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28 de maio de 2017

MENAS????????




Quando se fala em concordância nominal, algumas situações causam dúvidas frequentemente. A palavra MENOS é uma delas. Vamos nos debruçar um pouco sobre o caso.
É bastante comum ouvirmos a expressão que ‘quase’ empreguei no título, “menos preguiça”. Isso talvez ocorra por causa da regra geral de concordância nominal, que preconiza que os nomes devem concordar (substantivos, adjetivos, numerais, artigos e pronomes) em gênero e número.
A palavra menos tem sua origem na palavra latina minus. Em português pode ser um advérbio, um pronome indefinido, um substantivo comum masculino ou uma preposição. Ela aparece correntemente também diversas expressões, com uma significação abrangente, como em: a menos de, a menos que, mais ou menos, pelo menos, quando menos, sem mais nem menos, entre outras.
Ela, porém, foge dessa regra de concordância por alguns motivos. Quando empregada dando a noção de intensidade, ela é advérbio, e, por essa razão, é invariável:
  • Estudamos menos do que o necessário. (advérbio de intensidade que modifica o verbo estudamos)
Para fazer referência a algo em menor número, em menor quantidade, numa posição inferior, ela funciona como pronome indefinido. Então deveria fazer concordância, certo? Não! Nesse caso também uma palavra uniforme e invariável, ou seja, não há flexão da mesma em gênero (masculino e feminino) e em número (singular e plural). Não existe desinência nominal de gênero, por isso não existe o que alterar! O emprego adequado será, então, menos provas, menos livros, menos cadeiras.
Confusão semelhante acontece com a palavra meio. Essa palavra pode ter as duas flexões (gênero e número) ou não. Como assim? Bem, meio pode ser numeral (equivalente a “metade”) e, nesse caso, seguirá a regra geral de concordância nominal: com um substantivo feminino, teremos as formas meia/meias:
  • Sobraram duas meias pizzas ontem, meia de calabresa e meia de muçarela.
E com um substantivo masculino, teremos meio/meios:
  • Sobraram dois meios bolos: meio de chocolate e meio de laranja.
Já no caso de meio funcionando como advérbio (com sentido de intensidade, igual a “um pouco”), como as demais palavras dessa classe, ele será invariável:
  • As alunas estão meio cansadas, mas depois do fim de semana estarão bem.
Espero que tenham MENOS dúvidas a partir de agora.

TEMAS DE REDAÇÃO SEM TEXTO DE APOIO

1. QUAL SUA POSIÇÃO SOBRE A EUTANÁSIA?
OPINE EM UM TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO DE 25 A 30 LINHAS DENTRO DOS PADRÕES JÁ EXPOSTOS NESTE BLOG.

2. O SISTEMA CARCERÁRIO BRASILEIRO  TEM SIDO UMA ESCOLA QUE PREPARA PARA O CRIME, PARA A COMPLETA DESTRUIÇÃO DO SER HUMANO. QUAIS ALTERNATIVAS, VIÁVEIS, A FIM DE MUDAR ESSE PERFIL?
OPINE EM 25 A 30 LINHAS SOBRE A  AFIRMATIVA.
3. A ARTE URBANA TEM CONTRIBUÍDO A FIM DE TORNAR AS CIDADES MAIS ALEGRES. PORÉM HÁ OS QUE JULGAM ISSO COMO UMA AGRESSÃO AO QUE É PÚBLICO. 
OPINE EM 25 A 30 LINHAS  DENTRO DE UM TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO.
4.  QUAL SEU POSICIONAMENTO SOBRE A DITADURA MILITAR?
TEXTO DISSERTATIVO - 25 A 30 LINHAS
5. Microcefalia é nome que se dá quando a cabeça de uma pessoa apresenta tamanho menor do que o esperado para a idade. Pode resultar de problemas ocorridos no nascimento ou no transcorrer dos dois primeiros anos de vida (problemas que impeçam o crescimento normal do sistema nervoso central), ou ainda resultar de processos intra-uterinos e ser congênita (que é quando o bebê já nasce com a cabeça pequena). 
QUAIS OS PROBLEMAS QUE ENFRENTARÃO OS PAIS, O GOVERNO QUANTO A ISSO? ALTERNATIVAS POSSÍVEIS PARA REFREAR A MICROCEFALIA?
TEXTO DISSERTATIVO ARGUMENTATIVO.
TODOS ESSES TEMAS FORAM TRABALHOS DE PESQUISA E DISCUTIDOS EM AULA, PORTANTO MÃOS À OBRA.

