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15 de janeiro de 2018

SINONÍMIA -CUIDADO !!!

A sinonímia é o fenômeno linguístico presente quando duas ou mais palavras têm significação igual ou muito próxima e o que originou o presente texto foram algumas redações em que os alunos, tentando não repetir termos (atitude louvável), acabaram escolhendo palavras inadequadas no contexto, já que o significado era diferente, embora o senso comum as tome por sinônimas.
Vejamos alguns termos e expressões usadas frequentemente por muitas pessoas e que podem criar diversas confusões semânticas:

  • Acatar x acolher
    acatar = obedecer
    Os alunos acataram a ordem do diretor.
    acolher = aceitar, receber
    O juiz não acolheu a ação dos grevistas contra a empresa.

  • Ao invés de x em vez de
    Ao invés de = significa “ao contrário de”.
    Ao invés de subir, desceu a rua.
    Ao invés de virar à esquerda, virou à direita.
    Em vez de = significa “em lugar de”, dá ideia de “substituição”.
    Em vez de comprar sapatos, comprou livros. (sapato não é contrário de livro)
    Em vez de ir para a balada, fiquei em casa lendo um livro.

  • Arruinado x destruído
    arruinado = quem perdeu tudo;
    Aquele famoso empresário acabou arruinado.
    destruído = destroçado.
    O carro foi todo destruído no acidente.

  • Comercializar x vender
    comercializar = comprar, vender, alugar, emprestar
    Aquela empresa comercializa software em todo o mundo.
    vender = é uma das atividades da comercialização de um produto.
    O carro está sendo vendido por R$30.000,00.

  • Conflito x confronto
    Conflito = confusão, divergência de posição, de postura, de ideias.
    conflito entre os católicos e protestantes resultou em muitas mortes na Irlanda no século passado .
    Confronto = enfrentamento, combate, comparação, acareação.
    confronto entre grevistas e policiais deixou vários feridos.

  • De encontro a x ao encontro de
    De encontro a = ir contra, confrontar, ‘bater de frente’
    As medidas tomadas pelo governo vão de encontro às necessidades da população.
    Ao encontro de = a favor, ir no sentido de alguma coisa ou alguém.
    Os filhos foram ao encontro de seus pais.
    Minhas ideias vão ao encontro das suas, por isso não brigamos.

  • Desabrigado x desalojado
    desabrigado = quem fica sem casa para morar;
    As fortes chuvas deixaram muitos desabrigados (as casas foram destruídas)
    desalojado = quem teve de sair de casa, quem perde o lugas.
    As fortes chuvas deixaram muitos desalojados (as casas não foram destruídas, mas as pessoas tiveram que sair delas e ir para um local seguro).
    O gato ocupou o sofá e desalojou o cachorrinho.

  • Em princípio x a princípio
    A princípio = no início, antes de mais nada.
    A princípio, viajaríamos para o Nordeste, mas desistimos.
    A princípio acreditávamos que os alunos ficariam quietos durante a palestra, mas as conversas continuaram.
    Em princípio = em tese, teoricamente, de modo geral.
    Em princípio, todos os funcionários receberão a participação nos lucros da empresa em outubro.
    Em princípio, o voo sairia do Aeroporto de Viracopos no início da noite.

  • Inúmeros X numerosos
    inúmeros = incontáveis;
    Olho para a praia da Copacabana e vejo inúmeros banhistas.” (= São tantos que é impossível contá-los);
    numerosos = muitos.
    É uma família muito numerosa, são 12 irmãos. (= É uma família compostas por muitas pessoas).

  • Mesmo x igual
    mesmo = um só;.
    Ela está com a mesma roupa que usou no evento do mês passado. (= É uma roupa só, usada novamente);
    igual = outro idêntico
    Aquela candidata usou um vestido igual ao da rival, no concurso de beleza. (= É outro vestido, com as mesmas características daquele usado pela outra pessoa)

  • Questionar x perguntar
    questionar = pôr em dúvida;
    O juiz questionou a validade do depoimento.
    perguntar = indagar.
    “Quem é a favor da greve? perguntou o presidente do sindicato.

  • reverter  x  inverter  x  modificar
    reverter = voltar ao que era antes;
    O paciente entrou em coma e os médicos tentavam reverter o quadro.
    inverter = mudar para o oposto
    A prefeitura inverteu a mão desta rua sem aviso, o que causou muita confusão.
    modificar = alterar
    É preciso modificar o sistema de cálculo das notas, para não prejudicar os alunos.

  • suplementação  x  complementação
    suplementação = quantia extra, adicional
    Para terminar a obra, foi necessária uma verba suplementar.
    complementação = segunda parte, o que completa.
    Um bom café faz complementação perfeita do almoço.
Esses não são os únicos, mas alguns dos falsos sinônimos mais frequentemente empregados.
Além desse engano comum, há também aquelas palavras que se encaixam em diferentes contextos, mas não são sinônimas e algumas pessoas acabam, por distração, usando-as erroneamente. Esta semana um amigo se queixou do emprego, por alunos da pós-graduação, de uma palavra inadequada. O estudante queria dizer uma coisa e acabou dizendo outra pois as palavras tinham certa semelhança: ele falou em porcentagem de assertividade, com intenção de se referir à porcentagem de acerto de um determinado teste. Não é um caso de falso sinônimo, mas de falta de consulta ao dicionário para ter certeza do sentido antes de empregar um termo. Algumas vezes vários termos se encaixam num determinado contexto, mas isso não significa que sejam adequados ou que expressem a ideia pretendida pelo emissor.
Assim, volto ao mesmo conselho (“mesmo” mesmo! – é um só!): consulte sempre um dicionário, para garantir a exatidão da mensagem.

