo (UPF), o estudante deveria produzir um texto dissertativo-argumentativo que abordasse a ostentação na sociedade atual
Leia o texto escolhido
Ter para ser aceito
Se o mundo fosse uma balança que pesasse as proporções de posse, seu desequilíbrio não poderia ser compreendido apenas com o olhar. O desequilíbrio existente funcionaria de uma maneira desproporcional, onde o prato de quem tem muito muito não seria a parte que tombaria, mas a prato de quem tem pouco é o qual pesaria mais.
Dessa pequena parcela da população mundial que muito possui – tanto em valores materiais e de capital – originam-se fatores devastadores que afetam a todos. Entre eles a desigualdade, onde um tem mais do que o outro; a ganância, onde nunca há satisfação, apenas uma vontade maior, e o status, que traz o ar de superioridade e o “triunfo” de possuir bens.
A grande questão é que uma parte considerável de quem não apresenta muito, quer fazer parte deste recorte luxuoso de quem apresenta demais o que se tem. Ao se “ostentar”, o sentimento de fazer parte de um grupo isolado, mas com importância, se concretiza. Se é preciso mostrar que se tem o poder de posse para subir nos degraus da sociedade e ser aceito, por quê não?
A extravagância toma o lugar de questões mais importantes, como as condições de vida do lado de fora do muro e o próprio “outro”; tudo estará bem se uma foto for postada em uma rede social com algum objeto de valor nas mãos. A sociedade atual nos diz que o importante é mostrar nossas vantagens e o que temos.
“Ostentar” é mais uma das consequências do capitalismo e suas facetas, onde a visão foca-se apenas em um único lugar: o próprio indivíduo. O reflexo social se anula em comparação ao reflexo do indivíduo que segura um aparelho caro no espelho para tirar uma “selfie”

Comentando
O texto aborda o tema apenas tangencialmente, ou seja, discorre sobre ele, mas não o analisa nem o discute.
Primeiramente, vamos apontar alguns problemas de linguagem
  1. Uso do pronome onde: essa é uma palavra que deve ser usada quando se quer se referir a lugar.Onde não pode substituir todos os pronomes relativos da língua portuguesa. Nos usos feitos pela aluna, ele deveria ser substituído por em que. Também o uso de pronome o qual no final do primeiro do parágrafo está incorreto; nesse caso, o certo seria : “(…) mas o prato de quem tem pouco é aquele que pesaria mais”.
  2. Há algumas expressões mal redigidas e que confundem o leitor: “de quem não apresenta muito”(terceiro parágrafo); “do lado de fora do muro e o próprio outro” (quarto parágrafo) Essas expressões precisam ser melhor definidas e escritas de outra forma.
  3. Há uso excessivo de aspas: triunfo, outro, ostentar. O único uso que se justifica é com a palavra “selfie”
  4. Um outro aspecto a considerar, desse ponto de vista de linguagem, é a ausência de palavras de coesão unindo os parágrafos, mas isso tem a ver com estrutura do texto.

Análise do conteúdo e estrutura do texto:
  1. A aluna faz uso da figura de uma balança, no primeiro parágrafo, mas a ideia de que quem tem menos pesaria mais no prato da balança não fica devidamente esclarecida, nem nesse parágrafo, nem nos seguintes. Isso já mostra um problema de conteúdo e de estrutura: aquilo que se propões como tese não é discutido ou analisado no restante do texto.
  2. Os parágrafos seguintes discorrem sobre vários aspectos do possuir bens, mas não há uma ligação clara entre essas ideias. O segundo parágrafo fala dos “fatores devastadores” dos mais ricos; o terceiro parágrafo fala dos que não têm muito e que querem ostentar, mas sem ligação com o que se discutiu no parágrafo anterior; o quarto parágrafo se refere à necessidade de mostrar o que se tem; e o quinto parágrafo, que deveria concluir o texto, retomando as ideias discutidas até então, volta a falar da necessidade de ostentação, sem que o texto tenha discutido ou analisado esse aspecto.

