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18 de junho de 2018

Adjetivos pátrios


Os países dão assunto em gramática, quando pensamos em adjetivos pátrios ou gentílicos. Os adjetivos são a classe de palavras que dão características aos seres e entre as possíveis características está a origem ou proveniência desses seres. Adjetivos Pátrios, portanto, são aqueles que caracterizam as pessoas ou as coisas de acordo com a nacionalidade ou naturalidade, levando em conta países, continentes, cidades, regiões.
Nesta Copa, classificaram-se 32 seleções e os seus respectivos gentílicos são estes:

  • Rússia – russo
  • Brasil – brasileiro
  • Irã  – iraniano ou irânico
  • Japão –  japonês ou nipônico
  • México – mexicano
  • Bélgica – belga
  • Coreia do Sul – sul-coreano
  • Arábia Saudita  – saudita, árabe-saudita
  • Alemanha – alemão, germânico, germano ou teutônico
  • Inglaterra – inglês, anglo, anglo-saxão ou britânico
  • Espanha – espanhol, hispânico
  • Nigéria – nigeriano
  • Costa Rica – costa-riquenho ou costa-riquense
  • Polônia – polonês ou polaco
  • Egito –  egípcio, egipcíaco ou egipciano
  • Islândia – islandês
  • Sérvia – sérvio
  • França – francês
  • Portugal – português ou lusitano
  • Argentina – argentino
  • Colômbia – colombiano
  • Uruguai – uruguaio
  • Panamá – panamenho ou panamense
  • Senegal – senegalês, senegalense ou senegaliano
  • Marrocos – marroquino
  • Tunísia – tunisiano
  • Suíça – suíço
  • Croácia – croata
  • Suécia – sueco
  • Dinamarca – dinamarquês
  • Austrália – australiano
  • Peru – peruano, peruviano
Também é comum se utilizar adjetivos pátrios compostos, ou seja, o ser tem característica de dois lugares ao mesmo tempo. Nesses casos, o primeiro elemento é empregado na forma alatinada (com origem no Latim) e reduzida e o segundo elemento permanece igual e esses termos sempre são separados por hífen.
As formas reduzidas mais comuns são:
  • anglo = inglês
  • euro = europeu
  • franco = francês
  • greco = grego
  • hispano = hispânico ou espanhol
  • luso = lusitano ou português
  • nipo = nipônico ou japonês
  • sino = chinês
  • teuto = teutônico ou alemão
Mas atenção: quando o segundo elemento não é um adjetivo pátrio, o hífen não é admitido, como em afrodescendente ou Eurocopa.
Assim, teremos disputas luso-espanhola, luso-marroquina, hispano-iraniana, hispano-marroquina, franco-australiana (ou australo-francesa), franco-peruana, teuto-mexicana (ou germano-mexicana), nipo-colombiana, nipo-senegalesa, servo-brasileira, anglo-tunisiana, anglo-panamenha e assim vai…

17 de junho de 2018

AVALIAÇÃO DA REDAÇÃO NA UCS

Redação

Para esta Prova, exigir-se-á do candidato a elaboração de um texto dissertativo-argumentativo, no qual estejam presentes.
  • Tese: é o posicionamento crítico, preferencialmente, explícito, a respeito da proposta feita. O ideal é que o candidato responda - posicionando-se - à pergunta que lhe foi feita.
  • Argumento: é a organização das ideias de forma coerente e coesa, que buscarão convencer/persuadir o leitor, pois trará as razões pelas quais o candidato assumiu um posicionamento.
  • Evidências: são as ilustrações - exemplos, dados estatísticos, citações, experiências pessoais - que confirmarão a posição assumida no processo argumentativo. O ideal é que para cada argumento se tenha uma evidência corroborando o ponto de vista assumido.
  • Nova Tese: é a finalização do texto, mas não com uma conclusão decorrente do processo argumentativo (ratifica ou retifica); ela traz uma perspectiva diferente, isto é, uma nova tese.
  • Título: é a síntese de tudo o que foi escrito; anuncia e condensa o que foi escrito.
Observação 
Somente serão avaliadas as redações redigidas em Língua Portuguesa e transcritas, à caneta, de forma legível, para a Folha de Redação. Cada texto é corrigido por dois avaliadores, de maneira individual, sem que um tenha acesso à nota atribuída pelo outro avaliador. Chega-se à nota final, fazendo-se a média entre as duas notas obtidas se não tiver ocorrido discrepância, o que leva a uma terceira correção. Neste caso, vale a nota decorrente da terceira correção. Receberá nota ZERO a Redação em que o candidato tiver fugido do tema ou da tipologia do texto solicitado ou ainda for plágio ou estiver grafada de forma ininteligível, bem como se houver inserções indevidas, tanto no texto como em qualquer local da Folha de Redação.

