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2 de maio de 2016

“Não sei começar!”

Não sei começar!” Essa é uma das frases que mais ouço quando os meus alunos vão fazer uma redação. Hoje, aprenderemos que iniciar um texto dissertativo argumentativo não é tão complicado assim.
Primeiramente, temos de saber que existem muitas técnicas para escrever. Você irá escolher aquela que o fizer sentir-se mais seguro. Não há problema algum em criar um modelo para o início do seu texto. O mais importante é você cumprir com os objetivos de um parágrafo de introdução.
Como havíamos esquematizado em nossa segunda aula, para que uma introdução funcione bem, é preciso realizar dois procedimentos: 
1º) Apresentar o tema. Esse é o momento em que contextualizamos o leitor a respeito do assunto que será abordado no texto. 
2º) Formulação de uma TESE, ou seja, um ideia central sobre o tema. A tese compreende sua opinião acerca do tema.
 Antes de trabalharmos as técnicas para construção do primeiro parágrafo da redação, devemos nos atentar para alguns conceitos importantes.
 Tese e argumentação

 A tese é a ideia central, lançada na introdução. É o ponto de vista definido acerca do tema proposto. Ela deverá ser sustentada ao longo do texto, através de uma argumentação forte e convincente.
 Parágrafo e tópico frasal

 parágrafo é uma unidade menor do texto, com princípio, meio e fim, que delimita uma ideia. É marcado por um ligeiro afastamento com relação à margem esquerda da folha.
 tópico frasal corresponde à ideia-núcleo do parágrafo. Ele resume a ideia que será desenvolvida posteriormente. Observe que, no exemplo a seguir, o parágrafo de introdução é iniciado por um período, que está em destaque, constituindo o tópico frasal:
Tema: A influência do tempo na vida do homem
Parágrafo de introdução:
Analisar a relação do tempo com o homem moderno é imprescindível. Nesse sentido, assuntos como o período destinado ao trabalho e a convivência familiar devem ser aprofundados. É fundamental saber organizar as atividades para que as prioridades sejam efetivamente atendidas. 

tópico frasal apresenta a temática que será discutida posteriormente. É a partir dele que se desenvolve o raciocínio. Note que a tese (opinião) encontra-se mais precisamente no último período do parágrafo, quando se ressalta necessidade de se organizar o tempo de uma forma melhor.

Anáfora e catáfora

Um texto com coesão é aquele que apresenta conexão entre suas ideias. Para que essa ligação seja estabelecida de forma clara, podemos utilizar diversas ferramentas. Hoje, vamos falar sobre um importantíssimo processo coesivo: a COESÃO REFERENCIAL.
Para começar nossos estudos, vamos à tirinha da famosa personagem Mafalda:
 (Quino)
Vejam que os pronomes “ISSO” e “ISTO” funcionam como elementos coesivos, uma vez que conectam informações presentes na tira. Percebam que tais termos aparecem em situações diversas de fala e têm propósitos diferentes.
Neste post, vamos ver a importância de saber utilizá-los corretamente em um texto. Para isso, precisamos estudar alguns conceitos mais amplos. Vamos lá?!

COESÃO REFERENCIAL
Esse tipo de coesão ocorre quando determinado elemento textual se remete a outro, substituindo-o. Areferência, inicialmente, pode ser em relação a um dado externo ou interno ao texto. Dessa forma, temos:
  • Coesão por Referência Exofórica: é aquela que se refere a um elemento fora do texto.
Exemplo:
“A gente era pequena naquele tempo. E aquele era um tempo em que ainda se apregoava nas ruas. Não em todas as ruas, mas naquela onde vivíamos. Naquela rua, que tinha por nome a data de um santo, o tempo passava mais lentamente do que no resto da cidade de Porto Alegre.”
(Trecho inicial de uma crônica, postada no site http://revistagloborural.globo.com, por Letícia Wierzchowski)
Notem que as expressões em destaque se referem a informações externas ao texto.
  • Coesão por Referência Endofórica: é aquela que faz referência a algo dentro do texto.
SE LIGA!
A referência endofórica pode ser feita a algo mencionado anteriormente no texto – anáfora – ou a algo mencionado posteriormente – catáfora.
Analisemos os exemplos a seguir:
1) Não consegui passar o recado para seu pai, pois, quando eu voltei, ele já havia ido embora.  (“ele” -> termo anafórico)
2) Lá estava ela, ali parada, minha amiga! (“ela” -> termo catafórico)
Notem que, no primeiro exemplo, o pronome “ELE” desempenha função anafórica uma vez que RETOMA a expressão “seu pai”. Já no segundo, vemos o pronome “ELA” exercendo função catafórica, já que se refere a um termo posteriormente expresso – “minha amiga”.

