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20 de julho de 2018

PUC - TEMA DE REDAÇÃO




Análise da Redação do Vestibular de Inverno PUC-SP 2018





Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, uma das mais prestigiadas universidades privadas do Brasil.

Com essa análise, nosso intuito é oferecer a você mais uma oportunidade de fazer uma proposta de redação real, ou seja, aplicada como prova de redação de um grande vestibular.

Caso você seja aluno do Ensino Médio ou cursinho, pode pedir ao seu professor de Redação que trabalhe com essa proposta em sala de aula; já se você estuda sozinho, pode fazê-la em casa a fim de estudar para a prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Além disso, lendo nossas análises, você fica por dentro dos temas cobrados nas principais provas de redação dos mais importantes vestibulares do país, tanto de universidades públicas quanto de universidades privadas.

Então, vamos lá!

O vestibular de inverno 2018 da PUC-SP é composto por 81 questões de múltipla escolha e por uma prova de redação que exige a produção de um texto dissertativo-argumentativo, o mesmo gênero exigido na prova de redação do Enem. O tema da proposta de redação em análise é A produção de lixo.

Neste ano, a proposta de redação usou como coletânea textual os três textos-base das questões de Língua Portuguesa, algo muito recorrente nas propostas de redação dos vestibulares da PUC-SP. Desse modo, o candidato teve de lidar duas vezes com os mesmos textos, isto é, a primeira vez no momento de responder as questões de múltipla escolha de Língua Portuguesa e a segunda vez para produzir a dissertação-argumentativa na prova de redação – ou até vice-versa, dependendo da ordem que o candidato prefere fazer as provas.

O primeiro texto base é o seguinte:



O primeiro texto-base aborda a abundância nos dias atuais. No início, o autor contrapõe a ideia de que, hoje em dia, temos tudo em excesso enquanto no passado a escassez tomou conta de grande parte do mundo. Num passado não muito recente, a fome assolava uma parte maior do mundo do que assola hoje e, neste mesmo presente, em alguns lugares, há abundância de desperdício e de comida jogada fora, o que também resulta numa abundância de lixo.

O autor também aborda outros tipos de abundância: abundância de carros, que resulta em congestionamentos no trânsito; abundância de alimentação não regrada, que resulta em obesidade; abundância de tempo que as crianças ficam em frente da televisão, abundância do uso do celular pelos adultos… abundância de problemas. Problemas esses causados, segundo o texto, pelo consumismo, pelo imediatismo e pelos desejos rápidos, que também geram mais lixo, já que, a cada compra feita, mais lixo é produzido de embalagens, recipientes e de itens velhos, fora de uso, que descartamos.

Segundo o autor, será necessária, no futuro, uma educação para essa abundância, pois precisaremos ter autocontrole, ou seja, pensar em um consumo consciente.

O candidato, em relação a esse texto, deveria refletir sobre o paralelo entre consumismo e produção de lixo. Por exemplo: quando um celular novo é comprado, o que normalmente acontece com o antigo? Às vezes, o dono pode vendê-lo, dá-lo de presente, mas muitas vezes ele fica guardado numa gaveta e, tempos depois, é descartado de maneira errada, ou seja, não é devolvido ao fabricante para ser reciclado e sim vai parar nos aterros sanitários.

O segundo texto-base é a seguinte charge:



Trata-se de um texto híbrido que apresenta linguagem verbal (as falas das personagens e a escrita no jornal que o homem está lendo) e linguagem não-verbal, isto é, o desenho propriamente dito.

Podemos ver um casal ilhado no telhado de sua casa que está rodeada por lixo. A mulher, nesta situação, afirma que eles terão de mudar (provavelmente se referindo à mudança de casa) e o homem concorda, mas reitera que eles terão de mudar os hábitos, isto é, consumir menos e produzir, assim, menos lixo.

Com essa charge, o candidato deveria refletir sobre quais hábitos podemos e devemos mudar, como por exemplo, passar a consumir de maneira mais consciente, a fazer a reciclagem do lixo, a compostagem do material orgânico dentre outros.

O terceiro e último texto-base é o seguinte:



Este texto relaciona o consumo e o consumismo com o capitalismo, já que um dos símbolos da prosperidade capitalista é o poder aquisitivo das pessoas e o quanto elas consomem.

Consumir em demasia ou consumir itens que não são obrigatórios ou necessários são atitudes consumistas, que podem até indicar um transtorno psiquiátrico. Diferente do consumo racional, isto é, dos itens de necessidade básica.

O que a autora coloca em evidência – e era dever do candidato refletir sobre – é que o que é consumo racional e o que é consumismo está intimamente ligado às características culturais da sociedade a qual pertencemos. O que é tido como básico para uns, pode ser supérfluo para outros e vice-versa.

Tendo tudo isso em mente, o candidato deveria cumprir a seguinte proposta de redação:


Em decorrência da abundância de diferentes naturezas de que dispõe parte da sociedade deste século, o consumismo desencadeou problemas que precisam ser enfrentados para o bem-estar de todos. Um desses problemas é a produção de lixo.

Como precisamos de soluções para lidar com o consumo crescente, construa um texto dissertativo-argumentativo que apresente o que pode ser proposto para a redução do desperdício que tem gerado o excesso de lixo.

Justifique seu posicionamento com argumentos relevantes e convincentes, articulados de forma coesa e coerente. Dê um título ao texto.

Seu trabalho será avaliado de acordo com os seguintes critérios: criticidade, adequação do texto ao desenvolvimento do tema, estrutura textual compatível com o texto dissertativo-argumentativo, o uso adequado de elementos coesivos e emprego da modalidade escrita formal da língua portuguesa.

Sujeito indeterminado

Tradicionalmente, o estudo do sujeito indeterminado no português é tratado de maneira muito superficial pelas gramáticas, as quais limitam-se a dizer que o sujeito indeterminado é aquele que não se conhece ou não se quer identificar, podendo ser expresso ou pela 3ª pessoa do plural dos verbos, ou pela 3ª pessoa do singular dos verbos seguida do pronome ou índice de indeterminação do sujeito se, ou ainda, de acordo com uns poucos gramáticos pela 3ª pessoa do singular sozinha.
O objetivo deste trabalho é levantar os diferentes tipos de sujeito indeterminado que ocorrem no português, seus fatores determinantes e suas funções, bem como tópicos relacionados. Além disso, intentamos fazer um estudo comparativo das expressões do sujeito indeterminado no português.