COMENTÁRIO DO CURSO OBJETIVO SOBRE OS TEMAS DE REDAÇÃO DA UNESP 2018

Tema de redação


A Universidade de Passo Fundo (UPF) divulgou os temas propostos para a Prova de Redação do Vestibular de Inverno 2018. O tema 1 propôs a questão “Com o quadro atual de crise da segurança pública, quais as consequências de uma sociedade fazer “justiça com as próprias mãos”?”, já o tema 2 propôs uma reflexão sobre como “As novas configurações familiares refletem transformações da sociedade brasileira”.

15 de junho de 2018

TEMA DE REDAÇÃO


A Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp) aplicou, no último final de semana, a segunda fase do seu vestibular de meio de ano de 2018. Uma das maiores universidades públicas do estado de São Paulo é a única instituição universitária estadual que realiza o chamado “vestibular de inverno”.
Devido a sua importância e por ela, em sua prova de redação, exigir uma dissertação-argumentativa, assim como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), analisamos na coluna de hoje o tema da proposta de redação do seu vestibular de meio de ano de 2018 que foi o seguinte: Liberar o porte de armas de fogo a todos os cidadãos diminuirá a violência no Brasil?
A prova de redação do vestibular da Unesp tem a fama de ser uma verdadeira caixinha de surpresas, pois temas de diversos vieses já foram abordados pela banca elaboradora, desde o tema da amizade até o tema da obrigatoriedade do voto no Brasil, por exemplo. Porém, de umas edições para cá, a prova de redação da Unesp tem abordado temas atuais e relevantes ao dia a dia da sociedade brasileira como um todo, mostrando que a banca elaboradora está afinada com as recentes e atuais discussões.
A referida proposta de redação é composta por três textos, que são os seguintes:
primeiro texto da coletânea apresenta dados de uma recente pesquisa do Instituto Datafolha, de janeiro deste ano, que mostram que 56% dos entrevistados são contrários ao porte de armas estendido ao cidadão, ou seja, ao civil. Além disso, o excerto retoma o Estatuto do Desarmamento votado, por meio de plebiscito, em 2003, no qual a população votou a favor do desarmamento. Segundo o texto, para alguns, tal Estatuto de nada adiantou na diminuição do índice de violência no Brasil; já para especialistas em segurança, ocorreu justamente o contrário.
segundo texto da coletânea, por sua vez, de autoria de Gil Alessi, retoma o cenário social brasileiro antes do Estatuto do Desarmamento votado em 2003, no qual, de acordo com dados do Ministério da Saúde e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) havia um alto índice de criminalidade e violência o qual parou de crescer como crescia há 15 anos.
O jornalista volta ao presente ao citar que há, em Brasília, um grupo de deputados federais e de senadores – a “bancada da bala” – que é a favor do armamento da população civil, juntamente com alguns setores da sociedade. Lembrando que estamos em um ano de eleições federais, tal texto, obviamente, não foi escolhido aleatoriamente pela banca elaboradora.
Gil Alessi usa o argumento de Daniel Cerqueira, pesquisador do IPEA, de que a grave crise econômica da década de 80 ajudou a aprofundar o abismo da criminalidade e a aumentar a violência, já que foi uma época em que a venda de armas de fogo aumentou no Brasil. Para ele, quanto mais medo, mais armas; quanto mais armas, mais mortes.
Por outro lado, o texto apresenta uma opinião contrária: Benê Barbosa, militante pró-armas brasileiro, afirma que, naquela época, havia mais segurança e que o Estatuto do Desarmamento “elitizou” o porte de armas.
Já o terceiro e último texto da coletânea é uma adaptação de uma matéria veiculada na revista Época em 2015 e há duas opiniões distintas sobre a liberação das armas de fogo.
Analisando a coletânea de textos, concluímos que há um certo equilíbrio entre as opiniões favoráveis e contrárias à liberação do porte de armas de fogo no Brasil, mas a pergunta tema da proposta de redação é se essa liberação diminuirá a violência no país. Deste modo, não basta o candidato opinar e argumentar sobre a liberação ou não do porte de armas de fogo, mas também opinar e argumentar sobre a relação dessa liberação com a violência.