14 de janeiro de 2018

TEXTO PUBLICADO EM ZERO HORA - CADERNO DONA FOI TEXTO DE APOIO E TEMA DE REDAÇÃO DA UFRGS 2019

O termo vem do latim pater patriae e simboliza o papel de determinada personalidade na formação da unidade nacional e de sua independência. O nosso Pai da Pátria não é um, mas dois: Dom Pedro I e José Bonifácio. Cada nação tem o seu, que serve de modelo de heroísmo e dignidade.
O Pai da Pátria está acima de nós, como numa família tradicional. Não em valor, que valorosos somos todos, mas em representatividade. O Pai da Pátria poderia, inclusive, ser o epíteto de todo chefe do executivo, não fosse, especialmente no nosso caso, uma piada. Há pesquisas sérias sobre a importância de se ter um pai reconhecido em certidão. O Brasil, de forma simbólica, tem os dois já citados, mas, na prática, é como se fôssemos filhos de um pai fantasma, que não nos deu o senso de inclusão familiar, de responsabilidade e de orgulho, deixando-nos à deriva.
Quem me dera ser crédula, confiante. Do tipo que admite estarmos em meio a uma crise medonha, mas que dela brotará um Estado maior, melhor. Já fui assim otimista, mas o tempo passou e me cobrou alguma lucidez e coragem para encarar a realidade. Agora não me é mais dada a alternativa de embarcar num faz de conta, acreditar em devaneios: o fato é que sempre estivemos irreversivelmente lascados, pois desde que essa história começou (1500), foi um tropeço atrás de outro, um país descoberto por engano, por causa de uns ventos inesperados que conduziram as caravelas para outro destino que não a Índia e foram parar aqui sem querer, e quem dá importância ao que foi sem querer? Descuidos não são levados a sério, nunca fomos e jamais seremos a primeira opção nem pra nós mesmos. O Brasil é um acidente de percurso do qual se tenta tirar alguma vantagem para que o engano de rota não resulte em total perda de tempo.
Se você discorda, se ainda acredita que um dia seremos um país íntegro, digno, consistente, me declaro invejosa da sua fé. Sou uma ratazana descrente que não abandona o navio porque tem parentes no convés, apenas por isso.
Sorte a minha, e provavelmente a sua, de que colecionamos algumas vitórias particulares: amigos fiéis, o gosto pela música, amar e ser amado, gozar de boa saúde, poder ir ao cinema de vez em quando, não ter vergonha do passado e acreditar-se merecedor de um banho de sol, de um banho de mar, de um banho de chuva, essas trivialidades naturais que mantêm o corpo e a alma azeitados. A vida vale a pena em sua simplicidade, aquela que ainda comove, pois rara.
Mas não nos gabemos, pois ainda que nossa família nuclear e nossa trajetória pessoal não nos envergonhem, somos todos habitantes de uma pátria órfã.

UFRGS - REDAÇÃO

A Prova de Redação do Vestibular deste ano apresentou aos candidatos o artigo “Pai da Pátria”, da escritora gaúcha Martha Medeiros. Os vestibulandos foram provocados a escrever uma redação dissertativa expondo seu ponto de vista a respeito das ideias da autora sobre o Brasil. A prova apresentou o seguinte enunciado: “Você deve se posicionar a respeito das ideias da autora sobre o Brasil: contestá-las parcial ou integralmente; aprová-las parcial ou integralmente.”
Em Pai da Pátria, Martha Medeiros traz vários recursos que a permitem formular o seu ponto de vista de maneira muito clara. Há metáforas, ironias, argumentos e exemplos, entre outros recursos, tudo a serviço das ideias defendidas pela autora. “Quem me dera ser crédula, confiante. Do tipo que admite estarmos em meio a uma crise medonha, mas que dela brotará um Estado maior, melhor. Já fui assim otimista, mas o tempo passou e me cobrou mais lucidez e coragem para encarar a realidade. Agora não me é mais dada a alternativa de embarcar num faz de conta, acreditar em devaneios: o fato é que sempre estivemos irreversivelmente lascados...”, escreve a autora. (texto completo)
Os candidatos foram convidados a considerar que o seu texto fosse lido pela autora, contendo, assim, uma opinião bem fundamentada, com argumentos que sustentassem o ponto de vista, para que a autora entendesse claramente o posicionamento adotado.
A redação deveria conter de 30 a 50 linhas, além do título. O texto será avaliado em duas modalidades – analítica e holística – por examinadores distintos, e cada um atribuirá escores independentes entre 0 e 10. Se os escores atribuídos pelos avaliadores tiverem um distanciamento maior ou igual a 2,5 pontos, será considerado que houve discrepância na avaliação da redação. Nesse caso, a redação será reavaliada por outro examinador, que irá ponderar sobre a propriedade das duas avaliações anteriores, equilibrar e/ou atribuir novo escore, para desfazer a discrepância e registrar os novos resultados.

EXEMPLOS DE ALGUMAS QUESTÕES DO ENEM

Questão Exemplo de Geografia


Questão 07 
Quando é meio-dia nos Estados Unidos, o Sol, todo mundo sabe, está se deitando na França. Bastaria ir à França num minuto para assistir ao pôr do sol.
SAINT-EXUPÉRY, A. O Pequeno Príncipe. Rio de Janeiro: Agir, 1996.
A diferença espacial citada é causada por qual característica física da Terra?
a) Achatamento de suas regiões polares.
b) Movimento em torno de seu próprio eixo.
c) Arredondamento de sua forma geométrica.
d) Variação periódica de sua distância do Sol.
e) Inclinação em relação ao seu plano de órbita.

RESOLUÇÃO E COMENTÁRIOS
Alternativa B
Pergunta clássica sobre fusos horários e movimentos da Terra tratada de forma muito sutil e inovadora através de um excerto extraído do livro O Pequeno Príncipe. As alternativas distratoras apresentam argumentos que distanciam muito a relação entre o texto e a resposta correta, sendo possível o aprofundamento na alternativa B (“movimento em torno de seu próprio eixo”).
O movimento da Terra em questão é a ROTAÇÃO, sendo esterealizado em torno do próprio eixo do planeta, em sentido horário (de leste para oeste), durando cerca de 24 horas para completar uma volta inteira (360 graus). Vale destacar que se dividirmos 360 graus por 24 horas, a cada 1 hora o planeta rotaciona 15 graus. As coordenadas geográficas que tratam dos fusos horários são as LONGITUDE (ou MERIDIANOS), dividida entre 180 graus para leste (east em inglês) e 180 graus para oeste (west em inglês), sendo que cada intervalo entre longitudes representa 1 hora no sistema de fusos horários internacionais, ou ainda 15 graus de rotação. A base de cálculo de fusos horários das longitudes é o Meridiano de Greenwich (ou Prime Meridian em inglês), também chamado de “fuso zero” ou GMT (Greenwich Mean Time), sendo que qualquer localização à LESTE deste meridiano possui horas a mais do que as localizadas à OESTE.
meridianos
Finalmente, contextualizando o excerto da questão, a França, que está à leste dos Estados Unidos da América (EUA), apresenta horas a mais, ou seja, seu fuso horário é adiantado em relação ao outro país em razão da Terra se movimentar em sentido horário, recebendo energia solar a França antes dos EUA, o que significa que amanhece antes em território francês, ou JÁ É NOITE LÁ enquanto nos EUA AINDA É DIA.

