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4 de maio de 2016

ENEM

Exame Nacional do Ensino  Médio acontecerá  nos  dias 5 e 6 de  novembro; faltam, portanto, poucos  meses! O período de  inscrições  terminou e agora  o candidato  precisa  se preocupar com algo fundamental para o seu sucesso no Exame: o  que estudar  para  cada  disciplina! Quais  são as competências e  habilidades exigida  na prova de  Linguagens  e Códigos? Quais são  os  pontos  mais  recorrentes nas   questões de  Língua  Portuguesa e  Literatura  Brasileira?
Competências e  habilidades referentes ao  que  se  espera do candidato durante  a  prova de  Linguagens, Códigos e  suas  Tecnologias (grande área da disciplina Língua Portuguesa, de acordo com o  previsto na Lei de  Diretrizes e Bases da  Educação Nacional).  Veja  algumas delas:
Competência de área 5 – Analisar, interpretar e aplicar recursos expressivos das linguagens, relacionando textos com seus contextos, mediante a natureza, função, organização, estrutura das manifestações, de acordo com as condições de produção e recepção.
Competência de área 8 – Compreender e usar a língua portuguesa como língua materna, geradora de significação e integradora da organização do mundo e da própria identidade.

Interpretação de texto 

Ao contrário do que muita  gente pensa,  interpretar um texto   não tem   nada a  ver com opinar sobre o texto  ou – o  que  é  pior –adivinhar o  que  o  autor quis dizer!  Uma  boa leitura  interpretativa está relacionada ao  que, de fato, está expresso no texto   e ao contexto de  sua produção. Devemos  pensar sobre  os  seguintes aspectos:
  • Contexto histórico-literário. Considere a  escola   literária (Se  o texto dado  for literário,  obviamente!).
  • Gêneros  textuais e  modalidades  discursivas. Cada  Gênero textual tem a  sua estrutura e  perceber  isso  influencia a leitura e o entendimento do texto.
  • Vocabulário utilizado. Aqui cabe  observar se o texto é predominantemente denotativo ou  conotativo; isto é, a escrita é objetiva ou  predominam  expressões  que remetem  a  diversos  significados?

(ENEM  2013)
Texto I
Andaram  na  praia,  quando saímos, oito  ou dez deles; e daí a  pouco,  começaram a vir mais. E parece-me que viriam, este dia,  à  praia, quatrocentos ou  quatrocentos e  cinquenta. Alguns deles traziam arcos e flechas, que  todos   trocaram por carapuças ou  por  qualquer coisa que lhes davam. […] Andavam todos tão  bem-dispostos, tão  bem feitos e galantes com  suas tinturas que muito agradavam.
(CASTRO, s.  A carta de Pero Vaz de  Caminha. São Paulo:  L&PM, 1996. (fragmento))
Texto  II



(PORTINARI. Descobrimento do Brasil.  1956. Óleo sobre tela. 199X169 cm.
Pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro, a  carta de  Pero Vaz de Caminha e  a obra de Portinari retratam a chegada dos portugueses ao Brasil. Da leitura dos  textos, constata-se que
(A) a carta de Pero Vaz de Caminha representa  uma das  primeiras  manifestações artísticas dos  portugueses  em  terras  brasileiras e preocupa-se apenas  com a  estética literária.
(B) a tela de  Portinari  retrata  indígenas  nus com corpos  pintados, cuja  grande satisfação  é a afirmação da arte acadêmica brasileira e a contestação de  uma linguagem  moderna.
(C) a carta,  com testemunho  histórico-político, mostra o  olhar do colonizador sobre a gente da terra, e a pintura destaca, em  primeiro plano a inquietação dos  nativos.
(D) as duas produções, embora  usem linguagem diferentes — verbal e  não verbal—, cumprem  a mesma função social e artística.
(E) a pintura e a carta de Pero  Vaz de  Caminha são manifestações de  grupos  étnicos  diferentes, produzidas  em  um mesmo  momento histórico, retratando a colonização.
Gabarito e comentário: LETRA C.  Esta  é  uma questão interpretativa que  não exige  muito  do candidato. Os  dois textos apresentam  os  pontos de vista do  colonizador e  do  colonizado. O primeiro descreve , em  primeira  pessoa, o  momento do desembarque dos  navegadores portugueses no  litoral brasileiro;  o  segundo  sugere a reação dos  indígenas  ao verem a  aproximação das  naus. Note a  expressão  corporal dos  indivíduos retratados   no  texto II: de   frente  para o  mar e apontando  para os  navios.

