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3 de abril de 2015

Todos têm direito


Aplicado há praticamente 5 meses, em 8 e 9 de novembro do ano passado, o Enem 2014 perde cada vez mais espaço em relação a próxima edição do exame, na mídia relacionada a educação. Entretanto, uma questão ainda movimenta os milhões de candidatos: o espelho da correção da redação (ou melhor, a sua não divulgação).
Algum tempo após a aplicação do Enem, o Inep (órgão responsável pela organização do exame) libera em seu sistema o acesso a uma área restrita a cada participante onde ele poderá visualizar detalhadamente a nota que tirou em cada uma das 5 competências avaliadas na redação, bem como esclarecimentos a respeito da correção. Este serviço é chamado de espelho ou vista pedagógica da redação.
Após liberar o resultado do Enem 2014, no dia 13 de janeiro, o Ministério da Educação (MEC) informou que a estimativa para divulgação do espelho da correção da redação era de, no mínimo, dois meses. Já se passaram mais de 70 dias e por enquanto nada, sequer uma nota de satisfação aos milhões de estudantes que prestaram o exame.
Ao entrar em contato com o atendimento telefônico do MEC no dia de ontem (02 de abril), fomos informados que ainda não há uma data prevista para acesso a vista pedagógica da prova textual. Ao insistirmos e questionarmos o atendente sobre o “atraso”, obtivemos a mesma resposta.
Apesar de nenhuma confirmação oficial, acreditamos que o acesso ao espelho da correção da redação do Enem 2014 deve ocorrer ainda neste mês de abril. Vale lembrar que a vista pedagógica da edição de 2013 foi disponibilizada a exatamente um ano, no dia 2 do mesmo mês.
O acesso a correção da redação do Enem ocorreu pela primeira vez em 2012, referente a prova de 2011, após acordo firmado entre o Ministério Público Federal e o Inep, decorrente de muitas reclamações e ações judiciais de candidatos contra a nota da redação.

Primeirão - antenem-se!

Primeiramente, temos de saber que existem muitas técnicas para escrever. Você irá escolher aquela que o fizer sentir-se mais seguro. Não há problema algum em criar um modelo para o início do seu texto. O mais importante é você cumprir com os objetivos de um parágrafo de introdução.
Como havíamos esquematizado, para que uma introdução funcione bem, é preciso realizar dois procedimentos: 
1º) Apresentar o tema. Esse é o momento em que contextualizamos o leitor a respeito do assunto que será abordado no texto. 
2º) Formulação de duas TESES, ou seja, um ideia central sobre o tema. A tese compreende sua opinião acerca do tema.
 Antes de trabalharmos as técnicas para construção do primeiro parágrafo da redação, devemos nos atentar para alguns conceitos importantes.
 Tese e argumentação

 A tese é a ideia central, lançada na introdução. É o ponto de vista definido acerca do tema proposto. Ela deverá ser sustentada ao longo do texto, através de uma argumentação forte e convincente.
 Parágrafo e tópico frasal

 O parágrafo é uma unidade menor do texto, com princípio, meio e fim, que delimita uma ideia. É marcado por um ligeiro afastamento com relação à margem esquerda da folha.
 O tópico frasal corresponde à ideia-núcleo do parágrafo. Ele resume a ideia que será desenvolvida posteriormente. Observe que, no exemplo a seguir, o parágrafo de introdução é iniciado por um período, que está em destaque, constituindo o tópico frasal:
Tema: A influência do tempo na vida do homem
Parágrafo de introdução:
Analisar a relação do tempo com o homem moderno é imprescindível. Nesse sentido, assuntos como o período destinado ao trabalho e a convivência familiar devem ser aprofundados. É fundamental saber organizar as atividades para que as prioridades sejam efetivamente atendidas. 

