NO INICIO DO BLOG

5 de abril de 2015

Coesão e coerência - todos devem ler isso e fazer os exercícios - teoria em postagem anterior

- Na frase “meu sonho é este: conseguir um emprego público”, o pronome “este” tem valor: 
(A) Exofórico 
(B) Epanafórico 
(C) Dêitico
(D) Catafórico V
(E) Anafórico
Comentário: questão bastante recorrente em provas da FGV, além de ser o exemplo clássico de função catafórica. Toda vez que houver um pronome demonstrativo introduzindo um aposto, não devemos ter dúvidas em marcar a opção que indica uma catáfora.

(FGV - BESC – Advogado - 2004)"Mas, enquanto isso, no mercado financeiro, os bancos pensam em como superar um dilema." (L.3-4)
O pronome grifado na frase acima exerce uma função anafórica. Assinale a
alternativa em que isso NÃO ocorra.
(A) Chegamos no dia 23 às 22 horas. Nessa noite, as estrelas pareciam
brilhar mais do que o costume.
(B) Nossas dúvidas residem nisto: não saber equacionar problemas. V
Comentário: como visto na questão anterior, o pronome “isto” tem função catafórica, sendo portanto, a resposta da questão.

(C) Os sistemas de busca estão atualizados. Em tais sistemas, é possível
selecionar o idioma de preferência.
(D) Nada há para julgar. Isso resolve mais facilmente o nosso problema.
(E) Os amantes e os amados vivem em desencontros. Estes vivem, sem
dúvida, mais perdidos que aqueles.

(FGV - BESC – Assistente Adm – 2004)Assinale a alternativa em que o que NÃO desempenhe papel idêntico ao do presente em "...reduziu-se o consumo das famílias, que responde por algo como 60% do PIB total". (L.6-7)
Comentário: inicialmente, devemos identificar a que o pronome “que” é relativo, exercendo papel anafórico (refere-se ao substantivo “consumo”).
Com isso, basta encontrarmos a opção na qual o pronome “que” não é relativo. Concluiremos que é a opção B, onde a palavra “que” é uma conjunção integrante, introduzindo uma oração subordinada substantiva subjetiva.
Percebemos que a FGV cobrou a diferença entre função anafórica e catafórica de forma camuflada.
(A) "Como me disse um dirigente de empresa que vende para o mercado
local..." (L.1-2)
(B) "Entretanto, é certo que, em 2004, o desempenho do mercado interno será positivo..." (L.34-35)
 V
(C) "...a taxa-Selic continuará a ser reduzida a partir do patamar de 16,5% a
que chegou no fim do ano passado..." (L.38-40)
(D) "...serão necessários vários anos de crescimento continuado para
recuperarmos o que se perdeu." (L.47-48)
(E) "E isso, por sua vez, depende de uma retomada firme dos investimentos, que ainda não está à vista." (L.48-49)

4- (FGV – Fiscal de Rendas MS - 2006)Nas atuais condições em que exerce a sua hegemonia, a direita "moderada" conseguiu infiltrar seus critérios no discurso da esquerda "moderada". (L.54-56)
A palavra seus no trecho acima tem valor:
Comentário: pelas opções de resposta, é possível perceber que a FGV tentou confundir o candidato, colocando figuras de linguagem nas alternativas.
O pronome “seus” se refere à expressão “direita moderada”, fazendo papel anafórico. Atentemos ao fato de que nem só pronomes demonstrativos exercem função anafórica.
(A) anafórico. V(B) anastrófico.
(C) catafórico.
(D) hiperbólico.
(E) paragramático.

5- (FGV – Técnico de TI MS - 2006) No texto I, esta (L.14) tem valor:
Texto: E nos deu tantas coisas mais que até piadas criamos sobre
isso. Todo mundo conhece esta, mas eu a repito, estou amparado pelo Estatuto do Idoso.
Comentário: uma questão relativamente difícil!
O demonstrativo “esta” se refere à piada, que foi em seguida mencionada pelo autor do texto. Entretanto, muitos candidatos devem ter considerado que o pronome se referia a palavra “piadas”, do período anterior.
Ora, a piada é “estou amparado pelo Estatuto do Idoso”. Por isso, temos um exemplo de função catafórica. Apenas para simplificar, o período poderia ser reescrito da seguinte forma:
“Todo mundo conhece esta: estou amparado pelo Estatuto do Idoso. Mas eu a repito.”
(A) anafórico.
(B) catafórico. V
(C) dêitico.
(D) epanafórico.
(E) paragráfico.

