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12 de fevereiro de 2016

Sempre é bom repetir

Ainda é muito comum o argumento de que, no combate à pobreza no Brasil, não se deve dar o peixe, mas ensinar a pescar. Os resultados de pesquisas recentes, no entanto, indicam que ensinar a pescar pode ser muito pouco para uma grande massa de população que já se encontra em situação de extrema privação.
A pobreza é uma metáfora para o sofrimento humano trazido à arena pública, e pode ser definida de maneiras distintas.
Muita energia é despendida na busca de uma definição rigorosa, capaz de distinguir com clareza o sofrimento suficiente do sofrimento insuficiente para classificar alguém como pobre, mas aqui isso não é necessário: apenas para conduzir a argumentação, vamos tratar pobreza como uma situação extrema, na qual se encontram os indivíduos pertencentes a famílias que não dispõem de renda para adquirir uma cesta de alimentos e outros bens de consumo, como vestimentas e medicamentos.
Pesquisas embasadas nesse tipo de definição estimam que uma fração entre um terço e a metade da população brasileira possa ser considerada pobre. Essa é uma definição forte; e estimativas subjetivas de linhas de pobreza demonstram que boa parte da população brasileira ainda consideraria insuficientes as rendas de famílias que se encontram em níveis superiores
aos usados nessas pesquisas como linha de pobreza.
Vamos assumir, também, que a existência desse tipo de pobreza é socialmente inaceitável e, portanto, que desejamos erradicá-la o quanto antes. É óbvio que o horizonte de tempo proposto define que tipos de mudança na sociedade serão necessários.
Provavelmente, um prazo mais curto exigirá políticas mais drásticas. Para manter a argumentação em torno das propostas mais debatidas, atualmente, para a erradicação da pobreza no país, vamos definir como limite razoável algo entre uma e duas décadas.
A insuficiência de recursos nas mãos de parte da população pode ser entendida como resultado ou de uma insuficiência generalizada de recursos ou de má distribuição dos recursos existentes. Logo, o combate à pobreza pode tomar dois rumos básicos: aumentar o nível de recursos per capita da sociedade ou distribuir melhor os recursos existentes. Nada impede, é claro, que as duas coisas ocorram simultaneamente.
Os caminhos para o aumento dos recursos per capita encontram-se entre dois extremos: diminuir a população ou fazer com que a economia cresça mais rápido que ela. Como as estratégias de diminuição da população existente, em um prazo razoável, beiram o absurdo, a proposta de crescimento da economia, maior do que a do crescimento da população, é
geralmente muito mais debatida no Brasil.
Dadas as dificuldades que se colocam para o crescimento acelerado de qualquer economia, durante muito tempo se sugeriu que o problema da pobreza no Brasil poderia ser enfrentado pela via do controle de natalidade. Embora esse argumento, ainda hoje, encontre algum eco fora dos meios acadêmicos, todas as evidências empíricas disponíveis rejeitam a viabilidade da erradicação da pobreza por meio da redução no ritmo de reprodução da população.

Marcelo Medeiros. In: UnB Revista, dez./2003-mar./2004, p. 16-9 (com adaptações).

Acerca do texto acima, julgue os itens a seguir.

1. O texto, apesar de falar em “argumentação”, é predominantemente descritivo, uma vez que apresenta os contornos e as características da parte da população brasileira considerada “pobre”.

2. No primeiro parágrafo, a idéia central pode ser resumida da seguinte forma: é necessário dar bens de subsistência para quem já se encontra em situação de miséria extrema.

3. Do segundo ao quinto parágrafos, é apresentada, entre distintas acepções de pobreza, a que será adotada pelo autor e mediante a qual devem ser entendidas as suas idéias.

4. Nos parágrafos sexto e sétimo, o autor associa a pobreza, fundamentalmente, a aspectos econômicos e financeiros, argumentando que, para saná-la, é imperioso elevar a renda per capita.

5. No último parágrafo, a proposta de diminuição da taxa demográfica de pobres, com o estímulo ao controle e à redução da natalidade, é defendida pelo autor.

6. Além de ser correta, a substituição do termo “despendida” (2º parágrafo) por dispendida não altera o sentido do texto.

7. Em “a metade da população brasileira possa ser considerada pobre. Essa é uma definição forte” (3º parágrafo), há quatro substantivos abstratos determinados por quatro adjetivos.