Modernismo

De  1998 a  2013, o ENEM  conteve cerca de  30 questões  referentes  a este movimento literário  e  não estamos contando as  outras disciplinas,  que também utilizam textos de autores como Carlos  D. de  Andrade e  João Cabral de Melo Neto.  Por que  a preferência da banca  por esse  período de nossa  literatura?  O  Modernismo surgiu como   um movimento de oposição a escolas   literárias  como  o Romantismo, o  Parnasianismo e o Simbolismo;  portanto, para  seu entendimento,  é  necessário conhecer  seus antecedentes  literários e  observar  características estéticas e  temas propostos.


“Poética”, de Manuel Bandeira, é quase um manifesto do movimento modernista brasileiro de 1922. No poema, o autor elabora críticas e propostas que representam o pensamento estético predominante na época.
Poética
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e
[manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
[cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
[…]
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare
— Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
(BANDEIRA, Manuel. Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1974)
Com base na leitura do poema, podemos afirmar corretamente que o poeta:
(A) critica o lirismo louco do movimento modernista.
(B) critica todo e qualquer lirismo na literatura.
(C) propõe o retorno ao lirismo do movimento clássico.
(D) propõe o retorno ao lirismo do movimento romântico.
(E) propõe a criação de um novo lirismo.
Gabarito e comentário:  LETRA E. O Modernismo  propunha experimentação estética, a exemplo do que fora feito durante as  Vanguardas Europeias. “Lirismo comedido” e “lirismo funcionário  público” remetem à quebra de paradigmas na elaboração do texto poético. 

Gramática

Gramática  é um termo genérico para  fazer  referência  àquilo  que  aparece nos editais como norma culta da língua  portuguesa: fonética,  morfologia, sintaxe e semântica.  Tradicionalmente, o  Exame não privilegia questões  como  classificação de  orações  ou abordagens  semelhantes, mas veja  abaixo o  que  aconteceu na  prova de  2013: 
(ENEM 2013)
Mafalda2013
Nessa  charge,  o recurso morfossintático que  colabora para o efeito de  humor está indicado pelo
(A) emprego de  uma oração adversativa, que  orienta  para a  quebra de  expectativa no final.
(B) uso de  conjunção aditiva, que  cria  uma relação de  causa e efeito entre as  ações.
(C) retomada do substantivo “mãe”, que desfaz a ambiguidade dos sentidos a ele atribuídos.
(D) utilização da forma pronominal “la”, que reflete um tratamento formal em relação à mãe.
(E) repetição da forma  verbal “é”, que  reforça a relação de adição existente entre as  orações.
Gabarito e comentário: LETRA A. O  enunciado expõe  a importância das  conjunções coordenativas  para  a construção  dos  sentidos do texto; é, ao mesmo tempo, uma  questão sobre sintaxe e coesão textual. O  candidato precisa lembrar  de que as  coordenativas (conjunções ou  orações)  introduzem a  ideia de contraste.   O  texto inicial do  quadrinho (“A preguiça  é  a  mãe  de  todos  os vícios…”) sugere  que  o personagem faria  alguma  reflexão sobre o  ócio e, consequentemente,  teria alguma atitude  contrária  à preguiça. O  que  acontece,  no entanto, como quebra  de  expectativa é a  sua obediência a uma  outra questão cultural: as  mães devem  ser  obedecidas.