Enem 2017: Inscritos Com Isenção Negada Podem Recorrer




Passado o prazo para pagamento da taxa de inscrição do Enem 2017, o Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – informou que os candidatos que tiveram seu pedido de isenção (no valor de R$ 82) negado e não pagaram o boleto poderão recorrer até 25 de junho.
Antes de mostrar como fazê-lo, vale esclarecer, conforme reforçou o próprio Inep, que o recurso é válido somente para os que se enquadram especificamente na seguinte situação:
[…] tinham direito ao benefício, solicitaram a isenção, mas se equivocaram ao escolher o ato legal – se a Lei 12.799/2013 ou o Decreto 6.135/2007 – que embasa sua situação socioeconômica e, como consequência, tiveram a Guia de Recolhimento da União (GRU) gerada.
Portanto, o benefício não será válido para aqueles participantes que tiveram o boleto gerado automaticamente e efetuaram o pagamento dentro do período, que venceu na última quarta-feira (24).
A possibilidade de revisão do pedido de isenção da inscrição do Enem 2017 foi anunciada na quinta-feira (25), após reclamações de candidatos que escolheram a opção de errada de declaração de carência. Tal medida foi resultado de um acordo entre o Inep e o Ministério Público Federal (MPF).
O instituto ainda fez questão de explicar que as regras para obter a isenção da inscrição do exame nacional continuam as mesmas (veja aqui) e que as únicas mudanças foram a inclusão do cruzamento de alguns dados – com a base do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e do Censo Escolar – e o fim da concessão de gratuidade apenas por autodeclaração.

Como Pedira a Revisão e Quais Documentos São Aceitos?

Quem se enquadrar na situação descrita acima deverá enviar, até às 12h de 25 de junho, os documentos comprobatórios anexados no e-mail isencaoenem@inep.gov.br. Atenção! Conforme orientações do Inep, o título da mensagem enviada deverá ser “Recurso Administrativo – Isenção da Taxa de Inscrição do Enem 2017” e já no início do texto o participante deve informar nome completo, o CPF e o número de inscrição do participante; bem como o nome completo e o CPF da mãe. A falta de qualquer um destes dados implicará na rejeição no recurso.
Quanto aos documentos, devem ser legíveis e em formato .pdf ou .jpg, sendo que o candidato terá que informar qual das opções de isenção pretende solicitar. Confira a documentação aceita em cada caso, conforme descrito a seguir.

Lei nº 12.799 – Isenção em Processos Seletivos de Instituições Federais de Ensino Superior

Os candidatos devem encaminhar, cumulativamente, os seguintes documentos:
  1. Renda familiar mensal máxima de 1,5 salário mínimo (R$ 1.405,50) por pessoa – declaração do Imposto de Renda do exercício de 2017 ou Declaração fornecida pelo empregador;
  2. Ensino Médio completo em escola pública ou particular como bolsista integral – histórico escolar do Ensino Médio com assinatura e carimbo da escola. Já os bolsistas devem enviar declaração da escola que comprove a condição de bolsista integral.

Decreto nº 6.135 – Inscritos no Cadastro Único do Governo Federal (CadÚnico)

  • Renda familiar mensal máxima de meio salário mínimo por pessoa (R$ 468,50) ou renda familiar total mensal de até três salários mínimos (R$ 2.811,00) – cópia do cartão ou documento que contenha o Número de Identificação Social (NIS) vinculado a inscrição no CadÚnico

26 de maio de 2017

UMA LEITURA, UMA REFLEXÃO!

