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29 de janeiro de 2014

CESPE e as PROVAS

Dicas

Os segredos para ir bem nas provas do Cespe/UNB

Uma das mais importantes e respeitadas bancas do país, o Cespe/Unb (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília) ganhou destaque, ao longo dos anos, não só por promover os principais concursos públicos federais, mas também por criar um modelo de provas temido pela maior parte dos candidatos.
 
Isso ocorre geralmente porque as avaliações elaboradas pelo Cespe fogem do padrão comum adotado pela maioria das empresas organizadoras, que valorizam questões de múltipla escolha ou testes, onde o concorrente deve assinalar a opção correta entre quatro ou cinco alternativas.
 
No caso do Cespe é diferente. O critério utilizado é o famoso “uma errada anula uma certa”, ou seja, o candidato julga como certa ou errada a afirmativa e cada erro cometido anula um acerto no cálculo do resultado final. Assim, se o concurseiro decidir por não responder a pergunta, nenhum ponto é somado nem subtraído. Porém, vale destacar que, de acordo com as normas contidas no edital de abertura de cada concurso, em algumas provas o concorrente só perde uma questão a cada duas ou três erradas.
 
Segundo informações da própria organizadora, o procedimento de avaliação é justificável em um processo seletivo que visa selecionar o candidato com melhor capacidade de analisar, interpretar e responder a partir do que aprendeu, descartando o “chute” ou a possibilidade de aprovação ao acaso.
 
O estudante Caio Vacielo é um dos concurseiros que se assustam quando o assunto são as avaliações elaboradas pelo Cespe. “O critério de anular uma questão correta quando você comete um erro é injusto com o candidato, que passa horas por dia estudando, pois o medo de perder pontos acaba gerando um pavor desnecessário na hora de assinalar uma questão, mesmo quando se tem certeza da resposta.”
 
Seja cauteloso - Para o advogado da União e professor de métodos de estudo para concursos, Waldir Santos, mesmo com tantas barreiras, ainda assim é possível driblar as dificuldades impostas por esse tipo de prova, utilizando principalmente uma metodologia adequada para acertar um número maior de questões em termos de pontos líquidos.
De acordo com Santos, a regra básica é ter cautela e não arriscar sem ter certeza absoluta. “A melhor forma de definir quantas perguntas deixar sem resposta é fazer vários simulados com questões de cargos iguais ou similares, variando a quantidade de questões deixadas em branco. Após isso, o candidato deve verificar qual o percentual ideal, de acordo com o seu nível de preparação.”
 
O professor ainda conta que outra forma de garantir uma preparação adequada é responder a simulados sem deixar questões em branco e, assim, obter um percentual bruto de acertos. Depois de encontrar a média de acertos por disciplina, é importante que o concurseiro faça a conta, pelo método das tentativas, até encontrar sua pontuação final mais alta.
Já na hora de fazer a prova, Waldir recomenda o método de ‘caça ao erro’. “Nessa técnica, o candidato deve ler todas as questões em busca do erro, para marcar apenas as erradas. Se, depois de olhar várias vezes, algumas questões ficaram sem resposta, há chances de serem certas, uma vez que o erro não apareceu. Havendo dúvida, basta deixar a questão em branco.”
 
Leia tudo com atenção - O bibliotecário Gustavo Henn, autor do livro Métodos de Preparação para Concursos, compartilha dessas mesmas ideias. Para ele, é preciso ter uma maturidade e experiência para resistir à tentação de chutar uma questão em que se tem 50% de chances de acertar. “Uma dica importante na hora de preencher o gabarito é verificar se há grande diferença entre o total de certos e de errados que o candidato marcou. Não que obrigatoriamente precise ser meio a meio, mas sim porque o Cespe gosta de questões com enunciados longos e complexos, que confundem o candidato mal preparado, e que na verdade estão corretas.”
 