Variação linguística


(ENEM  2006)
No romance Vidas Secas, de Graciliano Ramos, o vaqueiro Fabiano encontra-se com o patrão para receber o salário. Eis parte da cena:
Não se conformou: devia haver engano. (…)Com certeza havia um erro no papel do branco. Não se descobriu o erro, e Fabiano perdeu os estribos. Passar a vida inteira assim no toco, entregando o que era dele de mão beijada! Estava direito aquilo? Trabalhar como negro e nunca arranjar carta de alforria?
O patrão zangou-se, repeliu a insolência, achou bom que o vaqueiro fosse procurar serviço noutra fazenda.
Aí Fabiano baixou a pancada e amunhecou. Bem, bem. Não era preciso barulho não.
(Graciliano Ramos. Vidas Secas. 91. ed. Rio de Janeiro: Record, 2003.)
No fragmento transcrito, o padrão formal da linguagem convive com marcas de regionalismo e de coloquialismo no vocabulário. Pertence à variedade do padrão formal da linguagem o seguinte trecho:
(A) “e Fabiano perdeu os estribos”
(B) “entregando o que era dele de  mão beijada”
(C) “não se conformou: devia  haver  engano”
(D) “Aí Fabiano baixou a pancada e amunhecou”
(E) ““Passar a vida inteira assim no toco”
Gabarito e comentário: LETRA C. Ao compararmos o trecho  “Não se conformou: devia haver engano” aos demais escolhidos pela banca, observamos a ausência de expressões informais que aparecem  nas outras alternativas, como “toco”, “mão  beijada”, “amunhecou”.

Funções da  linguagem

Embora,  não seja muito frequente na  história do Exame,  a  prova aplicada em 2009 continha seis  questões sobre o assunto. Para identificar a função de  um texto,  podemos  dizer  que é  preciso  pensar na  seguinte pergunta:  qual o objetivo deste   texto? É   bom lembrar, ainda, que  a cada função da linguagem corresponde um elemento da comunicação. Confira  neste  link.
(ENEM 2010)
Ao circularem socialmente, os textos realizam-se como práticas de linguagem, assumindo configurações específicas,  formais e de conteúdo. Considerando o contexto  em que circula o texto publicitário,  seu objetivo  principal  é
(A) influenciar o comportamento do leitor, por meio de apelos que visam à adesão ao consumo.
(B) defender a importância do conhecimento da informática pela população de baixo poder aquisitivo.
(C) facilitar o uso de equipamentos de informática pelas classes sociais economicamente desfavorecidas.
(D) definir regras de comportamento social pautadas no combate ao consumismo exagerado.
(E)  questionar o fato de o homem ser mais inteligente do que a máquina, mesmo a mais moderna

Gabarito e comentário: LETRA A.  A função apelativa da linguagem predomina no texto. Ela se caracteriza  pelo apelo  ao destinatário. Sua marca gramatical  mais evidente é  o  uso do  verbo  no  imperativo.
Fique atento!  Não se esqueça de  que estes  são os assuntos  mais  comuns  na  prova de  Língua Portuguesa do ENEM.  Dedique-se  a eles, mas   não deixe  de estudar outros  pontos!

Resenha

Substantivo

SUBSTANTIVO

Colômbia, bola, medo, trovão, paixão, etc. Essas palavras estão dando nome a lugar, objeto, sensação física, fenômenos da natureza, emoções, enfim as coisas em geral. Esses nomes são chamados SUBSTANTIVOS.Concreto;
Abstrato;
Comuns;
Próprios.
Assim, podemos dizer que substantivo é a palavra que dá nome aos seres. Eles podem ser classificados da seguinte forma:

CLASSIFICAÇÃO DO SUBSTANTIVO

CONCRETOÉ aquele que indica a existência de seres reais ou imaginários.
Exemplos:
Reais imaginários
Brasil bruxa
Recife curupira
ABSTRATOÉ aquele que indica sentimentos, qualidades, ações, estados e sensações.
Exemplo:
Sentimento: amor, ódio, paixão;
Qualidade: honestidade, fidelidade, perfeccionismo;
Ações: trabalho, doação;
Estado: vida, solidão, morte;
Sensação: calor, frio.

