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11 de agosto de 2015

ENEM


O Exame Nacional do Ensino Médio traz uma série e desafios para os candidatos. Entre tais dificuldades, uma que pode colocar tudo a perder é o controle do tempo.
Apesar de possuir muitas horas de aplicação, a prova do Enem 2015 também será extensa, o que fará com que intervalo médio para resolução de cada item seja pequeno. Para compreender melhor nossa estratégia para administrar o tempo, primeiro é necessário entender o modelo do exame. Veja:
  • 1º dia – 90 questões de Ciências da Natureza + 90 de Ciências Humanas, em 4h30 de duração;
  • 2º dia – 90 questões de Matemática + 90 de Linguagens e Códigos + a Redação, em 5h30 de prova.
Compreendida a divisão acima, e considerando-se que o tempo médio para escrever a redação é de uma hora, restam 4h30 para solução de 90 questões em cada um dos dias de prova. Fazendo-se então uma conta simples, temos:
4,5 horas = 270 minutos, que divididos por 90 itens levam a conta de 3 minutos por questão.
Esse seria o tempo médio para solução de cada exercício caso o candidato tivesse somente o trabalho de realizar as provas. Entretanto, não podemos esquecer que também é necessário preencher o gabarito e passar o rascunho do texto para a folha de redação.
Desta forma, nossa estratégia determina que o tempo médio para resolução de cada item seja resuduzido para 2 minutos e 30 segundos. Seguindo esta regra, a cada hora do exame o candidato deverá ter resolvido 24 questões, encerrando todas elas em 3 horas e 45 minutos (imagem). Descontando uma hora para redação no segundo dia, o candidato ainda terá 45 minutos de sobra para preencher o gabarito e ainda solucionar perguntas pendentes.
tempo_esquema
Como já deve ter notado, o tempo médio de 2,5 minutos por questão é curtíssimo. Provavelmente não será cumprido religiosamente em todos os itens, o que torna o controle de 24 exercícios resolvidos por hora ainda mais importante.
Isso torna nossa proposta extremamente difícil de ser colocada em prática. E aí entra em cena a parte do candidato. Somente com muito treinamento o estudante poderá se adaptar de fato a esta técnica.

9 de agosto de 2015

Crase


Crase ‘pra’ que?
Antes de chegar a uma resposta para essa questão, vamos esclarecer um ponto importante:
Crase NÃO é o acento que colocamos sobre o A!
Então, é o quê, afinal? Bem, para entender o conceito, vamos fazer uma ‘regressão’ para conhecer a origem do termo:
CRASE vem da palavra grega κράσις (krásis), que significa ‘fusão’, ou seja, a junção de elementos e, no caso específico da Língua Portuguesa, a junção de duas vogais iguais. Pode ocorrer ao longo da evolução das palavras (num recorte diacrônico do idioma), como observamos na passagem de algumas palavras do Latim ao Português:
Color> coor> cor (pela fusão dos dois ‘o’)
Ou ainda num recorte sincrônico (observando só a versão atual do idioma), quando ‘encavalamos’ as duas vogais e pronunciamos só uma:
“Querida amiga” acaba sendo pronunciado “queridAmiga” – essa é a crase no plano da sonoridade.
Existe também a crase na poesia. Quando separamos as sílabas poéticas de um verso (a chamada ‘escansão’ do verso), pode ocorrer de duas vogais, uma tônica e uma átona, de palavras diferentes, ficarem na mesma sílaba. Observe estes versos de Vinícius de Moraes:
(…) Mai/o/r a/mor/ nem/ mai/s es/tra/nho e/xis/te
Que o/ meu/, que/ não/ so/sse/ga a/coi/sa a/ma/da (…)
Aqui temos duas crases, o final de ‘sossega’ que ‘gruda’ no artigo ‘a’ e o final de ‘coisa’ que emenda com o início de ‘amada’.
Agora, a crase que tira o sono de muita gente é a crase gramatical. Essa pode ser a fusão:
  • da preposição A com o artigo A; ou
  • da preposição A com o pronome demonstrativo A; ou ainda
  • da preposição A com a primeira letra dos pronomes demonstrativos AQUELE(S)/ AQUELA(S)/ AQUILO.
Podemos então responder à (crase!) pergunta inicial, ou melhor, reformular a pergunta inicial e então responder:
Acento grave ‘pra’ quê? Para indicar que ali existem duas letras iguais que se fundiram e passamos a escrever e a pronunciar como se fosse somente uma (sim! Pronunciamos como uma só!!! Não fale ‘vou AA feira’, pois já fundimos as duas justamente para ‘economizar o esforço’ de pronunciar duas coisas iguais!)
Esclarecidos os fundamentos – a diferença entre o conceito e o acento, já estamos aptos a passar para os casos práticos