8. A união entre as orações existentes no trecho “que a existência desse tipo de pobreza é socialmente inaceitável e, portanto, que desejamos erradicá-la o quanto antes” (4º parágrafo) dá-se por processo de coordenação.

9. O emprego do itálico em “per capita” (7º parágrafo) justifica-se por se tratar de uma expressão estrangeira que significa, no contexto, em língua portuguesa, por cabeça ou por pessoa.

10. No último parágrafo do texto, “acadêmicos” e “evidências” recebem acento pelo mesmo motivo.

Os itens subsequentes são reescrituras adaptadas de partes de textos extraídos de UnB Revista, n.º 9, dez./2003-mar./2004. Julgue-os quanto a acentuação gráfica, emprego do sinal indicativo de crase, concordância, regência e pontuação.

11. Políticas de controle da natalidade não são uma solução viável, não só porque violam a liberdade das famílias de decidir seu tamanho, mas, também, porque causam um vazio geracional que, futuramente, poderá ter diversos impactos negativos para a sociedade.

12. O crescimento da economia parece ser uma proposta mais tentadora: crescer aumenta a quantidade de recursos disponíveis e, se os resultados desse crescimento forem distribuídos a todos, a tendência é de que a pobreza seja reduzida.

13. Se o problema da pobreza é, majoritariamente, uma questão de desigualdade e de desequilíbrio, estratégias de erradicação da miséria devem ser formuladas, levando em conta as causas de tais divergências.

14. Visando a formação de novas mentalidades, abertas permanentemente as modificações que ocorrem na sociedade, é necessário um constante diálogo das instituições jurídicas do país com as universidades afim do proveito de ambas, e consequentemente, da sociedade brasileira.

15. O momento atual, a despeito do que muitos afirmam, revela-se uma oportunidade impar para uma reflexão à respeito do funcionamento da administração pública e acerca das funções a serem desempenhadas pela sociedade no estado democrático de direito.
Não há dúvida de que, no início do século XXI, os Estados Unidos da América chegaram mais perto do que nunca da possibilidade de constituição de um “império mundial”. Mas, se o mundo chegasse a esse ponto e constituísse um império global, isso significaria — ao mesmo tempo e por definição — o fim do sistema político interestatal. E o mais provável, do ponto de vista econômico, é que tal transformação viesse a significar também o fim do capitalismo. Em uma linguagem mais próxima da física e da termodinâmica do que da dialética hegeliana, pode-se dizer que a expansão do poder global na direção do império mundial é, ao mesmo tempo, uma força que levaria o sistema mundial à entropia, ao provocar sua homogeneização interna e o desaparecimento das hierarquias e conflitos responsáveis pelo dinamismo e pela ordem do
próprio sistema.

José Luís Fiori. Correio Braziliense, 25/12/2004 (com adaptações).


Em relação ao texto acima, julgue os itens que se seguem.


16. O emprego da preposição “de” em “Não há dúvida de que” justifica-se pela regência da forma verbal “há”.

17. Como na sequência há um complemento oracional, a omissão da preposição “de” em “Não há dúvida de que” também estaria de acordo com as exigências da norma escrita culta.

18. Como o primeiro período do texto apresenta idéia relativa a um único país, o emprego do verbo chegar no singular — chegou — estaria de acordo com as exigências de concordância da norma escrita culta, sem necessidade de outras alterações no texto.

19. Mantêm-se a correção gramatical do período e as informações originais do texto ao se eliminar a palavra sublinhada em “mais perto do que nunca”

20. O emprego do futuro do pretérito em “significaria” é decorrente do emprego de estrutura antecedente que tem valor condicional, formada por verbo no imperfeito do subjuntivo.

21. Pelos sentidos do texto, é correto inferir que a palavra “entropia” está sendo empregada com o significado de equilíbrio, organização.

22. Para o trecho “que levaria (...) à entropia”, a crase se justifica pela regência do verbo levar.

23. Infere-se das informações e dos sentidos do texto que o dinamismo e a ordem do sistema político interestatal em vigor atualmente no mundo podem prescindir de hierarquias e conflitos.


Quase todas as grandes potências já foram colonialistas e anticolonialistas, pacifistas e belicistas, liberais e mercantilistas, e quase todas elas, além disso, já mudaram de posição várias vezes ao longo da história. Nesse contexto, as previsões, liberais ou marxistas, do fim dos estados ou das economias nacionais, ou mesmo da formação de algum tipo de federação cosmopolita e pacífica, são utopias, com toda adignidade das utopias que partem de argumentos éticos e expectativas generosas, mas são idéias ou projetos que não têm nenhum apoio objetivo na análise da lógica e da história passada do sistema mundial. Apesar de tudo isso, é possível identificar através da história a existência de forças que atuam na direção contrária do poder global e do império mundial. Forças que impediram — até agora — que esse processo de centralização do poder chegasse até o seu limite imperial, o que provocaria a dissolução do sistema político e econômico
mundial.
Idem, Ibidem.