Por esse motivo, Henn recomenda que o concurseiro leia cada enunciado com bastante atenção, já que as questões aparecem em blocos dentro do mesmo assunto e, muitas vezes, a resposta de uma pergunta está no enunciado de outra. “Geralmente as questões se correlacionam e uma pergunta pode ter relação com a resposta de outra lá na frente. Na dúvida, é melhor deixar em branco e evitar o ‘chute’, especialmente se for de um assunto que não foi bem estudado. Antes de marcar o gabarito definitivo, faça o levantamento de quantas questões acha que acertou, quantas está em dúvida, quantas acha que errou e quantas deixou em branco. Se tiver marcado alguma questão que acha que errou, é melhor deixar essas em branco.”
 
Use a técnica do ‘chute’ - Já o especialista em mercado financeiro e personal de concursos, Paulo César Pereira, discorda dos outros dois especialistas. Segundo Pereira, além de estudar e compreender o modelo das provas do Cespe, é mais fácil obter sucesso quem treina e aplica a técnica do chute. “Não deixar questões em branco, mesmo nas provas do tipo uma errada anula uma certa, é a receita para o sucesso.”
 
Porém, Pereira esclarece que o termo “chute” não deve ser interpretado como um recurso apenas para questões em que nada se sabe. Para ele, a utilização das técnicas de chute serve para melhorar a qualidade do diagnóstico, mas deve estar atrelada ao conhecimento e ao estudo.
 
Confira no quadro abaixo algumas técnicas, elaboradas pelo personal de concursos, Paulo César Pereira, para auxiliar o candidato na hora do “chute”.
 
 
Técnicas de ‘chute’
 
Grandes opções - Uma pequena omissão muitas vezes torna o item incorreto. Portanto, para que uma assertiva seja totalmente verdadeira, muitas vezes vem com um tamanho bem maior do que das outras letras. Assim, geralmente os itens grandes são corretos. Por outro lado, os menores também costumam ser corretos.
 
Inclusiva - Quando preveem exceções ou usam palavras inclusivas, geralmente são corretas. As palavras-chave para identificar essas questões são: a princípio, predominantemente, fundamental, em geral, em regra, pode, etc.
 
Exclusivas - Quando a opção é muito forte, não deixando brechas para exceções, geralmente são incorretas. As palavras-chave para identificar essas questões são: garante, nunca, sempre, obrigatoriamente, não, totalmente, apenas, jamais, em hipótese alguma, em tempo algum, de modo nenhum, só, somente, unicamente, exclusivamente, tão-só, tão-somente, etc.
 
‘Batata podre’ - O item quase todo é correto, mas há a inserção de um pedaço que o invalida (geralmente ao final da frase).

28 de janeiro de 2014

Carpinejar - dor que precisa ser sentida



 A dor não pede compreensão, pede respeito. Não abandonar a cadeira, ficar sentado na posição em que ela é mais aguda.

Vejo homens que não têm coragem de terminar o relacionamento. Que não esclarecem que acabou. Que deixam que os outros entendam o que desejam entender. Que preferem fugir do barraco e do abraço esmurrado. Saem de mansinho, explicando que é melhor assim: não falar nada, não explicar, acontece com todo mundo.

Encostam a porta de sua casa (não trancam) e partem para outra vida.

Não é melhor assim. Não tem como abafar os ruídos do choro. O corpo não é um travesseiro. Seca com os soluços.

Não é melhor assim. Haverá gritos, disputa, danos. É como beber um remédio, sem empurrar a colher para longe ou moldar cara feia. É engolir o gosto ruim da boca, agüentar o desgosto da falta do beijo.

Será idiota recitar Vinicius de Moraes: "que seja infinito enquanto dure". A despedida não é lugar para poesia.

Haverá uma estranha compaixão pelo passado, a língua recolhendo as lágrimas, o rosto pelo avesso. Haverá sua mulher batendo em seu peito, perguntando: "Por que fez isso comigo?"

Haverá a indignação como última esperança.

Haverá a hesitação entre consolar e brigar, entre devolver o corte e amparar.

Vejo homens que somente encontram força para seduzir uma mulher, não para se distanciar dela.

Para iniciar uma história, não têm medo, não têm receio de falar.

Para encerrar, são evasivos, oblíquos, falsos. Mandam mensageiros.

Não recolhem seus pertences na hora. Voltarão um novo dia para buscar suas coisas.