6 de agosto de 2015

A estética da redação



Em nossa coluna sobre a redação no Enem, abordamos questões complexas como organização, planejamento, cumprimento do tema, domínio da dissertação-argumentativa, coesão, coerência, norma culta da Língua Portuguesa, fluidez e por aí vai. Assim, algumas vezes, nos esquecemos de prestarmos atenção em detalhes estéticos que podem parecer banais, mas que no fundo também contribuem muito para com um bom desempenho em uma prova de produção textual.
Desde o momento em que somos alfabetizados, a professora do Ensino Fundamental nos lembra de escrevermos com letra legível, a não sujar a folha do caderno (algumas até proíbem o uso de corretivos quando os alunos passam a escrever à caneta), a rasurar o menos possível o texto, a obedecer as margens e as linhas e a respeitar o limite de linhas imposto.
Tudo isso pode parecer bobagem ou ter menos importância, mas na realidade conta muito e diz bastante sobre o autor de uma redação. A letra legível, de fôrma, técnica ou cursiva, é fundamental para que o leitor compreenda o que está escrito e em uma situação de avaliação oficial, como no Enem e nos demais vestibulares, é essencial para que a correção seja feita integralmente, pois o corretor não tem todo o tempo de mundo para tentar adivinhar o que está escrito se a letra não é legível; ele simplesmente vai pular aquela palavra indecifrável e seguir em frente.
Treinar Redação
Já as questões da sujeira e das rasuras dizem respeito ao cuidado e à atenção empregadas pelo candidato no momento da escrita da redação. Muitas pessoas, pelo nervosismo, ansiedade e pressa, acabam escrevendo errado por pura falta de atenção, o que acarreta em perda de pontos na competência número um que avalia o domínio da norma culta da língua em sua variedade escrita formal. Além disso, eventuais sujeiras e rasuras podem atrapalhar a leitura do corretor, assim como a letra ilegível, e não é possível fazer mais nada se ambos os corretores tiveram dificuldades para ler o texto.
Em relação à obediência às margens da folha definitiva, é curioso como muitos candidatos não aproveitam todo o espaço disponibilizado ao não escrever até o fim da margem direita, o que pode acarretar em outro grave problema: extrapolar o limite de 30 linhas. Corretores de vestibulares são orientados pela banca elaboradora a não considerarem o que está escrito além do limite estipulado e textos que ultrapassam as 30 linhas, escrevendo nas margens, no verso da folha ou embaixo serão muito prejudicados. Sabemos que, dependendo do tema, a vontade é a de escrever sobre muitas coisas e mostrar conhecimento, mas aqui planejamento e organização são fundamentais.
Outro detalhe que muitos se esquecem: o texto deve ser escrito à tinta, ou seja, à caneta. Textos escritos à lápis não são corrigidos em vários vestibulares e em concursos públicos.
Esperamos que, com esse texto, essas questões estéticas sejam relembradas por nossos leitores e postas em prática.