CoolDICA DE REDAÇÃO!
Saibam utilizar corretamente os pronomes demonstrativos na redação:
Lembrem-se:
ISTO, ESTA, ESTE (e demais contrações) -> CATAFÓRICOS
ISSO, ESSA, ESSE (e demais contrações) -> ANAFÓRICOS
Observem:
I) No Brasil, o problema é este: a violência.
II) A violência cresce a cada dia no Brasil. Esse problema deve ser combatido por meio de medidas mais eficazes.
Notem como, na frase I, o referente “violência” está localizado posteriormente, logo o pronome “este” desempenha função catafórica; já na frase II, a referência foi feita anteriormente, portanto o pronome “esse” possui função anafórica.

Para finalizar nossa aula de hoje, deixo aqui mais alguns exemplos de termos que exercem coesão referencial, evitando, assim, indesejáveis repetições vocabulares:
O trabalho que eu fiz mereceu destaque. (pronome relativo, retomando o termo “trabalho” e ligando as orações)
Tenho dois objetivos: o primeiro é passar no vestibular; o segundo, arrumar um bom emprego.(numerais que substituem os respectivos “objetivos”)
Moramos no Brasil. Aqui, as leis não são respeitadas como deveriam. (advérbio retomando o substantivo próprio “Brasil”)

CAIU NO ENEM
(ENEM 2009)
Páris, filho do rei de Troia, raptou Helena, mulher de um rei grego. Isso provocou um sangrento conflito de dez anos, entre os séculos XIII e XII A.C. Foi o primeiro choque entre o ocidente e o oriente. Mas os gregos conseguiram enganar os troianos. Deixaram à porta de seus muros fortificados um imenso cavalo de madeira. Os troianos, felizes com o presente, puseram-no para dentro. À noite, os soldados gregos, que estavam escondidos no cavalo, saíram e abriram as portas da fortaleza para a invasão. Daí surgiu a expressão "presente de grego".
Em "puseram-no", a forma pronominal "no" refere-se:
a) ao termo "rei grego".
b) ao antecedente "gregos".
c) ao antecedente distante "choque".
d) à expressão "muros fortificados".
e) aos termos "presente" e "cavalo de madeira".


Comentários:
Para resolver a questão, basta recuperar as informações do texto. Notem que a forma pronominal “no” retoma o termo “presente”, que por sua vez retoma “cavalo de madeira”, desempenhando função anafórica. Como podemos perceber, a alternativa que demonstra isso é a letra E – gabarito da questão.

Bem, galera, espero ter colaborado para que esse assunto se torne mais claro e objetivo. No próximo post, veremos outros processos coesivos.

30 de abril de 2016

Exercícios - pronomes oblíquos

1) Leia, reflita e analise os páreos de enunciados, apontando qual deles se adequá ao padrão formal da linguagem, levando em consideração os conhecimentos que você dispõe acerca dos pronomes oblíquos na função de complementos verbais. Procure justificar sua resposta. 


a) Ela o ama
          X
Atividades sobre pronome oblíquo com gabarito
Pronome oblíquo com gabarito
   Ela lhe ama

b)  Agradecer-lhe
            X
    Agradecê-lo(a)

c) Apresentar-lhe
            X
    Apresentá-lo(a)

d) Obedecê-lo(a)
           X
    Obedecer-lhe

2) (Fundação Lusíada) Preencha as lacunas do texto abaixo com os pronomes oblíquos devidos:

“ Não ______ ajudou, nem _______ pediu nada, não ______ julgou e nem _____ condenou por isso”.

a – (  ) o, lhe, o, o
b – (  ) o, lhe, o, lhe
c – (  ) lhe, lhe, o, o
d – (  ) o, lhe, lhe, o
e – (  ) o, lhe, lhe, lhe

3) (Unimep-SP)

I – Demos a ele todas as oportunidades.
II – Fizemos o trabalho como você orientou.
III – Acharam os livros muito interessantes.