Questão Exemplo de Biologia


Questão 84 
Na década de 1940, na Região Centro-Oeste, produtores rurais, cujos bois, porcos, aves e cabras estavam morrendo por uma peste desconhecida, fizeram uma promessa, que consistiu em não comer carne e derivados até que a peste fosse debelada. Assim, durante três meses, arroz, feijão, verduras e legumes formaram o prato principal desses produtores.
O Hoje, 15 out. 2011 (adaptado).
Para suprir o déficit nutricional a que os produtores rurais se submeteram durante o período da promessa, foi importante eles terem consumido alimentos ricos em
a) vitaminas A e E.
b) frutose e sacarose.
c) aminoácidos naturais.
d) aminoácidos essenciais.
e) ácidos graxos saturados.

RESOLUÇÃO E COMENTÁRIOS
Alternativa D
Os alimentos que ingerimos em nossa dieta são extremamente importantes para mantermos nossa saúde e bem-estar. Cada alimento é composto de macronutrientes (proteínas, lipídios e carboidratos) e micronutrientes (vitaminas e minerais).
Os carboidratos são popularmente conhecidos como açúcares e são a fonte primária de energia para nosso organismo. Os carboidratos são muito abundantes na natureza, e a glicose é o monossacarídeo mais importante para a obtenção de energia. Massas, pães, cereais, batata, etc são alimentos ricos em carboidratos.
Os lipídios são chamados também de gorduras. São a 2a maior fonte de energia obtida pela alimentação. Diferem dos carboidratos, entre outras características, em relação à sua solubilidade em água, sendo insolúveis em soluções aquosas. Apresentam 3 funções principais nos organismos: 1. Fornecimento de energia; 2. Composição das biomembranas; 3. Atuar como isolante térmico.
As proteínas são macromoléculas formadas por aminoácidos. As principais fontes de proteínas são as carnes, leite e ovos. Existem 20 aminoácidos que podem ser combinados para formar as proteínas, porém apenas 12 desses aminoácidos são produzidos pelos animais, estes são chamados de aminoácidos naturais. Os outros 8 aminoácidos, que não podemos sintetizar, precisam ser ingeridos na alimentação, e por isso são chamados aminoácidos essenciais.
Desse modo, a dieta adotada pelos produtores rurais, com a exclusão da ingestão de carnes, levou a um déficit de ingestão de proteínas. Desse modo, foi importante que eles consumissem alimentos ricos em aminoácidos essenciais, não produzidos por nosso organismo.

Questão Exemplo de Matemática


Questão 175 
Diariamente, uma residência consome 20160 Wh. Essa residência possui 100 células solares retangulares (dispositivos capazes de converter a luz solar em energia elétrica) de dimensões 6 cm x 8 cm. Cada uma das tais células produz, ao longo do dia, 24 Wh por centímetro de diagonal. O proprietário dessa residência quer produzir, por dia, exatamente a mesma quantidade de energia que sua casa consome.
Qual deve ser a ação desse proprietário para que ele atinja o seu objetivo?
a) Retirar 16 células.
b) Retirar 40 células.
c) Acrescentar 5 células.
d) Acrescentar 20 células.
e) Acrescentar 40 células.

RESOLUÇÃO E COMENTÁRIOS
Alternativa A
Para resolver esta questão, vamos seguir a seguinte estratégia:
1° passo: calcular a medida da diagonal da célula solar;
2° passo: calcular quanto de energia elétrica cada célula produz;
3° passo: calcular quanto de energia elétrica as 100 células produzem;
4° passo: calcular o excesso ou a falta de células;

1. a célula solar possui um formato retangular. Portanto, a diagonal forma com os seus lados um triângulo retângulo, de onde podemos calcular sua medida através do Teorema de Pitágoras, conforme a figura abaixo:
matemática_enem

2. cada centímetro da diagonal, a célula produz 24 Wh. Então, a energia produzida por uma única célula é: 10 . 24 = 240 Wh

3. se cada célula produz 240 Wh, então as 100 células que a residência possui produzem: 100 . 240 = 24 000 Wh

4. a residência consome apenas 20 160 Wh, ou seja, as 100 células produzem mais energia do que o necessário e por este motivo o proprietário deve retirar células. Sendo assim, vamos calcular quantas células podem ser retiradas para que a produção de energia seja igual ao consumo:

24 000 – 20 160= 3 840 Wh ∴ 3 840 ÷ 240 = 16 Células

Comentário: Uma estratégia interessante para resolver questões como essa é desenvolver o raciocínio de trás para frente. Em outras palavras, uma vez entendido o que se quer e o que se tem, realiza-se o caminho do fim para o começo. As medidas do triângulo retângulo podem facilitar a velocidade do cálculo da diagonal, uma vez que elas são o dobro do conhecido triângulo 3, 4 e 5.
Conteúdo envolvido: Teorema de Pitágoras e as quatro operações básicas.