6- (FGV – Fiscal de Rendas RJ – primeira prova) No trecho “O avanço deste não acarreta necessariamente impacto positivo daquela. (L. 91-92)”
demonstrativos exercem, respectivamente, função:
Parágrafo do texto: Esse raciocínio baseia-se, contudo, numa falsa compara
ção. Primeiramente, porque a alocação de novos recursos nada tem a ver, em princípio, com o impacto tecnológico.
O avanço deste não acarreta necessariamente impacto positivo daquela.
Comentário: uma questão aparentemente mais complexa, por tratar de dois pronomes. Na verdade, a questão é bem fácil, já que este é um recurso que usamos com bastante frequência para nos referirmos a termos anteriormente mencionados.
Acho que muitos erraram essa questão por não dominarem os conceitos de anáfora, catáfora e dêitico.
(A) anafórica e catafórica.
(B) catafórica e catafórica.
(C) anafórica e anafórica. V
(D) catafórica e anafórica.
(E) dêitica e dêitica.

7- (FGV – Fiscal de Rendas RJ – segunda prova) Com base na frase “No seu entender, é lícito tudo que o beneficia” (L.54-55), analise os itens a seguir:
I- O pronome “seu” tem valor anafórico;
II- O sujeito do verbo “beneficia” é “tudo”;
III- O sujeito do verbo “é” é oracional.
Parágrafo do texto: Essa é a razão que socorre o homo economicus, que pensa em sua conveniência econômica e não
reconhece nenhum dever moral de conduta. No seu entender, é lícito tudo que o beneficia.
Comentário: reproduzi o parágrafo inteiro para que possamos identificar o referente do possessivo “seu”. Pela leitura do trecho, percebemos a expressão “homo economicus”, a qual o pronome se refere.
Percebam que esta questão foi ainda mais fácil que a da primeira prova do ICMS-RJ, provavelmente porque o índice de erros na primeira prova foi alto. Portanto, podemos esperar uma questão um pouco mais complexa dessa vez.
Como já me perguntaram o porquê das outras duas alternativas estarem erradas, vou analisá-las também:
É lícito tudo que o beneficia. (temos que separar as orações)
1- É lícito tudo.
2- que (tudo) o beneficia.
A afirmativa II está errada pois, apesar do pronome relativo significar “tudo”, este é o sujeito do verbo ser da oração principal. Por isso é importante separarmos as orações. Assim, evitamos qualquer tipo de confusão.
A afirmativa III também está errada, já que o sujeito do verbo ser é “tudo”.
A- todos os itens estão corretos;
B- somente o item I está correto; V
C- somente os itens II e III estão corretos;
D- somente os itens I e II estão corretos;
E- somente os itens I e III estão corretos.

8- (FGV – Ministério da Cultura – Agente Adm – 2006) Desse (L.23) tem valor:
Parágrafo do texto: Lá, alunos ajudaram a criar um centro cultural batizado de "Barracão dos Sonhos", no qual se misturam ritmos afros e
ibéricos. Desse encontro nasceu, por exemplo, a estranha
mistura dos ritmos e bailados flamencos com o samba.
"Resolvi registrar esse convívio e, aos poucos, ia me
embrenhando na favela para conhecer seus personagens."
Comentário: vejamos aqui uma questão mais elaborada sobre anáfora. O demonstrativo (d)esse, se refere a algo que aconteceu anteriormente, porém, antecede o substantivo “encontro”, quando na verdade, se refere à mistura dos ritmos afros e ibéricos.
Esta talvez tenha sido a questão mais difícil desta lista.
Dica: a anáfora pode se referir a uma situação, um fato ou até mesmo a tudo o que foi exposto em um parágrafo anterior.
(A) anafórico. V 
(B) catafórico.
(C) dêitico. 
(D) adverbial.
(E) substantivo.

9- (FGV – Ministério da Cultura – Analista de Sist – 2006) O pronome Esse (L.40) tem, no texto I, valor:
Parte do Texto: O mate gelado corria sem pressa, e os vizinhos,
convidados e imprensa se misturavam para ouvir histórias,
receber a bênção e acompanhar os brevíssimos discursos.
Antes de começar a festa, os vizinhos já tinham tomado conta
da Casa, na alegria deste sinal de vida nova...
Esse exemplo de união pela cidadania deveria mover
muitas vezes o poder público, o empresariado, os artistas e a
comunidade para semear Casas da Leitura pelo Acre como
seringueiras e castanheiras.
Comentário: justamente a possibilidade a que me referi na dica da questão 8. O demonstrativo se refere a uma situação descrita no período anterior.
Entretanto, considero esta questão um pouco mais fácil pois o pronome antecede a palavra “exemplo”. Ora, onde está o exemplo? Em alguma parte anterior do texto.
(A) díctico. 
(B) catafórico.
(C) anafórico. V(D) metafórico.
(E) resumitivo.