11 de junho de 2018

Atenção à gramática na hora da escrita


Os termos considerados essenciais para a estruturação dos períodos são o sujeito e o predicado. Entende-se por sujeito o ser sobre quem a frase declara algo e por predicado aquilo que se declara a respeito do sujeito. Essa é, de modo geral, a definição encontrada nas gramáticas.
Após a definição, essas obras apresentam a classificação do sujeito: simples, composto, oculto (ou elíptico ou desinencial), indeterminado e inexistente. E aí começa o ‘nó’ – existe um sujeito inexistente!
As gramáticas mais preocupadas com a lógica evitam a denominação ‘sujeito inexistente’, preferindo denominar o enunciado como oração sem sujeito. Evanildo Bechara, na sua Moderna Gramática Portuguesa, afirma que o único elemento indispensável nos enunciados é o verbo, o qual é a base de uma relação predicativa (sujeito + predicado). Mas afirma também que pode haver uma relação referida a um sujeito, e nesse caso a oração apresenta um sujeito (explícito ou não) e uma relação não-referida, ou seja, a informação do predicado não diz respeito a um sujeito.
Nos casos de oração sem sujeito, o verbo deverá, então estar flexionado na 3ª pessoa. Vamos no lembrar dos elementos da comunicação: o emissor é a 1ª pessoa; o receptor é a 2ª pessoa; e a 3ª pessoa é o referente ou assunto, é uma ‘não- pessoa’, nas palavras de Bechara: “(…) é a não-eu nem meu interlocutor, e assim é a forma utilizada para indicar a relação predicativa não-referida, isto é, as orações sem sujeito.”(na obra citada, p.408) E os verbos dessas construções são classificados como verbos impessoais, já que não estão relacionados nem ao emissor, nem ao receptor das mensagens.
Na prática, teremos oração sem sujeito quando o enunciado apresentar:
  • Verbo HAVER, no sentido de existência, ocorrência ou indicação de tempo passado:
    Eu nasci / há dez mil anos atrás / e não tem nada nesse mundo / que eu não saiba demais  (lembrando que aqui ocorre um pleonasmo por causa do acréscimo do termo ‘atrás’)
  • Verbo FAZER, indicando tempo:
    Faz 3 noites que eu não durmo
    Pois perdi o meu galinho
    Coitadinho o la lá
    Pobrezinho o la lá
    Eu perdi lá no jardim

    Verbos que indicam fenômenos da natureza:
    Chove lá fora e aqui, tá tanto frio 
  • Verbo SER indicando horas, data ou distância (nestes casos o verbo pode estar no singular ou no plural, de acordo com as quantidades):
    São três horas da manhã, você me liga
    Pra falar coisas que só a gente entende
    Era 1º de abril e as brincadeiras aconteciam em todo lado.
    Daqui até a praça são 200 metros.
A linguagem coloquial nem sempre observa essas regras gramaticais e é frequente o emprego do verbo TER no lugar do HAVER, como ocorre nestas canções:
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar

É um emprego que pode ocorrer apenas em situações informais de comunicação, portanto cuidado na hora de fazer as redações!