ENEM 2019

Nesta sexta-feira (12) o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC), realizou a primeira reunião e deu início aos preparativos para o Enem 2018 – Exame Nacional do Ensino Médio.
De acordo com matéria publicada pela assessoria de comunicação social no site do instituto, neste primeiro encontro foi discutido o planejamento específico da produção gráfica das provas, que diz respeito a impressão dos cadernos de questões.
Para a isso a equipe técnica que participou do evento levou em consideração a análise das principais ocorrências relacionadas a impressão das provas do Enem 2017, especialmente aquelas ligadas aos cadernos personalizados com nome e número de inscrição dos candidatos, uma das novidades de segurança da última edição (saiba mais).
Participaram do evento alguns representantes do Inep juntamente com membros dos principais prestadores de serviços contratados para auxiliar na organização, logística, segurança e aplicação do exame nacional:
  • Consórcio Aplicador do Enem (Fundação Getúlio Vargas e Cesgranrio);
  • Gráfica RR Donnelley;
  • Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Correios);
  • Diretoria de Gestão e Planejamento (DGP – Inep);
  • Diretoria de Avaliação da Educação Básica (DAEB – Inep); e da Diretoria de Tecnologia e
  • Disseminação de Informações Educacionais (DTDIE) do Inep.
O Enem 2018 ainda não tem seu calendário com as datas do período de inscrições, aplicação e liberação do resultado divulgadas. No entanto, o Inep já sinalizou que deve manter as principais mudanças implementadas no ano passado, como a aplicação em dois domingos consecutivos e a alteração na distribuição das provas, com a redação passando para o primeiro dia.
Além disso, o exame deve continuar sendo usado apenas para acesso ao ensino superior, por meio dos vestibulares próprios de universidades públicas e privadas, além de programas como o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade Para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

12 de janeiro de 2018

FUVEST - 2018

A Fundação Universitária para o Vestibular (FUVEST) é a instituição que elabora, realiza e corrige o vestibular da Universidade de São Paulo (USP), considerado um dos maiores vestibulares do país. Como já dissemos em outros textos, a prova de redação deste exame de entrada compõe a prova de Português da segunda fase que, neste ano, aconteceu no último domingo, dia 7 de janeiro. Hoje, portanto, analisaremos a proposta de redação da FUVEST 2018.
O tema da proposta de redação da FUVEST 2018 é muito atual e suscitou polêmicas ao longo de 2017 e o vestibular aproveitou essa discussão e fez a seguinte pergunta aos seus candidatos: “Devem existir limites para a arte?“.
Entre tantos debates, um dos mais polêmicos do ano de 2017 foi justamente sobre arte. Exposições como Histórias de Sexualidade, atualmente no MASP, em São Paulo, o Queermuseu, fechado em Porto Alegre após manifestações contrárias às obras ali expostas, o caso da menina levada pela mãe a uma exibição de um artista nu e outros casos suscitaram discussões, principalmente nas mídias sociais, sobre o que é considerado arte, a respeito de até que ponto o nu é arte e se crianças podem ser expostas a isso, se trabalhos artísticos podem criticar dogmas religiosos ou se isso seria desrespeito dentre outras coisas.
Desta maneira, os candidatos da FUVEST 2018 deveriam estar a par deste debate que ocorreu ao longo do ano passado e responder, com opiniões e argumentos sólidos, se devem ou não existir limites para a arte. Nesse sentido, para responder a pergunta do tema da proposta de redação, os candidatos deveriam ter em mente um conceito do que consideram arte, o que pensam sobre as funções da arte como um todo, o que acham sobre limites, o que seriam esses limites etc.
Colocando este tema na proposta de redação da sua segunda fase do ano de 2018, a FUVEST assume uma postura de querer fazer com que seus candidatos pensem e reflitam acerca deste assunto e também admite não ter medo de colocar como tema um assunto considerado tabu e polêmico por parte considerável da sociedade brasileira. O mesmo deveria ser feito pelos candidatos: não ter medo de polêmicas, pensar a respeito e se posicionar.
A proposta é composta por cinco textos na coletânea textual, todos verbais. O primeiro coloca a arte como representação da cultura, mas nem sempre representando o que é tido como belo e sensível; às vezes, a intenção da arte e do artista é chocar:
As obras de arte assumem a função da representação da cultura de um povo desde os tempos mais remotos da história das civilizações. É através delas que o ser humano transmite uma ideia ou expressão sensível. Contudo algumas obras de arte fogem do conceito de retratação do belo e do sensível, parecendo terem sido feitas para chocar e causar polêmicas.
A principal obra do escultor inglês contemporâneo Marc Quinn é uma réplica de sua cabeça feita com cerca de 4,5 litros de seu próprio sangue – extraído ao longo de cinco meses. Uma peça nova é feita a cada cinco anos, e elas ficam armazenadas em um recipiente de refrigeração especialmente desenvolvido para elas.

A obra do escultor inglês mencionada pelo texto é esta e esta menção tem como objetivo fazer os candidatos pensarem sobre a função e as metas de uma obra de arte, se essa peça é considerada arte pelos candidatos e o conceito de belo e sensível. O que é belo e sensível para um pode não ser para o outro, assim como o que choca alguém pode não chocar outra pessoa, o que é polêmico para alguém pode não ser para o outro.
A discussão acerca do nu na arte, no que se refere a presença da menina no caso do artista nu em que a mãe a levou para a amostra, sabendo de seu conteúdo, é um exemplo dessa subjetividade que a arte tem em sua essência. Talvez, para essa mãe, o nu é algo natural que deve ser tratado desta forma em sua família; já para outras famílias, o nu pode ser tido como um tabu, algo que deva ser escondido. Uma determinada mãe considerar isso errado quer dizer que nenhuma mãe pode considerar certo ou natural?
O segundo texto da proposta, por sua vez, cita o exemplo de um caso de uma obra de arte que criou polêmica em 2010 (ou seja, não é uma polêmica tão nova e recente assim) por usar urubus vivos:
Graças aos seus três urubus, a obra “Bandeira Branca” é o acontecimento mais movimentado da 29ª Bienal [2010]. No dia da abertura, manifestantes de ONGs de proteção aos animais se posicionaram diante da instalação segurando cartazes com dizeres que pediam a libertação das aves. Chegaram a ser confundidos com a própria obra. “Me entristece o fato de que apenas os animais estejam sendo ressaltados. Espalharam informações erradas sobre como os urubus estão sendo tratados”, lamenta Nuno Ramos. Na obra, os urubus estão cercados por uma rede de proteção e têm como poleiro várias caixas de som que, de tempos em tempos, tocam uma tradicional marchinha de carnaval. As aves tinham a permanência na Bienal autorizada pelo próprio Ibama, que, depois, voltou atrás, alegando que as instalações estavam inapropriadas para a manutenção dos animais. Denúncias e proibições à parte, a obra de Nuno Ramos ganha sentido e fundamentação apenas na presença dos animais. Sem eles, a obra perde seu estatuto artístico e vira mero cenário, já que os animais são seus principais atores.