Com referência às ideias e estruturas do texto acima, julgue os itens a seguir.

24. A expressão “Nesse contexto” é um elemento de coesão textual, pois retoma de forma sintética todas as informações do período anterior.

25. A inserção de uma vírgula logo após a expressão “dignidade das utopias” mantém as mesmas relações sintáticas e a informação original do período.

26. Pelas informações do texto, estaria gramaticalmente correta e de acordo com as idéias do texto a substituição do trecho “expectativas generosas, mas são idéias” por: expectativas generosas. Entretanto, essas previsões são idéias.

27. Pela presença das preposições, é correto afirmar que os elementos “da lógica”, “da história passada” e “do sistema mundial” têm a mesma função sintática no período, pois complementam a palavra “análise”.

28. Mantém-se a ênfase da afirmação, sem prejuízo para a correção gramatical do período, se as duas ocorrências da forma “do” forem substituídas por em relação ao.

29. No início do último período do texto, substituir “Forças” por São essas forçasconstitui alternativa gramaticalmente incorreta para o período, porque prejudica a coesão textual.

30. O emprego do futuro do pretérito em “provocaria” justifica-se pelo emprego do subjuntivo em “chegasse” e admite como gramaticalmente correta a substituição pela forma teria provocado ou por iria provocar.

A responsabilidade política do Poder Judiciário no MERCOSUL é nítida nesta quadra. Precisamos, portanto, com absoluta transparência, discutir e verificar como as nossas instituições jurídicas estão desenhadas. A justiça brasileira ainda está presa às concepções autonômicas do século XIX, e, por isso, o tratado internacional tem sido considerado
norma de natureza ordinária, e, conseqüentemente, é sujeito à modificação, à revogação e à alteração por qualquer legislação ordinária, sem qualquer audiência dos organismos internacionais e dos países que foram co-participantes da elaboração de um tratado, seja ele de qualquer natureza: comercial, civil, tributária.
Internet: .

Acerca do texto acima, julgue os itens seguintes.

31. Na expressão “presa às concepções”, estaria gramaticalmente correta a preferência pela estrutura presa a concepções, em que é omitido o artigo feminino plural, com a permanência da preposição


32. Os 3 últimos sinais indicativos de crase têm justificativas diferentes, e dois deles podem ser omitidos sem prejuízo para a correção gramatical do período.

Considerando que os fragmentos incluídos nos itens seguintes, na ordem em que estão apresentados, são partes sucessivas de um texto, julgue-os quanto à correção gramatical.

33. Uma das causas do congestionamento do sistema judiciário reside na legislação processual que, de tão ultrapassada, enseja recursos inimagináveis em qualquer outro sistema.

34. A multiplicidade de manifestações de insurgência contra toda e qualquer disposição judicial, com invocação das garantias constitucionais de ampla defesa e devido processo, fazem com que o exame do mérito das causas seja adiado quase que indefinidamente.

35. Sucede-se na comarca os juízes e nos tribunais os relatores de modo que, sobre uma única demanda, várias gerações de magistrados se devam debruçar, reiniciando — como se espera — o estudo do feito desde sua página inicial. Itens adaptados.

GABARITO

1. E

2. C
3. C 
4. E 
5. E
6. E 
7. E 
8. C 
9. C 
10. E
11. C 
12. C 
13. C 
14. E 
15. E
16. E 
17. C 
18. E 
19. C 
20. C
21. E 
22. C 
23. E 
24. C 
25. E
26. C 
27. E 
28. C 
29. E 
30. C
31. C 
32. E 
33. C 
34. E 
35. E

Tipologia textual

Tipologia Textual: Exercícios Resolvidos


1) CESPE 

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O texto pode ser classificado como didático por ser marcado pela repetição de vocabulário e ausência de elementos subjetivos. 


 Certo       Errado



2): CESPE - 2012 

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É correto afirmar que o poema mimetiza características de outro gênero textual.


 Certo       Errado


3)  CESPE - 2013 

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O texto é, essencialmente,

 a) informativo.
 b) prescritivo e normativo.
 c) dissertativo-argumentativo.
 d) narrativo.
 e) descritivo.