8 de junho de 2018

TEMA DE REDAÇÃO

No último fim de semana foi realizado o vestibular 2018 da Universidade de Brasília (UnB), cuja prova de redação teve como tema “A pressa nossa de cada dia: o tempo na contemporaneidade“. Os candidatos tiveram como tarefa a escrita de um texto expositivo-argumentativo na modalidade padrão da língua escrita e, por esse motivo, analisamos esta prova na coluna desta quinta-feira.
A coletânea de texto desta prova de redação contém cinco textos, sendo dois deles em linguagem não-verbal, já que um deles é uma foto de Maurício Ricardo Chiminazzo e o outro é uma ilustração de Elena Ferrándiz; cada um acompanha, digamos assim, um texto verbal da coletânea e todos serão dispostos juntos logo abaixo.
O primeiro texto da coletânea textual é um fragmento adaptado do livro Os grandes escritos anarquistas, de George Woodcock, sobre a ditadura do relógio. Leia abaixo:
Não há nada que diferencie tanto a sociedade ocidental de nossos dias das sociedades mais antigas da Europa e do Oriente do que o conceito de tempo. Tanto para os antigos gregos e chineses quanto para os nômades árabes ou para o peão mexicano de hoje, o tempo é representado pelos processos cíclicos da natureza, pela sucessão dos dias e das noites, pela passagem das estações. Os nômades e os fazendeiros costumavam medir – e ainda hoje o fazem – seu dia do amanhecer até o crepúsculo e os anos em termos de tempo de plantar e de colher, das folhas que caem e do gelo derretendo nos lagos e rios. O homem do campo trabalhava em harmonia com os elementos, como um artesão, durante tanto tempo quanto julgasse necessário. O homem ocidental civilizado, entretanto, vive num mundo que gira de acordo com os símbolos mecânicos e matemáticos das horas marcadas pelo relógio. É ele que vai determinar seus movimentos e dificultar suas ações. O relógio transformou o tempo, transformando-o de um processo natural em uma mercadoria que pode ser comprada, vendida e medida como um sabonete ou um punhado de passas de uvas. Se não houvesse um meio para marcar as horas com exatidão, o capitalismo industrial nunca poderia ter se desenvolvido, nem teria continuado a explorar os trabalhadores. O relógio representa um elemento de ditadura mecânica na vida do homem moderno, mais poderoso do que qualquer outro explorador isolado ou do que qualquer outra máquina.
O homem que não conseguir ajustar-se deve enfrentar a desaprovação da sociedade e a ruína econômica – a menos que abandone tudo, passando a ser um dissidente para o qual o tempo deixa de ser importante. O operário transforma-se em um especialista em “olhar o relógio”, preocupado apenas em saber quando poderá escapar para gozar as escassas e monótonas formas de lazer que a sociedade industrial lhe proporciona; para “matar o tempo”, programará tantas atividades mecânicas com tempo marcado – como ir ao cinema, ouvir rádio e ler jornais – quanto permitir o seu salário e o seu cansaço. Agora são os movimentos do relógio que vão determinar o ritmo da vida do ser humano.
O texto começa comentando as diferentes formas de se medir o tempo ao redor do mundo e de acordo com os costumes e tradições dos povos, levando em conta suas atividades agrícolas e culturais e como isso foi mudando com o passar do tempo propriamente dito. Hoje não vemos nem medimos o tempo como os povos antigos, tanto da Europa quanto do Oriente, faziam; o autor afirma que vivemos, atualmente, em função do relógio e que é por isso, inclusive, que o capitalismo industrial encontrou um terreno fértil para se expandir.
O que Woodcock denomina de “ditadura do relógio” não controla, apenas, as relações de trabalho e a produção industrial, mas também, segundo sua visão, controla o nosso lazer, o nosso “tempo livre” ou as nossas “horas vagas” (onde está o ócio, inclusive o criativo, lhes pergunto).
Vindo de um autor cuja principal obra é uma grande sinopse do anarquismo, não poderia ser diferente e este é um ponto crucial para a escrita deste texto expositivo-argumentativo, já que o anarquismo é uma teoria social e um movimento político que surgiu no século XIX e que sustenta a ideia de uma sociedade que exista independentemente de um Estado, que é, por sua vez, considerado nocivo e dispensável; nesse sentido, os anarquistas combatem o poder vigente, a ordem social estabelecida e os costumes reinantes.
O candidato que estabeleceu esta relação entre anarquismo, capitalismo industrial, tempo e “ditadura do relógio” (ordem social e um costume reinante) provavelmente escreveu um texto acima da média, pois estabeleceu uma relação entre o que teorias sociais distintas “pensam” sobre o mesmo tema: o tempo na contemporaneidade. Obviamente que, para tanto, o candidato precisa ter também um conhecimento prévio sobre anarquismo e capitalismo.
Deste modo, o que parecia, num primeiro momento, ser um tema de prova de redação filosófico torna-se um tema social e político.
O segundo texto da coletânea é um poema de Alberto Caeiro, alter ego do poeta português Fernando Pessoa, acompanhado da foto de Maurício Ricardo Chiminazzo. Veja abaixo:
Vive, dizes, no presente,
Vive só no presente.
Mas eu não quero o presente, quero a realidade;
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede.
O que é o presente?
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro.
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem.
Eu quero só a realidade, as cousas sem presente.
Não quero incluir o tempo no meu esquema.
Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas como cousas.
Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes. (…)
(CAEIRO, Alberto. In: Poemas Inconjuntos. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br)
Disponível em http://www.gilsoncamargo.com.br/blog/somos-livres-fotografias-mauricio-chiminazzo/. Acesso em 07/06/2018
A foto de Maurício Ricardo Chiminazzo faz parte de uma exposição do fotógrafo intitulada “Somos Livres?” que questiona se realmente somos indivíduos livres e não presos ao tempo, por exemplo. Em paralelo, o poema de Alberto Caeiro questiona o que seria viver só no presente, a medida do tempo, o passado e o futuro etc.
Já o quarto texto da coletânea textual é um trecho sobre o que Norbert Elias (sociólogo alemão, judeu) afirmou sobre o aprendizado das crianças sobre o tempo:
Norbert Elias afirma que são necessários vários anos para aprender o que o tempo realmente é. Crianças levam nove anos para aprender a compreender os complicados mecanismos de representação do tempo, os relógios. Para o autor, é interessante, ainda, como, uma vez que o processo termina, as pessoas tendem a esquecer-se de como foi complexo entender o mecanismo do “tempo”.
(In: Kant e-Prints. Campinas, Série 2, v. 4, n. 1, p. 109-119, jan. – jun./2009. Traduzido e adaptado.)