O tópico frasal apresenta a temática que será discutida posteriormente. É a partir dele que se desenvolve o raciocínio. Note que a tese (opinião) encontra-se mais precisamente no último período do parágrafo, quando se ressalta necessidade de se organizar o tempo de uma forma melhor

Drummond

Terceirão - resumo do que estudamos

Orações subordinadas substantivas
São aquelas que exercem funções próprias do substantivos (sujeito, objeto direto, objeto indireto, aposto, complemento nominal e predicativo), iniciam por conjunções integrantes(que e se). Para identificar o tipo de  oração subordinada substantiva, podemos trocar a oração subordinada  por Isso, Disso ou Nisso.
Podem ser:
1 - Subjetiva (O.S.S.S.): exercem função de sujeito do verbo da oração principal.
Exemplo: É provável que ele chegue ainda hoje . (O que é provável?);
2 - Objetiva Direta (O.S.S.O.D.): exercem função de objeto direto (não possui preposição).
Exemplo: Desejo que todos venham. (Quem deseja, deseja algo, alguma coisa);
3-  Objetiva Indireta (O.S.S.O.I.): exercem função de objeto indireto (possui preposiçãoobrigatória, que vem depois de um VERBO).
Exemplo: Necessitamos de que todos nos ajudem; (Quem necessita, necessita algo de alguém);
4 - Predicativas (O.S.S.P.): exercem função de predicativo.
Exemplo: Meu desejo era[verbo de ligação] que me dessem uma camisa; (reparem no verbo, ele une o sujeito e seu estado/sua qualidade);
5 - Completivas Nominais (O.S.S.C.N.): exercem função de complemento nominal de umnome da oração principal.
Exemplo: Tenho esperança de que ela ainda volte; (o sujeito do verbo tenho, só pode ser de primeira pessoa -Eu; esperança é o objeto direto do mesmo verbo; este objeto pede um complemento, pois quem tem esperança, tem esperança em alguma coisa, ou de alguma coisa);
6 - Apositivas (O.S.S.A.): exercem função de aposto.
Exemplo: Desejo-lhe uma coisa: que sejas muito feliz. (aposto é o termo ou oração que, separada por travessão ou vírgulas, explica um termo ou oração anterior)
Ou seja, todas as orações subordinadas substantivas podem ser trocadas por isso ou disso. Veja os exemplos:
Precisamos de que venha para a aula. = Precisamos disso.
Quero que venha para a guerra. = Quero isso.

Orações subordinadas Adjetivas
São as iniciadas por pronome relativo e exercem função própria do adjetivo.
Classificam-se em:
1 - Restritivas: delimitam o significado de um termo e não são separadas por vírgula.
Exemplo: A cidade em que nasci já possui mais de 300 anos.
2 - Explicativas: acrescentam, realçam o significado de um nome ao qual se referem, explicam. São separadas por vírgula.
Exemplo: O sol, que é uma estrela, é o centro de nosso sistema planetário.
Nas orações subordinadas adjetivas podemos trocar as conjunções integrantes "que" por pronomes relativos.
Exemplos:
O cavalo que montei é muito feroz. O cavalo o qual montei é muito feroz.
O dragão, que é uma figura mitológica, sopra labaredas de fogo. O dragão, o qual é uma figura mitológica, sopra labaredas de fogo.