2 - SUJEITO INDETERMINADO EXPRESSO PELA 3ª PESSOA DO PLURAL
Esse tipo de sujeito indeterminado distingue-se dos demais pelo fato de não admitir a inclusão da 1ª e da 2ª pessoas do verbo como possibilidade de determinação do sujeito. É como se o falante dissesse: “alguém, que não eu ou você, é o responsável pela situação descrita no predicado” ou “mesmo que eu ou você sejamos o responsável pala situação descrita no predicado, eu me isento e isento você, tacitamente, desta responsabilidade, imputando-a, necessariamente, a uma outra entidade”, ou ainda “eu acho que foi você o responsável pela situação descrita no predicado e, ao usar este tipo de sujeito indeterminado, estou fazendo uma acusação indireta, que me poupa dos dissabores associados a uma acusação direta” (nesse caso, o sujeito indeterminado é geralmente seguido de uma pergunta inquisitiva, do tipo: “Você tem alguma idéia de quem foi?”) . Observe-se os exemplos a seguir:
1) Quebraram a vidraça da Dona Maria.
2) Roubaram meu talão de cheques.
3) Andam pichando os muros lá de casa. Você tem alguma idéia de quem poderá ser?
4) Não votaram no FHC, agora ’guenta!
No exemplo nº 1, provavelmente foi o próprio falante que quebrou a vidraça; no entanto, ele usa o sujeito indeterminado de 3ª pessoa do plural para se eximir da culpa e de uma possível punição.
No exemplo nº 2, o falante está relatando um fato lastimável que lhe aconteceu; a exclusão do ouvinte como possibilidade de determinação do sujeito faz-se necessário, porque sua inclusão seria por demais ofensiva.
No exemplo nº 3, o falante suspeita do ouvinte ou de alguém a ele ligado, porém opta por uma acusação indireta, reforçada pela pergunta final.
No exemplo nº 4, o falante se posiciona decididamente como não pertencendo ao grupo que votou no FHC, o que é reforçado pela ironia final, expressa através de um outro tipo de sujeito indeterminado, que admite a inclusão do falante como possibilidade de determinação do sujeito indeterminado, como veremos mais adiante.

3- SUJEITO INDETERMINADO EXPRESSO PELA 3ª PESSOA DO SINGULAR + SE
Ao contrário do tipo anterior, o sujeito indeterminado expresso pela 3ª pessoa do singular do verbo acompanhada do pronome ou índice de indeterminação do sujeito se como que enfatiza a inclusão da 1ª e da 2ª pessoas do verbo como possibilidade de determinação do sujeito. É como se o falante dissesse: “qualquer um, inclusive eu ou você, poderia ser o sujeito da situação descrita no predicado” ou “mesmo que eu ou você não sejamos o sujeito da situação descrita no predicado, eu me sinto envolvido, ou sinto que você está envolvido, emocional e psicologicamente, na situação descrita pelo predicado”. Observe-se os seguintes exemplos:
5) Precisa-se de empregados.
6) Vive-se bem aqui.
7) Espera-se para breve a retirada dos militares indonésios do Timor Leste.
8) Note-se como eles são semelhantes.
No exemplo 5, o sujeito indeterminado praticamente equivale ao sujeito nós, podendo a sentença perfeitamente ser substituída por “Precisamos de empregados”.
No exemplo 6, o falante manifesta, tacitamente, seu desejo de incluir-se entre aqueles que “vivem bem” num determinado lugar. Mesmo que invertêssemos a frase, a inclusão do falante como possibilidade de determinação do sujeito se justificaria, porque então a frase “Vive-se mal aqui” implicaria um certo grau de envolvimento ou de simpatia do falante para com os moradores do lugar.
No exemplo 7, temos de novo o envolvimento do falante com a situação descrita pelo predicado, dessa vez expressa na esperança de uma solução menos cruenta para o conflito no Timor Leste.
No exemplo 8, a inclusão do ouvinte como uma possibilidade de determinação do sujeito é bastante nítida; a sentença poderia facilmente ser substituída por uma sentença imperativa, como: “Notem!” ou “Notai!”.

4- SUJEITO INDETERMINADO EXPRESSO PELA 3ª PESSOA DO SINGULAR
Na variante coloquial do português, costuma-se usar, com alguma freqüência, o verbo na 3ª pessoa do singular somente para expressar o sujeito indeterminado. Esse tipo de sujeito indeterminado difere dos dois anteriores porque ele não exclui a possibilidade de determinação do sujeito pela 1ª e 2ª pessoas do verbo, mas também não enfatiza essa possibilidade. Seria uma forma de expressar o sujeito indeterminado neutra, sem envolvimento. Atente-se, no entanto, que este tipo de sujeito indeterminado tem um caráter nitidamente coloquial, sendo seu uso muito raro no discurso formal. Confira-se os seguintes exemplos:
9) Diz que a Gracinha vai casar.
10) Atura! Quem mandou votar no homem?
No exemplo 9, praticamente se exclui a possibilidade de determinação do sujeito pela 1ª e 2ª pessoas do verbo; já no exemplo 10, assim como no exemplo 4 citado acima, o uso da 3ª pessoa do singular do verbo: Atura!; ’Güenta!, não exclui, de forma alguma, o falante ou o ouvinte como possibilidades de determinação do sujeito, podendo facilmente por “A gente atura/’güenta!” ou “Você atura/ ’güenta!”.

5- SUJEITO INDETERMINADO EXPRESSO PELA FORMA DO VERBO
Vários lingüistas consideram o infinitivo impessoal, quando não associado a um sujeito que se pode deduzir do contexto, como um tipo de sujeito indeterminado. Na verdade, o infinitivo dos verbos, principalmente quando usado com valor de substantivo, é o tipo mais comum e mais neutro de sujeito indeterminado, podendo ser usado em qualquer variante do português: diatópica, diastrática ou diafásica. Repare-se nos seguintes exemplos:
11) Ser ou não ser; eis a questão! (W. Shakespeare)
12) Viver é fácil de olhos fechados! (J. Lennon)
13) Navegar é preciso, viver não é preciso! (F. Pessoa)
Em todos esses três exemplos, a possibilidade de determinação do sujeito é total; os sujeitos de ser no exemplo 11, de viver no exemplo 12 e de navegar e viver no exemplo 13 podem ser qualquer pessoa, inclusive a 1ª ou a 2ª pessoas do verbo, mas sem que haja envolvimento ou expectativa, ou seja, tanto faz que seja eu ou você ou qualquer outra pessoa o sujeito do verbo, o importante é um sujeito indeterminado qualquer serviver ou navegar.
gerúndio, outra forma nominal do verbo, também pode expressar sujeito indeterminado em raras ocasiões, como nos exemplos abaixo:
14) A vida deve ser maravilhosa, sendo rico.
15) Trabalhando não se fica rico.
Nos exemplos acima, o gerúndio não só expressa sujeito indeterminado, como tem um valor adverbial condicional (exemplo 14) ou modal (exemplo 15).