A adesão de professores à greve de sexta-feira (28/04/2017) em oposição às reformas propostas pelo governo Temer causou barulho. Muitos pais cujos filhos estudam em escolas privadas se sentiram incomodados pela perda de um dia de aula. Um dos argumentos contrários mais mencionados por eles é o fato de que os docentes desses estabelecimentos têm remuneração melhor que a recebida por seus pares do setor público e, portanto, não deveriam parar. Do lado dos professores, uma das principais queixas é que serão prejudicados pela reforma da Previdência.
O projeto original previa a equiparação das regras de aposentadoria para todos os trabalhadores, o que levaria a uma mudança significativa no regime mais benéfico dos docentes, que, de forma geral, conseguem se aposentar cinco anos mais cedo.
Desde então — e antes da greve —, o governo cedeu. Se o relatório em debate hoje for aprovado como está, os professores mantêm um regime especial, mas com regras um pouco mais duras que as atuais.
A queda de braços entre os grupos com benefícios especiais mais afetados pelas reformas e o governo, as paralisações, a revolta dos pais e os choques de ideias são desdobramentos esperados no jogo democrático. Mas será uma pena se não aproveitarmos essa oportunidade para debater uma importante questão de fundo: por que, afinal, os professores brasileiros têm o direito de se aposentar mais cedo do que trabalhadores de outras categorias? A resposta dos docentes é, geralmente, que recebem salários mais baixos embora trabalhem em situações mais adversas do que os demais profissionais.
Esses argumentos têm fundamentos em dados da realidade. Segundo o movimento "Todos pela Educação", a remuneração dos professores com ensino superior equivale a pouco mais da metade da média recebida pelos profissionais com essa escolaridade. O alto nível de estresse envolvido no exercício do magistério — que inclui casos de violência por parte dos alunos — ajuda a compor o cenário complicado da profissão.
O problema é que inúmeras nuances no mercado de trabalho fazem com que seja difícil avaliar essas condições piores em termos absolutos, que justificariam uma aposentadoria especial para essa categoria, e não para outras.
Há, por exemplo, diferenças de salários percebidas entre os próprios docentes. Os de escolas privadas têm remuneração normalmente maior e atuam em contextos menos estressantes. Existem outras categorias pouco valorizadas, assim como outras profissões cujo exercício envolve condições precárias de trabalho. Isso dificulta qualquer análise sobre onde colocar a régua que separaria os que merecem e os que não merecem condições especiais de aposentadoria, se o principal critério para isso for justiça social.
Resta, no entanto, outro argumento sobre o benefício no caso do magistério que tem bastante apelo: ele ajudaria a manter alguma atratividade para essa profissão tão crucial para o desenvolvimento de qualquer nação.
O problema é que, se isso for uma possibilidade de fato, não parece estar funcionando no caso do Brasil, onde o desinteresse pela carreira docente é galopante.
Como já mostrado nesta coluna, os jovens brasileiros não têm interesse pelo magistério e aqueles que o acabam elegendo são os de pior desempenho escolar.
Talvez isso ocorra porque fatores que desvalorizam a profissão têm peso muito maior do que benefícios como aposentadoria especial e férias mais longas. Discutir e implementar medidas que tornem o magistério, de fato, mais atraente é, portanto, necessário.
A experiência de países bem-sucedidos indica que isso passa pela adoção de salários decentes e planos de carreira (com a criação de cargos que permitam que os melhores profissionais se destaquem), assim como pela oferta de cursos de formação práticos e interessantes.
No Brasil, assumimos metas para melhorar a remuneração dos professores e adotar planos de carreira no magistério, mas não temos nem mesmo critérios e indicadores bem definidos para acompanhar a evolução de ambos; e nossos cursos de formação de professores permanecem extremamente teóricos.
Se alguém acha que esses são temas menos urgentes que o da sustentabilidade do nosso sistema previdenciário, está redondamente enganado. Sem educação de qualidade não há possibilidade de desenvolvimento econômico.