Não toleram resolver o desespero e datar as lembranças. Guardam a risada histérica para o domingo longe dali.

Mas estar ali é o que o homem precisa. Não virar as costas. Fechar uma história é manter a dignidade de um rosto levantado, ouvindo o que não se quer escutar. Espantado com o que se tornou para aquela mulher que amava. Porque aquilo que ela diz também é verdade. Mesmo que seja desonesto.

Desgraçadamente, há mais desertores do que homens no mundo.

Deveriam olhar fora de si. Observar, por exemplo, a dor de uma mãe que perde seu filho no parto.

O médico colocará o filho morto no colo materno. É cruel e - ao mesmo tempo - necessário. Para que compreenda que ele morreu. Para que ela o veja e desista de procurá-lo. Para que ela perceba que os nove meses não foram invenção, que a gestação não foi loucura. Que o pequeno realmente existiu, que as contrações realmente existiram, que ela tentou trazê-lo à tona. Que possa se afastar da promessa de uma vida, imaginar seu cheiro e batizar seu rosto por um instante.

Descobrir a insuportável e delicada memória que teve um fim, não um final feliz. Ainda que a dor arrebente, ainda é melhor assim.

Propostas de redação

                                              
 
PROPOSTA 1
 
Os ditados populares, ou provérbios, cristalizam conceitos que parecem verdadeiros e universais, mas podem não resistir a uma argumentação bem fundamentada nem ao confronto com as situações vividas em contextos históricos diferentes daqueles em que foram produzidos.
 
Tendo em vista isso, atente para o provérbio
 
QUEM SEMEIA VENTOS COLHE TEMPESTADES
 
A partir desse provérbio, redija seu texto, expondo argumentos para confirmar e/ou para rebater as ideias nele presentes.
 
 
 Proposta 2
 
            Espalhados pelos canteiros da cidade, moradores de rua formam uma massa silenciosa e invisível - "um elemento da paisagem urbana do qual a sociedade se acostumou a desviar o olhar".
           
 
            Na invisibilidade que a grande maioria deles vive, alguns se destacam e surgem como personagens (escritores, detetive espacial, Lampião), criam um mundo paralelo, tornam-se visíveis e ocupam a mídia.
            Segundo o Censo do Instituto de Pesquisas Econômicas é considerado morador de rua o segmento de baixíssima renda que, por contingência temporária ou de forma permanente, pernoita nos logradouros da cidade.
            A área urbana da cidade de São Paulo é de aproximadamente 1.500 km. Abriga uma população de quase 10,7 milhões e, desses habitantes, 6.405 eram moradores de rua (2.834 viviam nas ruas e 3.571 pernoitavam em albergues). Ainda segundo a mesma pesquisa, predominavam pessoas do sexo masculino (83,60%), em idade ativa (18 a 55 anos, 70,06%) e residindo na rua há até um ano. Esses dados aumentaram em torno de 30% desde a última pesquisa feita pelo mesmo instituto. Muitos desses moradores de rua não possuem família e muitos consomem álcool e drogas. O mais interessante apontado por essa pesquisa é que 20% desses moradores possuem nível superior.
           
 
             Raimundo Arruda Sobrinho, 68 anos. Seu último jornal leu em junho de 1976, e ainda consegue se recordar dos donos do poder daquela época: os presidentes da França e dos Estados Unidos, do Brasil, o governador e o prefeito de São Paulo. Na cabeça, uma coroa de plástico - uma garrafa cortada ao meio com papelão e metais colados nela. O saco de lixo preto que atou com um nó no seu pescoço ele usa como capa. Passa seus dias escrevendo. Curvado, ele se dedica aos seus diários, pilhas de folhas soltas guardadas num caderno de papelão. Ao lado, as notas dos anos passados, atadas por um cordão e embrulhadas em sacos de plásticos transparentes. "O diário de uma mente escravizada" ele as chama e então lê: "Dormi bem, acordei cedo, o tempo está bom, falei com gente na rua..."
           