6- VARIANTES COLOQUIAIS DE EXPRESSÃO DO SUJEITO INDETERMINADO
Atualmente, várias formas coloquiais de expressão do sujeito indeterminado vieram se somar aos tipos estudados anteriormente. A professora Hilma Ranauro enfatizou, em recente palestra proferida na UERJ, o uso do pronome você como sujeito indeterminado. Outras forma anotadas até agora são nêgoneguinhomoleque e vagabundo, as duas últimas de uso bem mais restrito, Observe-se os exemplos seguintes:
16) Hoje em dia, com o desemprego, você não sabe o dia de amanhã!
17) Você se esforça, se esforça, e nada!
18) Nêgo não quer trabalhar, só quer ficar zoando.
19) Neguinho vem pra escola só pra ficar de gracinha.
20) Vagabundo mau!
Nos exemplos 16 e 17, o uso da palavra você tanto pode indicar você como qualquer outra pessoa, inclusive, muitas vezes, o próprio falante.
Tanto a palavra nêgo, no exemplo 18, quanto à palavra neguinho, no exemplo 19, servem para expressar sujeito indeterminado, só que elas não admitem o falante como possibilidade de determinação do sujeito e contêm um certo tom pejorativo.
A palavra vagabundo é usada para expressar sujeito indeterminado em certas ameaças veladas e ironias cruéis, principalmente nas sentenças: “Vagabundo é mau!” e “Vagabundo não refresca!”. Ela admite o falante, mas não o ouvinte, como possibilidade de determinação do sujeito.

7- FUNÇÕES DO SUJEITO INDETERMINADO
As principais funções do sujeito indeterminado são:
a) expressar uma situação da qual desconhecemos quem seja o sujeito;
b) expressar uma situação na qual não nos interessa, ou nos prejudicaria, identificar o sujeito;
c) expressar uma situação simplesmente, sem nos importarmos em identificar o sujeito;
d) expressar uma situação sem identificar o sujeito, mas excluindo-nos e ao ouvinte da possibilidade de ser o sujeito ou de estar envolvido com ele;
e) expressar uma situação sem identificar o sujeito, mas demonstrando nosso envolvimento, ou o do ouvinte, com ele.
As sentenças abaixo servem como exemplo para cada uma dessas funções do sujeito indeterminado:
21) Batem à porta!
22) Mataram o João na pracinha.
23) Acabaram com a cerveja.
24) Falaram mal da Joaninha.
25) Vive-se um novo tempo de liberdade.
Cabe notar, nesse ponto do nosso estudo, que a insistência da gramática tradicional pelo uso da passiva sintética em lugar do sujeito indeterminado, com recomendações à feição do Appendix Probi: “Vendem-se pipas” e não “Vende-se pipas”, “Consertam-se freios” e não “Conserta-se freios”, não têm qualquer justificativa lingüística, já que tanto o sujeito indeterminado quanto à passiva sintéticosão estratégias lingüísticas e estilísticas de supressão do elemento com função de sujeito, constituindo, no nível da estrutura profunda, uma única sentença.

17 de julho de 2018

AH, O RESUMO !!!!

Ah, o resumo… o melhor amigo dos estudantes! Todo vestibulando sabe que, com a grande quantidade de matérias que precisam ser assimiladas em pouco tempo, revisar pode ser um pouco complicado. Mas, ainda bem, os resumos estão aí justamente para nos ajudar a relembrar o que é mais importante saber em cada conteúdo.
Legal, né? Mas preciso fazer um alerta: saber fazer resumos não é tão fácil assim. Como você já sabe a importância desse aliado na hora de estudar, elaborei quatro passos para você fazer um resumo de ponta! Vem comigo:
homer
Muito conteúdo para lembrar? Calma, os resumos estão aí para isso! 😀
1. Leia e releia o texto
A primeira coisa que você deve saber é que preparar um resumo é, também, uma forma de estudar – afinal, para poder elaborá-lo, você precisa estar bem afinado com o assunto. O ideal, então, é você ler e reler o texto algumas vezes para se certificar de ter entendido tudo direito. Aproveite o momento em que estiver estudando a matéria! Fazer alguns exercícios também ajuda.
2. Busque os conceitos mais importantes e os pontos fundamentais do texto
Agora que você leu o texto algumas vezes, já pode estar preparado para ressaltar o que há de mais importante nele, ou seja, qual é a sua essência. É aqui em que você deve tentar buscar algumas palavras-chave sobre o assunto, para te ajudar a se organizar, e também destacar no texto o que é mais importante.
Se você estiver fazendo um resumo de Física sobre termologia, por exemplo, as palavras-chave podem ser: calor, temperatura, dilatação, estudo dos gases, escala Kelvin.
Além de reunir as palavras-chave, você pode também grifar os itens e frases essenciais para a compreensão daquele conteúdo, ou até mesmo o que não dá para escapar de ser decorado. Por exemplo, em uma matéria de exatas, as fórmulas serão essenciais e, claro, não podem deixar de estar no resumo. Em História, por exemplo, você deve dar destaque a alguns nomes de protagonistas de fatos históricos (por exemplo, Robespierre na Revolução Francesa, ou Otto von Bismarck nas unificação alemã), e a algumas datas que sejam muito representativas (como 1945, ano em que terminou a Segunda Guerra Mundial). Em Geografia, não podem ficar de fora os conceitos básicos, especialmente em matérias ligadas à geofísica.
Atenção! Na hora de buscar as partes fundamentais da matéria, você vai precisar ter algumas habilidades em interpretação de texto. Não adianta sublinhar ou grifar o texto inteiro, por isso, é preciso entender o que há de indispensável no meio daquelas palavras.