UM TEXTO PARA REFLEXÃO, DISCUSSÃO

As notícias sobre o jogo da Baleia Azul provocaram diferentes reações na sociedade. Primeiramente, elas colocaram na ordem do dia as reflexões e os debates a respeito do suicídio. Sabemos que o índice de suicídio vem crescendo no mundo todo, em todas as faixas etárias, em especial entre os jovens e adolescentes.
O Brasil segue essa tendência global, e o tema costuma ser tratado como tabu, ou melhor, não costuma ser tratado. A polêmica em torno da "Baleia Azul", portanto, provocou pelo menos uma consequência produtiva. Falar sobre o suicídio, um assunto tão inquietante e espinhoso, é bem melhor do que silenciar.
São diversas as razões que nos levam a evitar conversas a respeito desse tema, mas a principal delas é o receio de colocar o suicídio em evidência para os jovens e, sem querer, apresentar essa possibilidade como uma saída para quem vive um problema –ou vários. Entretanto, o silêncio é ainda pior: é como se negássemos a existência dessa possibilidade, em vez de enfrentá-la.
Pois bem: logo após o primeiro impacto da Baleia Azul, que afetou famílias com filhos adolescentes, mudamos o jogo. Na internet, bem como nas rodas de amigos e conhecidos –presenciais e virtuais–, piadas e caricaturas do jogo começaram a mostrar uma outra face de nossas posições em relação aos mais jovens.
Primeiramente, um chinelo de dedo com a tira azul substituiu a baleia e se propagou rapidamente pela internet, sugerindo que o que os adolescentes que se aproximam de jogos perigosos precisam mesmo é de castigo para aprender a viver.
Logo após esse "meme", surgiu um outro que, no lugar da baleia, mostra uma carteira de trabalho com o texto "É dessa baleia azul que os adolescentes precisam". Curioso como a ideia de trabalho se aproxima à de castigo, não é?
Esses exemplos mostram o nosso despreparo para lidar com os adolescentes. Nós, que passamos a adolescência em um mundo com características diferentes do atual, ainda achamos que eles devem ser tratados como fomos –ou como imaginamos que fomos.
A maioria dos adultos não se lembra das angústias e inquietações que viveu nessa fase da vida e, por isso, trata com um certo desdém o sofrimento dos jovens.
Vamos relembrar: os adolescentes, no presente, sofrem uma pressão desmedida para que tenham sucesso escolar e pessoal, além de boa aparência, segundo determinados modelos; para que sejam populares; para que participem de determinados grupos sociais, e para que sejam felizes, muito felizes, porque damos"tudo o que  não tivemos" a eles! E isso tudo é somado às inquietações de quem vive um momento de crise. Crescer dói, é preciso que lembremos sempre disso!
O que nossos jovens e adolescentes querem e precisam – e que pouco temos ofertado– é a nossa presença verdadeiramente interessada na vida deles.
Precisamos desenvolver empatia e compaixão pelos adolescentes: tentar trazer para nós o lugar que eles ocupam nesta época da vida para nos aproximarmos deles com intimidade, sem, porém, invadir sua privacidade; para dialogar sem moralismos; ouvir com atenção e interesse o que dizem abertamente e aprender a ler o que dizem nas entrelinhas.
"Conte comigo sempre." É essa a mensagem que cada jovem e adolescente precisa ouvir dos adultos, principalmente dos pais e professores.