 
            Na Radial Leste, uma das maiores avenidas de São Paulo, podemos encontrar o Luciano: com uma fita na cabeça segurando um osso na vertical de sua testa, o corpo revestido por saquinhos de plástico, remetendo quase que a uma espécie de traje espacial. Quando lhe perguntamos a respeito de seu estranho equipamento, ele diz que é feito para viajar:
proteção antibombas, pois espera a nave que irá levá-lo para os Estados Unidos. O traje de Luciano constitui uma espécie de aparelhagem corporal, como um equipamento de sobrevivência, num mundo onde as explosões ameaçam.
            Os diversos pesos pendurados ao seu corpo dão a seus movimentos a lentidão dos gestos de um astronauta. Os saquinhos pendurados em seus braços e suas pernas estão recheados com cartelas da Mega Sena.
          
 
Você tem duas opções para fazer sua redação. Escolha uma delas e siga as orientações para elaborar o seu texto.
 
Opção 1 - Narração
Imagine a seguinte situação: um dia alguém (personagem criado por você) tem a oportunidade de conversar longamente com um destes moradores que estão aqui representados e resolve escrever a história da vida dele, expondo os motivos que o levaram a se isolar de tudo e de todos para viver num canto de uma rua qualquer. Crie um texto narrativo e dê a ele um final surpreendente. Dê um título ao seu texto.
 
Opção 2 - Dissertação
A partir das informações disponibilizadas aqui, construa um texto dissertativo procurando argumentos para tentar solucionar esse problema social: o morador de rua. Algumas autoridades defendem a chamada "operação limpeza"; outras preferem ações voltadas para a cidadania. Como você se posiciona? Crie um título adequado ao desenvolvimento que der ao tema.
 
Importante: Seu trabalho será avaliado de acordo com os seguintes critérios:
Narração - adequação ao tema e às características específicas do gênero narrativo. Título compatível com o texto produzido.
Dissertação - espírito crítico; padrão culto da língua; adequação de título e texto ao desenvolvimento do tema; estrutura textual compatível com o tipo de texto proposto.
 
 
PROPOSTA 3
 
            TEMA: QUALIDADE DE VIDA
 
            Fala-se tanto de qualidade de vida no mundo atual que médicos e profissionais de outras áreas são convidados a indicar os comportamentos adequados para se ter uma vida mais saudável. Sabemos, entretanto, que ter qualidade de vida implica um conjunto de procedimentos a serem incorporados ao nosso dia a dia.
            Para auxiliar sua reflexão, leia os trechos a seguir selecionados da reportagem da revista "Superinteressante" e, a seguir, escreva um texto, com cerca de 25 a 30 linhas, argumentando sobre o que é ter qualidade de vida para você. Não se esqueça de dar um título adequado ao seu texto.
 
            A CIÊNCIA DO BEM VIVER
Pequenas mudanças de atitude podem melhorar sua saúde física, mental e material. Conheça 7 hábitos comprovados cientificamente que você deve adotar para ganhar qualidade de vida.
 
1. OUÇA MÚSICA
Não se culpe se você é daqueles que passam o dia todo com um fone de ouvido cantarolando por aí. A música tem efeitos muito benéficos para a saúde física e mental. Já não é de hoje que os cientistas vêm estudando o fenômeno. Entre outras coisas, a música pode acalmar, estimular a criatividade e a concentração, além de ajudar na cura de uma porção de doenças.
 
2. PREPARE-SE PARA ENVELHECER
Ninguém gosta muito da ideia de vir a ser velho, mas isso é a melhor coisa que pode acontecer (pense na outra possibilidade). É bom reservar um tempo desde já para planejar como você pretende que seja sua velhice. Inclusive porque é bem possível que essa fase da sua vida dure bastante tempo. Graças aos avanços no saneamento básico, à descoberta de novas drogas e a fatores ambientais e de prevenção, estamos vivendo cada vez mais. Em 1900, a expectativa de vida média no Brasil ao nascer era de 33 anos. Hoje, já estamos na marca dos 67. Estudos demográficos apontam que, em 2025, o brasileiro viverá em média 75,3 anos e, por volta do ano 2050, 2 bilhões de pessoas no mundo terão mais de 60 anos. E, graças a esses mesmos motivos, os velhos estão ficando cada vez mais velhos.
 