Orações subordinadas adverbiais
São introduzidas por conjunção subordinativa (exceto a conjunção integrante) e funcionam como adjunto adverbial da oração principal.
Dividem-se em:
- causais: exprimem causa ao fato que ocorreu na oração principal. Iniciadas, principalmente. Ex: Já que está chovendo, vamos dormir. Principais conjunções: porque, visto que, já que, uma vez que, como que, como.
- comparativas: representam o segundo termo de uma comparação. Ex: Essa mulher falacomo um papagaio. Principais conjuções: que, do que, como, assim como, (tanto)quanto.
- concessivas: indica uma concessão entre as orações. Ex: Embora chova, vou à praia. Principais conjunções :embora, a menos que, ainda que, posto que, conquanto, mesmo que, se bem que, por mais que.
- condicionais: expressa uma condição. Ex: Se chover, não irei à praia. Principais conjunções : se, salvo se, exceto, caso, desde, contando que, sem que, a menos que.
- conformativas: exprimem acordo, concordância de um fato com o outro. Ex: Cada um colhe conforme semeia. Principais conjunções :como, consoante, segundo, conforme.
- consecutivas: traduzem a conseqüência ou o efeito do que se declara na oração principal. Ex: Falei tanto, que fiquei rouco. Principais conjunções : que(precedida de tal, tão, tanto, tamanho), de sorte que, de modo que.
- finais: exprimem finalidade. Ele estudou para que fosse bem no exame.
indica uma finalidade. Ex: Todos estudam para que possam vencer.
Principais conjunções : para que, a fim de que, que.
- temporais: indicam circunstância de tempo Ex: Logo que chegou, sentou-se no sofá. Principais conjunções : quando, antes que, assim que, logo que, até que, depois que, mal, apenas, enquanto.
- proporcionais: expressa proporção entre as orações. Ex: O trânsito piorava à medida quea chuva aumentava. Principais conjunções : à medida que, quanto mais....mais, à proporção que, ao passo que, quanto mais.
Orações subordinadas reduzidas
As orações subordinadas podem aparecer sob a forma de orações reduzidas, que apresentam as seguintes características:
- verbo em uma das formas nominais (gerúndio, particípio ou infinitivo);
- não são introduzidas por conectivos (conjunções subordinativas ou pronomes relativos).
São classificadas em:
- reduzida de infinitivo: Meu desejo era viajar para a Grécia.
- reduzida de gerúndio: Encontrei as crianças brincando no jardim(básicamente o gerúndio é falar à alentejano).
- reduzida de particípio: Apresentado o resultado, todos discordarão.
DICA: esse tipo de oração pode ser substituido pelas pronomes demostrativos.
Atenção
·         O sujeito das orações reduzidas de infinitivo não deve ser contraído com a preposição de.
- A maneira de ele trabalhar não é satisfatória. (não: A maneira dele trabalhar não é satisfatória.)
·         Os pronomes pessoais oblíquos mim e ti não devem ser usados como sujeito das orações reduzidas de infinitivo. No lugar deles, devem ser usados os pronomes pessoais retos eu etu.
- Foi difícil para eu fazer isto. (não: Foi difícil para mim fazer isto.)