Substituindo as palavras destacadas por um pronome oblíquo, temos:

a) I – Demos-lhe; II – Fizemo-lo; III – Acharam-los.
b) I – Demos-lhe; II – Fizemos-lo; III – Acharam-os.
c) I – Demos-lhe; II – Fizemo-lo; III – Acharam-nos.
d) I – Demo-lhe; II – Fizemos-o; III – Acharam-nos.
e) I – Demo-lhe; II – Fizemo-lhe; III – Acharam-nos

4) Atenha-se aos enunciados, cujo intuito é analisar o emprego dos pronomes oblíquos, atribuindo-lhes a classificação adequada, tendo em vista o seguinte código:

(O.D) Objeto direto
(O. I) Objeto indireto

 (  ) Acharam-no interessante.
 (  ) Colocaram-na em cima da mesa.
 (   ) Entregaram-lhes as encomendas.
d – (   ) Disseram-lhe toda a verdade.
 (  ) Puseram-no contra todos.
 (   ) Analisá-lo é preciso.


Gabarito:

Resposta Questão 1
a) Ela o ama, visto que “amar” se classifica como verbo transitivo direto = quem ama, ama alguém.

b – Agradecer-lhe, pois em se tratando da regência verbal, infere-se que o verbo agradecer se classifica como transitivo indireto = quando agradecemos, o fazemos a alguém.

 c – Apresentá-lo(a), em virtude de o verbo apresentar se classificar como transitivo indireto, nesse caso em especial, bem como direto. Assim, podemos afirmar: Irei apresentá-la(O.D) aos meus amigos(O.I).

 D – Obedecer-lhe, pois no que diz respeito à predicação do verbo obedecer, esse se classifica como transitivo indireto, cujo complemento atua somente como objeto indireto.


Resposta Questão 2
Alternativa adequada expressa pela letra “A”.

Resposta Questão 3
a) Alternativa não adequada ao enunciado em questão, visto que o item III não se adequa ao padrão formal da linguagem em virtude da colocação do pronome oblíquo “los”.

b) Alternativa inadequada ao enunciado, haja vista que o pronome oblíquo demarcado no item III não se encontra adequado ao padrão formal da linguagem.

c) Alternativa adequada ao enunciado, pois todos os pronomes oblíquos, ora atuando como complementos verbais, apresentaram-se adequados à norma culta da linguagem.

d) Alternativa incoerente, pois os itens I e II se encontram ajustados de forma incorreta, tendo em vista o emprego do pronome oblíquo como complemento do verbo.

e) Alternativa inadequada ao enunciado, visto que os itens I e II não se encontram adequados ao padrão formal da linguagem, em virtude da má colocação do pronome oblíquo.

Resposta Questão 4
a – ( O.D ) Acharam-no interessante.
b – ( O.D ) Colocaram-na em cima da mesa.
c – ( O.I  ) Entregaram-lhes as encomendas.
d – ( O.I  ) Disseram-lhe toda a verdade.
e - ( O.D ) Puseram-no contra todos.
f – ( O.D  ) Analisá-lo é preciso.

Onde - aonde - donde

ONDE OU AONDE, e onde coloco o DONDE?




Todos os dias ouvem-se pessoas falando “onde” e “aonde” indiscriminadamente, e poucos conhecem o seu significado e o seu uso correto.
ONDE
Advérbio – Significa em que lugar” e deve ser usado na indicação de lugar:
Onde tu ficas nas férias?”, “Não sei onde você mora”, “Por onde iremos hoje?” ou “Onde é a escola?”
É errado o seu uso, por exemplo, em:
“Conheça nosso Plano, onde oferece…”
“Tive um sonho onde tu aparecias e me abraçavas.”
“Naquele tempo, onde os bichos falavam…”
Plano, sonho e tempo não são lugares, e nesses casos deveriam ser usados queem que e quando:
“Conheça nosso Plano, que oferece…”
“Tive um sonho em que tu aparecias e me abraçavas.”
“Naquele tempo, quando os bichos falavam…”
Pronome – Também com valor circunstancial de lugar, significa “em que”.
Gosto da casa onde moro.”
AONDE
Advérbio – (preposição a+onde) e significa “a qual lugar” ou “para onde”, e, como regra geral, deve ser usado seguido de verbos que denotem movimento, como IR, LEVAR e CHEGAR. Ou seja, somente indica um lugar, para onde se vai ou se foi:
Aonde tu vais com tanta pressa?”
Aonde nos leva a nossa insensatez!”
Aonde chegaremos amanhã?”
Aonde foram todos os bichos?”
A propósito, sempre se chega a algum lugar e não em algum lugar.
Não é correto dizer-se “Aonde tu vais ficar durante as férias?”, pois nesse caso o verbo IR (vais) não está colocado corretamente, já que o certo seria dizer-se “Onde tuficarás durante as férias?
DONDE
Contração da preposição de e do advérbio onde (de+onde = donde), obviamente usado apenas quando se vem de algum lugar.
Donde vens, aonde vais?” – do poeta Castro Alves, em Navio Negreiro.
É errado dizer-se “Daonde veio o dinheiro?” . O correto é “De onde veio o dinheiro?, ou “Donde veio…”
Vários autores defendem o uso indiscriminado de “onde” e “aonde”, mas isso se deve também à sua desistência de tentar mudar o comportamento dos usuários da nossa conturbada língua portuguesa.