5 de agosto de 2015

Escrever


4 dicas para garantir excelentes notas em redação - valem para qualquer banca


Redação deixa sempre um clima de suspense, no mundo dos concursos públicos. A verdade é que muitos têm problemas ao escrever seus textos, e na maioria das vezes não sabem o que e por que estão errando. Este artigo responderá a dúvidas de quem precisa garantir uma boa nota nas discursivas.
A seguir, eu cito alguns problemas que os concurseiros de um modo geral enfrentam, quando o assunto é redação:
  • Fogem do tema como o diabo foge da cruz
  • Não entendem por que seus textos não são considerados claros por outras pessoas
  • Tiram notas baixas, apesar de se considerarem bons em português
  • Preocupam-se mais com a legibilidade da letra do que com o que vai escrever (esse é um dos erros mais tristes)
  • Escrevem sem pensar e, por isso, cometem erros básicos
  • Não conseguem responder o que a banca pergunta
  • Sabem escrever para outros meios, mas não sabem escrever para o examinador
  • Acham que não sabem nada sobre o tema
  • Têm medo de fugir do café com leite (e não acrescentam, ao texto, parágrafos essenciais para aumentar a nota)
Se você se encaixa em pelo menos um dos “males da redação” citados na lista acima, então este post é para você. Escrever bem se tornou uma obrigação para a maioria esmagadora de concurseiros, e cometer qualquer gafe pode ser a diferença entre passar ou não.
É muito comum ver notas ZERO (ou notas muito baixas, até mesmo insuficientes para fazer o mínimo que a banca pede), em redações de concursos. Eu já vi bons concurseiros tirando notas altíssimas na parte objetiva da prova e reprovando na parte discursiva.
Escolha entre conteúdo e forma.
O propósito do meu artigo é evitar que você esteja na pele de concurseiros assim. Quero que você tire a nota máxima. Por isso, eu trago, agora, 4 dicas matadoras para você melhorar sua redação e tirar notas altas em seus textos. Em resumo, as dicas são:
  1. Entre aspectos formais e aspectos de conteúdo, escolha os de conteúdo
  2. Não deixe o examinador pensar
  3. Citação: por que, quando e como fazer
  4. O que fazer na hora da prova
  5. Como colocar em prática

Dica #1. Entre aspectos formais e aspectos de conteúdo, escolha os de conteúdo

É verdade que se deve tomar alguns cuidados formais na hora de fazer uma redação, mas o que mais importa é o seu conteúdo. Muito mais do que acertar na gramática ou fazer uma letra legível na hora de passar a limpo um texto, a banca quer saber se você sabe mesmo sobre o tema.
Na maioria dos casos, os aspectos formais contam apenas 10% da nota de sua redação, enquanto os de conteúdo são distribuídos nos 90% restantes.
E por que isso acontece?
Existe essa Teoria, sabe – a Teoria do Iceberg –, segundo a qual os aspectos visíveis e palpáveis são menos importantes do que os aspectos invisíveis e abstratos.
Vou explicar melhor.
Essa Teoria foi formulada por um dos maiores escritores da literatura norte-americana (Ernest Hemingway). Ela é denominada “Teoria do Iceberg” porque, não importa o tamanho que seja um iceberg acima da superfície marítima (com um pico visível), sua parte abaixo da linha do mar (invisível) será sempre maior. Essa analogia foi feita por Hemingway para demonstrar que a parte formal de um texto (como escrever) é menos importante do que sua parte informal (o queescrever).
A Teoria do Iceberg pode ser facilmente incorporada às questões discursivas de concursos públicos. No gráfico a seguir, mostro essa teoria aplicada à maioria dos casos de provas subjetivas:

Teoria do Iceberg em discursivas
Gráfico da nota: dê mais valor ao conteúdo (Teoria do Iceberg adaptada para redações de concurso).


Agora vou te mostrar alguns exemplos na prática. Abaixo, estão partes de alguns dos editais mais cobiçados da administração pública, mais especificamente, as partes que trazem os critérios de avaliação das bancas de concurso. Ao lado esquerdo de cada parte do edital, há um gráfico vermelho, mostrando os aspectos “acima da superfície” do iceberg, e um gráfico verde, mostrando os aspectos “abaixo da superfície” do iceberg.

Questão discursiva (Senado 2012)
Critérios de correção de uma das provas discursivas para Analista Legislativo do Senado Federal (2012). Banca = FGV.



Critérios de correção para o concurso da CGU
Critérios de correção para a prova de Analista de Finanças e Controle da CGU (2012). Banca = ESAF.



Como a FCC cobra redação
Critérios de correção para a prova de Analista Judiciário do TRT 5ª região (2013). Banca = FCC.



Critérios para a discursiva do BNDES (Cesgranrio).
Critérios de correção para a prova do BNDES (2013). Banca = Cesgranrio.

As mesmas observações que eu fizer abaixo (para o Cespe) valem para a Fundação Cesgranrio, já que ela também não coloca, no edital, critérios objetivos (em termos de pontos) de correção das discursivas.


Critérios de correção de redação do Cespe.
Critérios de correção para a prova de Técnico Judiciário e Analista Judiciário do TJDFT (2013). Banca = Cespe.


