NO INICIO DO BLOG

1 de outubro de 2016

VERSATILIDADE PRONOMINAL

Os pronomes nem sempre apresentam sua carga semântica habitual: é nesses casos que ocorre a chamada versatilidade pronominal
Os pronomes nem sempre apresentam sua carga semântica habitual: é nesses casos que ocorre a chamada versatilidade pronominal


Você já ouviu falar na versatilidade dos pronomes?
Pois bem, ela existe e é pouco notada quando analisamos e interpretamos os mais diferentes tipos de texto. Nós já sabemos que o pronome é uma classe de palavras que se refere a um significado lexical indicado pelo contexto de uma oração ou pela situação. No discurso, geralmente duas pessoas estão determinadas:
1ª. eu (a pessoa que corresponde ao falante);
2ª. tu (a pessoa correspondente ao falante).
Há, ainda, uma 3ª pessoa, esta, indeterminada, que apontará para outra pessoa ou coisa integrante da relação comunicativa. Contudo, embora seja possível identificar e determinar as pessoas do discurso, nem sempre podemos dizer que eles sempre ocupam o mesmo lugar no discurso no que diz respeito à semântica. Observada essa questão, temos aquilo que os linguistas chamam de versatilidade pronominal. Para compreender como esse fenômeno ocorre, o sítio de Português selecionou alguns exemplos para você. Bons estudos!
Exemplos de versatilidade pronominal
→ Um “eu” que expressa outra pessoa:
Em um discurso, geralmente a primeira pessoa é facilmente identificada, não é mesmo? Mas não podemos generalizar a questão, visto que, em alguns casos, o “eu” não é necessariamente a pessoa que fala.
Chamamos de “elocutivo” a pessoa que fala; “alocutivo” a pessoa com quem se fala, e “delocutivo” a pessoa de quem se fala, independentemente do pronome empregado. Observe a letra da canção O meu amor, de Chico Buarque:
meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
minha pele toda fica arrepiada
me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada (...)”.
Esse sujeito que reside em meu, minha (pronomes possessivos) e me (pronome pessoal oblíquo) não se refere ao autor da música, mas sim à personagem da letra da canção, e fosse um poema, poderíamos chamar essa personagem de eu lírico. Portanto, analisando detidamente o fragmento da canção, podemos afirmar que meu, me e minha são exemplos de pronomes delocutivos, pois o autor está denotando a pessoa de quem se fala.
 Quando "ele" sou eu:
E quando o “ele” transforma-se em um pronome elocutivo? Pois bem, em algumas situações, o pronome “ele” passa a fazer referência à própria pessoa que fala. Observe o exemplo:
O entregador de gás bateu à porta com força e insistência. Sua atitude irritou a dona de casa, que disse aos berros: “Já vai, já vai!”.
Ao analisarmos a sentença em destaque, percebemos que esse “já vai”, na verdade, observada sua estrutura profunda, quer dizer “já vou”. O sujeito do “já vai” é o pronome “ele”, o que comprova a ocorrência do pronome elocutivo.
→ O nós que não nos inclui:
Seria isso possível? A resposta para a pergunta é... sim, há casos em que o pronome nós não inclui aquele que fala. Observe o exemplo:
A professora chegou na sala de aula e perguntou para os alunos:
“Como passamos o final de semana? Fizemos a lição de casa?”
Nas formas verbais “passamos” e “fizemos”, aquele que fala, ou seja, a professora, não está inclusa, refere-se apenas aos alunos. Portanto, esse “nós” é um pronome alocutivo, pois faz referência à pessoa com quem se fala.
→ Quem é "você"?
Você sai de casa, (você) enfrenta duas horas no trânsito, (você) chega na agência bancária e então (você)percebe que você esqueceu a carteira com todos os documentos... Que tristeza!
Afinal, quem é esse “você” no discurso acima? Será que o elocutor está referindo-se a uma segunda pessoa? Você, embora inconscientemente, sabe que o “você” ao qual o elocutor refere-se trata-se dele mesmo, que utiliza a forma de 2ª pessoa para que o leitor ou o interlocutor possa sentir-se como ele sentiu-se na situação descrita.
→ “Ele” é 2ª pessoa:
Observe o seguinte exemplo:
O filho dirige-se à mãe e em tom de súplica indaga:
“Mamãe, posso fazer bagunça no seu quarto?”
Ao que ela responde:
Ele ainda pede!”.
Esse “ele” passou a ser, de acordo com o contexto da frase, um pronome de tratamento de 2ª pessoa, pois em vez de a mãe responder “Você ainda pede?”, ela diz, como quem se mostra espantada com o pedido, “Ele ainda pede!”. Portanto, o “ele” foi deslocado de sua significação habitual, fazendo as vezes do tu ou do você.

DICAS PARA SE DAR BEM NA REDAÇÃO DO ENEM

  1. Dedique-se integralmente aos estudos nessa reta final;
  2. Prepare-se emocionalmente;
  3. Escreva, pelo menos, uma redação por semana. Se possível, mais de uma;
  4. Participe ativamente das aulas de redação da escola, das monitorias e/ou cursinho;
  5. Corrija e avalie os textos produzidos de acordo com os critérios de avaliação. Se não tiver professores por perto, peça para algum amigo ou familiar que leia e analise o seu texto de maneira crítica;
  6. Reconheça aquilo que está acertando e/ou errando e reescreva os textos;
  7. Para sair do senso comum, estude disciplinas das Ciências Humanas, como Filosofia, Sociologia,Geografia e História;
  8. Estude também as teorias contemporâneas;
  9. Faça conexões entre diversas áreas do conhecimento (interdisciplinaridade);
  10. Relacione diferentes textos (intertextualidade);
  11. Relacione ideias e informações diferentes daquelas já sugeridas pelos textos motivadores da prova;
  12. Cite outros autores (mobilização de vozes) e leituras prévias;
  13. Procure fazer com que os avaliadores percebam que você domina informações sobre o tema;
  14. Acompanhe nas grandes mídias as noções gerais sobre as atualidades;
  15. Evite tentar adivinhar qual será o tema da redação;
  16. Esteja preparado para argumentar a respeito de qualquer assunto;
  17. Leia os textos motivadores da prova sublinhando as informações que considera mais relevantes;
  18. Selecione os argumentos e informações mais importantes dos textos motivadores e de seus conhecimentos adquiridos ao longo de sua formação;
  19. Articule o tema proposto àquilo que aprendeu durante o ano em vigência;
  20. Desenvolva uma tese a respeito do tema para que possa defendê-la a partir dos argumentos previamente selecionados;
  21. Manifeste seu ponto de vista a respeito de todas as informações que inserir na argumentação;
  22. Para elaborar a proposta de intervenção, considera as seguintes perguntas:
• O que deve ser feito?
• Quem deve fazer?
• Como deve ser feito?
• Por que deve ser feito?
• Qual(is) o(s) objetivo(s) pretendo alcançar?
  1. Não se esqueça de marcar e controlar o tempo de escrita;
  2. Antes de entregar o texto, revise-o quantas vezes forem necessárias;
  3. No segundo dia de provas, a Redação deve ser a primeira a ser realizada, já que ninguém consegue produzir um bom texto sob a pressão do tempo!