10- (FGV - Potigás – Administrador – 2006) A diplomacia é exatamente isto: a arte de usar sinais e palavras para manifestar agrados e desagrados, defender interesses e estabelecer limites, construir respeito recíproco e
negociar parcerias. (L.37-40)
O pronome destacado no trecho acima exerce função:
Comentário: mais um exemplo de demonstrativo introduzindo um aposto.
Vejam a quantidade de questões idênticas. Não é preciso perder mais de trinta segundos nesta questão. Ainda fizeram o favor de retirar o trecho e colocar na questão.

(A) anafórica.
(B) dêitica.
(C) epanafórica.
(D) catafórica. V(E) díctica.

11- (FGV – TJ MS – 2008) “Mas a co-relação de forças não lhes permite ir mais longe, eessa paralisia favorece o retorno dos acordos bilaterais ou
regionais. Com isso, falta um projeto mundial coerente em que o
desenvolvimento do comércio seja articulado ao equilíbrio social
e ambiental.” (L.37-41)
Os pronomes grifados no trecho acima têm, respectivamente,
valor:
Trecho anterior ao parágrafo citado:
“Os países mais pobres viram na OMC a possibilidade de se unir contra os mais fortes. Valeram-se disso ao bloquear a negociação em Cancún, paralisada desde a rodada de Doha.”
Comentário: comecemos pelo pronome “isso”, já que é o mais fácil. Ao identificarmos que a expressão “Com isso” apresenta uma conclusão, é simples percebermos que ela se refere ao que foi exposto anteriormente.
Já o outro pronome se refere à situação apresentada no período anterior, que trata da paralisia da negociação. Esta era um pouco mais difícil de ser identificada se o candidato pensasse que a anáfora deve obrigatoriamente se referir a uma palavra anterior, o que vimos que não é verdade.
(A) catafórico e catafórico.
(B) anafórico e anafórico.
 V
(C) dêitico e dêitico.
(D) anafórico e catafórico.
(E) catafórico e anafórico.




Gabarito
1- D
2- B
3- B
4- A
5- B
6- C
7- B
8- A
9- C
10- D
11- B

Segundão - estudar

ELEMENTOS DE COESÃO E COERÊNCIA


Um texto é um conjunto harmônico de elementos, associados entre si por processos de coordenação ou subordinação. No meio de toda essa harmonia, estão os conectores, que devem fazer, corretamente, a junção entre as orações dos períodos de um parágrafo. Estes conectores são chamados de elementos de coesão, responsáveis por tornar o texto (conjunto de parágrafos) inteligível. Se a ligação entre as partes deste texto não for bem-feita, o sentido lógico será prejudicado. Observem a frase a seguir: 

Joana estudou muito, mas passou.

Este período composto pelas orações: Joana estudou muito e Joana passou, não está coerente, pois o conectivo encontrado entre elas dá ideia de oposição, contrariedade, mas não foi isso que ocorreu. Para que haja coerência aqui, deveria se usar um conectivo com ideia de consequência, por exemplo: 

Joana estudou tanto que passou.

Como as partes do texto não estavam devidamente ligadas, diz-se que faltou coesão textual. Consequentemente, o trecho ficou semcoerência, ou seja, sem sentido lógico.

CONECTORES

Toda palavra ou expressão que se refere a coisas passadas no texto, ou mesmo as que ainda virão, são elementos conectores. Os termos a que eles se referem podem ser chamdos de referentes. Muita atenção, pois, com os conectores. Eis os mais importantes:

1) Pronomes pessoais retos ou oblíquos
Meu filho está na escola. Ele tem uma prova hoje.
Ele = meu filho (referente)
Carlos trouxe o memorando e o entregou ao chefe.
o = memorando (referente)

2) Pronomes possessivos
Pedro, chegou a sua maior oportunidade.
sua = Pedro (de Pedro)

3) Pronomes demonstrativos
a) O filho está demorando, e isso preocupa a mãe.
isso = O filho está demorando
b) Isto preocupa a mãe: o filho está demorando.
Isto = o filho está demorando

Parecidos, não é mesmo? A diferença é que isso (esse, esses, essa, essas) é usado para fazer referência ao que já foi dito no texto (ANÁFORA). Isto (este, estes, esta, estas) refere-se ao que ainda será dito no texto (CATÁFORA).