Já que o Cespe não divide as notas em uma tabela, vou explicar melhor o critério de correção, até porque essa é, de longe, a banca mais importante.
Quando você vai fazer uma redação do Cespe, a parte do iceberg “abaixo da superfície” vale 100% da nota (no caso, o 100% da discursiva do TJDFT foi de 10 pontos). Como é possível observar (no item 9.7.4), o Cespe leva tão a sério a pertinência do conteúdo que zera a prova de quem foge do tema! Cuidado.
Vale a pena destacar um ponto importantíssimo, que muitas pessoas desconsideram: o tópico 9.7.6 elimina qualquer candidato que tire menos de 50% na prova discursiva.
Ok, mas isso tudo significa que não existem erros formais, para o Cespe (acima da superfície)?
Existem! Eles são descontados da nota que você tirou na parte de conteúdo. Assim, caso você tenha tirado 10 na parte de conteúdo, ainda podem ser descontados erros de translineação, margens, legibilidade etc.
Ainda assim pode ser considerado que 90% da nota da prova será dada pelos aspectos de conteúdo?
Sim, sem dúvida. Principalmente no que diz respeito ao Cespe, o conteúdo vale muito mais do que os detalhes formais. Claro que, quanto menos pontos descontados, melhor, mas você deve SEMPRE estar atento ao conteúdo, ao tema. A relação entre a parte abaixo da superfície e a parte acima da superfície é de causa e consequência.
 Redação: causa e consequência
Se o seu conteúdo está bom (pertinente, coeso e bem conectado), então a parte formal de seu texto está boa. E por que isso acontece? Simplesmente porque, ao treinar conteúdo, você treina, automaticamente, o que está na superfície de seu texto.
Você não pode, entretanto, afirmar o seguinte: “se eu treinar a forma, estarei treinando o conteúdo”. Ãhn ãhn. É possível treinar forma fazendo até receita de bolo. Como sabemos que com receita de bolo não é possível passar em concursos públicos, o jeito é arregaçar as mangas e estudar – muito – como organizar as ideias e entregar um texto de extrema qualidade, ao examinador. E é isso o que vamos fazer.

Dica #2. Como fazer introdução, desenvolvimento e conclusão (o café com leite das discursivas para concursos)

É claro que existem alguns aspectos formais muito importantes, que contam pontos como se fizessem parte do conteúdo. São como aspectos “quase-que-formais” da redação: não chegam a ser formais, nem fazem parte do conteúdo, mas ajudam a criar o conteúdo. Esses aspectos são: introdução, desenvolvimento conclusão.
Para prosseguirmos, eu só quero que você vá com um conhecimento prévio: o significado de período. Período é uma frase que possui pelo menos uma oração (ou seja, pelo menos um verbo). Um período começa com letra maiúscula e termina com um ponto final. Beleza? Vamos continuar.
Introdução, desenvolvimento, conclusão
Já é lugar-comum dizer que uma redação precisa de introdução, desenvolvimento e conclusão. Isso é o básico, o café com leite de seu texto, então entenda melhor para que serve cada uma dessas três partes:

A introdução

Serve para dizer ao examinador que, hey, você entendeu o tema! Além disso, você tem que afirmar alguma coisa em relação ao tema, e também tem que dizer como vai desenvolver esse tema.
Peraí, Carol, agora eu me confundi forte, aqui.
Vou te explicar melhor.
Você vai dividir sua introdução em 2 partes:
Primeira parte (um ou dois períodos)
  • dizer ao examinador que entendeu o tema. Você faz isso ao repetir os aspectos gerais do tema. Isso não pode tomar mais do que duas linha.
  • afirmar alguma coisa sobre esse tema. Você faz isso se posicionando acerca do tema, concordando, discordando, falando de sua importância etc. Também deve tomar, no máximo, 3 linhas.
Essa primeira parte é o que os professores geralmente denominam “tese”.
Segunda parte (um a quatro períodos)
  • dizer ao examinador como seu tema será desenvolvido.
Isso é muito fácil de ser feito. O desenvolvimento tem, geralmente, 3 ou 4 parágrafos, como veremos a seguir. Você vai usar esses parágrafos para construir sua introdução.
Considere que você vai fazer algumas promessas ao examinador: “ei, examinador, vou falar disso, isso e daquilo outro!”.
Você faz isso da seguinte maneira: na introdução, em até três linhas, indique o que haverá nos parágrafos de seu texto. Seja claro ao fazer isso: separe cada assunto de cada parágrafo por vírgulas ou pontos.