4) CESPE - 2012 



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O texto, que se caracteriza como argumentativo, é utilizado para a defesa da necessidade de modernização da ANAC.

 Certo       Errado

5) CESPE - 2007 

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Trata-se de um texto dissertativo composto a partir de segmentos narrativos e descritivos.

 Certo       Errado


6)  CESPE - 2012 

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O texto apresenta características narrativas e dissertativas.

 Certo       Errado


7)  CESPE - 2012 

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O texto apresenta, como comprovam as escolhas lexicais feitas pelo autor, as principais características do texto dissertativo: pessoalidade e subjetividade.

 Certo       Errado


8) CESPE - 2012 

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O texto pode ser classificado como dissertativo, visto que nele se defende a ideia da importância da ampla defesa e se desenvolve argumentação a partir dela.

 Certo       Errado


9) CESPE - 2012 

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O emprego do vocábulo “chato”, cujo sentido é pejorativo, é inadequado ao gênero do texto em questão.


 Certo       Errado


10) CESPE - 2007 

Imagem 002.jpg

Assinale a opção correta a respeito das idéias apresentadas no texto e da tipologia textual.

 a) O texto é fragmento de uma notícia e se estrutura em duas partes: uma expositiva e outra argumentativa.
 b) O texto é uma descrição retirada de um texto publicitário, destinado a convencer os adolescentes a votarem.
 c) O texto narra episódios políticos que aconteceram antes das eleições para a chefia da UBES.
 d) O texto tem estrutura dissertativa, sendo as passagens entre aspas transcrições de discursos contrários às eleições aos 16 anos.
 e) No primeiro parágrafo, predomina a estrutura descritiva, mas, no segundo, sobressai a narrativa.






GABARITO

1) ERRADO
O texto apresenta inúmeros apontamentos e interpretações próprios do autor. Na linha 20 o autor diz: "no meu modo de pensar". 

2) CERTO
O poema mimetiza o gênero lei.



3) c)
Na frase "Essa não é, entretanto, uma verdade absoluta (linha 15)"... o autor deixa claro sua discordância com que foi mencionado anteriormente. Ademais, expõe as considerações de "José Afonso da Silva" para reforçar seu ponto de vista. Essas são marcas de um texto dissertativo argumentativo.



4) ERRADO
A característica de um texto argumentativo é a defesa de uma ideia, de uma opinião ou de um ponto de vista, uma tese, procurando  fazer com que seja aceita. Note que o texto não está preocupado em convencer ninguém


5) CERTO
Os segmentos narrativos encontram-se nos períodos com verbos no passado. Já os segmentos descritivos estão na descrição da quantidade de RCEs e da decomposição de material orgânico.



6) CERTO
Narrativas por conter o relato da ação da "personagem" no discurso. Dissertativas por desenvolver ou explicar o tema proposto, discorrendo sobre ele com o fim de produzir transmissão de conhecimento.


7) ERRADO

Há dois tipos de textos dissertativos: o expositivo/objetivo e o argumentativo/subjetivo. No primeiro, texto dissertativo-expositivo, o autor não se preocupa em defender sua opinião: ele apenas explica ideias ou informações, sem intenção de convencer o leitor. No segundo, texto dissertativo-argumentativo, o autor expõe seus argumentos com a pretensão de persuadir o leitor.

O erro da questão é afirmar que pessoalidade e subjetividade são inerentes a todo texto dissertativo, quando na verdade apenas o dissertativo-argumentativo possui tais características.


8) CERTO
Podemos chegar a esta conclusão a partir da parte introdutória do texto "... pudessem ser condenados sumariamente sem defesa." O título do texto também é sugestivo "Todo réu deve ter defesa." Devemos ficar atentos a todos os elementos apresentados para certificarmos da resposta correta, incluindo o rodapé.


9) ERRADO
O termo "chato" é adequado porque a fonte indica que o texto é de humor.  


10)
a) CERTO
Expositiva - Quando narra e descreve a realização da campanha.
Argumentativa - Quando inclui e cita os argumentos do professor e da presidenta da comissão de educação.

b) ERRADO
É uma narração.  Observe o uso do pretérito perfeito e do presente, o objetivo de relatar os fatos etc.

c) ERRADO
Não há nada no texto que possa levar a essa interpretação.

d) ERRADO
O texto possui a estrutura de uma narração. O objetivo é relatar um acontecimento. Os discursos são favoráveis às eleições.

e) ERRADO
O texto integralmente é narrativo.