Protetores dos animais, na época, criticaram o uso de animais e as condições de sua permanência na amostra e no trabalho do artista que, a princípio, teve a permissão do Ibama para expor os urubus, mas devido a polêmica, a autorização foi retirada e, sem as aves, para alguns, o trabalho ficou sem sentido.
O terceiro texto da coletânea relembra a exposição Queermuseu, promovida por um grande banco em Porto Alegre, que foi cancelada após manifestações de pessoas contrárias ao seu conteúdo. Grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL) foram um dos mais atuantes nas críticas à amostra:
A exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, realizada desde 15 de agosto no Santander Cultural, em Porto Alegre, foi cancelada após protestos em redes sociais. A mostra ficaria em cartaz até 8 de outubro, mas o espaço cultural cedeu às pressões de internautas. A seleção contava com 270 obras que tratavam de questões de gênero e diferença. Os trabalhos, em diferentes formatos, abordam a temática sexual de formas distintas, por vezes abstratas, noutras, mais explícitas. São assinados por 85 artistas, como Adriana Varejão, Candido Portinari, Ligia Clark, Yuri Firmesa e Leonilson.
Folha de S.Paulo. 10/09/2017. Adaptado.
O quarto texto da coletânea da proposta é um trecho da justificativa do Santander em relação ao cancelamento da exposição:
Nos últimos dias, recebemos diversas manifestações críticas sobre a exposição “Queermuseu – Cartografias da diferença na Arte Brasileira”.
Ouvimos as manifestações e entendemos que algumas das obras da exposição “Queermuseu” desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo. Quando a arte não é capaz de gerar inclusão e reflexão positiva, perdeu seu propósito maior, que é elevar a condição humana.Por essa razão, decidimos encerrar a mostra neste domingo, 10/09. Garantimos, no entanto, que seguimos comprometidos com a promoção do debate sobre diversidade e outros grandes temas contemporâneos.
https://www.facebook.com/SantanderCUltural/posts. Adaptado.
Em relação aos textos sobre o Queermuseu, os candidatos deveriam se questionar se consideram a exposição desrespeitosa com símbolo, crenças e indivíduos ou não, se pensam que a arte pode suscitar reflexão a partir de uma crítica ou de um questionamento e se o cancelamento e fechamento dessa exposição foi um caso de censura ou não. O Queermuseu estava em um local fechado, entrava quem queria; se eu não gosto ou não concordo com o conteúdo, basta eu não entrar ou ninguém deve ter acesso?
O quinto e último texto da coletânea traz uma citação de Solange Farkas, curadora geral do Festival de Arte Contemporânea do SESC desde 1983 e diretora da Associação Cultural Videobrasil desde 1991:
A arte é um exercício contínuo de transgressão, principalmente a partir das vanguardas do começo do século 20. Isso dá a ela uma importância social muito grande porque, ao transgredir, ela aponta para novos caminhos e para soluções que ainda não tínhamos imaginado para problemas que muitas vezes sequer conhecíamos. A seleção dos trabalhos dos artistas para a próxima edição do festival [Videobrasil], por exemplo, me fez ver que os artistas estão muito antenados com as diversas crises que estamos vivendo e oferecem uma visão inovadora para o nosso cotidiano e acho que isso é um bom exemplo.
Solange Farkas. https://www.nexojornal.com.br.
Este texto vai de encontro com o primeiro e resume os demais, pois cita mais uma função da arte: transgredir padrões, apontar novos caminhos e não apenas representar o que é tido como belo e sensível e, aos transgredir, a arte pode chocar e suscitar polêmicas.
Nesse sentido, a proposta de redação da FUVEST 2018, em seu todo, suscitou questionamentos e reflexões para seus candidatos acerca do tema proposto, dando exemplos de um passado recente e do presente e colocando em xeque convicções, crenças, ideologias e conceitos. Além do mais, por tabela, digamos assim, mandou uma mensagem: o vestibular vai discutir polêmicas, vai colocá-las em evidência e a escola também precisa fazer o mesmo, já que o vestibular não deixa de ser um espelho que reflete e refrata a escola como um todo.
Os candidatos, independentemente da posição sustentada nas dissertações-argumentativas, deveriam ter tomado cuidado com discursos extremistas, já que se trata de um tema polêmico. Embasar e alicerçar suas opiniões sem apelar era o principal ponto e, deste modo, a FUVEST testou a capacidade argumentativa de seus candidatos.