Como fazer introdução.
Mapa mental 1: como fazer uma introdução.

Tranquilo, né? Então vamos para o desenvolvimento.

O desenvolvimento

Agora é hora de explicar tudo o que você falou na introdução, só que com detalhes.
Para o desenvolvimento, tenho três regras a te passar:
  • Cumpra o que você prometeu: na introdução, você fez algumas promessas. Você disse que iria falar sobre alguns assuntos, no decorrer do seu texto. Então, cumpra o que você prometeu, exatamente na ordem colocada na introdução.
  • Não faça nada além do prometido: há pessoas que prometem, na introdução, falar de “ABC” e acabam explicando o alfabeto inteiro. Você não deve fazer nem mais nem menos, mas a medida certa.
  • Obedeça ao princípio da igualdade entre os parágrafos: ok, eu inventei esse princípio, mas vou explicar melhor meu ponto de vista. O que mais vejo, em textos de concurseiros, é se começar o desenvolvimento com um parágrafo de 8 linhas e fazer mais dois parágrafos de 2 linhas. Não estou dizendo que deve haver exatamente a mesma quantidade de linhas, mas é sempre bom manter uma diferença de, no máximo, duas linhas, entre um parágrafo e outro, para você conseguir explicar toda a sua introdução.
O seu desenvolvimento ocupará pelo menos 60% do seu texto, e é responsável pela maior parte de sua nota na questão discursiva, então é melhor que o faça com carinho.

Desenvolvimento de um texto.
Mapa mental 2: como elaborar o desenvolvimento da redação.


A conclusão

Retome tudo o que foi dito, inclusive (e principalmente) sua tese.
Como você vai retomar (em dois períodos):
  • Relembre ao examinador tudo o que você disse no desenvolvimento.
  • Reafirme sua tese, ou seja, “reafirme sua afirmação” da introdução, apresente uma solução.
A conclusão é simples assim :)

Como concluir um texto.
Mapa mental 3: como fazer a conclusão de sua discursiva.


Dica #3. Se a banca te der limões, faça uma limonada

Não brigue com a banca: se ela te mandar fazer alguma coisa, obedeça. Em outras palavras, não invente de fazer um suco de morango se a banca te der limões.
O que a banca pode te pedir:
  • “Coloque um título” – só faça isso se a banca pedir formalmente.
  • “Assine seu texto com o nome Tal” – só faça isso se a banca pedir formalmente.
  • “Coloque uma data” – só faça isso se a banca pedir formalmente.
  • “Responda à seguinte pergunta” – nesse caso, basta responder à pergunta (sem introdução, desenvolvimento e conclusão).
  • “Use tal ordem, ao escrever seu texto”  – importante e obrigatório (vou explicar a seguir).
    • “Coloque, necessariamente, introdução, desenvolvimento e conclusão”  – importante e obrigatório (vou explicar a seguir).
Quero que você dê muita atenção aos dois últimos “tipos de pedidos” das bancas, acima. Aqui, há pegadinhas que podem te tirar do páreo.
A banca geralmente faz esses pedidos em uma estrutura de tópicos. Abaixo há um exemplo clássico de questão do tipo “estrutura de tópicos”.
(Cespe, MDIC, Analista Técnico-Administrativo, 2014)
MDIC 2014 (ATA)
Nesse tipo de situação, você terá que sair do café com leite. Perceba, no enunciado da questão discursiva, que a banca coloca a palavra “necessariamente”. Para você entender o que a banca realmente quer, troque a expressão “necessariamente” por “obrigatoriamente e NESTA ORDEM”.
Você fará um texto com apenas três parágrafos, sem introdução e sem conclusão.
Sei que pode parecer estranho, mas é assim que é. Quando há essa estrutura de tópicos, dizendo para que você atenda “necessariamente” ao que se pede, o examinador quer que você faça um parágrafo para o que é pedido no primeiro tópico, um parágrafo para o que é pedido no segundo tópico e um parágrafo para o que é pedido no terceiro tópico.

Dica #4. Conheça os mitos que te fazem errar e os use para acertar (o quinto mito é cruel)

Mitos te levam a errar
A preocupação exacerbada com os aspectos formais levam a mitos. Mitos levam a erros. Erros te prejudicam.
Abaixo, trago uma lista com os principais mitos, e como os superar.
Mito #1. “A letra tem que ser cursiva”
A sua letra pode ser letra de forma, desde que seja capitulada, ou seja, desde que dê para diferenciar as minúsculas das maiúsculas.