TIPOS DE TEXTOS

TIPOS DE TEXTOS

De acordo com as diferentes situações de uso, os enunciados se organizam e se agrupam em tipos, conforme a finalidade da comunicação. Quando um indivíduo utiliza a língua para se comunicar, sempre o faz por meio de um tipo de texto, conscientemente ou não. Nesse sentido, a língua se realiza por enunciados, orais ou escritos, previamente dominados pelo indivíduo. Caso não fosse assim, a comunicação se tornaria praticamente inviável. 
Os enunciados são utilizados – de maneira organizada e agrupada – em toda atividade humana. Essas atividades caracterizam-se por objetivos específicos e por condições especiais de uso, tornando os enunciados emitidos pelos indivíduos relativamente estáveis, comumente associados às atividades. Os enunciados, mesmo variando em extensão, conteúdo e estrutura, conservam características comuns, e são denominados gêneros do discurso ou gêneros textuais. 
A primeira classificação que se pode fazer dos textos encontrados com mais frequência no dia a dia é bastante reducionista e abrangente, provavelmente herdada da cultura greco-latina. Formam-se dois únicos grupos: o dos textos literários e o dos textos não-literários. No primeiro grupo, estariam os textos ligados à literatura e, portanto, ficcionais, como conto, crônica, poesia, novela etc. No segundo, os informativos: notícias, avisos, propaganda, outdoors, verbetes enciclopédicos etc. 
Texto informativo publicitário (Foto: Reprodução)Texto publicitário (Foto: Reprodução)
Outra classificação agrupa os textos em três grupos, segundo sua funcionalidade:
Textos práticos – relacionados às ações do cotidiano, apresentam estrutura simples, como cartazes, placas, bilhetes, manchetes, notícias, propagandas, relatos;
Textos científicos – objetivam proporcionar o acesso ao conhecimento das diferentes áreas do saber. Utilizam uma linguagem mais formal. São os verbetes de dicionário e enciclopédia, os tratados científicos, matérias jornalísticas e até as anotações escolares;
Textos literários – preocupam-se mais com a linguagem e não com a informação. Geralmente têm caráter ficcional, voltando-se ao imaginário. São as narrativas, os contos, as lendas, fábulas, poemas, enfim, todo o universo da literatura. 

FINALIDADE

Mas para que é preciso agrupar os diferentes tipos de textos?
Quando estabelecemos tipologias claras e concisas para os textos, fica mais fácil interpretar e produzir textos que circulam em um determinado ambiente social. Por exemplo: ao nos depararmos com o texto a seguir, à primeira vista já sabemos que se trata de uma receita. Pela forma e pela distribuição do texto no papel, identificamos a parte dos ingredientes e a parte do “modo de fazer”. Isso nos prepara para a leitura e, consequentemente, para a interpretação. Veja:
Figura (Foto: Reprodução)Receita de cupcake (Foto: Reprodução)

OUTRAS CLASSIFICAÇÕES

Existem muitas formas de classificar os textos de acordo com seus tipos. A cada época da produção textual da humanidade, novas classificações vão surgindo. Isso por causa das novas tecnologias que aparecem ao longo dos anos. Na primeira metade do século XX, por exemplo, não se pensava em textos como e-mail, blog ou homepage. Observe mais esta classificação:
Textos literáriosconto; novela; obra teatral; poema
Textos jornalísticosnotícia; artigo de opinião; reportagem; entrevista
Textos de informação científicadefinição; nota de enciclopédia; relato de experimento científico; monografia; biografia
Textos instrucionaisreceita; instrutivo
Textos epistolarescarta; solicitação
Textos humorísticoshistória em quadrinhos
Textos publicitáriosaviso; folheto; cartaz; outdoor
Alguns pesquisadores da linguagem, consideram, ainda, uma outra forma de classificar os tipos de textos de acordo com as funções das linguagem. As principais são a informativa, que conduz o leitor, da forma mais direta possível, a identificar e/ou caracterizar as diferentes pessoas, acontecimentos e fatos que constituem o assunto do texto; a literária, que tem como objetivo a intencionalidade estética, utilizando os recursos da língua para dar prazer e produzir mensagem artística, obra de arte; aapelativa, que objetiva modificar comportamentos, e, por fim, a expressiva, que manifesta a subjetividade do emissor, seus estados de ânimo, seus afetos, suas emoções.