7 de janeiro de 2018

SOMENTE UMA LEITURA

Os antigos romanos já demonstravam certa preocupação com o respeito à norma culta do Latim. Sim, essa questão de norma, culta, coloquial ou vulgar, é antiga. Desde há muito as pessoas escrevem de uma maneira e falam de outra, desde há muito há diferentes níveis de escolaridade ou ausência dela, o que afetava (e ainda afeta) o modo como as pessoas fazem uso do idioma.
Restou-nos, do Latim clássico, inúmeras obras literárias (teatro, filosofia, poesia…) e obras de referência, como gramáticas, e esses textos nos fornecem o padrão erudito do idioma, mas a maioria da população não tinha educação formal e são poucos os documentos que nos informam como o idioma era usado no cotidiano. Há, entretanto, alguns documentos curiosos, como algumas “pichações” nas paredes em Pompeia, cidade próxima a Roma, que foi soterrada pela erupção do Vesúvio. Eis algumas frases gravadas nas paredes e muros:
  • Pecunia non olet. – Dinheiro não fede.
  • Lucrum gaudium. – Lucro dá alegria.
  • Lucius pinxit. – Lúcio pintou (isto/aqui)
  • Suspirium puellarum Celadus thraex. – Celadus, o trácio (nome de um gladiador) faz as moças suspirarem.
Também chegou até os dias de hoje um documento chamado “Appendix Probi”. Era uma lista contendo a forma correta quanto à ortografia, seguida daquela ‘errada’, que deveria ser evitada. Eis alguns exemplos:
  • 3. Speculum non speclum.
  • 4. Masculus non masclus.
  • 5. Vetulus non veclus.
  • 6. Vitulus non viclus.
  • 7. Vernaculus non vernaclus.
  • 8. Articulus non articlus.
  • 9. Baculus non vaclus.
  • 10. Angulus non anglus.
  • 111. Oculus non oclus.
  • 130. Tabula non tabla.
  • (essas ocorrências são semelhantes ao ‘córrego’ que vira ‘corgo’ e à ‘xícara’ que vira ‘xicra’)
  • 25. Formica non furmica.
  • 58. Umbilicus non imbilicus. (ainda temos ‘umbigo’ e ‘imbigo’ hehe)
  • 83. Auris non oricla. (o mesmo ocorre em ‘otoridade’)
  • 159. Terrae motus non terrimotium. (fazemos essa aglutinação em ‘vambora’)
  • 220. Noviscum non noscum.
  • 221. Vobiscum non voscum. ¹ (a numeração aparece no documento latino)
Podemos observar que alguns tipos de desvios continuam ocorrendo no português atual, como a troca do ‘l’ pelo ‘r’ (e vice-versa), do ‘b’ pelo ‘v’, a supressão da sílaba posterior à tônica nas proparoxítonas, transformando a palavra em paroxítona, que é mais facilmente pronunciada, e a aglutinação de termos criando uma palavra só. Cometemos os mesmos ‘erros’ que nossos antepassados, o que mostra que há um padrão no modo como a língua vai se alterando.
E por falar em listas, boa parte das pessoas costuma fazer lista de resoluções de Ano Novo. Sugiro colocar na sua alguns itens como:
  1. Ler mais (ou ao menos ler alguma coisa!);
  2. Consultar dicionários (e não espere que o Google ou o editor de texto corrija as palavras por você, mas aceite que essas ferramentas mostrem que há erros);
  3. Treinar a caligrafia (seus professores merecem e os corretores no vestibular não farão esforço para decifrar o texto);
  4. Escrever mais, afinal a prática leva à perfeição!
E, ainda falando de listas, tente memorizar esta:
  • De repente (não derrepente)
  • Por isso (não porisso)
  • O que (não oque)
  • Com certeza (não concerteza)
  • Tinha chegado (não tinha chego)
  • Tinha trazido (não tinha trago)
É só uma pequena lista, os equívocos são bastantes e bem frequentes, mas ao longo deste ano, vamos listar mais aspectos, curiosidades e dúvidas da “última flor do Lácio”.

Tema de redação - 2018

A falta de acesso à cultura na sociedade brasileira

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema“A falta de acesso à cultura na sociedade brasileira”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Texto I
O ser humano é essencialmente cultural. Ele nasce, vive e morre imerso em uma determinada cultura, com seus modos de vida, língua, rituais, instituições, conhecimento e valores próprios. Por isso, ele vê o mundo a partir de sua própria cultura. Dentro desse tecido cultural em que vivemos e nos desenvolvemos, podemos fazer um recorte específico da cultura, igualmente importante para que nos tornemos seres humanos completos: as artes. Independentemente de serem artes populares, como o cordel, a música popular, o repente, a dança de salão, a escultura na areia ou artes eruditas como a música clássica, as artes visuais, a literatura, o teatro, o cinema, vídeo-arte.
As artes, por não se dirigirem à razão, mas à sensibilidade, comportam várias interpretações, agregando significados à medida em que são desvendadas por olhares diferentes. As artes organizam a experiência vivida a partir do sentimento e da imaginação e, por isso mesmo, abrem as portas das possibilidades. Não têm por função retratar o mundo como ele é, mas indicar como ele pode ser para o artista e para cada um de nós. De qualquer forma, as artes são uma forma de conhecimento do mundo, conhecimento sensível da estrutura, da organização do mundo humano. Mobilização do sentimento, do poder de imaginar outros mundos além do mundo real que habitamos, compreensão da nossa relação com o mundo e a natureza, prazer estético: esses são os benefícios da cultura e da arte dos quais todos nós temos o direito de usufruir. Desse direito deriva a preocupação com a democratização cultural, considerada em seu sentido restrito. Mas o que vem a ser a democratização cultural e como ela pode ser feita?
Um dos sentidos de democratizar a cultura é ampliar o acesso aos bens culturais universais, já existentes, permitindo que as pessoas construam o seu modo próprio de ser e de participar na comunidade e na sociedade como um todo. Ampliar a distribuição e a compreensão da produção cultural, em vez de adaptá-la ou facilitá-la, enfraquecendo-a, permite que nós nos apropriemos de instrumentos de expressão e possamos construir uma consciência crítica diante do mundo em que vivemos. O acesso à cultura envolve vários aspectos: o acesso físico implica em melhor distribuição geográfica dos equipamentos culturais e o transporte fácil e seguro para que todos, da periferia, do centro, dos subúrbios, possam chegar facilmente e com segurança aos locais onde os eventos culturais acontecem; o acesso econômico diz respeito aos custos de participar da vida cultural da cidade ou de uma comunidade, custos esses que precisam ser subvencionados tanto para que a criação quanto o consumo sejam possíveis para todos os membros da população; e o acesso intelectual, ou seja, a compreensão das linguagens da arte, da história e do contexto social em que a cultura é criada. O acesso intelectual propicia uma compreensão mais profunda de um produto cultural e pressupõe dois trabalhos: o de formação de público e o de formação de agentes culturais.