A ilustração de Elena Ferrándiz combina muito bem com o texto sobre Norbert Elias, pois ambos abordam como aprisionamos a infância e as crianças na ditadura do relógio exposta pelo primeiro texto da coletânea textual. Norbert Elias afirmava que a criança leva nove anos para aprender os mecanismos de representação do tempo para, no fim, ficar presa nele, como a ilustração mostra: uma menina presa numa ampulheta, um dos primeiro meios de medir o tempo.
Desta forma, todos os textos da proposta de redação estão relacionados a fim de questionar a nossa pressa de cada dia que começa na infância e só acaba na morte. Isso também contribui para a nítida e constante sensação de que, a cada dia que passa, os dias passam mais rápido e que tudo parece mais líquido, como dizia Zygmunt Bauman, sociólogo e filósofo polonês.
Além disso, quais seriam as possíveis consequências desta nossa rápida relação com o tempo na atualidade?

1 de junho de 2018

Redação no Enem: evite a Incoerência


O movimento intitulado “greve dos caminhoneiros” parou o Brasil nos últimos dias e gerou um grande movimento da mídia e nas redes sociais. A imprensa tem acompanhado de perto a mobilização dos caminheiros (e agora dos petroleiros) e as redes sociais ganharam mais volume ainda com discussões, debates e postagens favoráveis e contrárias à greve; nada mais comum em um estado democrático de direito no qual há liberdade de imprensa e liberdade de expressão.
Até podemos refletir sobre todos os aspectos envolvidos neste movimento (papel do Estado, papel das grandes empresas de transporte, papel dos caminheiros autônomos, papel da Petrobrás e sua política de preços, a questão do petróleo e da nossa completa dependência do sistema rodoviário em detrimento do sistema ferroviário, justamente a favor dos interesses da indústria automobilística etc.) e, de maneira transdisciplinar, pensarmos sobre como tudo isso poderá ser cobrado em vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio. Professores de História, Geografia, Ciências Sociais e Filosofia têm em mãos uma gama de temas a tratar com seus alunos.
Já no que concerne a Língua Portuguesa, meus colegas de profissão têm em mãos uma gama de discursos para analisar; aliás, os analistas do discursos estão com um prato cheio para várias pesquisas.
Nestes últimos dias, tivemos contato com discursos vindos das mais variadas fontes e dos mais diversos enunciadores, cada um representando um contexto diferente, intenções distintas e objetivos idem.
No entanto, no meio de tantos discursos, um chamou mais a atenção. Caminheiros e pessoas que apoiam a greve e a manifestação pedindo “intervenção militar já“. Eis a incoerência do ano, talvez do século, já que greves e manifestações são asseguradas apenas no regime democrático, pois em uma ditadura, elas são proibidas e, quando aconteciam, no caso da ditadura militar brasileira, eram combatidas com muita violência e seus praticantes, considerados subversivos, eram presos, torturados e mortos.
É muito fácil, em uma democracia, pedir intervenção militar; por outro lado, em uma intervenção militar pedir democracia, é muito difícil. Em uma intervenção militar, não há liberdade de imprensa nem de expressão; redes sociais são proibidas em países com regimes ditatoriais. Deste modo, as pessoas que pedem intervenção militar, caso seu desejo seja realizado, não terão mais espaço virtual para expor suas opiniões. Só na democracia há espaço para expressarmos nossas opiniões, mesmo que elas expressem a maior incoerência do mundo.