3. TENHA FÉ
Costuma ser mais feliz quem consegue encontrar um significado para a vida. Esse significado pode estar em qualquer coisa - da filatelia à filantropia. Mas é na religiosidade que a maior parte da população vai buscar essa razão de viver. E encontra. Pesquisas mostram que as pessoas religiosas consideram-se, em média, mais felizes do que as não religiosas. Elas também têm menos depressão, menos ansiedade e índices menores de suicídio.
 
4. ANDE MAIS A PÉ
Gastar sola de sapato é um dos melhores exercícios que existem, seja para a saúde física, mental, do meio ambiente ou do bolso mesmo. Sim, porque para fazer caminhadas você não precisa gastar rios de dinheiro com academias elaboradas, muito menos com personal trainer. Um par de tênis basta, quando falamos de caminhada, não estamos nos referindo a nada profissional, que exija pista adequada e treinamento. Pode ser no seu bairro, no quarteirão da sua casa, ou até mesmo na escadaria do prédio, na pior das hipóteses.
 
5. TENHA (PELO MENOS) UM AMIGO
Todo mundo quer ser feliz, isso é tão verdadeiro quanto óbvio. O psicólogo Martin Seligman, da Universidade da Pensilvânia (EUA), passou anos pesquisando o assunto e concluiu que, para chegar a tal felicidade, precisamos ter amigos. Os amigos, segundo ele, resumem a soma de 3 coisas que resultam na alegria: prazer, engajamento e significado. Explicando: conversar com um amigo, por exemplo, nos dá prazer.
 
6. COMA DEVAGAR
Parece até falatório de mãe, mas os benefícios de diminuir o ritmo das garfadas são incríveis. Para começar, ninguém ganha tempo comendo um sanduíche na frente de um computador - o máximo que você ganha são quilos a mais, uma vez que, quanto mais rápido come, mais sente fome. Isso quer dizer que, se você comer mais devagar, provavelmente vai comer menos sem ter que fazer nenhuma dieta. O que será um ganho danado à sua saúde. Fora a redução do peso e do risco de doenças aliadas à obesidade, há diversas pesquisas que apontam que devemos diminuir a quantidade de comida se quisermos viver mais.
 
7. DESLIGUE A TV
Ninguém está dizendo aqui para você nunca assistir à televisão. Mas que você poderia diminuir o tempo em frente ao aparelho, isso você poderia. Até porque televisão em excesso não faz bem. Sim, o hábito de se largar no sofá e assistir a qualquer porcaria que esteja no ar pode deixar as pessoas viciadas no relaxamento que a TV produz. O problema é que essa sensação gostosa vai embora assim que o aparelho é desligado - é igualzinho ao vício em substâncias químicas. O estado de passividade e a diminuição no grau de atenção, no entanto, continuam. Quando vista por mais de 20 horas por semana, a televisão pode danificar as funções do lado esquerdo do cérebro, reduzindo o desenvolvimento lógico-verbal.
           
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROPOSTA 4
 
Leia o texto a seguir e produza um texto comentando o problema da pirataria de produtos no Brasil.
 
               AO GOSTO DO FREGUÊS
 
            Veja a que nível de requinte chegou a falsificação de produtos industrializados no Brasil. O badalado tênis Nike Shox, que faz sucesso entre a garotada mais abonada, só é fabricado no original a partir da numeração 34, e, nos tamanhos menores, a maioria das cores se adapta mais ao público feminino, com preço em torno de 400 reais. Já os piratas - que são vendidos até por um quarto desse valor - podem ser encontrados em qualquer tamanho e cor.
 Proposta 5
 
Analise atentamente os dados a seguir. A partir das informações, redija um texto a respeito da relação entre a população brasileira e o acesso à leitura.
 
OS NÚMEROS DAS LETRAS
Na população brasileira: *
- 8% são analfabetos.
- 30% localizam informações simples em uma frase;
- 37% localizam informações em texto curto;
- 25% estabelecem relações entre textos longos.
 