ANÁFORA = Elemento que se refere ao que já foi dito
CATÁFORA = Elemento que se refere ao que ainda será dito

c) O homem e a mulher estavam sorrindo. Aquele porque foi promovido; esta por ter recebido um presente.
Aquele = homem
esta = mulher

A palavra aquele refere-se ao termo mais afastado (homem), enquanto esta, ao mais próximo (mulher).

4) Pronomes indefinidos
Naquela época, os homens, as mulheres, as crianças, todosacreditavam na vitória.
todos = homens, mulheres, crianças

5) Pronomes relativos
Havia ali pessoas que me ajudavam
que = pessoas

6) Pronomes interrogativos
Quem será responsabilizado? O rapaz do almoxarifado por não ter conferido os materiais.
Quem = rapaz do almoxarifado

7) Substantivos
José e Helena chegaram de férias. Crianças ainda, não entendem o que aconteceu com o professor.
Crianças = José e Helena

8) Advérbios
A faculdade ensinou-o a viver. Lá se tornou um homem.
Lá = faculdade

9) Preposições
As preposições não possuem referentes no texto. Simplesmente estabelecem vínculos.
Preciso de ajuda
Morreu de frio

Nas duas frases, a preposição liga um verbo a um substantivo. Na primeira, em que introduz um objeto indireto, ela é destituída de significado. Diz-se que tem apenas valor relacional. Na segunda, em que introduz um adjunto adverbial, ela possui valor semântico ou nocional, uma vez que a expressão que ela inicia tem um valor de causa.