Caminhoneiros reivindicando intervenção militar durante a greve.
Além disso, muitas pessoas têm confundido opinião com fatos e essa confusão é muito perigosa, inclusive numa prova de redação. Opinião sem argumentação de nada vale, como já falamos nesta coluna pelo menos uma dezena de vezes; agora, opinião baseada em mentiras, em informações falsas, em fake news valem menos ainda.
As pessoas quem pedem “intervenção militar já” ou não sabem o que realmente aconteceu ao longo do regime militar brasileiro ou ignoram as verdades e pensam que esta é uma solução mágica.
Há quem diga que a ditadura militar brasileira foi um dos governos mais idôneos do país, que não existia violência, que a educação era maravilhosa etc. Talvez essas pessoas não saibam dos fatos: os militares daquela época deixaram o Brasil com um índice de 240% de inflação, o que também culminou em um abismo na desigualdade social, pois os mais pobres ficaram com os salários mais desvalorizados, com metade da população na linha da miséria. Em relação à corrupção, como não havia liberdade de imprensa (jornalistas considerados subversivos eram perseguidos, presos, torturados e mortos), os casos eram escondidos e não eram investigados.
Mais fatos: a partir da saída do presidente João Goulart, instaurou-se, gradativamente, um regime de opressão e de total extinção dos direitos civis e políticos dos cidadãos brasileiros. Tal repressão chegou às salas de aula; professores e alunos contrários ao regime foram perseguidos, presos, torturados e mortos. Livros foram proibidos, como na época da Inquisição da Igreja Católica, principalmente obras de filosofia, sociologia, história, geopolítica e literatura considerada subversiva.
Tais matérias foram extintas do currículo e disciplinas como Educação Moral e Cívica, puramente nacionalistas ao extremos, foram criadas com o objetivo de distorcer e aniquilar qualquer reflexão por parte dos estudantes, além de enaltecer os militares e o regime ditatorial.
Caso alguém seja favorável ao regime militar, não deve ser favorável à manifestações e greves de qualquer natureza, de qualquer categoria de trabalhadores. Ser favorável à intervenção militar e favorável à greve é uma incoerência gigantesca, no mínimo. Opinião não é fato; não é porque pensa-se de determinada maneira que essa maneira é a correta. Não basta opinar, tem de argumentar baseado em fatos verdadeiros; em relação à ditadura brasileira, eis alguns fatos acima.
Tem dúvidas sobre o regime militar do Brasil? Procure seu professor de História, de Geografia, de Sociologia e de Filosofia: todos esses, mas principalmente o de História, podem lhe ajudar a entender melhor esse período, dando aulas, indicando livros etc

31 de maio de 2018

Tema de redação


Redija uma dissertação  argumentativa, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Obs.: o texto deve ter título e estabelecer relação entre o que é apresentado nos textos da coletânea.

Texto I

O desejo da verdade aparece muito cedo nos seres humanos e se manifesta como desejo de confiar nas coisas e nas pessoas, isto é, de acreditar que as coisas são exatamente tais como as percebemos e o que as pessoas nos dizem é digno de confiança e crédito. Ao mesmo tempo, nossa vida cotidiana é feita de pequenas e grandes decepções e, por isso, desde cedo, vemos as crianças perguntarem aos adultos se tal ou qual coisa “é de verdade ou é de mentira”.


Texto II

Num tempo de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário.