No Brasil:
- 16% da população detém 73% dos livros;
-  a venda de livros caiu 50%, e o número de títulos lançados, 13%.
 
Quantos livros cada pessoa lê por ano:
- 7 na França;
- 5,1 nos EUA;
- 5 na Itália;
- 4,9 na Inglaterra;
- 1,8 no Brasil.
 
Da população adulta alfabetizada do país:
- um terço aprecia a leitura de livros;
- 61% tem muito pouco ou nenhum contato com livro;
- 47% possui no máximo dez livros em casa.
           
Proposta 6
 
A seguir encontram-se trechos de uma entrevista concedida pelo sociólogo americano Rich Ling. A partir das considerações levantadas pelo entrevistado, produza um texto a respeito da relação dos jovens com o celular.
 
                           ENTREVISTA
               A INDEPENDÊNCIA JUVENIL
 
ÉPOCA - CELULARES FORAM CRIADOS PARA HOMENS DE NEGÓCIOS, MAS HOJE SÃO MAL USADOS POR ADOLESCENTES. POR QUÊ?
Rich Ling - Esse foi um dos aspectos mais inesperados da tecnologia. Mas, olhando agora, parece algo bastante lógico. Os adolescentes estão num período nômade da vida, quando estão muito interessados em interação social. Na Noruega, 100% dos adolescentes entre 15 e 20 anos têm celular. Aos 10 anos, 60% já têm um aparelho. Uma das causas é o divórcio. É comum pais separados darem celular aos filhos para poder entrar em contato com eles sem ter de lidar com o ex-companheiro. Atualmente, o celular é o elemento que mais auxilia na emancipação dos jovens em relação aos pais.
 
ÉPOCA - POR QUÊ?
Rich Ling - O aparelho dá a eles acesso fácil a seu grupo de amigos. A emancipação nada mais é que sair de uma esfera em que seus pais decidem tudo por você para uma esfera em que você é parte do grupo que toma as decisões. O adolescente passa a ter o próprio número de telefone e sua caixa postal. (...)
 
ÉPOCA - O CELULAR AUMENTA O CÍRCULO DE AMIZADES?
Rich Ling - Talvez o telefone móvel esteja fazendo com que as pessoas tenham menos amizades, mas muito mais intensas e integradas. (...)
         
 
 
 
            PROPOSTA 7
 
            O costume de assistir a jogos de futebol em estádios começou na Inglaterra, no final do século XIX, primeiro país a praticar esse esporte de forma amadora e também profissional. O crescimento do número de espectadores foi concomitante ao aumento da violência nos estádios e imediações.
            Elabore um texto dissertativo procurando responder às questões formuladas pelo Secretário da Justiça e da defesa da Cidadania do Estado de São Paulo "Novas leis. Será necessário? (sic) Mais ousadia? Mais criatividade? O que se quer da polícia? O que se espera da família? Da mídia? Dos clubes? Da federação? Da própria sociedade?"
            Apoie-se nos fragmentos aqui disponibilizados para fazer seu texto, mas não copie ou parafraseie trechos deles. Crie um título para seu texto.
 
            "Para evitar a presença dos chamados "hooligans", já foram proibidas de entrar em jogos 2400 pessoas, mas outras 7000 estão sendo investigadas sobre possível participação em atos de violência. A Inglaterra mantém um cadastro organizado de "hooligans". Como eles são velhos conhecidos da polícia a maior preocupação são torcedores poloneses, ucranianos e croatas".
           
 
            "Quebradeira no fim de um jogo. Uma pilha foi a primeira coisa que acertou a cabeça de um policial, plástico, cadeiras arrancadas da arquibancada, pedras, banquetas, pias que pertenciam aos banheiros e até pedaços das catracas eletrônicas. "Na hora não pensava em mais nada, apenas em evitar uma tragédia maior no Pacaembu", afirma o policial."
 
            "Os "hinchas" espanhóis não tiveram uma trajetória distinta dos torcedores organizados brasileiros, porém a reação das autoridades européias foi mais rápida, e o empenho em resolver o problema da violência relacionada a eventos esportivos passou a ser prioritário em termos de segurança social, isso principalmente na Espanha".
           