COMUNSÉ aquele que indica elementos de uma mesma espécie.
Exemplo:
Criança, cidade, livro.
PRÓPRIOÉ aquele que indica um ser em particular.
Exemplo:
Roberto, Pernambuco, Capibaribe, Brasil.
Os nomes próprios são utilizados principalmente em:
Rios: Capibaribe, Amazonas;
Cidades: Recife, Porto Alegre;
Estados: Pernambuco, Rio Grande do Sul;
Países: Brasil, Austrália;
Pessoas: Rubem, Antônio;
Empresas: Intel, Oracle.
Observação: o substantivo coletivo é um substantivo comum que, mesmo no singular indica um agrupamento, multiplicidade de seres de uma mesma espécie.
Constelação » estrelas;
Cáfila » camelos.
Vejamos alguns substantivos coletivos:
Alcatéia » lobos;
Arquipélago » ilhas;
Banca » examinadores, advogados;
Boiada » bois;
Cacho » bananas, uvas;
Década » período de dez anos;
Discoteca » discos;
Enxame » abelha, insetos;
Esquadrilha » aviões;
Fauna » animais de uma região;
Frota » carros, ônibus;
Lustro » período de cinco anos;
Manada » bois, porcos;
Pinacoteca » quadros;
Quadrilha » ladrões;
Rebanho » gado, ovelhas;
Resma » quinhentas folhas de papel;
Século » período de cem anos;
Triênio » período de três anos;
Vocabulário » palavras.
FORMAÇÃO DO SUBSTANTIVOQuanto à formação o substantivo pode ser:
Primitivo;
Derivado;
Simples;
Composto

PRIMITIVODá origem a outras palavras.
Exemplo: Pedra, ferro, vidro.
DERIVADOÉ originado através de outra palavra.
Exemplo: Pedreira, ferreiro, vidraçaria.
SIMPLES 
Apresenta apenas um radical na sua formação.
Exemplo: Vidro, pedra.
COMPOSTOApresenta dois ou mais radicais na sua formação.
Exemplo: Pernilongo, couve-flor.
FLEXÃO DO SUBSTANTIVO

Por ser uma palavra variável o substantivo sofre flexões para indicar:
Gênero: masculino ou feminino;
Número: singular ou plural;
Grau: aumentativo ou diminutivo.

GÊNERO DO SUBSTANTIVO
Na língua portuguesa há dois gêneros: masculino e feminino. Será masculino o substantivo que admitir o artigo o e feminino aquele que admitir o artigo a.
Exemplo:
O avião o calçado o leão /A menina a camisa a cadeira

SUBSTANTIVO BIFORME
Na indicação de nomes de seres vivos o gênero da palavra está ligado, geralmente, ao sexo do ser, havendo, portanto, uma forma para o masculino e outra para o feminino.
Exemplo:
Garoto – substantivo masculino indicando pessoa do sexo masculino;
Garota – substantivo feminino indicando pessoa do sexo feminino.
FORMAÇÃO DO FEMININOO feminino pode ser formado das seguintes formas:
- trocando a terminação o por a: Exemplo: moço moça menino menina
- trocando a terminação e por a: Exemplo: gigante giganta mestre mestra
- acrescentando a letra a: Exemplo: português portuguesa cantor cantora
- mudando-se ao final para ã, ao, ona: Exemplo: catalão catalã valentão valentona/leão leoa
- com esa, essa, isa, ina, triz: Exemplo: conde condessa /príncipe princesa/poeta poetisa/czar czarina/ator atriz
por palavras diferentes: Exemplo: cavaleiro amazona /padre madre
homem mulher

SUBSTANTIVOS UNIFORMES
Há substantivos que possuem uma só forma para indicar tanto o masculino quanto o feminino. Podemos classificá-los em:
EPICENOS
SOBRECOMUNS
COMUNS DE DOIS GÊNEROS


EPICENOS 
São substantivos que designam alguns animais e têm um só gênero. Para indicar o sexo são utilizadas as palavras macho ou fêmea. Exemplo:
Cobra macho cobra fêmea/Peixe macho peixe fêmea
Jacaré macho jacaré fêmea
SOBRECOMUNS
São substantivos que designam pessoas e tem um só gênero tanto para o masculino como para o feminino. Exemplo:
A criança – masculino ou feminino /O indivíduo – masculino ou feminino / A vítima – masculino ou feminino
COMUNS DE DOIS GÊNEROS
São substantivos que apresentam uma só forma para o masculino e para o feminino. A distinção se dá através do artigo, adjetivo ou pronome. Exemplo:
O motorista a motorista /Meu colega minha colega
Bom estudante boa estudante
CONCLUSÃO