Texto III

Ao contrário do que geralmente se crê, por muito que se tente convencer-nos do contrário, as verdades únicas não existem: as verdades são
múltiplas, só a mentira é global.

SÓ PARA LEMBRAR


Uma série de formas inadequadas: bicicreta, cocrete, cardeneta, argum, pobrema. Erros como esses são verificados todos os dias nos mais diferentes meios. 


Forma errada
Forma correta



1
Adevogado
Advogado
2
Advinhar
Adivinhar
3
Aerosol
Aerossol
4
Beneficiente
Beneficente
5
Bicicreta
Bicicleta
6
Camondongo
Camundongo
7
Cardeneta
Caderneta
8
Célebro
Cérebro
9
Cocrete
Croquete
10
Compania
Companhia
11
Depedrar
Depredar
12
Desinteria
Disenteria
13
Eletrecista
Eletricista
14
Entitular
Intitular
15
Exageiro
Exagero
16
Exarcebado
Exacerbado
17
Explêndido
Esplêndido
18
Expontâneo
Espontâneo
19
Frustado
Frustrado
20
Furunco
Furúnculo
21
Mantegueira
Manteigueira
22
Meretíssimo
Meritíssimo
23
Mussarela
Muçarela / mozarela
24
Pernelongo
Pernilongo
25
Pertubar
Perturbar
26
Pobrema / probrema / ploblema
Problema
27
Reinvindicar
Reivindicar
28
Sandalha
Sandália
29
Sastifeito
Satisfeito
30
Táuba / taboa
Tábua

ps. Talvez o erro mais comum da lista acima seja a palavra muçarela. Muitos escrevem a forma errada “mussarela”, grafada equivocadamente em diversos estabelecimentos comerciais. Vale lembrar que o VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) também admite a grafia mozarela, respeitando a etimologia da palavra.

FIGURAS DE LINGUAGEM, GURIZADA!!!

Figuras de Linguagem


1. Aliteração – Consiste na repetição de sons consonantais na oração.



2. Anacoluto – Bastante comum na linguagem coloquial, caracteriza-se por deixar um termo solto na oração, sem ligação sintática com os demais.

Ex.: Eu, atrasado e ofegante, eis-me aqui.

3. Anáfora – Consiste na repetição de palavras no início de cada segmento frasal.

Ex.: Eu sou a luz das estrelas / Eu sou a cor do luar / Eu sou as coisas da vida / Eu sou o medo de amar.

4. Antítese – Consiste na ocorrência de termos opostos na oração.

Veja os exemplos do quadrinho abaixo: positivo – negativo, bem – mal, paz e guerra.


5. Apóstrofe – Caracteriza-se pelo uso do vocativo; faz-se a invocação de um determinado ser, real ou imaginário.

Ex.: Deus, Deus, onde estás que não respondes. (Castro Alves)

6. Assíndeto – Caracteriza-se pela ausência intencional da conjunção. É o oposto do polissíndeto.

Ex. Vim, vi, venci. (Júlio César)

7. Assonância – Repetição de sons vocálicos na oração.

Ex.: Agora era a hora da saída.

8. Catacrese – Espécie de metáfora já consagrada pelo uso popular, por falta de uma expressão melhor.

Ex.: O pé da mesa; o céu da boca.

9. Clichê – Espécie de metáfora já desgastada pelo uso.

Ex.: Está na flor da idade.

10. Comparação – Efetua uma comparação através de um conectivo, normalmente uma conjunção comparativa.

Ex.: A vida é como um palco de ilusões.

11. Elipse – Omissão de um termo facilmente reconhecível pelo contexto da oração.

Ex.: No jogo, tanto jogador ruim. (Subentende-se o verbo “havia”).

12. Eufemismo – Consiste no emprego de termos mais amenos a fim de suavizar uma expressão.

Veja abaixo o exemplo que o autor utilizou para suavizar a expressão “cão bravo”.


13. Epístrofe– Repetição de palavras no fim da frase.

Ex.: Apenas um boca. A tua boca
Apenas outra, a outra tua boca
É primavera e ri a tua boca

14. Gradação – Quando há uma sequência ascendente ou descendente na oração.


15. Hipérbato – Consiste na inversão da ordem natural da frase.

Ex.: De tudo ao meu amor serei atento.
(ordem direta – Serei atento de tudo ao meu amor.)