6 de janeiro de 2018

TEMAS DE REDAÇÃO CONCURSO DA POLÍCIA CIVIL


1.Texto da Prova: O utilitarismo, iniciado por Jeremy Bentham, concentra-se na felicidade individual como a melhor forma de avaliar o grau de desenvolvimento humano. Outra abordagem avalia tal desenvolvimento de acordo com a renda, a riqueza e os recursos dos indivíduos. Essas alternativas ilustram o contraste entre as abordagens baseadas na utilidade e nos recursos, em contraste com a abordagem das capacidades baseada na liberdade.
Comando da Redação: A partir do que se afirma acima, desenvolva um texto dissertativo-argumentativo sobre a relação entre Felicidade e Recursos Materiais.
2. Texto da Prova: Segundo afirmou o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, “as grandes empresas adoram a noção de que o ser humano vai se tornar obsoleto. É a terceira onda do capitalismo, em que o valor do trabalho humano é zero. Porém, o cérebro humano não pode ser reduzido a um algoritmo, portanto não pode ser copiado por um computador. Jogar xadrez é um algoritmo. Já apreciar Bach… Então, por definição, não se pode repetir o cérebro. Não há como recapitular, num computador, a história coletiva da espécie e a história individual de cada um de nós. É uma impossibilidade matemática”. 
Comando da Redação: Considerando o que se afirma acima, redija um texto dissertativo-argumentativo, justificando seu ponto de vista.
3. Texto da Prova: Quando se trata da obrigatoriedade do voto, a discussão que se impõe, para alguns, é aquela sobre a qualidade do voto, mais do que sobre a sua obrigatoriedade. A questão primordial seria a de garantir a efetiva participação do cidadão no processo democrático. Outros afirmam que se deve facultar às pessoas o direito de participar ou não desse processo.
Comando da Redação: Considerando o que se afirma acima, redija um texto dissertativo-argumentativo justificando amplamente seu ponto de vista.
4. Texto da Prova: Em capítulo “Os atos do Estado” (em Sobre o estado: cursos no Collège de France (1989-92)), o sociólogo francês Pierre Bourdieu refere que analisou a diferença entre um julgamento feito por uma pessoa autorizada e um julgamento privado. Essa temática sugere reflexões relacionadas, por exemplo, a: quem representa o poder central?; quem vigiará os vigilantes legitimados pelo Estado?; que efeitos os diferentes julgamentos provocam no mundo social?
Comando da Redação: Redija uma dissertação expondo, de modo claro e coerente, seu ponto de vista sobre o tema. Seus argumentos – contemplando ou não as reflexões acima, ou, ainda, ampliando-as -, devem ser tratados de maneira a dar consistência a seu texto.
5.Texto da Prova: Atente para o texto seguinte: Não é de hoje que se pergunta se a existência do museu ainda faz sentido, por mais que os antigos e tradicionais museus continuem atraindo um bom público, ao passo que novos espaços não deixam de ser construídos. Contudo, à medida que a própria arte se modifica, com os quadros tradicionais cada vez mais dando lugar a instalações, a performances e aos grafites, parece crescer o número daqueles para quem, segundo Hal Foster, no artigo “Museus sem fim” (revista Piauí, edição 105, Junho/2015), “a contemplação estética é tediosa, a compreensão histórica é elitista e, mais do que isso, o museu é um lugar morto, um mausoléu”. Foster discorda: “Quando bem projetados e dotados de programação inteligente, os museus admitem tanto entretenimento quanto contemplação, e nesse processo promovem também alguma compreensão.” Assim, em lugar de propor que os museus permaneçam intocados, o que o historiador e crítico norte-americano propõe é torná-los capazes de nos transportar “para diferentes períodos e culturas – para diversos modos de perceber, pensar, representar e ser -, a fim de que possamos testá-los em relação a nossas próprias época e cultura, e vice-versa, e, nesse processo, quem sabe transformarmo-nos um pouco.”
Comando da Redação: Escreva um texto dissertativo-argumentativo posicionando-se em relação às diferentes ideias expostas no texto acima
6.Texto da Prova: O direito à cidade não pode ser concebido como um simples direito de visita ou de retorno; só pode ser formulado como direito à vida urbana. Entende-se por gentrificação (do inglês gentrification, “tornar nobre”) o fenômeno que afeta uma região ou bairro pela alteração das dinâmicas da composição do local, tais como novos pontos comerciais ou construção de novos edifícios, valorizando a região e afetando a população de baixa renda local. Tal valorização é seguida de um aumento de custos de bens e serviços, dificultando a permanência de antigos moradores de renda insuficiente para sua manutenção no local cuja realidade foi alterada. 
Comando da Redação: A partir dos excertos acima, elabore um texto dissertativo-argumentativo sobre o seguinte tema: Direito à cidade.
7.Texto da Prova: Epicuro havia percebido que as leis não educam: que não eram feitas para serem propriamente obedecidas, mas para garantir, sobretudo, a possibilidade de punição. Ele se deu conta, por um lado, de que a educação e as necessidades básicas do ser humano deveriam ser gerenciadas pela pólis (Estado); por outro lado, viu que era preciso, de algum modo, isolar para educar, porém, sem reclusão, porque a virtude do caráter político não se reduz, afinal, a um modelo ou teoria, tampouco ao recinto de uma instituição ou de uma pólis. 
Comando da Redação: Com base no excerto acima, escreva uma dissertação justificando amplamente seu ponto de vista.
8.Texto da Prova: I – Em uma sociedade em que o sucesso ou o fracasso do indivíduo em acirrada competição configura-se como seu supremo objetivo, o exercício de seus deveres e responsabilidades como cidadão é considerado como perda de tempo e energia. II – Para o pensador Richard Sennett, passamos a viver numa sociedade ensimesmada, voltada para dentro de si mesma, guiada pelo código do narcisismo. Nessa sociedade, o mundo público só despertaria a nossa atenção se pudesse oferecer alguma gratificação pessoal. Como isso não é possível, então ele se torna desagradável e tedioso. Por essa razão, na tentativa de descobrir aquilo que uma pessoa ou acontecimento significa para o “eu”, passa-se a dar muito mais importância à vida particular do que à vida pública. Esse comportamento, transposto para o campo político, faz com que o eleitor esteja muito mais interessado na vida privada do político do que na sua ideologia, seus programas e suas propostas de governo. Esse é o resultado do que Sennett chama de superposição do imaginário privado ao imaginário público. III – A vida política não depende somente das instituições, mas também pode residir na indignação e na discordância dos cidadãos. 