Elvis Presley -My Way

2 de abril de 2015

Redação

 Enem


A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CJC) da Câmara dos Deputados Federais aprovou no último dia 31 de março a PEC 171/93 de autoria do parlamentar Marcos Rogério (PDT-RO) que reduz a maioridade penal dos 18 para os 16 anos no Brasil. Ou seja, a CJC, com essa aprovação, afirma que a redução da maioridade penal é constitucional, argumento rebatido pelos partidos contrários à referida PEC (Psol, PT, PPS, PSB e PcdoB).
A partir desse momento, a Câmara abrirá uma comissão especial para debater o tema e examinar a proposta que foi apresentada com 46 emendas criadas nos últimos 22 anos, desde quando a proposta original foi inserida. Essa comissão especial terá 40 sessões em Plenário, inclusive audiências públicas, para dar o seu parecer final.
Após esse trâmite, a PEC será votada pelos deputados federais em dois turnos e, para ser aprovada, precisa de 3/5 de votos favoráveis (308 parlamentares) em cada uma das votações. Caso a PEC seja aprovada na Câmara, passará pelo mesmo sistema de votação no Senado Federal e, se aprovado o texto original, será promulgada; já se for aprovado, mas com alterações, voltará para a Câmara Federal para ser votado novamente.
A redução da maioria penal sempre foi um tema polêmico e que desperta debates acalorados na população em geral e, com essa movimentação parlamentar, voltou a ocupar espaços importantes nas mídias televisiva, imprensa e digital em todo o país e, por ser algo tão importante, resolvemos trazê-lo nessa coluna que trata de temas relevantes para a redação do Enem 2015.
Em outras ocasiões, afirmamos que acreditamos que temas tão polêmicos, como a redução da maioridade penal e a regulamentação e descriminalização do aborto, por exemplo, não seriam temas de propostas de redação do Enem, mas como o debate tomou proporções nacionais, objetivamos mostrar a vocês, leitores, os argumentos favoráveis e contrários a essa medida a fim de que vocês construam as suas próprias opiniões.
Segundo a página Congresso em Foco, a PEC não teria a maioria dos votos favoráveis na Câmara dos Deputados e a tendência seria reduzir a maioridade penal apenas para crimes hediondos – algo que também contraria os partidos opositores à proposta. Crimes hediondos, a saber, são crimes como latrocínio (roubo seguido de morte), sequestro, estupro, homicídio dentre outros.
O deputado Marcos Rogério (PDT-RO), em entrevista à edição da última terça-feira (31/03) do Jornal Nacional, argumentou o seguinte:
O que a sociedade está pedindo é que haja redução. Já se pode votar aos 16 anos, pode casar aos 16 anos, pode tanta coisa aos 16 anos. Não pode responder pelos crimes? Então, acho que é um avanço o que nós fizemos aqui na CCJ, mas esse debate vai ser muito mais caloroso na comissão especial, onde vai se discutir o mérito da questão.
Já o deputado Chico Alencar (Psol-RJ), na mesma matéria, rebateu dizendo que
Já há medidas de punição. O Estatuto da Criança e do Adolescente já prevê uma série de sanções, inclusive com internação. As medidas socioeducativas, quando aplicadas corretamente, têm se mostrado muito mais eficazes para a sociedade do que o encarceramento.
Parlamentares e ativistas contrários à redução da maioridade penal dos 18 aos 16 anos argumentam que essa medida é inconstitucional, pois a Constituição Federal proibiria essa diminuição, algo interpretado de maneira inversa pelos parlamentares e ativistas favoráveis à redução. O fato é que, na lei máxima do país, está posto, em seu artigo 228, que menores de 18 anos são inimputáveis criminalmente.
Os argumentos favoráveis à redução da maioridade penal espelham-se em países nos quais a idade mínima para ser acusado e condenado criminalmente é abaixo dos 18 anos, como a Inglaterra, por exemplo, onde, atualmente, a maioridade penal é de 10 anos e o país passa por uma discussão sobre a possibilidade de aumentá-la.
 
Disponível em http://direito.folha.uol.com.br/blog/category/maioridade%20penal. Extraído em 01/04/2015.
Disponível em http://direito.folha.uol.com.br/blog/category/maioridade%20penal. Extraído em 01/04/2015.

Outro argumento favorável é o que afirma que a impunidade gera mais violência. Adolescentes são usados por adultos para levarem a culpa pelos crimes por esses receberem, apenas medidas socioeducativas ou, se apreendidos (já que o Estatuto da Criança e do Adolescente não usa o verbo prender ao tratar de menores de idades), podem ficar nas instituições para esse fim por, somente, três anos.
Dados estatísticos são usados como estratégia argumentativa (como deve-se fazer em uma redação do Enem) para fundamentar a aprovação da redução da maioridade penal, visto que, de acordo com uma pesquisa realizada, em 2013, pelo instituto CNT/MDA, indicou que 92,7% da população brasileira é a favor da medida; já a pesquisa do Datafolha, promovida no mesmo ano, apontou que 97% dos paulistanos querem a redução da maioridade penal e 72% pensam que isso deveria ser feito em relação a qualquer tipo de crime.
Por outro lado, parlamentares e ativistas contrários também fundamentam seus argumentos em estratégias argumentativas como dados estatísticos. Segundo a página do Movimento 18 razões para a NÃO redução da maioridade penal, o índice de reincidências nas prisões brasileiras é de 70%, ou seja, o sistema carcerário do nosso país não consegue reabilitar o preso para voltar à sociedade e não cometer mais crimes, já que está super lotado e sucateado e possui a 4ª maior população carcerária do mundo com 500 mil presos, perdendo apenas para Estados Unidos, China e Rússia.
 