16. Hipérbole – Caracteriza-se pela ocorrência de um exagero na expressão.

Ex.: Pesquei uma traíra do tamanho do mundo.

17. Ironia – Recurso utilizado quando se diz o contrário daquilo que se pretende dizer, ou seja, o sentido real é o oposto do literal.

Ex.: Parabéns! Você tirou mais um zero.

18. Metáfora – Espécie de comparação, mas sem a presença de um conectivo comparativo.

Veja na tirinha abaixo a expressão metafórica “cérebro de minhoca”.


19. Metonímia – Estabelece uma relação intrínseca entre a parte e o todo ou vice-versa.

Alguns tipos de metonímia:
- Autor pela obra: Adoro ler Machado de Assis.
- Produto pela marca: Compre uma gilete no mercado.
- Continente pelo conteúdo: Comi dois pratos hoje no almoço.
- Parte pelo todo: Há muita gente à procura de um teto.
- Efeito pela causa: Ganharás a vida com o suor do teu rosto.

20. Onomatopeia – criação de palavras por meio da repetição de seu som.


21. Paradoxo – Caracteriza-se por uma contradição simultânea entre termos ou ideias.


22. Paralelismo – Caracteriza-se pela repetição da mesma estrutura frasal. Recurso muito utilizado na música e na poesia.

Ex. O primeiro me chegou como quem vem do florista... / O segundo me chegou como quem chega do bar... / O terceiro me chegou como quem chega do nada... (Chico Buarque)

23. Paronomásia – Caracteriza-se pela utilização de palavras parônimas e/ou homônimas na oração, produzindo uma espécie de trocadilho.

Ex.: Cada falso tem o cadafalso que merece.

24. Perífrase / Antonomásia – Consiste na referência a um ser ou algo por características ou atributos que o tornaram célebre.

Ex. O Rei do Futebol é o brasileiro mais eminente no exterior. (Pelé)

25. Pleonasmo – Expressões ou ideias repetitivas na oração, buscando dar ênfase à mensagem. Dividem-se em:

Pleonasmo vicioso – Expressões redundantes e desnecessárias que nada acrescentam ao enunciado.


Pleonasmo sintático – Repetição de termos sintáticos na oração.

Ex.: A lição, já a estudei várias vezes.


Pleonasmo semântico – Repetição de ideias na oração.
Ex.: Dói-me uma dor no coração.

26. Polissíndeto – Repetição da mesma conjunção na oração. Ocorre principalmente com a aditiva “e”.

Trabalha, e teima, e sofre, e sua! (Olavo Bilac)

27. Prosopopeia ou Personificação – Consiste na atribuição de características humanas a animais ou seres inanimados.

Ex.: A onda beijava-lhe os pés.

28. Silepse – Recurso pelo qual a concordância das palavras na frase se faz logicamente, pelo significado, e não de acordo com as regras da gramática. Dividem-se em:

Silepse de gênero – Os gêneros são masculino e feminino. Ocorre a silepse de gênero quando a concordância se faz com a ideia que o termo comporta.

Vossa majestade anda irritado com os rumos do reino. (Concordância feita com o sexo da pessoa, não com o termo feminino “vossa majestade”).

Silepse de número – Os números são singular e plural. A silepse de número ocorre quando o verbo da oração não concorda gramaticalmente com o sujeito da oração, mas com a ideia que nele está contida.

Olhem para mim, Turma! Prestem atenção! (concordância com a ideia de conjunto, não com o termo singular “turma”).

Silepse de pessoa – Três são as pessoas gramaticais: a primeira, a segunda e a terceira. A silepse de pessoa ocorre quando há um desvio de concordância. O verbo, mais uma vez, não concorda com o sujeito da oração, mas sim com a pessoa inserida no sujeito.

Os brasileiros somos fanáticos por futebol. (A concordância não foi feita com o sujeito da oração, mas com a ideia nele contida).

29. Sinestesia – Figura de linguagem que consiste na mistura dos 5 sentidos, uma junção de diferentes planos sensoriais.

Ex: Uma melodia azul invadiu a sala.

30. Zeugma – Um tipo de elipse no qual o termo subentendido já foi mencionado anteriormente.

Ex.: Eu estudo à noite; ela, de manhã. (estuda)