UMA REFLEXÃO

                                    A crueldade dos jovens
      Conheci uma mulher cujo filho de 14 anos queria um par de tênis de marca. Separada, ganhava pouquíssimo como vendedora. Dia e noite o garoto a atormentava com a exigência. Acrescentou mais horas à sua carga horária para comprar os tênis. Exausta, ela presenteou o filho. Ganhou um beijo e outro pedido: agora ele queria uma camiseta “da hora”. E dali a alguns dias a mãe estava abrindo um crediário! Já conheci um número incrível de adolescentes que estabelecem um verdadeiro cerco em torno dos pais para conquistar algum objeto de consumo. Uma garota quase enlouqueceu a mãe por causa de um celular cor-de-rosa. Um rapaz queria um MP3. Novidades são lançadas a cada dia e os pedidos renascem com a mesma velocidade. Pais e mães com frequência não conseguem resistir. Em parte, por desejarem contemplar o sorriso no rosto dos filhos.
      Uma Senhora sempre diz:
   – Quero que minha menina tenha o que eu não tive. Pode ser. Mas isso não significa satisfazer todas as vontades! Muita gente é praticamente chantageada pelos filhos. A crueldade de um adolescente pode ser tremenda quando se trata de conseguir alguma coisa. Uma vez ouvi uma jovem gritar para o pai:
   – Você é um fracassado!
      Já conheci uma garota cujo pai se endividou porque ela insistiu em ir à Disney. Os juros rolaram e, dois anos depois, ele vendeu a casa para comprar outra menor e quitar o empréstimo. Outro economizou centavos porque a menina quis fazer plástica. Conselhos não adiantaram:
    – Você é muito nova para colocar implante de silicone.
Ficava uma fúria. Queria ser atriz e, segundo afirmava, não teria chance alguma sem a intervenção. (Não conseguiu. Hoje trabalha como vendedora em uma loja.)
      Procedimentos estéticos, como clareamento de dentes, spas e, claro, plásticas, são muito pedidos, ao lado de roupas de grife, excursões, joias, celulares e todo tipo de eletrônico. É óbvio que o jovem tem o direito de pedir. O que me assusta é a absoluta falta de freio, a insistência e a total incompreensão diante das dificuldades financeiras da família. Recentemente, assisti a uma situação muito difícil. Mãe solteira, uma doméstica conseguiu juntar, ao longo dos anos, o suficiente para comprar uma quitinete no centro de São Paulo.
   – Vou sair do aluguel! – Comemorou.
A filha, 16 anos, no ensino médio, recusou-se:
- Quero um quarto só para mim!
Não houve quem a convencesse. A mãe não conseguiu enfrentar a situação. Continuam no aluguel. O valor dos apartamentos subiu e agora o que ela tem não é o suficiente para comprar mais nada. Muitas vezes, os filhos da classe média estudam em colégio particular ao lado de herdeiros de grandes fortunas. Passam a desejar os relógios, as roupas, o modo de vida dos amigos milionários.
- De repente a minha filha quer tudo o que os coleguinhas têm! Até bolsa de grife.
Uma coisa é certa: algumas equiparações são impossíveis. A única solução é a sinceridade. E deixar claro que ninguém é melhor por ter mais grana, o celular de último tipo, o último lançamento no mundo da informática. Pode ser doloroso no início. Também é importante não criar uma pessoa invejosa, que sofre por não ter o que os outros têm. Mas uma família pode se desestabilizar quando os pais se tornam reféns do pequeno tirano. A única saída para certas situações é o afeto. E, quando o adolescente está se transformando em uma fera, talvez seja a hora de mostrar que nenhum objeto de consumo substitui uma conversa olho no olho e um abraço amoroso.

USO DOS PRONOMES DEMONSTRATIVOS, GURIZADA!!!



Os pronomes demonstrativos trazem bastante dificuldade ao usuário da Língua Portuguesa, principalmente este, esta, isto, esse, essa, isso, em virtude da semelhança existente entre eles. A intenção no texto de hoje é, portanto, auxiliar aqueles que se utilizam da Língua diariamente, seja no trabalho, nos estudos, ou mesmo na fala cotidiana mais esmerada.
O estudo dos pronomes demonstrativos é bem fácil. Há, porém, a necessidade de memorizar algumas regrinhas básicas. Ei-las:

ESTE, ESTA, ISTO:

Usam-se os pronomes este, esta e isto nas seguintes circunstâncias:

1- Para representar o que esteja próximo da pessoa que fala, ou seja, para representar tudo o que esteja “aqui”:


- Esta camisa que estou usando, comprei-a em São Paulo.
- Moro nesta casa há exatos vinte anos.