Mito #2. “Isso é para o que se falou e isto é para o que se vai falar”
Tanto faz: na hora de escrever, “isto” ou “isso” têm o mesmo significado. Não precisa se preocupar com a diferença entre um e outro.

Mito #3. “Eu não posso repetir palavras de jeito nenhum”
O seu texto tem de ser claro. Você não pode exagerar na repetição de alguns vocábulos (como ‘que’ e ‘de’), mas, se for necessário fazer a repetição, não se acanhe.

Mito #4. “Rascunho é perda de tempo”
Fazer o texto diretamente na folha definitiva é como dar um tiro no próprio pé. E eu falo isso por experiência própria. Use sua folha de rascunhos, nem que seja para fazer uma ficha do que você pretende falar.
Para fazer este texto, por exemplo, eu usei um super mapa mental, que me ajudou na hora de organizar as ideias, olha só:

Mapa mental
Meu mapa mental para escrever este texto.


É claro que, para sua prova, o mapa mental seria muito menor.
E a boa notícia é: com o tempo, criando muitos mapas antes de escrever seu texto, você aprenderá a fazer rascunhos em menos de 5 minutos.

Mito #5. “Escrever bem significa escrever palavras difíceis”
Não! Não deixe o examinador pensar! Seja claro, evite termos técnicos (mesmo que seu texto seja para um cargo relacionado a alguma área cheia de jargões). Se precisar usar algum termo técnico, explique-o.

Mito #6. “Não existe mais a regra de colocar aspas em palavras estrangeiras”
Ouvi muito esse mito quando a ESAF, uma vez, cobrou o assunto “accountability”. As pessoas insistiam que esta palavra estrangeira não precisava de aspas porque ela já tinha sido escrita no enunciado da questão. Balela pura. Quem não colocou as aspas perdeu pontos, na prova.
O fato é que ainda é obrigatório utilizar aspas em quaisquer palavras estrangeiras. Claro que, se fosse em um texto no computador, o certo seria colocar itálico. Como não é, coloque aspas e fica tudo certo.
As palavras (e expressões) estrangeiras mais comuns são: internet, a priori, email, output, software, online, site, blackout, internet, checks and balances, accountability, best seller, ticket, management.

Mito #7. “Quando eu não sei a grafia certa da palavra, o jeito é chutar”
Quando você não souber a grafia de uma palavra, faça o máximo de esforço para encontrar um sinônimo. Eu selecionei algumas palavras que deixam dúvidas, mas, se ainda assim você não conseguir lembrar ou tiver o mínimo de dúvida, procure um sinônimo.
Grafia de algumas palavras comuns, em redações de concursos públicos:
  • Exceção
  • Assessor
  • Cálculo
  • Enchente
  • Excepcional
  • Sessão (usada para designar reuniões ou assembleias separadas em determinados períodos de tempo) – exemplo: “A sessão da Câmara dos Deputados iniciar-se-á às 10h” ou “A sessão do filme ainda não começou”
  • Seção (parte de um todo) – exemplo: “Seção XIX” ou “Seção de roupas”
  • Cessão (substantivo que vem do verbo ceder)
  • Norte-americano
  • Frisar
  • Perda: substantivo
  • Perca: verbo
Esses são os mitos, de maneira geral. Você lembra de mais algum? Comente!

Resumindo: o que você aprendeu?

  • A verdadeira razão de ser do seu texto está no conteúdo (90% da nota), não na forma (10% da nota);
  • A introdução serve para você construir sua tese e montar três argumentos, que serão explicados no desenvolvimento;
  • No desenvolvimento, faça parágrafos com tamanhos parecidos, e explique o que foi prometido na introdução;
  • A conclusão deve retomar o que foi dito no desenvolvimento e reafirmar a tese da introdução;
  • Se a banca te der uma estrutura de tópicos, responda a esta estrutura na ordem pedida pela banca;
  • Defenda-se dos mitos sobre redação, principalmente dos seguintes:
    • “Escrever bem significa escrever palavras difíceis”;
    • “Rascunho é perda de tempo”.

E aí? Deu para entender?