3. Organize as ideias principais
Agora é a hora de organizar o que você entendeu do assunto. De posse das palavras-chave e das fórmulas, nomes e datas mais importantes, é hora de orientar o resumo que você vai escrever. Para isso, tente responder a duas perguntas: 1. O que está sendo dito no texto? 2. Como eu explicaria este assunto para alguém?
É importante também tentar elencar o assunto em tópicos que você considera importantes (se for um resumo de História, faça em ordem cronológica de acontecimentos). É aqui que você pode “desenhar” um pequeno esquema para o assunto, estipulando um número de conceitos principais, como três ou quatro, para você não colocar coisas demais no resumo. Veja um exemplo básico usando divisão celular:
Esquema-resumo de divisão celular
4. Escreva o texto com suas palavras
Mãos à obra! É hora de escrever. Você já leu e releu o texto, destacou as palavras ou fórmulas mais importantes, já listou os tópicos mais importantes… deve estar quase um craque no assunto. Depois de tudo isso, escrever vai ficar moleza. Pegue o assunto pelo básico geral e depois passe para os assuntos específicos dentro daquela matéria.
Atenção! Faça o resumo com suas próprias palavras. Não adianta nada simplesmente copiar trechos do livro-texto, porque você não estará absorvendo nada. Quando você mesmo escreve, está se forçando a explicar a matéria com o que você aprendeu, o que ajuda a fixar o conteúdo.
Outra dica é você mesmo preparar um questionário básico sobre um assunto, com as perguntas que explicam os “porquês” de um fato. Veja mais um exemplo, agora com ligações químicas:
O que são ligações químicas? 
São as ligações que os átomos realizam entre si para formar moléculas.
Quais são os tipos de ligações? 
Ligação iônica ou eletrovalente, ligação covalente ou molecular, ligação covalente dativa ou coordenada, ligação metálica.
Como funciona a ligação iônica?
É a ligação entre íons, de natureza eletromagnética. Seu resultado final é eletricamente neutro: a quantidade de elétrons cedidos é igual à quantidade de elétrons recebidos.Normalmente os elementos que se ligam ionicamente são os das famílias IA, IIA e IIIA com os das famílias VA, VIA e VIIA da tabela periódica.

HERANÇAS LINGUÍSTICAS

É frequente a discussão a respeito do emprego de estrangeirismos na língua pátria, mas não só os idiomas estrangeiros contribuem/contribuíram para enriquecer a língua portuguesa.
A Linguística Histórica e a Filologia se ocupam da evolução do idioma através dos tempos e estudam tanto a chamada “história externa” – que registra os eventos sociais, políticos, históricos que afetaram os idiomas, quanto a “história interna” – que dá conta das questões fonéticas, ortográficas, gramaticais da língua. E essas ciências caracterizam os idiomas que se ‘encontram’, que estabelecem contato, da seguinte forma:
  • substrato – idioma já existente na região, sobre o qual se estabelece o idioma do povo conquistador;
  • superstrato – idioma que se sobrepõe a outro, ao do povo conquistado;
  • adstrato – idioma que coexiste, num território, a outro já existente e que fornece contribuições constantes.
Na história do Brasil, a partir da colonização, temos então o tupi funcionando como substrato e o português como superstrato linguístico. Até o século 18, os dois atuaram como adstratos, mas, em 1757, o Marquês de Pombal proibiu que se falasse outro idioma que não fosse o português, além de ter expulsado os jesuítas de todo o território português e das colônias, em 1759.
Os responsáveis pelo estudo e pela difusão do tupi entre os colonos europeus inicialmente foram os jesuítas, que se empenharam em aprender o idioma para poderem evangelizar os indígenas na própria língua destes. Padre Anchieta escreveu diversos textos, poemas e autos de cunho religioso no idioma indígena e chegou a organizar uma Gramática da Língua Tupi, para servir de referência aos colegas de batina no trabalho de catequese.
Mas, e atualmente, “Quem de nós não terá, por vezes, inquirido pelo significado de tantos nomes estranhos, cuja pronunciação já corre adulterada e cujo sentido já ninguém compreende? E são, todavia, vocábulos doces e sonoros, longos muitas vezes, excelentes em geral como designação de lugares, mas que muito perdem do seu valor por não se saber o que exprimem, o que recordam, o que nos revelam do sentir e do gênio do povo primitivo que no-los legou.”(SAMPAIO, Teodoro. O tupi na geografia nacional)
Assim é, como disse Teodoro Sampaio. Muitas vezes, no cotidiano, empregamos diversas palavras que são herança do tupi, sem nos darmos conta. Comemos mandioca, tapioca, pipoca, pitanga, goiaba… e um sem-número de peixes: sororoca, traíra, pirarucu, tambaqui, parati, mas nenhum pode ser pescado durante a piracema.
E a percepção indígena da topografia das regiões em que viviam é impressionantemente realista, é só atentarmos para o significado dos topônimos (nomes de lugares):
Aiuruoca (ayuru-oca) – refúgio dos papagaios (MG)
Anhembi (anhanbu-y) – rio dos nhambús (espécie de ave) (SP)
Araçatuba – onde há grande quantidade (tyba; mesmo sentido do sufixo –(z)al) de araçás (fruta semelhante à goiaba)
Araçoiaba (ara-açoyaba) cobertura ou anteparo, chapéu. Nomeava um morro isolado, por semelhança à copa de um chapéu arredondado (SP)
Araripe (ara-r-y-pe) – lugar onde nascem os rios (CE)
Baraúna (ibirá-una) madeira preta (RJ)
Buturuna / Voturuna (ybytr-una) morro negro (SP, MG)
Camaragibe (camará-g-y-pe) no rio do camará (espécie de arbusto) (PE, AL)
Camboriú (camby-ri-y) rio onde corre leite ou camui-ú, rio do robalo (SC)
Garopaba (igara-paba) local onde surgem as canoas (SC)
Ibiapaba (ybya-paba) terra erguida e aparada, planalto (CE)
Imbaçaí (mbeaçá-y) barra do rio, foz (BA)
Ipiranga (y-piranga) água vermelha (SP)
Ipojuca (yapo-yuc) água estagnada, banhado (PE)
Itaberaba (itá-beraba) pedra brilhante (MG)
Itabira (itá-bir) pedra que se levanta, serro empinado (MG)
Itatiaia (itá-tiãi) pedra denteada (MG, RJ)
Jacarepagua (yacaré-upá-guá) baixada ou vale dos jacarés (RJ)
Mantiqueira (amã-tykir) – a chuva cai aos pingos (alusão às condições climáticas da serra)
Maracanã (maracá-nã) semelhante ao maracá (chocalho), nome de uma espécie de papagaio (RJ)
Nhanduí (nhandú-y) rio das emas (MT)
Paraty (parati-y) rio dos paratis (peixe semelhante à tainha) (RJ)
Paquequer (pac-kér) a paca dorme, local onde as pacas se recolhem (RJ)
Paraguaçu (pará-guaçu) mar/rio grande
Pindamonhangaba (pindá-monhang – aba) lugar onde se faz anzol (SP)
Piauí (piau-y) rio dos piaus
Sassuí (çacy-y) rio dos beija-flores (MG)
Sorocaba (çoroc -aba) lugar de erosão (SP)
Tabatinga (taba-tinga) aldeia branca (AM)
Tamanduateí (tamanduá- ate-y) rio do caminho do tamanduá (SP)
Ubatuba (ubá-tyba) canoas em abundância (SP)