2- Para representar o tempo presente, ou seja, para representar tudo o que ocorra “agora”:


- Neste ano, o Santos foi campeão de todos os torneios de que participou.
- Séc. XXI: este é o século da onda tecnológica.

3- Para, num texto, apresentar um termo ainda desconhecido do leitor:


- Preste atenção nestas palavras: seja honesto!
- Pense nisto: o mais importante é agir com bondade.

4- Para, num texto, retomar o elemento imediatamente anterior:


- Em algumas civilizações, quando dois homens lutavam entre si e um deles era derrotado, poderia ser morto pelo vencedor; este, porém, muitas vezes poupava a vida do inimigo. (O substantivo vencedor é o elemento imediatamente anterior ao pronome demonstrativo, por isso o uso de este.)


ESSE, ESSA, ISSO:

Usam-se os pronomes esse, essa isso nas seguintes circunstâncias:

1- Para representar o que está próximo da pessoa com quem se fala ():


- Essa camisa que você está usando é a que comprou em São Paulo?
- Que cara é essa? Ânimo!

2- Para o tempo passado recente e para o futuro:


- Esses dias, fui conhecer o novo mercado da cidade.
- Qualquer dia desses, procurarei você para conversar.

3- Para, num texto, retomar um termo já apresentado (exceto o elemento imediatamente anterior) ou uma frase já apresentada:


- Seja honesto! – Siga sempre essas palavras.
- O mais importante é agir com bondade. Pense nisso.

AQUELE, AQUELA, AQUILO:

Usam-se os pronomes aquele, aquela aquilo nas seguintes circunstâncias:

1- Para representar o que está distante da pessoa que fala e da pessoa com quem se fala (ali, lá, acolá):


- Aquela camisa que está na vitrine é maravilhosa.
- Vá até o carro e pegue aquela jaqueta que comprei.

2- Para o tempo passado distante:


- Fui um adolescente feliz. Naquela época não havia preocupações.
- O texto sobre variação linguística foi escrito em 2009. Aliás, aquele foi um dos primeiros textos que publiquei nesta coluna.

3- Para, num texto, retomar o primeiro elemento de uma enumeração:


- Em algumas civilizações, quando dois homens lutavam entre si e um deles era derrotado, poderia ser morto pelo vencedor; aquele, porém, se pedisse misericórdia e se transformasse em escravo deste, teria de ser poupado. (Há enumeração de dois elementos: o homem derrotado e o homem vencedor. O derrotado é o primeiro elemento da enumeração, por isso o uso de aquele. Já o vencedor, o segundo elemento da enumeração, é também o elemento imediatamente anterior; por isso o uso de deste = de + este).


O, A, OS, AS:

Serão pronomes demonstrativos quando substituírem outros pronomes demonstrativos:


- O que me encanta nela são os olhos = aquilo que me encanta...
- Pense no que o padre falou = pense naquilo que o padre falou.

  
TAL, TAIS:

Serão pronomes demonstrativos quando substituírem outros pronomes demonstrativos:


- “Falei-lhe e não me respondeu; não me incomodei com isso, nem por tal esfriou minha paixão” = nem por isso...


Talvez, a regra mais complexa seja a que trata do tempo. Para o uso adequado, deve-se analisar qual o tempo exato a que se refere o texto. Por exemplo, imagine que marcaremos uma reunião para depois de amanhã, sexta-feira. Se, no texto, for usado o substantivo “sexta-feira”, o pronome que o representará será essa, pois depois de amanhã representa o futuro em relação a hoje:


- Na reunião dessa sexta-feira trataremos de...

Já, se for usado o substantivo “semana”, o pronome que o representará será esta, pois a semana em que sexta-feira – depois de amanhã – se situa é a mesma de quarta-feira – hoje; por isso o uso do pronome que representa o presente:


- Na reunião desta semana trataremos de..