Nessa primeira parte vimos à definição de substantivo – palavra que dá nome aos seres – sua classificação, formação e flexão.
Os substantivos são classificados como: concreto – indica a existência de seres reais ou imaginários -, abstratos – indica sentimentos, qualidades, ações, estados e sensações -, comuns – indica elementos de mesma espécie – e próprios – indicam um ser em particular e são utilizados para nomear rios, cidades, estados, países, pessoas e empresas -. Quanto a sua formação o substantivo pode ser primitivo – dá origem a outras palavras – e derivado – é originado através de outras palavras.
Quanto a sua flexão ele indica o gênero – masculino ou feminino, número – singular ou plural – e grau – aumentativo ou diminutivo.
Primeiramente vimos, apenas, a flexão do substantivo quanto ao gênero, onde o substantivo será masculino se admitir o artigo o e será feminino se admitir o artigo a. Os substantivos biformes ligam o gênero da palavra ao sexo do ser, havendo, portanto, uma forma para o masculino e outra para o feminino. Já os substantivos uniformes possuem uma só forma tanto para o masculino como para o feminino, podendo ser classificados em epicenos – indicam o sexo através da utilização das palavras macho ou fêmea –, sobrecomuns – têm uma só forma tanto para o masculino como para o feminino – e o comum de dois gêneros – a distinção do substantivo se dá através do artigo, adjetivo ou pronome. Também apresentam uma só forma para o masculino e para o feminino.

2 de maio de 2016

“Não sei começar!”

Não sei começar!” Essa é uma das frases que mais ouço quando os meus alunos vão fazer uma redação. Hoje, aprenderemos que iniciar um texto dissertativo argumentativo não é tão complicado assim.
Primeiramente, temos de saber que existem muitas técnicas para escrever. Você irá escolher aquela que o fizer sentir-se mais seguro. Não há problema algum em criar um modelo para o início do seu texto. O mais importante é você cumprir com os objetivos de um parágrafo de introdução.
Como havíamos esquematizado em nossa segunda aula, para que uma introdução funcione bem, é preciso realizar dois procedimentos: 
1º) Apresentar o tema. Esse é o momento em que contextualizamos o leitor a respeito do assunto que será abordado no texto. 
2º) Formulação de uma TESE, ou seja, um ideia central sobre o tema. A tese compreende sua opinião acerca do tema.
 Antes de trabalharmos as técnicas para construção do primeiro parágrafo da redação, devemos nos atentar para alguns conceitos importantes.
 Tese e argumentação

 A tese é a ideia central, lançada na introdução. É o ponto de vista definido acerca do tema proposto. Ela deverá ser sustentada ao longo do texto, através de uma argumentação forte e convincente.
 Parágrafo e tópico frasal

 parágrafo é uma unidade menor do texto, com princípio, meio e fim, que delimita uma ideia. É marcado por um ligeiro afastamento com relação à margem esquerda da folha.
 tópico frasal corresponde à ideia-núcleo do parágrafo. Ele resume a ideia que será desenvolvida posteriormente. Observe que, no exemplo a seguir, o parágrafo de introdução é iniciado por um período, que está em destaque, constituindo o tópico frasal:
Tema: A influência do tempo na vida do homem
Parágrafo de introdução:
Analisar a relação do tempo com o homem moderno é imprescindível. Nesse sentido, assuntos como o período destinado ao trabalho e a convivência familiar devem ser aprofundados. É fundamental saber organizar as atividades para que as prioridades sejam efetivamente atendidas. 

tópico frasal apresenta a temática que será discutida posteriormente. É a partir dele que se desenvolve o raciocínio. Note que a tese (opinião) encontra-se mais precisamente no último período do parágrafo, quando se ressalta necessidade de se organizar o tempo de uma forma melhor.

Anáfora e catáfora

Um texto com coesão é aquele que apresenta conexão entre suas ideias. Para que essa ligação seja estabelecida de forma clara, podemos utilizar diversas ferramentas. Hoje, vamos falar sobre um importantíssimo processo coesivo: a COESÃO REFERENCIAL.
Para começar nossos estudos, vamos à tirinha da famosa personagem Mafalda:
 (Quino)
Vejam que os pronomes “ISSO” e “ISTO” funcionam como elementos coesivos, uma vez que conectam informações presentes na tira. Percebam que tais termos aparecem em situações diversas de fala e têm propósitos diferentes.
Neste post, vamos ver a importância de saber utilizá-los corretamente em um texto. Para isso, precisamos estudar alguns conceitos mais amplos. Vamos lá?!