É claro que essa lista não esgota os topônimos ainda presentes no nosso cotidiano, não houve essa pretensão, nem há espaço para tanto. Apenas procurei exemplos bastante significativos dessa visão de mundo dos indígenas presente na nomenclatura, sem me concentrar no eixo Rio-São Paulo. Pode também haver divergências nas traduções, uma vez que as sociedades indígenas brasileiras eram ágrafas. Assim, o registro escrito podia variar, de acordo com a percepção auditiva dos colonizadores portugueses (como se fosse a brincadeira de telefone sem fio), o que acabava dando divisões diferentes entre os formantes dos vocábulos.

13 de julho de 2018

APENAS UMA DICA - VAMOS LÁ , TREINANDO !!!

No último dia 25 de junho, o programa de entrevistas Roda Viva, da TV Cultura, entrevistou a pré-candidata à Presidência da República Manuela D´Ávila, filiada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), e tal participação repercutiu muito na mídia como um todo e nas redes sociais, pois muitos telespectadores acharam que Manuela D´Ávila foi interrompida diversas vezes pelos entrevistadores, homens e mulheres, configurando, em muitas ocasiões, o manterrupting.
Um dos momentos que mais repercutiu nas redes sociais foi quando a pré-candidata foi questionada por Frederico D´Ávila – um dos coordenadores da campanha do também pré-candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) – sobre a punição de estupradores por meio da castração química. Esse momento do programa destacou-se por, primeiro, o entrevistador quase não deixar a entrevistada responder a sua perguntar (e por ele ser o coordenador de campanha de outro pré-candidato) e pelo tema da pergunta em si, a castração química.
A castração química é um argumento recorrente na fala do pré-candidato Jair Bolsonaro, pois ele criou, em 2013, um projeto de lei na Câmara dos Deputados, em Brasília, que a coloca como punição para estupradores. Em 2016, o projeto estava tramitando na Câmara dos Deputados, mas, até agora, não foi votado; parece ter sido engavetado.
Manuela D´Ávila, no Roda Viva, ao tentar construir seu raciocínio, tentou argumentar que devemos acabar com a cultura de estupro no Brasil, ensinando e conscientizando os homens de que o estupro não tem justificativa e que não deve ser incentivado como punição a nenhuma mulher e que a vítima nunca é culpada pela violência sexual.
Afinal, a castração química seria uma alternativa viável para inibir estupradores e, assim, diminuir o número de estupros no Brasil? A coluna da Redação no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de hoje é sobre isso, abordando tal questão como um tema pertinente para a prova de redação do Enem de 2018.
Pessoalmente, como professora de Redação que acompanha a prova de produção textual do Enem há anos, não acredito que esse seja, realmente, uma opção de tema para a banca elaboradora do exame, mas ele pode ser a escolha de outros vestibulares.
A castração química, segundo o médico urologista Alex Meller, em matéria do portal de notícias UOL, é um método que bloqueia a testosterona (aqui, candidato ao Enem, vale estudar hormônios em Biologia), diminuindo o desejo sexual e até a ereção (também vale, aqui, estudar reprodução humana em Biologia).
Segundo Meller, a castração química pode ser realizada por meio do uso de dois tipos de drogas. Um deles funciona inibindo a produção de testosterona e o outro tipo de droga engana o corpo do homem ao estimular altos níveis de produção hormonal e, assim, a produção natural é inibida.
Ainda de acordo com Meller, há drogas de uso oral e injetável e a posologia depende do paciente e, além disso, é um tratamento caro; há injeções, por exemplo, que custam R$ 3.000,00 reais.
Na mesma matéria também foi entrevistado o médico psiquiatra Danilo Baltieri no que concerne o termo “castração química”. Para ele, trata-se de um termo mais jurídico do que científico, pois é uma diminuição dos impulsos sexuais, não uma privação completa.
E é nesse sentido que muitas pessoas defendem que a cultura do estupro deve acabar e não apenas colocar a castração química como mais uma forma de punição aos estupradores.
Segundo o médico urologista Eduardo Ribeiro, professora da Universidade de Brasília (UnB), quando a castração química é feita o impulso sexual diminui, mas não necessariamente o interesse sexual também diminui, pois ela não muda a ideologia violenta do indivíduo que estupra. Isto é: mesmo sem ereção, o estupro e a violência sexual podem acontecer de outras maneiras, como por exemplo, usando pedaços de madeira, ferro, bambu ou cana de açúcar para penetrar a vítima, como já foi noticiado pela mídia.
Além disso, de acordo com o Código Penal brasileiro, o crime de estupro não se configura apenas pela penetração, mas é sim todo ato sexual (ato libidinoso) não consentido pela vítima, de acordo com a Lei 12.015, de 7 de agosto de 2009.
Nesse sentido, podemos citar como exemplo o caso do assassino e estuprador Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, que atuava em São Paulo e que matou e estuprou seis mulheres e que, comprovadamente, não tem ereções. Não foram encontradas amostras de sêmen nas suas vítimas, mas ele as violentou de outras formas.
O estupro é um crime que busca dominar, humilhar e subjugar a vítima por meio da violência sexual, que pode ser dada sem penetração, ou seja, sem ereção por parte do estuprador que, normalmente, culpa a vítima. Ou seja, trata-se mais de uma questão psiquiátrica do que hormonal, ou não só hormonal.
Também não podemos esquecer que a maioria dos estupros no Brasil acontece entre pessoas próximas. A grande maioria dos estupradores são pessoas próximas às vítimas, inclusive de suas famílias; a menor parte dos casos é cometida por um estranho, nas ruas, como no caso do Maníaco do Parque.
Esperamos que o texto de hoje sirva de base para estudos e reflexões por parte dos candidatos ao Enem e de outros vestibulares sobre esse tema tão complexo e polêmico.