Conclusão:
O texto aborda o tema de forma superficial.  Não tem a unidade de uma dissertação, não há coesão ou coerência entre os parágrafos. Além disso, falha na construção da estrutura de um texto dissertativo, que deveria expor uma tese e analisá-la nos parágrafos seguintes, apresentando a conclusão, ou seja, uma retomada das ideias discutidas e analisadas no texto.
O texto perde nota em: tema; tipo de texto; coerência e coesão.

Nota: 5,0 (escala de 0 a 10)

Tema de redação - treinando

Já que esse é um assunto debatido com frequência nas redes sociais e em conversas ao vivo que envolvam política, resolvemos explorá-lo como tema de redação no blog. 
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A partir dos dois trechos citados abaixo, escreva uma dissertação que analise os argumentos favoráveis e contrários ao Programa Bolsa Família. Ao final da redação, realce sua posição pessoal sobre o assunto.
TRECHO 1
O Programa Bolsa Família está combatendo, ao mesmo tempo, a pobreza e a desigualdade. Consegue ser eficiente contra a pobreza porque aumenta a renda das famílias pobres do país, atuando de forma focalizada e, portanto, não desperdiçando recursos com quem não precisa. E ataca a desigualdade para além da questão da renda, chegando à origem do problema: a Educação. As famílias que recebem o Bolsa Família precisam mandar seus filhos para a escola, de modo que a próxima geração terá muito mais anos de estudo do que seus pais – e as pesquisas já mostram o quanto isto está reduzindo a repetência e a evasão escolares. Mais do que um alívio imediato, o programa faz um combate inter geracional da pobreza e da desigualdade, por meio de um direito, e não de um favor. Desta forma, seus melhores frutos, portanto, virão no futuro.

TRECHO 2
Distribuir dinheiro para os mais pobres, sem garantir as condições de trabalho para os pais e as mães, pode reduzir a culpa das elites brasileiras, mas não vai efetivamente resolver os problemas da pobreza e da desigualdade. O que o país precisa é de políticas para aumentar o emprego, e não de um assistencialismo de curto prazo, que não gera mudanças estruturais para as famílias mais pobres. Ensinar a pescar sempre é melhor do que dar o peixe. Além disso, esta distribuição farta de recursos pode ser apenas uma forma de ganhar votos dos mais pobres, sobretudo no Nordeste brasileiro. Também é preciso pensar em “portas de saída” para os beneficiários, para que não fiquem eternamente dependentes do Bolsa Família. Seria triste ver os filhos de hoje transformarem-se, no futuro, na imagem atual de seus pais.

Para avaliar a redação, serão levados em conta os seguintes aspectos:
- A percepção da importância do problema para a sociedade brasileira;
- A capacidade de apresentar argumentos de forma clara e equilibrada;
- A utilização da norma culta da língua portuguesa;
- A capacidade de expressar opiniões baseadas em argumentos logicamente bem fundamentados e não apenas de senso comum.