MIMTISI - INTERESSANTE

Ocorre-lhe alguma dúvida acerca do que sejam pronomes oblíquos? Pois bem, sabemos que os pronomes pessoais, cuja característica é indicar diretamente as pessoas do discurso (a pessoa que fala, a pessoa com quem se fala e a pessoa de quem se fala), subdividem-se em pronomes pessoais do caso reto e do caso oblíquo. 

Para diferenciá-los, retomemos algumas noções de análise sintática, na qual os pronomes pessoais do caso reto exercem a função de sujeito da oração, como em: 

Eu cheguei apressada.

Nós estudamos bastante.
Vejamos, pois, alguns aspectos relacionados aos pronomes pessoais: 

- Mais adiante veremos que os pronomes oblíquos tônicos são regidos por preposições. No entanto, em alguns exemplos, mesmo que a preposição esteja anteposta a um pronome, ela rege a oração por completo, e não somente esse pronome. Nesse caso, se o sujeito for um pronome, esse deverá ser sempre do caso reto. 

Enviaram vários livros para eu ler.
Caso tenhamos alguma dúvida acerca da existência do sujeito, recomenda-se desdobrar a oração, sendo essa manifestada por: 

Enviaram vários livros para que eu lesse.
Já os pronomes do caso oblíquo exercem a função sintática de complemento verbal (objeto direto e objeto indireto), complemento nominal, agente da passiva, adjunto adnominal, adjunto adverbial ou sujeito acusativo (sujeito de oração reduzida). A título de exemplificá-los, temos: 

As encomendas foram entregues a mim. (função de objeto indireto)

A decisão será favorável a mim. (função de complemento nominal, pois complementa o sentido de um adjetivo, “favorável”).

De acordo com a tonicidade, os pronomes oblíquos classificam-se em átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) e tônicos (mim, comigo, ti, contigo, ele, ela, si, consigo, nós, conosco, vós, convosco, eles, elas). 

Tais pressupostos, uma vez elencados, conduz-nos mais adiante: compreender acerca das particularidades que norteiam os pronomes oblíquos tônicos. Assim, cabe dizer que esses são sempre regidos por preposições, no caso as essenciais. É interessante notar que a combinação da preposição “com” com alguns desses pronomes originou as formas já expressas: comigo, contigo, conosco, convosco e consigo. Assim sendo, valorizemos algumas construções, tidas como adequadas perante o padrão formal da linguagem, no entanto constituídas de outras preposições, ora manifestadas por: 

Não existe mais nada entre mim ti.

As acusações foram feitas contra mim.

Não entre sem mim.
- Em se tratando da linguagem formal, jamais falaríamos assim: “ele vai com nós”, mas sim, “ele vai conosco”; nem “ele não vai com vós”, mas sim, “convosco”. No entanto, as formas “conosco” e “convosco” são substituídas por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais são reforçados por alguns vocábulos, tais como: outros, mesmos, próprios, todos, ambos ou por algum numeral. Assim, podemos constatar sua evidência por meio dos exemplos subsequentes: 

A única certeza era de que ele viajaria com nós dois.

Como precisava ir com nós todos, desistiu imediatamente.
- No que tange ao português falado no Brasil, afirma-se que o pronome “si” é exclusivamente reflexivo, fato que também ocorre como o pronome “consigo”, perfeitamente constatável em: 

Quanto egoísmo! ele somente é capaz de pensar em si próprio.

Que estranho! parece estar falando consigo mesma.
No caso do português falado em Portugal, tais formas são também utilizadas como não reflexivas – demarcadas por meio dos seguintes casos: 

Em breve, desejo estar consigo.

Penso em si diariamente.