Agora você me diz: entendeu como é possível melhorar sua redação e torná-la muito mais clara? Estude redação, escreva frequentemente e siga as dicas que dei. Com o tempo, você sentirá bem mais facilidade ao redigir textos para a banca de seu concurso.
Qualquer coisa, comente :)
Bons estudos, boa sorte, boa vida.

Variações linguísticas

Vimos que as variações linguísticas podem ocorrer por diversos fatores. Desta forma, é importante para o vestibulando em fase de preparo para o Enem conhecer e saber identificar estas modificações. Para demonstrar a atualidade do conteúdo, selecionamos uma questão do caderno de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias do Enem de 2014.
Enem 2014 – Caderno Rosa – Questão 100
Óia eu aqui de novo xaxando
Óia eu aqui de novo para xaxar
Vou mostrar pr’esses cabras
Que eu ainda dou no couro
Isso é um desaforo
Que eu não posso levar
Que eu aqui de novo cantando
Que eu aqui de novo xaxando
Óia eu aqui de novo mostrando
Como se deve xaxar
Vem cá morena linda
Vestida de chita
Você é a mais bonita
Desse meu lugar
Vai, chama Maria, chama Luzia
Vai, chama Zabé, chama Raqué
Diz que eu tou aqui com alegria
BARROS, A. Óia eu aqui de novo. Disponível em: www.luizluagonzaga.mus.br. Acesso em: 5 maio 2013 (fragmento).
A letra da canção de Antônio de Barros manifesta aspectos do repertório linguístico e cultural do Brasil. O verso que singulariza uma forma característica do falar popular regional é:
a) “Isso é um desaforo”.
b) “Diz que eu tou aqui com alegria”.
c) “Vou mostrar pr’esses cabras”.
d) “Vai, chama Maria, chama Luzia”.
e) “Vem cá morena linda, vestida de chita”

RESOLUÇÃO E COMENTÁRIOS
Alternativa C
A letra da música remete ao universo nordestino já no início, quando menciona o xaxado, ritmo originário do interior de Pernambuco, cujo nome alguns estudiosos atribuem ao som do arrastar dos pés durante a execução da dança. Além disso, no verso transcrito na alternativa C, encontra-se o termo cabra, empregado na região como sinônimo de ‘indivíduo’.

2 de agosto de 2015

Gramática para quê ?????


Estudar café de para preciso.
É claro que você entendeu a minha mensagem aí em cima, certo? Não? Ora, mas as palavras que eu queria dizer estão todas ali! Por que será que você não compreendeu? Será um problema seu? Ou meu?
Bem, o problema é da frase: nela falta uma ordem lógica (a sintaxe), que estabelece o ‘rumo’ da mensagem, a função e o significado dos termos, em linguagem técnica, falta o que se chama ‘gramaticalidade’. E que diabos é ‘gramaticalidade’?
Segundo o dicionário Houaiss, é “característica de uma sentença gramatical, ou seja, aquela que foi gerada pelas regras da gramática de uma língua”.
Isso quer dizer que não é possível apenas amontoar as palavras de qualquer jeito para construirmos nossas mensagens. Com isso concorda Othon Moacir Garcia, ao afirmar que: “Nossa liberdade de construir frases está, assim, condicionada a um mínimo de gramaticalidade – que não significa apenas nem necessariamente correção (há frases que, apesar de, até certo ponto, incorretas, são plenamente inteligíveis). Carentes da articulação sintática necessária, as palavras se atropelam, não fazem sentido – e, quando não há nenhum sentido possível, não há frase, mas apenas um ajuntamento de palavras.”1
“Então preciso saber de cor todas as regras da Gramática para escrever bem?” você poderá perguntar. E a resposta é “Não necessariamente!” Se eu afirmasse que sim, seria o mesmo que garantir que após decorar toda a Gramática do italiano, por exemplo, eu estaria habilitado a sair por aí me comunicando em italiano e sabemos que isso não acontece. Só o conhecimento da Gramática ou a aplicação automática das suas regras não garante a produção de um bom texto, mas podemos dizer que a gramática é o esqueleto do idioma.
Fazendo uma analogia com a construção civil: alguém pode até levantar uma casa apenas assentando tijolo sobre tijolo e colocando um telhado por cima, mas sem os cálculos estruturais, possivelmente a obra iria ao chão mais cedo ou mais tarde. A Gramática é essa estrutura que serve para manter firme a mensagem e comunicar claramente para o receptor (leitor ou ouvinte) aquilo que temos em mente.
Outro exemplo? Compare as frases abaixo:
O mecânico cheirava a gasolina.
E
O mecânico cheirava à gasolina.
O que dizer delas? Ambas erradas? Ambas corretas? Uma certa e outra errada?
Acertou que disse que ambas estão corretas. Mas elas não dizem a mesma coisa. Para informar que o mecânico sentia o cheiro da gasolina eu não uso o acento de crase, mas para dizer que o mecânico exalava o odor da substância, eu preciso acrescentar o acento. E é a Gramática que vai me ajudar a decidir.
Nosso objetivo não é fornecer as regras da Gramática, pois isso pode ser obtido em qualquer bom livro sobre o assunto. A intenção é abordar as principais dificuldades que surgem no momento em que estamos redigindo, além de mostrar a aplicação prática de alguns tópicos que geralmente são abordados nas aulas de gramática de maneira isolada, sem sentido para o aluno na maior parte das vezes.