24 de novembro de 2014

Língua portuguesa no mundo

Português no Mundo
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Atualmente, o português é língua oficial de oito países (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor Leste). Apesar da incorporação de vocábulos nativos e de modificações gramaticais e de pronúncia próprias de cada país, as línguas mantêm uma unidade com o português de Portugal.
O português também é falado em pequenas comunidades, reflexão de povoamentos portugueses datados do século XVI, como é o caso de:
Zanzibar (na Tanzânia, costa oriental da África)
Macau (ex-possessão portuguesa encravada na China)
Goa, Diu, Damão (na Índia)
Málaca (na Malásia)
A Língua Portuguesa se faz presente em todos os continentes, observe:
América: O Brasil é o único país de língua portuguesa na América. Durante o período colonial, o português falado no Brasil foi influenciado pelas línguas indígenas, africanas e de imigrantes europeus. Isso explica as diferenças regionais na pronúncia e no vocabulário verificadas, por exemplo, no nordeste e no sul do país. Apesar disso, a língua conserva a uniformidade gramatical em todo o território.
Europa: O português é a língua oficial de Portugal. Em 1986, o país passa a integrar a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a língua portuguesa é adotada como um dos idiomas oficiais da organização. Existem falantes concentrados na França, Alemanha, Bélgica, em Luxemburgo e na Suécia, sendo a França  o país com mais falantes.
Ásia: Entre os séculos XVI e XVIII, o português atuou como língua franca nos portos da Índia e sudeste da Ásia. Atualmente, a cidade de Goa, na Índia, é o único lugar do continente onde o português sobrevive na sua forma original. Entretanto, o idioma está sendo gradualmente substituído pelo inglês. Em Damão e Diu (Índia), Java (Indonésia), Macau (ex-território português), Sri Lanka e Málaca (Malásia) fala-se o crioulo, língua que conserva o vocabulário do português, mas adota formas gramaticais diferentes.
Oceania: O português é idioma oficial no Timor Leste.  No entanto, a língua dominante no país é o tétum. Devido à recente ocupação indonésia, grande parte da população compreende o indonésio bahasa, apenas uma minoria compreende o português.
África: O português é a língua oficial de cinco países, sendo usado na administração, no ensino, na imprensa e nas relações internacionais. A língua convive com diversos dialetos crioulos.
Em Angola, 60% dos moradores falam o português como língua materna. Cerca de 40% da população fala dialetos crioulos como o bacongo, o quimbundo, o ovibundo e o chacue.
Em Cabo Verde, quase todos os habitantes falam o português e um dialeto crioulo, que mescla o português arcaico a línguas africanas. Há duas variedades desse dialeto, a de Barlavento e a de Sotavento.
Em Guiné-Bissau, 90% da população fala o dialeto crioulo ou dialetos africanos, enquanto apenas 10% utiliza o português.
Em Moçambique, somente 0,18% da população considera o português como língua oficial, embora seja falado por mais de 2 milhões de moçambicanos. A maioria dos habitantes usa línguas locais, principalmente as do grupo banto.
Nas ilhas de São Tomé e Príncipe, apenas 2,5% falam a língua portuguesa.

Acordo ortográfico IV

6 - HÍFEN
O hífen deixará de ser empregado nos seguintes casos:
a) Quando o prefixo terminar em vogal diferente da vogal que iniciar o segundo elemento.

Exemplos:

Estou lendo um livro de auto-ajuda.
Estou lendo um livro de autoajuda.

Ele passou na auto-escola!
Ele passou na autoescola!
Mais exemplos: agroindustrial, autoafirmação, autoaprendizagem, autoestrada, autoimagem, contraindicação, contraoferta, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiárido, semiautomático, supraocular, ultraelevado, etc.
b) Quando o prefixo da palavra terminar em vogal e o segundo elemento começar com as consoantes sou r. Nesse caso, a consoante será duplicada.
Exemplos:
Meu namorado é ultra-romântico.
Meu namorado é ultrarromântico.
Comprei um creme anti-rugas.


Comprei um creme antirrugas.
Mais exemplos: antessala, antirreligioso, antissemita, autorretrato, antissocial, arquirromântico, autorregulamentação, contrarregra, contrassenso, extrarregimento, extrasseco, infrassom, neorrealismo, ultrarresistente, ultrassonografia, semirreta, suprarrenal.
c) Não se utilizará mais o hífen nas palavras que, pelo uso, perderam a noção de composição. Veja:
pára-quedas -> paraquedas
Mais exemplos: mandachuva, paraquedista.
Uso do Hífen
Com o novo acordo, o hífen passará a ser utilizado quando a palavra for formada por um prefixo terminado em vogal e a palavra seguinte iniciar pela mesma vogal. Observe o exemplo abaixo:
microônibus-> micro-ônibus
Mais exemplos: anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, contra-ataque, micro-ondas, semi-interno, etc.
Atenção: se o prefixo terminar com consoante, usa-se hífen se o segundo elemento começar com amesma consoante.
Exemplos: hiper-requintado, inter-racial, super-resistente, super-romântico, etc.
Lembre-se: nos demais casos, não se usa o hífen.
Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, superproteção.