Assim, os textos seriam classificados de forma a estruturar os recursos da língua para veicular as funções da linguagem. Teríamos, então, a narração, que apresenta fatos ou ações em uma sequência temporal e causal; a argumentação, que enumera, comenta, explica ou confronta ideias, conhecimentos, opiniões, crenças ou valores; a descrição, que especifica e caracteriza pessoas, objetos, lugares, e a conversação, em que aparece a interação linguística que se estabelece entre os diferentes participantes de uma situação comunicativa.

No entanto, essa classificação não abrange todo o universo de textos encontrados na sociedade, pois os critérios utilizados ora são de proveniência sociolinguística, ora funcional; em outros momentos, abordam apenas as características formais e estruturais. Portanto, um texto precisa ser avaliado a partir de, pelo menos, dois critérios: um linguístico, referente à estrutura do texto; outro situacional, associado à situação comunicativa em que se insere. Além desses dois, também é preciso se preocupar com o fato de o texto pertencer a determinado contexto cultural.

Num ato de comunicação, portanto, os interlocutores, de certa forma, necessitam dominar o tipo de texto utilizado no momento da interlocução. Assim, a compreensão se dará mais facilmente e a comunicação atingirá seu objetivo.



EXERCÍCIO

Classifique os textos em (1) descritivo, (2) narrativo ou (3) dissertativo. Justifique a sua resposta. 
                                TEXTO  I
(  ) Ele tinha o olhar fixo no anúncio luminoso, suspenso no fundo negro de um céu sem estrelas. Já fazia uma hora que tinha o olhar fixo no anúncio onde um cisne branco aparecia fosforescente em primeiro plano no espaço tumultuado de nuvens. Logo em seguida, com ondulações de pétalas mansas, abria-se em torno do cisne um pequeno lago que chegava até quase a meia-lua branca da qual saía o letreiro. Cortado pelo perfil de um edifício. Só as cinco letras do anúncio eram visíveis, as outras desapareciam detrás do cimento armado.
                                  (Lygia Fagundes Telles) 
                              TEXTO II
(   ) Enfim, chegou a hora da recomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens  choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver, tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas. As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela. Capitu enxugou-as depressa, olhando  a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.                                               (Machado de Assis) 
                           TEXTO III
(   ) A agressão ao meio que ameaça, hoje, todo o equilíbrio climático e a própria existência da vida no planeta é uma conseqüência dos modos de produção capitalista. As evidências dessa constatação saltam aos olhos quando se analisam os elementos que mais contribuem para a destruição do meio ambiente.
Veja-se, primeiramente, a questão central da poluição do ar e das águas. O modelo industrial, implementado pelo capitalismo, continua a jogar gases tóxicos no ar e seus rejeitos nos rios e mares. Além disso, é importante frisar um fato específico, ligado à realidade brasileira: a gravíssima e insana devastação das nossas florestas. As indústrias da madeira e de mineração, aliadas à brutalidade de fazendeiros, vêm provocando um verdadeiro desastre ambiental sem chances de reversão. Mais uma vez a noção de lucro supera a preocupação com o meio e o pior é que, neste caso, a intervenção das autoridades responsáveis continua a ser tímida [...]

                          (Adaptado – Caderno de Redação – Colégio QI)

Resposta:
(1) DESCRITIVO – Consiste na caracterização de um objeto, ou seja, a autora se preocupa em fornecer um “retrato verbal” daquilo que se propôs a descrever, fazendo observar a sequência  de aspectos e características que o compõe. 
(2) NARRATIVO – Trata-se de um fato ficcional ocorrido em determinado tempo e lugar, envolvendo personagens. Acima de tudo, há o narrador que, no caso específico, conta esse fato na terceira pessoa. 
(3) DISSERTATIVO – Caracteriza-se por refletir, comentar, conceituar, expor idéias ou ponto de vista para fornecer conhecimento, associando-se à idéia de análise e compreensão. De forma coerente, o autor tenta persuadir o receptor por meio de argumentos articulados e construídos dentro de um repertório cultural produtivo. 

Tipologia Textual - inss

Tipologia 
Textual
1. Narração
Modalidade em que um narrador, participante ou não, conta um fato, real ou fictício, que ocorreu num determinado tempo e lugar, envolvendo certos personagens. Refere-se a objetos do mundo real. Há uma relação de anterioridade e posterioridade. O tempo verbal predominante é o passado. Estamos cercados de narrações desde as que nos contam histórias infantis até às piadas do cotidiano. É o tipo predominante nos gêneros: conto, fábula, crônica, romance, novela, depoimento, piada, relato, etc.