9 de julho de 2018

“Para eu ou para mim”?


Ao escrever o título do texto de hoje, o próprio Word ficou incomodado com a expressão ‘para eu’ e ‘ameaçou’ mudar o que eu havia escrito… Como ele pensou?
Bem, ele foi “alimentado” com uma gramática básica que diz o seguinte: após preposições deve-se empregar pronomes oblíquos tônicos. E o que são esses pronomes?
Vamos do início:
Chamamos de pronome à classe de palavras que podem substituir (ou acompanhar, ou modificar ou retomar) os nomes (substantivos) relacionando-os às pessoas do discurso (1ª pessoa = emissor; 2ª pessoa = receptor; 3ª pessoa = referente ou assunto da comunicação).
Os pronomes denominados pessoais são estes:


PessoaPronomes
Retos
Pronomes
Oblíquos
SingularEuMe,
mim, comigo
TuTe,
ti, contigo
Ele/elaSe,
si, consigo, o, a, lhe, ele
PluralNósNos,
conosco, nós
VósVos,
convosco, vós
Eles/elasSe,
si, consigo, os, as, lhes, eles

Os pronomes pessoais do caso reto só podem funcionar como sujeito dos verbos (lembram-se dos exercícios de conjugação verbal? Eu amo, tu amas, ele ama, nós amamos, vós amais, eles amam).
Já os pronomes do caso oblíquo funcionam como complementos verbais ou complementos nominais.
Se o verbo for transitivo direto (VTD) pode ter se objeto direto (OD) substituído pelos pronomes me, te se, o(s), a(s), nos e vos. Assim:
Encomendei (VTD) o livro (OD). = Encomendei-o
Um detalhe importante! Se o verbo terminar em R, S ou Z, seguidos dos pronomes O(S) e A(S), tanto o verbo como o pronome sofrem alterações na grafia. Observe:
  • Comecei a ler o livro hoje. = > Comecei a lê-lo.
  • Ele pôs o livro na estante. => Ele pô-lo na estante.
  • Fez toda a lição rapidamente. => Fê-la rapidamente.
(sim, é estranho aos olhos e ouvidos brasileiros, mas perfeitamente natural em Portugal…)
E se os verbos terminarem em som nasal (-ão, -õe ou -m), estes não sofrem alteração, mas os pronomes que o seguirem sofrerão uma nasalização, ganhando um ‘n’:
  • Os jogadores cantam o hino. = Os jogadores cantam-no.
Já se o verbo for transitivo indireto (VTI) pode ter se objeto indireto (OI) substituído pelos pronomes me, te se, lhe(s), nos e vos. Desta forma:
Entregaram (VTDI) a lista de livros (OI) para mim. = Entregaram-me a lista de livros.
No caso dos VTIs, algumas vezes a regência não permite que se substitua o OI por um pronome oblíquo átono. Deve-se, então, manter a preposição e empregar o pronome oblíquo tônico. Teremos então:
  • Gostam de mim.
  • Assistem ao filme. = Assistem a ele.
  • Simpatizamos com os alunos novos. = Simpatizamos com eles.
Há também uma situação muito particular, que foge a esse padrão. É o caso de orações reduzidas de infinitivo, que apresentam um sujeito expresso por um pronome.
Podemos ter o pronome oblíquo funcionando como sujeito:
  • Mandei-o fazer o trabalho.
= Mandei que ele fizesse o trabalho.
Ou ainda um pronome do caso reto após uma preposição:
    • Este livro é para eu resumir.
= Este livro é para que eu resuma.
Se não houvesse a segunda oração e a frase se encerrasse no pronome, este deveria ser pronome oblíquo tônico:
Este livro é para mim.
Mas de jeito nenhum poderíamos ter um ‘mim’ conjugando o verbo seguinte!!!
E se a frase for assim: “Para mim, ler é um prazer.”? Estaria correto esse ‘mim’ antes do verbo? Sim! Note que há uma vírgula, a expressão ‘para mim’ está deslocada da ordem direta e esse pronome não funciona como sujeito do verbo ‘ler’.
Entregaram o livro para mim.

8 de julho de 2018

Colocação pronominal

É o estudo da colocação dos pronomes oblíquos átonos me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, lhes em relação verbo. Eles podem ser colocados de três maneiras:

próclise(antes do verbo) – Agora já te atendo.

mesóclise (no meio do verbo) – Contar-te-ei o que aconteceu.

ênclise (depois do verbo) – Apresentei-lhe a proposta.


PRÓCLISE
Usamos a próclise nos seguintes casos:
(1) Com palavras ou expressões negativas: não, nunca, jamais, nada, ninguém, nem, de modo algum.( Funcionam como palavras – ímãs)
Nada me perturba.
Ninguém se mexeu.
(2) Com conjunções subordinativas: quando, se, porque, que, conforme, embora, logo, que.
Quando se trata de comida, ele é um “expert”.
- É necessário  que a deixe na escola.

(3)Advérbios 
Sempre me dediquei aos estudos.
Aqui se trabalha.
OBS: Se houver vírgula depois do advérbio, este (o advérbio) deixa de atrair o pronome.

- Aqui, trabalha-se.
(4) Pronomes relativos, demonstrativos e indefinidos.
 Alguém me ligou? (indefinido)
- A pessoa que me ligou era minha amiga. (relativo)
Isso me traz muita felicidade. (demonstrativo)

(5) Em frases interrogativas.
Quanto me cobrará pela tradução?

(6) Em frases exclamativas ou optativas (que exprimem desejo).
- Macacos me mordam!
- Deus te abençoe, meu filho!

(7) Com verbo no gerúndio antecedido de preposição EM.
Em se plantando tudo dá.
Em se tratando de beleza, ele é campeão.

(8) Com formas verbais proparoxítonas
- Nós o censurávamos.