Disponível em https://18razoes.files.wordpress.com/2013/04/infogrc3a1fico_menores_1.gif. Extraído em 01/04/2015.
Disponível em 18razoes.files.wordpress.com/2013/04/infogrc3a1fico_menores_1.gif. Extraído em 01/04/2015.

E você, leitor, o que pensa sobre isso? Você já tem uma opinião formada ou não? O que escreveria se esse tema fosse um tema em uma proposta de redação do Enem?

1 de abril de 2015

Atenção aos casos de depressão

Não foi a depressão ou qualquer distúrbio mental a causa do acidente que matou 150 pessoas na semana passada, nos Alpes franceses, com a queda do voo 4U9525 daGermanwings. É a opinião maciça dos especialistas ouvidos pelo Brasil Post, que vêem um ‘desserviço’ nos apontamentos direcionados ao copiloto Andreas Lubitz. Não há aqui defesa de um possível assassinato em massa. O que há é um temor das repercussões para quem sofre de doenças da mente.
“O copiloto poderia ter uma série de problemas de saúde, uma crise hipertensiva, muitas coisas, então é preciso tratar esse assunto para evitar um aumento do estigma e do preconceito”, analisou o médico Antônio Geraldo da Silva, presidente daAssociação Brasileira de Psiquiatria (ABP). “De 100% dos crimes cometidos no mundo, 95% são cometidos por pessoas sem transtornos mentais. O único doente mental perigoso é aquele sem tratamento”.
Até o momento, o que se sabe é que foram encontrados documentos, remédios e um atestado médico que apontam para problemas de saúde de Lubitz, o qual já teria um passado no qual sofreu de depressão e da chamada Sindrome de Burnout(esgotamento mental). De acordo com os promotores franceses, os diálogos da caixa-preta mostram que Lubitz se trancou na cabine do Airbus A320 e fez uma descida de oito minutos, de maneira deliberada.
Seguindo esse raciocínio, Lubitz é um assassino frio e cruel? Para a psicóloga daUniversidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR), Giliane Schmitz, mestranda em análise de comportamento pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e filiada à Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP), isso está longe da realidade. “Não podemos usar a depressão como causa porque isso seria generalizar, criar a ideia de que todo depressivo é perigoso”, disse.
A especialista em comportamento analisou que a atual cobertura midiática do acidente aéreo na França atrapalha muito mais do que ajuda na desmistificação das doenças mentais, seja no Brasil ou no mundo. De acordo com Giliane, toda a vez que uma disfunção é usada para justificar um ato é um equívoco, já que a depressão é diferente de pessoa para pessoa. “Com acompanhamento, nenhuma pessoa com depressão oferece perigo”, completou.
Ela não está só nessa avaliação. “Toda pessoa precisa passar por um controle médico, isso em todas as áreas, incluindo a avaliação psiquiátrica e psicológica. Se você quiser investigar exclusivamente a mente, sem levar em conta a saúde como um todo, é preconceituoso. Estranho como esse acidente tem sido noticiado, como se todo doente mental fosse perigoso. O que não se fala é que, no Brasil, 12 mil se suicidam todos os anos. É gravíssimo e temos que discutir esses assuntos”, afirmou Silva.
Em artigo publicado na Slate, a professora assistente Anne Skomorowsky, da área de psiquiatria da Universidade de Colúmbia (EUA), alertou que “usar a palavra ‘depressão’ para descrever um comportamento inexplicável ou violento nos remete a dois sinais falsos: primeiro, que a sociedade não tem nenhuma obrigação com a nossa felicidade – porque a angústia é um problema médico – e segundo, que uma pessoa depressiva corre o risco de cometer atos deploráveis”.
Lições deixadas pela tragédia
Andreas Lubitz foi descrito como alguém como “atormentado” por uma ex-namorada. Mesmo partindo do pressuposto de que isso seja verdade, a companhia aérea alemãLufthansa – dona da Germanwings – garantiu na semana passada que o copiloto possuía 100% de condições para estar na tripulação daquele voo. Os exames conduzidos pela empresa, somados aos detalhes do avião (a caixa-preta com esses dados não foi localizada ainda), ajudarão a dar uma ideia do perfil de Lubitz e de como, detalhadamente, o voo que saiu de Barcelona com destino a Düsseldorf caiu.
Naturalmente, a tragédia já causa mudanças no mundo aéreo, com empresas de vários países – incluindo o Brasil – adotando novos procedimentos que impeçam que piloto ou copiloto fiquem sozinhos dentro da cabine do avião. Para os especialistas que lidam com a psique humana, a luta contra o preconceito continua, porém o acidente mostra que é preciso debater não só as doenças da mente, mas também como prevení-las e tratá-las, quando for o caso.
“A cada três segundo uma pessoa tenta o suicídio, e a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo, e nada é feito? Eu acho que a lição que podemos tirar é que não podemos desprezar o que já sabemos e deixar passar. Você já viu uma campanha sobre o assunto? Há um desprezo e um preconceito grande. Não precisamos de preconceito, precisamos de políticas de saúde pública, com acesso a tratamento. E isso, hoje no Brasil, é falho”, disse Silva.
Na opinião de Giliane, as questões mentais são delicadas e o estresse vivido no mundo contemporâneo não é exclusividade dos trabalhadores da aviação civil.
“As pessoas hoje estão muito ligadas ao trabalho. Elas querem muito ser bem sucedidas e isso causa estresse. Um piloto vive em um ambiente assim, de cobranças, já que ele é responsável por muitas outras pessoas. Esse acidente mostra que precisamos pensar mais na saúde do trabalhador. Qualquer doença mental não foi a culpada por essa tragédia. Pode ter contribuído, mas não foi a causa. E como se evita? Tendo um acompanhamento mais próximo”, explicou a psicóloga.
“Não dá para chamar o profissional da saúde para ‘apagar fogo’, quando acontece um problema. Quando ele já aconteceu, há pouco a ser feito. Temos é que prevenir, implantando políticas de acompanhamento e favoráveis à saúde do trabalhador”, finalizou Giliane.