Anáfora e catáfora - coesão textual - segundão - antenem-se

Referenciação e construção textual
Referenciação e construção textual
A coesão textual é um fator que sempre deve ser levado em consideração quando estamos redigindo. Os elementos coesivos são importantes para garantir uma boa sequenciação dos eventos dentro de um texto e, consequentemente, contribuem também para uma eficiente articulação de ideias. Sendo assim, quando prezamos pela coesão, estamos colaborando com a coerência textual e com os sentidos que serão construídos pelo leitor, afinal de contas, é para ele que escrevemos.
Somos detentores de um enorme material linguístico que sempre é recuperado e ativado quando interagimos verbalmente com alguém. Nenhuma palavra - parte constituinte de nosso discurso - é empregada sem que exista nessa escolha algum tipo de intenção, ainda que não observemos esse fato. Cada vocábulo pode explicitar o que realmente pensamos, denunciando nossas crenças, valores e visão de mundo.
Portanto, alguns cuidados devem ser tomados no momento da escrita. Como parte importante dos elementos que constituem a ideia de coesão textual há um dispositivo chamado referenciação. Para que esta aconteça, algumas estratégias são utilizadas.
Vamos analisar o exemplo abaixo:
As crianças brincavam depois da aula, era sexta-feira e todas estavam reunidas no parquinho. Corriam, desciam escorregadores, subiam no trepa-trepa, giravam no roda-roda e, a despeito da chuva que se anunciava, elas continuavam se divertindo.
Tudo que elas queriam fazer era isto: brincar até que a luz do dia, mesmo que nublado, permitisse. Os pequenos estavam muito ocupados em se divertir e não perceberam o que estava por vir: uma chuva torrencial. Pegos de surpresa, abandonaram o lugar de tanta diversão e foram correndo para suas casas, a fim de se protegerem.
A chuva perdurou por horas, chuva pesada, parecia até que o mundo desabaria naquele dia, descartando assim qualquer possibilidade de retorno ao parquinho. Para tristeza geral da criançada, a chuva insistente levou dois dias para decidir ir embora, o que manteve meninos e meninas presos em suas casas durante todo o final de semana.
Observemos aqui as estratégias de referenciação:
Introdução: nesse momento, podemos observar que um objeto surge no texto, é o caso da palavraparquinho, que até então não havia sido mencionada. Como é um importante termo na construção do texto, é possível observar que ele recebe destaque e, sendo assim, será um elemento que surgirá em outras ocasiões durante o texto.
Retomada (manutenção): o objeto “crianças” é retomado para que não seja esquecido durante a leitura do texto, e essa reativação é construída através de um movimento retrospectivo, ou seja, através de uma anáfora. A anáfora acontece quando fazemos referência a um termo expresso anteriormente no texto.
Desfocalização: lendo o exemplo, notamos que outro objeto é inserido, ganhando assim o foco do texto. Nesse caso, o elemento “chuva” ganha destaque, entretanto, podemos observar também que os outros importantes elementos não desapareceram do texto e serão retomados sempre que necessário.
A referenciação ocorre, basicamente, por meio de dois movimentos, chamados de movimentos retrospectivo e progressivo, respectivamente anáfora e catáfora. Tomando como objeto de análise o mesmo exemplo, vamos observar agora as anáforas e catáforas presentes no texto.
Anáforas:
As crianças brincavam depois da aula, era sexta-feira e todas estavam reunidas no parquinho. Corriam, desciam escorregadores, subiam no trepa-trepa, giravam no roda-roda e, a despeito da chuva que se anunciava, elas continuavam se divertindo.
As palavras todas e elas retomam algo que já foi citado anteriormente, nesse caso, a palavra crianças.Isso também acontecerá no trecho abaixo:
Tudo que elas queriam fazer era isto: brincar até que a luz do dia, mesmo que nublado, permitisse. Os pequenos estavam muito ocupados em se divertir e não perceberam o que estava por vir: uma chuva torrencial. Pegos de surpresa, (eles) abandonaram o lugar de tanta diversão e (eles) foram correndo para suas casas, a fim de se protegerem.
As palavras elas, pequenos e eles (aqui elipsados, mas partes constituintes da análise) também fazem uma referência anafórica ao objeto crianças.
Catáforas:
Tudo que elas queriam fazer era isto: brincar até que a luz do dia, mesmo que nublado, permitisse.
Os pequenos estavam muito ocupados em se divertir e não perceberam o que estava por vir: uma chuva torrencial.
Observe que os termos isto e o que são elementos que fazem referência a um termo subsequente, respectivamente brincar até que a luz do dia, mesmo que nublado, permitisse e uma chuva torrencial.
Inadvertidamente, fazemos uso desses elementos de referenciação na modalidade oral, pois, quando conversamos com nossos familiares e amigos, não refletimos muito sobre o uso desses fatores tão importantes para a coesão textual. Contudo, na modalidade escrita, devemos ficar atentos para evitar repetições desnecessárias de termos e usar adequadamente o dispositivo de referenciação, compreendendo que o texto pode apresentar relações sequenciadas, mas não necessariamente lineares.

3 de abril de 2015

Todos têm direito


Aplicado há praticamente 5 meses, em 8 e 9 de novembro do ano passado, o Enem 2014 perde cada vez mais espaço em relação a próxima edição do exame, na mídia relacionada a educação. Entretanto, uma questão ainda movimenta os milhões de candidatos: o espelho da correção da redação (ou melhor, a sua não divulgação).
Algum tempo após a aplicação do Enem, o Inep (órgão responsável pela organização do exame) libera em seu sistema o acesso a uma área restrita a cada participante onde ele poderá visualizar detalhadamente a nota que tirou em cada uma das 5 competências avaliadas na redação, bem como esclarecimentos a respeito da correção. Este serviço é chamado de espelho ou vista pedagógica da redação.
Após liberar o resultado do Enem 2014, no dia 13 de janeiro, o Ministério da Educação (MEC) informou que a estimativa para divulgação do espelho da correção da redação era de, no mínimo, dois meses. Já se passaram mais de 70 dias e por enquanto nada, sequer uma nota de satisfação aos milhões de estudantes que prestaram o exame.
Ao entrar em contato com o atendimento telefônico do MEC no dia de ontem (02 de abril), fomos informados que ainda não há uma data prevista para acesso a vista pedagógica da prova textual. Ao insistirmos e questionarmos o atendente sobre o “atraso”, obtivemos a mesma resposta.
Apesar de nenhuma confirmação oficial, acreditamos que o acesso ao espelho da correção da redação do Enem 2014 deve ocorrer ainda neste mês de abril. Vale lembrar que a vista pedagógica da edição de 2013 foi disponibilizada a exatamente um ano, no dia 2 do mesmo mês.
O acesso a correção da redação do Enem ocorreu pela primeira vez em 2012, referente a prova de 2011, após acordo firmado entre o Ministério Público Federal e o Inep, decorrente de muitas reclamações e ações judiciais de candidatos contra a nota da redação.