2. Descrição
Um texto em que se faz um retrato por escrito de um lugar, uma pessoa, um animal ou um objeto. A classe de palavras mais utilizada nessa produção é o adjetivo, pela sua função caracterizadora. Numa abordagem mais abstrata, pode-se até descrever sensações ou sentimentos. Não há relação de anterioridade e posterioridade. Significa "criar" com palavras a imagem do objeto descrito. É fazer uma descrição minuciosa do objeto ou da personagem a que o texto se Pega. É um tipo textual que se agrega facilmente aos outros tipos em diversos gêneros textuais. Tem predominância em gêneros como: cardápio, folheto turístico, anúncio classificado, etc. 
3. Dissertação
Dissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele. Dependendo do objetivo do autor, pode ter caráter expositivo ou argumentativo.

3.1 Dissertação-Exposição
Apresenta um saber já construído e legitimado, ou um saber teórico. Apresenta informações sobre assuntos, expõe, reflete, explica e avalia ideias de modo objetivo. O texto expositivo apenas expõe ideias sobre um determinado assunto. A intenção é informar, esclarecer.  Ex: aula, resumo, textos científicos, enciclopédia, textos expositivos de revistas e jornais,  etc.

3.1 Dissertação-Argumentação
Um texto dissertativo-argumentativo faz a defesa de ideias ou um ponto de vista do autor. O texto, além de explicar, também persuade o interlocutor, objetivando convencê-lo de algo. Caracteriza-se pela progressão lógica de ideias. Geralmente utiliza linguagem denotativa. É tipo predominante em: sermão, ensaio, monografia, dissertação, tese, ensaio, manifesto, crítica, editorial de jornais e revistas.
4. Injunção / Instrucional
Indica como realizar uma ação. Utiliza linguagem objetiva e simples. Os verbos são, na sua maioria, empregados no modo imperativo, porém nota-se também o uso do infinitivo e o uso do futuro do presente do modo indicativo. Ex: ordens; pedidos; súplica; desejo; manuais e instruções para montagem ou uso de aparelhos e instrumentos; textos com regras de comportamento; textos de orientação (ex: recomendações de trânsito); receitas, cartões com votos e desejos (de natal, aniversário, etc.).

OBS1: Muitos estudiosos do assunto listam apenas os tipos acima. Alguns outros consideram que existe também o tipo predição. 

5. Predição
Caracterizado por predizer algo ou levar o interlocutor a crer em alguma coisa, a qual ainda está por ocorrer. É o tipo predominante nos gêneros: previsões astrológicas, previsões meteorológicas, previsões escatológicas/apocalípticas. 

OBS2: Alguns estudiosos listam também o tipo Dialogal, ou Conversacional. Entretanto, esse nada mais é que o tipo narrativo aplicado em certos contextos, pois toda conversação envolve personagens, um momento temporal (não necessariamente explícito), um espaço (real ou virtual), um enredo (assunto da conversa) e um narrador, aquele que relata a conversa. 

Dialogal / Conversacional
Caracteriza-se pelo diálogo entre os interlocutores. É o tipo predominante nos gêneros: entrevista, conversa telefônica, chat, etc.


Gêneros textuais

Os Gêneros textuais são as estruturas com que se compõem os textos, sejam eles orais ou escritos. Essas estruturas são socialmente reconhecidas, pois se mantêm sempre muito parecidas, com características comuns, procuram atingir intenções comunicativas semelhantes e ocorrem em situações específicas. Pode-se dizer que se tratam das variadas formas de linguagem que circulam em nossa sociedade, sejam eles formais ou informais. Cada gênero textual tem seu estilo próprio, podendo então, ser identificado e diferenciado dos demais através de suas características. Exemplos:


Carta: quando se trata de "carta aberta" ou "carta ao leitor", tende a ser do tipo dissertativo-argumentativo com uma linguagem formal, em que se escreve à sociedade ou a leitores. Quando se trata de "carta pessoal", a presença de aspectosnarrativos ou descritivos e uma linguagem pessoal é mais comum. No caso da "carta denúncia", em que há o relato de um fato que o autor sente necessidade de o exporao seu público, os tipos narrativos e dissertativo-expositivo são mais utilizados.