Resumo


Há alguns dias, mais precisamente na última sexta-feira, falamos sobre a diferença entre resumo e resenha. Hoje, trazemos algumas dicas e técnicas para que você consiga realizar um resumo que realmente te ajude na fixação dos conteúdos estudados.
Antes de qualquer dica, é importante destacar que fazer resumo não é copiar! Não adianta nada escolher meia dúzia de parágrafos, transcrevê-los e chamar isso de resumo. Esse amontoado de palavras pode ser qualquer coisa, menos um resumo de verdade! Além disso, não vai te auxiliar em nada na fixação e entendimento do conteúdo. Tendo isso em mente, podemos fazer receita que, caso siga o passo a passo, conseguirá realizar um ótimo resumo:
  1. Leia atentamente o texto-fonte, para ter uma visão geral do assunto tratado.
  2. Faça uma nova leitura, desta vez separando (grifando ou fazendo uma lista) as partes que julga serem as mais importantes de cada parágrafo. Essa fase é muito importante, pois são justamente essas anotações que servirão como base para seu resumo.
  3. Escreva, agora com suas palavras, todas as ideias e informações que separou anteriormente.
  4. Reescreva seu resumo. Afinal, dificilmente a primeira versão apresenta uma construção de parágrafos e de organização de ideias satisfatórias.
  5. Leia atentamente seu resumo, observando principalmente se não houve adição de comentário pessoais que não sejam do autor do texto-base. Essa última análise também é muito importante porque, como já ressaltamos anteriormente, diferentemente da resenha, o resumo não deve conter nenhum olhar crítico referente ao texto original.
Essas são as dicas.
Como pode perceber, fazer um bom resumo é muito mais trabalhoso do que a maioria imagina. Entretanto, seguindo esse passo a passo, certamente conseguirá fixar com muito mais facilidade assuntos de disciplinas como física, química e biologia, por exemplo.