MESÓCLISE
Usada quando o verbo estiver no futuro do presente (vai acontecer – amarei, amarás, …) ou no futuro do pretérito (ia acontecer mas não aconteceu – amaria, amarias, …)
- Convidar-me-ão para a festa.
- Convidar-me-iam para a festa.
Se houver uma palavra atrativa, a próclise será obrigatória.
- Não (palavra atrativa) me convidarão para a festa.


ÊNCLISE
Ênclise de verbo no futuro e particípio está sempre errada.
- Tornarei-me……. (errada)
- Tinha entregado-nos……….(errada)
Ênclise de verbo no infinitivo está sempre certa.
- Entregar-lhe (correta)
- Não posso recebê-lo. (correta)
Outros casos:
- Com o verbo no início da frase: Entregaram-me as camisas.
- Com o verbo no imperativo afirmativo: Alunos, comportem-se.
- Com o verbo no gerúndio: Saiu deixando-nos por instantes.
- Com o verbo no infinitivo impessoal: Convém contar-lhe tudo.
OBS: se o gerúndio vier precedido de preposição ou de palavra atrativa, ocorrerá a próclise:
- Em se tratando de cinema, prefiro o suspense.
- Saiu do escritório, não nos revelando os motivos.

COLOCAÇÃO PRONOMINAL NAS LOCUÇÕES VERBAIS
Locuções verbais são formadas por um verbo auxiliar+ infinitivo, gerúndio ou particípio.
AUX + PARTICÍPIO: o pronome deve ficar depois do verbo auxiliar. Se houver palavra atrativa, o pronome deverá ficar antes do verbo auxiliar.
Havia-lhe contado a verdade.
Não (palavra atrativa) lhe havia contado a verdade.
AUX + GERÚNDIO OU INFINITIVO: se não houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar ou do verbo principal.
Infinitivo
Quero-lhe dizer o que aconteceu.
Quero dizer-lhe o que aconteceu.
Gerúndio
Ia-lhe dizendo o que aconteceu.
Ia dizendo-lhe o que aconteceu.
Se houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá antes do verbo auxiliar ou depois do verbo principal.
Infinitivo
Não lhe quero dizer o que aconteceu.
Não quero dizer-lhe o que aconteceu.
Gerúndio
Não lhe ia dizendo a verdade.
Não ia dizendo-lhe a verdade. 



Colocação Pronominal - Exercícios

1) (BB) Assinale a colocação incorreta:
a) Preciso que venhas ver-me.
b) Procure não desapontá-lo.
c) O certo é fazê-los sair.
d) Sempre negaram-me tudo.
e) As espécies se atraem.

2) (TTN) Assinale a frase em que a colocação do pronome pessoal oblíquo não obedece às normas do português padrão:
a. Essas vitórias pouco importam; alcançaram-nas os que tinham mais dinheiro.
b. Entregaram-me a encomenda ontem, resta agora a vocês oferecerem-na ao chefe.
c. Ele me evitava constantemente!... Ter-lhe-iam falado a meu respeito?
d. Estamos nos sentido desolados: temos prevenido-o várias vezes e ele não nos escuta.
e. O Presidente cumprimentou o Vice dizendo: - Fostes incumbido de difícil missão, mas cumpriste-la com denodo e eficiência.
3)  (FTU) A frase em que a colocação do pronome átono está em desacordo com as normas vigentes no português padrão do Brasil é:
a) A ferrovia integrar-se-á nos demais sistemas viários.
b) A ferrovia deveria-se integrar nos demais sistemas viários.
c) A ferrovia não tem se integrado nos demais sistemas viários.
d) A ferrovia estaria integrando-se nos demais sistemas viários.
e) A ferrovia não consegue integrar-se nos demais sistemas viários.

4)  (FFCL-SANTO ANDRÉ) Assinale a alternativa correta:
a) A solução agradou-lhe.
b) Eles diriam-se injuriados.
c) Ninguém conhece-me bem.
d) Darei-te o que quiseres.
e) Quem contou-te isso?

5)  (MACK) A colocação do pronome oblíquo está incorreta em:
a) Para não aborrecê-lo, tive de sair.
b) Quando sentiu-se em dificuldade, pediu ajuda.
c) Não me submeterei aos seus caprichos.
d) Ele me olhou algum tempo comovido.
e) Não a vi quando entrou.

06)  (Unirio) Assinale a frase em que a norma culta recomenda a próclise, como ocorre em “uma força que nos alerta”.
a) Maria, diga a verdade (nos).
b) Informaram da dor de Maria (nos).
c) Revelarias o sonho de Maria? (nos)
d) Encontraremos com Maria (nos).
e) Ninguém falou de Maria (nos).

07) (UFJF) Assinale a opção em que a colocação do pronome pessoal átono está incorreta:
a) O resultado da prova agradou-lhe.
b) Darei-te uma nova oportunidade.
c) Não lhe quero mostrar o livro.
d) Nunca lhe podemos contar a verdade.
e) Ninguém deve aborrecer-nos durante a prova.

08) (EFOA) (UFMA) Indique a oração correta quanto à colocação pronominal:
a) Encontrarei-o amanhã, após o jantar.
b) Fui eu que ajudei-te.
c) Onde lê-se isto, leia-se aquilo.
d) Os operários tinham-se revoltado.
e) Tudo fez-se para teu conforto.

09)  (UEBA) “Entre eles e ________ existe um compromisso que só ________ se ________ ao sacrifício”.
a) eu - se cumprirá  -  dispusermo-nos.
b) mim – cumprir-se-á -  nos dispusermos.
c) mim - cumprirá  - nos dispusermos.
d) eu cumprir-se- á  -  dispusermo-nos.
e) eu -se cumprirá   - dispuser-mo-nos.

10)  (UFSE) “Os projetos que ________ estão em ordem; ________, ainda hoje, conforme ________”.
a) enviaram-me  -  devolvê-los-ei -  lhes prometi.
b) enviaram-me  -   os devolverei  - lhes prometi.
c) enviaram-me -   os devolverei -  prometi-lhes.
d) me enviaram  -  os devolverei   -  prometi-lhes.
e) me enviaram -  devolvê-los-ei  -  lhes prometi.

11)  (EFOA)          “___________ nossos escritores filiaram­-se ao naturalismo”.