Propaganda: é um gênero textual dissertativo-expositivo onde há a o intuito de propagar informações sobre algo, buscando sempre atingir e influenciar o leitor apresentando, na maioria das vezes, mensagens que despertam as emoções e a sensibilidade do mesmo.

Bula de remédio: trata-se de um gênero textual descritivodissertativo-expositivo einjuntivo que tem por obrigação fornecer as informações necessárias para o correto uso do medicamento.

Receita: é um gênero textual descritivo e injuntivo que tem por objetivo informar a fórmula para preparar tal comida, descrevendo os ingredientes e o preparo destes, além disso, com verbos no imperativo, dado o sentido de ordem, para que o leitor siga corretamente as instruções.

Tutorial: é um gênero injuntivo que consiste num guia que tem por finalidade explicar ao leitor, passo a passo e de maneira simplificada, como fazer algo.

Editorial: é um gênero textual dissertativo-argumentativo que expressa o posicionamento da empresa sobre determinado assunto, sem a obrigação da presença da objetividade.

Notícia: podemos perfeitamente identificar características narrativas, o fato ocorrido que se deu em um determinado momento e em um determinado lugar, envolvendo determinadas personagens. Características do lugar, bem como dos personagens envolvidos são, muitas vezes, minuciosamente descritos.

Reportagem: é um gênero textual jornalístico de caráter dissertativo-expositivo. A reportagem tem, por objetivo, informar e levar os fatos ao leitor de uma maneira clara, com linguagem direta.

Entrevista: é um gênero textual fundamentalmente dialogalrepresentado pela conversação de duas ou mais pessoas, o entrevistador e o(s) entrevistado(s), para obter informações sobre ou do entrevistado, ou de algum outro assunto. Geralmente envolve também aspectos dissertativo-expositivos, especialmente quando se trata de entrevista a imprensa ou entrevista jornalística. Mas pode também envolver aspectosnarrativos, como na entrevista de emprego, ou aspectos descritivos, como na entrevista médica.   

História em quadrinhos: é um gênero narrativo que consiste em enredos contados em pequenos quadros através de diálogos diretos entre seus personagens, gerando uma espécie de conversação.

Charge: é um gênero textual narrativo onde se faz uma espécie de ilustração cômica, através de caricaturas, com o objetivo de realizar uma sátira, crítica ou comentário sobre algum acontecimento atual, em sua grande maioria.

Poema: trabalho elaborado e estruturado em versos. Além dos versos, pode ser estruturado em estrofes. Rimas e métrica também podem fazer parte de sua composição. Pode ou não ser poético. Dependendo de sua estrutura, pode receber classificações específicas, como haicai, soneto, epopeia, poema figurado, dramático, etc. Em geral, a presença de aspectos narrativos e descritivos são mais frequentes neste gênero. Importante também é a distinção entre poema e poesia. Poesia é o conteúdo capaz de transmitir emoções por meio de uma linguagem, ou seja, tudo o que toca e comove pode ser considerado como poético. Assim, quando aplica-se a poesia ao gênero , resulta-se em um poema poético, quando aplicada à prosa, resulta-se na prosa poética (até mesmo uma peça ou um filme podem ser assim considerados)

Canção: possui muitas semelhanças com o gênero poema, como a estruturação em estrofes e as rimas. Ao contrário do poema, costuma apresentar em sua estrutura um refrão, parte da letra que se repete ao longo do texto, e quase sempre tem uma interação direta com os instrumentos musicais. A tipologia narrativa tem prevalêncianeste caso.

Adivinha: é um gênero cômico, o qual consiste em perguntas cujas respostas exigem algum nível de engenhosidade. Predominantemente dialogal.

Anais: um registro da história resumido, estruturado ano a ano. Atualmente, é utilizado para publicações científicas ou artísticas que ocorram de modo periódico, não necessariamente a cada ano. Possui caráter fundamentalmente dissertativo.

Anúncio publicitário:  utiliza linguagem apelativa para persuadir o público a desejar aquilo que é oferecido pelo anúncio. Por meio do uso criativo das imagens e dalinguagem, consegue utilizar todas as tipologias textuais com facilidade.

Boletos, faturas, carnês: predomina o tipo descrição nestes casos, relacionados a informações de um indivíduo ou empresa. O tipo injuntivo também se manifesta, através da orientação que cada um traz. 

Profecia: em geral, estão em um contexto religioso, e tratam de eventos que podem ocorrer no futuro da época do autor. A predominância é a do tipo preditivo, havendo também características dos tipos narrativo e descritivo.