Carta aberta - UFSM

Dicas de como escrever uma carta aberta

Dicas de como escrever uma carta aberta Jean Pimentel/Agencia RBS
Foto: Jean Pimentel / Agencia RBS
 Última parte do vestibular da UFSM é dedicada à prova escrita. Então, nada mais justo do que encerrar as dicas  com a redação. Chegou a vez da carta aberta. O tempo para escrever o texto será de três horas, uma vez que a prova passará a conter mais informações de apoio à produção textual solicitada.

O vestibular 2015/16 da UFSM tem as provas objetivas. Os critérios de avaliação estão organizados com base em três dimensões: adequação a estrutura global do gênero, adequação ao propósito e ao conteúdo e articulação escrita.



LEGENDA
1 Apresentação do destinatário
2 Apresenta claramente o problema de interesse coletivo (tema)
3 Explicitação do remetente
4 Pista do argumento
5 Tese clara _ assume um ponto de vista
6 Uso de verbos em primeira pessoa do singular
7 Elemento articulador dos discursos
8 Argumento de autoridade
9 Fonte do argumento
10 Marca da interlocução _ destinatários
11 Argumento _ pergunta retórica cujo objetivo é provocar a reflexão do oponente
12 Elemento coesivo
13 Marca da interlocução _destinatários
14 Elemento coesivo 
15 Reiteração do tema
16 Previsão do argumento contrário
17 Proposta para os destinatários

Artigo de opinião

Dicas para estruturar o Artigo de Opinião

Artigo de opinião - UFSM

Artigo de opinião
O artigo de opinião se caracteriza como uma modalidade argumentativa
Como você se sente convivendo em uma sociedade na qual tem a oportunidade de se posicionar diante de um determinado assunto e discuti-lo segundo suas observações, seus posicionamentos acerca da realidade que o cerca? Importante, não? Sim, pois essa atitude caracteriza você como sendo alguém que não cruza os braços diante de tudo que vê, diante de tudo que escuta, de tudo que assiste nos noticiários por aí.
E saiba, quando estiver prestando um concurso, um vestibular, sabe aquela provinha de redação? Pois bem, essa circunstância comunicativa de que estamos falando pode ser uma das opções, certo? Mas qual? O artigo de opinião, obviamente.
Ele, por sua vez, caracteriza-se como um gênero textual em que seus argumentos possuem condições de fazer com que o interlocutor acredite que você realmente tem razão no que diz.
Dessa forma, por pertencer a essa categoria (de caráter argumentativo), deve obedecer à linguagem padrão, ou seja, nada de coloquialismo, a menos que seja em favor do seu projeto de texto, como é o caso de se referir a uma determinada situação. No mais, procure evitar as marcas que você presencia por meio da oralidade, ok?
Nesse sentido, acreditamos que você tenha plena consciência de que uma modalidade de gênero, constituída de tal importância, não se mostra isenta de aspectos estruturais, os quais devem ser rigorosamente obedecidos, entre eles:
O artigo de opinião se caracteriza com um gênero textual de cunho argumentativo
O artigo de opinião se caracteriza com um gênero textual de cunho argumentativo
- Título;
- Parágrafo introdutório, no qual os elementos principais da ideia a ser retratada são evidenciados.
- Desenvolvimento, no qual são expostos os argumentos em defesa de um ponto de vista a ser defendido;
- Conclusão, na qual ocorre o fechamento de todas as ideias abordadas ao longo do discurso.