A colocação do pronome átono empregada com a forma verbal destacada acima tornou?se incorreta em:
a) Nossos escritores filiar-se-ão ao naturalismo.
b) Nossos escritores jamais se filiarão ao naturalismo.
c) Oxalá nossos escritores se filiem ao naturalismo.
d) Nossos escritores talvez filiem-se ao naturalismo.
e) Nossos escritores filiavam-se ao naturalismo.

12)  (UFMA) Assinale o item em que a colocação está conforme a norma vigente:
a) Aquilo não parece-me brincadeira.
b) Poderá-se resolver o problema?
c) Levantei-me logo que vocês partiram.
d) Teriam-lhe falado sobre o assunto?

13)  (UFPB) Quanto à colocação de pronomes átonos, está conforme a norma da língua escrita o período:
a) “... ninguém me venha dizer que a imaginação não é outra realidade”. ( A. Nery)
b) “Foi o Araguaia que facilitou?lhe a viagem”. (Mário de Andrade)
c) “Não ter?se?á o leitor esquecido de que AG ficara às voltas com os tamoios”. (Ararípe Jr.)
d) “Me vejo dividida em duas...” (Lygía Fagundes Teles)
e) “Conheci que não amava?me, como eu desejava”. (José de Alencar)

14)  (UFPA) Assinale a alternativa correta quanto à colocação do pronome átono:
a) Quando se estuda, não se acha difícil a prova.
b) O candidato que prepara-se dificilmente fica reprovado.
c) A matéria, eles tinham revisado-a toda.
d) Que aprovem-no é o meu desejo!
e) O assunto, o passei a entender depois de muitas leituras.

15)  (UFES) A única alternativa que foge às possibilidades de colocação do pronome oblíquo átono é:
a) Não venham dizer-me que a morte oferece vantagens.
b) Não me venham dizer que a morte oferece vantagens.
c) Alguém tinha lembrado-me que a morte oferece vantagens.
d) Vieram-me dizer que a morte oferece vantagens.
e) Ter-me-iam lembrado que a morte oferece vantagens.

16)  (UECE) Como em “... esperou que ele se levantasse”, o pronome oblíquo átono, conforme a gramática, está colocado corretamente na opção:
a) A espingarda de Fabiano não havia partido-se.
b) Contaremos-lhes os problemas da seca no Brasil.
c) Os encontraram bem perto do rio seco.
d) Ninguém o estava maltratando na fazenda.

17)  (UFV) Assinale a alternativa que completa corretamente a seguinte frase:
“Se ______________ creio que ______________ com prazer”.
a) tivessem me pedido – teria-os recebido.
b) me tivessem pedido - os teria recebido.
c) tivessem pedido-me – tê-los-ia recebido.
d) tivessem me pedido - teria os recebido.
e) me tivessem pedido - teria recebido-os. 

18)  (Unirio) “Uma certidão que me desse vinte anos de idade poderia enganar os estranhos, como todos os documentos falsos, mas não a mim”.
A substituição de “os estranhos”, no enunciado em destaque, pelo pronome pessoal adequado resulta em:
a) poder-los-ia enganar.
b) poder-lhes-ia enganar.
c) poderia enganá-los.
d) poderia enganar-lhes.
e) poderia-lhes enganar.

19) Assinale, dentre as opções a seguir, aquela em que a colocação do pronome oblíquo é INACEITÁVEL, de acordo com o padrão culto da língua (embora muito comum na linguagem informal):
a) Encontraram-se por acaso à porta da loja.
b) Quem o recriminou por seu ato impensado?
c) Não quero incomodá-lo.
d) Tem certeza de que ele saiu-se bem no concurso?
e) O diretor resolveu criticar-se na frente dos colegas.

20)  (Unirio) Assinale o único exemplo em que há ERRO indiscutível na colocação do pronome átono.
a) Quem lhe teria contado o segredo?
b) Quem teria lhe contado o segredo?
c) Ter-lhe-iam contado o segredo?
d) Quem teria contado-lhe o segredo?
e) O segredo, ter-lho-iam contado?

21) (MM) A frase em que há erro de colocação pronominal é:
a) Dize-me com que andas, dir-te-ei quem és.
b) Quando a mamãe limpa a louça, ela o faz com muito cuidado.
c) É um prazer ouvi-lo falar.
d) Caberia-lhe, então, mostrar patriotismo e competência.
e) Mandou-me embora mais cedo.

22) (TER-MT) Segundo a norma culta, a colocação do pronome pessoal está incorreta em:
a) Companheiros, escutai-me!
b) Não nos iludamos, o jogo está feito.
c) Dir-se-ia que os amigos tinham prazer em falar difícil
d) Queria convidá-lo a participar da festa.
e) Não entreguei-lhe a carta.

23) (ESAF)  Marque a alternativa incorreta quanto ao emprego do pronome oblíquo átono:
a) Para Josefa,  que encorajou-me a repetir estas histórias, ofereço este livro.
b) Pedro arriou o feixe de lenha, voltou-se para os filhos e sorriu.
c) Infelizmente, não lhe foi possível dominar as emoções.
d) As linhas irregulares da costura tumultuaram-se no avesso da roupa.
e) O esgotamento, confundindo-se com a fome, ia envolvendo o velho lenhador.

24) (ITA-SP) Em qual dos períodos abaixo o pronome pessoal oblíquo está bem colocado?
a) Me causava admiração ver aquela turma se dedicando com tanto afinco aos estudos.
b) Apesar de contrariarem-me, não farão me mudar de posição.
c) Já percebeu que não é este o lugar onde devem-se colocar os livros.
d) Ninguém falou-nos, outrora, com tanta propriedade e delicadeza.
e) Não se vá cedo; custa-lhe ficar um pouco mais?

25) (UEL-PR) Logo que você ............, é claro que eu .......... da melhor maneira possível, ainda que isso ..........o serviço.
a) me chamar – atendê-lo-ei – me atrase
b) chamar-me – atendê-lo-ei – atrase-me
c) me chamar – o atenderei – me atrase
d) me chamar – o atenderei – atrase-me
e) chamar-me – atenderei-o – atrase-me




GABARITO
1 -D
2 - D
3 - B
4 - A
5 - B
6 - E
7 - B
8 - D
9 - E
10- E
11- D
12- C
13- A
14- A
15- C
16- D
17- B
18- C
19- D
20- D
21- D
22- E
23- A
24- E
25-C