COESÃO REFERENCIAL
Esse tipo de coesão ocorre quando determinado elemento textual se remete a outro, substituindo-o. Areferência, inicialmente, pode ser em relação a um dado externo ou interno ao texto. Dessa forma, temos:
  • Coesão por Referência Exofórica: é aquela que se refere a um elemento fora do texto.
Exemplo:
“A gente era pequena naquele tempo. E aquele era um tempo em que ainda se apregoava nas ruas. Não em todas as ruas, mas naquela onde vivíamos. Naquela rua, que tinha por nome a data de um santo, o tempo passava mais lentamente do que no resto da cidade de Porto Alegre.”
(Trecho inicial de uma crônica, postada no site http://revistagloborural.globo.com, por Letícia Wierzchowski)
Notem que as expressões em destaque se referem a informações externas ao texto.
  • Coesão por Referência Endofórica: é aquela que faz referência a algo dentro do texto.
SE LIGA!
A referência endofórica pode ser feita a algo mencionado anteriormente no texto – anáfora – ou a algo mencionado posteriormente – catáfora.
Analisemos os exemplos a seguir:
1) Não consegui passar o recado para seu pai, pois, quando eu voltei, ele já havia ido embora.  (“ele” -> termo anafórico)
2) Lá estava ela, ali parada, minha amiga! (“ela” -> termo catafórico)
Notem que, no primeiro exemplo, o pronome “ELE” desempenha função anafórica uma vez que RETOMA a expressão “seu pai”. Já no segundo, vemos o pronome “ELA” exercendo função catafórica, já que se refere a um termo posteriormente expresso – “minha amiga”.

CoolDICA DE REDAÇÃO!
Saibam utilizar corretamente os pronomes demonstrativos na redação:
Lembrem-se:
ISTO, ESTA, ESTE (e demais contrações) -> CATAFÓRICOS
ISSO, ESSA, ESSE (e demais contrações) -> ANAFÓRICOS
Observem:
I) No Brasil, o problema é este: a violência.
II) A violência cresce a cada dia no Brasil. Esse problema deve ser combatido por meio de medidas mais eficazes.
Notem como, na frase I, o referente “violência” está localizado posteriormente, logo o pronome “este” desempenha função catafórica; já na frase II, a referência foi feita anteriormente, portanto o pronome “esse” possui função anafórica.

Para finalizar nossa aula de hoje, deixo aqui mais alguns exemplos de termos que exercem coesão referencial, evitando, assim, indesejáveis repetições vocabulares:
O trabalho que eu fiz mereceu destaque. (pronome relativo, retomando o termo “trabalho” e ligando as orações)
Tenho dois objetivos: o primeiro é passar no vestibular; o segundo, arrumar um bom emprego.(numerais que substituem os respectivos “objetivos”)
Moramos no Brasil. Aqui, as leis não são respeitadas como deveriam. (advérbio retomando o substantivo próprio “Brasil”)

CAIU NO ENEM
(ENEM 2009)
Páris, filho do rei de Troia, raptou Helena, mulher de um rei grego. Isso provocou um sangrento conflito de dez anos, entre os séculos XIII e XII A.C. Foi o primeiro choque entre o ocidente e o oriente. Mas os gregos conseguiram enganar os troianos. Deixaram à porta de seus muros fortificados um imenso cavalo de madeira. Os troianos, felizes com o presente, puseram-no para dentro. À noite, os soldados gregos, que estavam escondidos no cavalo, saíram e abriram as portas da fortaleza para a invasão. Daí surgiu a expressão "presente de grego".
Em "puseram-no", a forma pronominal "no" refere-se:
a) ao termo "rei grego".
b) ao antecedente "gregos".
c) ao antecedente distante "choque".
d) à expressão "muros fortificados".
e) aos termos "presente" e "cavalo de madeira".


Comentários:
Para resolver a questão, basta recuperar as informações do texto. Notem que a forma pronominal “no” retoma o termo “presente”, que por sua vez retoma “cavalo de madeira”, desempenhando função anafórica. Como podemos perceber, a alternativa que demonstra isso é a letra E – gabarito da questão.

Bem, galera, espero ter colaborado para que esse assunto se torne mais claro e objetivo. No próximo post, veremos outros processos coesivos.