AMO A LÍNGUA PORTUGUESA


Há algumas semanas, tomei coragem e iniciei a leitura do livro D. Quixote, cujo título original é “O engenhoso fidalgo D. Quixote de La Mancha”, de Miguel de Cervantes Saavedra, escrito no início do século XVII.

O livro que tenho foi editado pela Editora Nova Aguilar em papel-bíblia, com letras pequeníssimas, e, mesmo assim, conta com novecentas e noventa e uma páginas, das quais já li duzentas e cinquenta. A coragem a que me refiro não é só pela extensão da obra, mas pela linguagem usada, bastante apurada e, em diversos trechos, de difícil compreensão. Bem diferente da que encontramos nos romances modernos, nos quais o que mais importa é a história, o enredo em si. Os clássicos – e D. Quixote é um clássico – não. Esses, além de se preocuparem com o enredo, preocupam-se, e muito, com o esmero da linguagem.

Se as escolas se ocupassem com a leitura dos livros clássicos, a cultura dos brasileiros seria mais requintada e haveria mais facilidade de compreensão e de produção de textos, os grandes verdugos dos estudantes em geral desde a mais tenra infância até as salas de pós-doutorado.

O brasileiro não gosta de ler, dizem. O brasileiro não sabe escrever adequadamente, dizem também. O problema, acredito, está exatamente na falta de treinamento com textos bem escritos. A prática leva à perfeição; quanto mais se lerem os clássicos, mais se habituará ao refinamento da linguagem. Quem lê bastante, pensa bem; quem pensa bem, se comunica melhor e não estranha frases como a seguinte, retirada de D. Quixote:

- “Escreva-a Vossa Mercê duas ou três vezes aí no livro, e dê-mo, que eu o levarei bem guardado”.

Nem o Word entendeu o que escrevi; há um grifo vermelho sob o trecho “dê-mo”, o que significa que para o Word a frase está errada, mas está adequada ao Português padrão. Vamos à explicação?

A expressão “dê-mo” é a junção do verbo “dar” no imperativo afirmativo (ordem, pedido ou conselho – para a terceira pessoa – Vossa Mercê, “antigo tratamento dado a pessoa de cerimônia, contraído em vossemecê, vosmecê, você, etc.”, segundo o dicionário Aurélio) com os pronomes “me” e “o”: “mo”; “dê-mo” é a forma adequada ao Português padrão, mas, com a falta de cultura que assola o Brasil, hoje se ouvem as formas inadequadas “dê-me ele”, “dá-me ele” ou ainda “me dê ele”, “me dá ele”. Os pronomes “ele, ela, eles, elas”, porém, só podem ser usados como sujeito ou antecedidos de preposição (de, a, em, por...). Quando não exercerem a função de sujeito nem estiverem antecedidos de preposição, e exercerem a função de objeto direto, o complemento de um verbo que não exige preposição, chamado de verbo transitivo direto, devem ser substituídos por “o, a, os, as”. Sancho, o escudeiro de D. Quixote disse a ele que lhe desse o livro. É inadequado dizer “dê-me ele”, como já vimos. No lugar de “ele”, deve-se usar “o”; e, quando se juntar “me, te, lhe, nos, vos, lhes” com “o, a, os, as”, ocorrerá a contração “mo, to, lho, no-lo, vo-lo, lho; ma, ta, lha, no-la, vo-la, lha, etc.” Por isso a forma “dê-mo”.

Observe mais esta frase:

- “Purgatório o chamas tu, Sancho? Inferno lhe puderas tu chamar mais apropriadamente, ou coisa ainda pior, se a há.”

Observe que Cervantes usou o pronome “a” ligado ao verbo “haver”. Este verbo não tem sujeito, pois significa “existir”, e é transitivo direto, por isso seu complemento não pode ser representado por “ele, ela, eles, elas”, e sim por “o, a, os, as”. É inadequada, então, a frase “Ela há”. Se for usado o verbo “existir”, deve-se dizer “Ela existe”: Existe coisa pior que isso? Ela existe! Se, porém, for usado o verbo “haver”, deve-se dizer “Há-a”: Há coisa pior que isso? Há-a!