Redação

Qual é o limite entre o trote e o crime?

O trote universitário é uma espécie de ritual de passagem que existe desde o surgimento das primeiras universidades, na Idade Média. Em teoria, essa prática deveria promover a integração entre calouros e veteranos. No entanto, cada vez mais, ela vem se tornando violenta e humilhante. Os excessos e abusos são frequentes, resultando em traumas e até mesmo em mortes. Em São Paulo, para tentar resolver o problema, deputados estaduais se reuniram em uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que investigou denúncias de violação de direitos humanos em trotes de universidades do Estado. Entre outras medidas, a CPI sugeriu que, em caso de violência, o trote passe a ser considerado uma forma de tortura. Você concorda com esse tipo de enfoque? Na sua opinião, quais as causas da violência na recepção aos calouros? Quando a prática deixa de ser uma brincadeira entre colegas e se torna efetivamente criminosa? Qual é o limite entre o trote e o crime? Redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema, expondo suas opiniões e defendendo seu ponto de vista.
  • Reprodução
    Calouros pintados e ajoelhados observam veterano em trote na Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília
     

Reconhecimento social

Apesar de ser uma prática repugnante, os trotes vêm sendo aceitos como um símbolo de reconhecimento social. Existe muita resistência por parte das Universidades e autoridades em organizar uma discussão a respeito ou tomar providências mais incisivas. O raciocínio predominante parece ser o de que, se não houver mortes ou mutilações durante as recepções aos novatos, então não há problema, pois se trata de um tradicional rito de passagem que promove a integração entre calouros e veteranos.
Entretanto, tais atos de violência não devem ser entendidos como “brincadeira”. São atos de tortura, que na maioria dos casos deixam marcas que o tempo não apaga e podem, até mesmo, configurarbullying. É absolutamente inaceitável que um veterano imponha aos calouros condutas que venham a lhes causar danos à saúde, à vida ou os atinjam em sua dignidade.

Trote e tortura

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de São Paulo investigou denúncias de violação de direitos humanos em trotes de universidades paulistas. Os deputados paulistas pedem que os trotes praticados contra calouros nas universidades de todo o país sejam classificados de crime de tortura no Código Penal Brasileiro. “O que acho mais urgente é tirar toda a violência que ocorre nos trotes do capítulo de Atentado Violento ao Pudor, elevando-o à categoria de tortura. Trote é uma forma de tortura”, disse o deputado Adriano Diogo, presidente da CPI.

Álcool e morte

O ano em que entrei na universidade, 1999, foi marcado por um trote violento que terminou em uma tragédia. Foi naquele ano que o jovem Edison Tsung Chih Hsueh, calouro de medicina da USP, morreu afogado na piscina da atlética. Ele havia ingerido álcool forçado pelos “colegas” veteranos.
Alguns cursos, especialmente de humanas, passaram a fazer o “trote solidário”, em que o calouro era convidado a fazer um trabalho social. Não havia tintas, cabelo raspado e nem humilhação pública. Isso é comum em países como os Estados Unidos.
Lá, os calouros costumam ser recebidos por veteranos-tutores, que se ocupavam de orientá-los sobre moradia, alimentação, lugares para estudar e, claro, festas. Por aqui, a onda dos trotes violentos vai e volta.

Observações

Seu texto deve ser escrito na norma culta da língua portuguesa;
Deve ter uma estrutura dissertativa-argumentativa;
Não deve estar redigido sob a forma de poema (versos) ou narração;
A redação deve ter no mínimo 25 e no máximo 30 linhas escritas;
Dê um título à sua redação.