Comando da Redação: Considerando o que se afirma em I, II e III, redija um texto dissertativo-argumentativo justificando amplamente seu ponto de vista. Fontes para um manual de humanidade.
9.Texto da Prova: Atente para os textos seguintes: Texto I – Poucas áreas do conhecimento humano tiveram nas últimas décadas desenvolvimento tão extraordinário como a Medicina. A pergunta que se pode fazer é em que medida esse avanço tem resultado na melhoria efetiva da qualidade de vida das pessoas. Se de fato algumas das conquistas médicas representaram aumento da longevidade humana, muitas vezes não consideraram o bem-estar com que os anos a mais de vida seriam vividos. Outro aspecto condenável é a exagerada especialização e a concentração em certas áreas em detrimento de áreas mais importantes para a saúde de todos, mas menos rentáveis. Texto II – A Medicina trouxe nos últimos anos benefícios ao conjunto da humanidade que não podem ser negados ou mesmo relativizados. Vivemos hoje mais e melhor do que no passado, e a tendência, considerando-se os avanços de todas as áreas médicas, é a melhoria gradativa e ininterrupta da saúde e do bem-estar de todos. A especialização, muitas vezes criticada, é o que tem permitido a dedicação integral do médico a um ramo passível de ser integralmente conhecido e desenvolvido.
Comando da Redação: A partir da consideração dessas duas posições divergentes, redija um texto dissertativo-argumentativo discutindo-as e posicionando-se em relação à questão de que tratam.
10.Texto da Prova: O capital é um processo de reprodução da vida social por meio da reprodução de mercadorias, em que todas as pessoas do mundo capitalista avançado estão profundamente implicadas. O processo mascara e fetichiza, alcança crescimento mediante a destruição criativa, cria novos desejos e necessidades, transforma espaços e acelera o ritmo da vida. Ele gera problemas para os quais há apenas um número limitado de slouções.
Comando da Redação: Com base no que se afirma acima, elabore um texto dissertativo-argumentativo justificando amplamente seu ponto de vista.
Texto da Prova: Mapa-Múndi – A facilidade de comunicações acabou com esses tanques em que floresciam as diferentes culturas. Quando antes se olhava o mapa-múndi e via-se cada país de um colorido diferente, podia-se tomar isso ao pé da letra. É verdade que o mundo continuou a ser uma colcha de retalhos; mas são todos da mesma  cultura.
Comando da Redação: A partir das reflexões de Mário Quintana, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o seguinte tema: A revitalização das culturas tradicionais e a promoção do respeito à diversidade cultura Globalização torna mais visíveis conflitos étnicos ao redor do mund
12Texto da Prova: I – O termo latino “ars” (arte) implica o sentido de “imaginar, inventar”, além do de “acomodar, adaptar”. Arte e ofício manual coincidem em que ambos produzem uma obra sensorialmente perceptível. Contudo, o ofício manual tem em mira o utilizável, o proveitoso, ao passo que a arte se aplica ao belo. O artista é um vidente, é um criador capaz de expressar na obra sua própria visão: intuir e criar são nele uma só coisa. (BRUGGER, Walter. Dicionário de filosofia. São Paulo: Herder, 2. ed, 1969, p. 58) II – O que me parece muito sério é que, depois de mortos, quando já deixaram de ser amáveis ou irritáveis, simpáticos, ou antipáticos, e apenas são o que realizaram menos em si do que fora de si, na paisagem do espírito, os artistas se afirmam totalmente, purificados e indestrutíveis. A morte não tem nada com os artistas. Eles não são essas pessoas que vemos. São como seres sobrenaturais … Mas o seu trabalho? Como pode morrer o que é imortal? (MEIRELES, Cecília. O que se diz e o que se entende. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980, p. 145) III – Houve época em que se fazia “arte pela arte”, como também já se entendeu a arte como meio para se alcançar certo objetivo, e não como um fim em si mesma.
Comando da Redação: Com base nos excertos transcritos, redija um texto dissertativo-argumentativo, posicionando-se a respeito da seguinte proposta: A criação artística entre representação e intervenção cultural Carreira guiada pela  arte.
13.Texto da Prova: I – Grande parte da população abdica das mais diversas ocupações para ver televisão, considerando legítima sua inatividade como espectador. II – Ver televisão hoje é um modo de se emocionar imediatamente numa sociedade que perdeu de vista o cuidado com sua própria sensibilidade, em função da avalanche de imagens que invade o cotidiano. III – É possível que pensar na própria vida seja equivalente ao desejo de devassar a vida alheia através dos programas televisivos.
Comando da Redação: Considerando o que se afirma acima, redija um texto dissertativo-argumentativo justificando amplamente seu ponto de vista.
14 
Texto da Prova: A taxa de reincidência de prisioneiros libertados nos Estados Unidos é de 60%; na Inglaterra, de 50%; na Noruega, de 20%. A prisão de Halden foi projetada para incorporar a ideia que os noruegueses têm de execução penal: a pena é a privação da liberdade, não o tratamento cruel. O objetivo é a reabilitação, não a vingança. “Fundamentalmente, acreditamos que a reabilitação do prisioneiro deve começar no dia em que ele chega à prisão”, afirma a ministra júnior da Justiça da Noruega, Kristin Bergersen: “a reabilitação do preso é do maior interesse público, em termos de segurança.
Comando da Redação: Considerando o que se afirma acima, redija um texto dissertativo-argumentativo a respeito do tema: Sistema prisional e ressocialização do preso.
15 – Administrador de Banco de Dados da Defensoria Pública de São Paulo de 2015
Texto da Prova: Tudo se reduz à questão de que há dois valores igualmente indispensáveis para uma vida humana digna: liberdade e segurança. Não se pode ter um sem que se tenha o outro. Esse é o meu ponto; mas infelizmente, na prática, eles são normalmente apresentados como tendo propósitos opostos, como sendo necessário sacrificar a segurança sob o argumento de que, quanto maior ela for, menos livre se é.
Comando da Redação: Considerando as afirmações acima, redija um texto dissertativo-argumentativo, expondo amplamente o seu ponto de vista.