 
 
 
PROPOSTA 8
 
Segundo pesquisa realizada com 403 entrevistados de 16 a 23 anos  "boa parte dos jovens (...) não parece levar ética a sério nos assuntos do dia a dia".
 
Dos jovens entrevistados, "34% admitem ter tirado dinheiro da carteira de pais, parentes ou amigos sem avisar, 8,92% nunca fizeram isso, mas não acham nada demais, e outros 22% nunca cometeram esse delito, mas conhecem pessoas que já o fizeram (...) 38% das pessoas ouvidas falsificaram a assinatura dos pais em algum documento ou correspondência da escola (...) e 21% já usaram a internet para difamar alguém".
 
Na opinião da psicóloga Teresa Creusa Negreiro, "Ao menos metade das pessoas que responderam que nunca agiram de tal maneira, mas conhecem gente que já, na verdade, fez aquilo ou está disposta a fazer".
 
A partir de entrevistas com 1002 alunos de escolas públicas e particulares do Rio de Janeiro, da 7 série do fundamental à 3 série do Ensino Médio, pode-se chegar "à visão de um adolescente que não trabalha (90,3%), que navega na internet se for da escola particular (50,5%), que tem amigos (94,4%) e que valoriza neles principalmente a solidariedade, a sinceridade, a lealdade, a cumplicidade, independentemente da classe social a que pertence".
 
Na fala da pesquisadora Rosiska Darcy de Oliveira, o adolescente "pousa na amizade como no mais sólido chão e faz dela o terreno onde brota o melhor de si: lealdade na adversidade, atenção à felicidade do outro, incondicionalidade em face de terceiros, franqueza na intimidade".
 
Nos trechos selecionados, adultos procuram conhecer o jovem com que convivem hoje em dia. Considerando todas essas visões sem, no entanto, copiar nenhuma, desenvolva, de forma objetiva e bem fundamentada, em um texto escrito em prosa, a sua concepção sobre os valores que orientam a conduta de pessoas jovens. O texto a ser produzido deve ser dissertativo-argumentativo com 25 a 30 linhas. Dê um título criativo ao seu texto.
 
 
PROPOSTA 9
 
"A Amazônia é considerada a área de maior extensão de floresta tropical do mundo, representando 40% do total ainda existente do planeta.
Com a maior floresta tropical úmida do mundo, a mais extensa rede fluvial do planeta e com o maior volume de água doce disponível na Terra, a Amazônia presta valiosos serviços ambientais ao regular a quantidade de gás carbônico na atmosfera e orquestrar a distribuição de chuvas em quase metade da América Latina.(...) A biodiversidade da região é tamanha que não há outro lugar com variedade tão grande de espécies, com características próprias bem marcadas".
           
 
Informações como esta trazem, de tempos em tempos, o temor diante da possibilidade de que essa área seja dominada por estrangeiros.
 
Proposta:
A internacionalização da Amazônia ou, em outras palavras, as eventuais ameaças à soberania brasileira em relação à Amazônia é o tema desta redação.
Leia com atenção os textos e observe as imagens disponibilizadas.
Construa um texto dissertativo-argumentativo, posicionando-se sobre este assunto tão polêmico.
Relacione as ideias entre os textos, mas não os copie.
Crie um título para o seu texto, adequado ao desenvolvimento que você der ao tema.
 
1. "Em 1982, durante a sua expedição pela Amazônia, o oceanógrafo Jacques Cousteau fez uma declaração com ares de premonição: Hoje, o mundo está preocupado com a guerra nuclear, mas essa ameaça vai desaparecer.
A guerra do futuro será entre os que defendem a natureza e os que a destroem. A Amazônia vai ficar no olho do furacão. Cientistas, políticos e artistas desembarcarão aqui para ver o que está sendo feito com a floresta".
           
 
2. "Para aqueles que imaginam a internacionalização a partir da perspectiva do território, a invasão e a tomada da Amazônia por outras nações, com a criação de um governo específico para sua gerência, são factíveis e, embora ainda não tenham acontecido, se constituem em perigos iminentes com os quais o Estado brasileiro deve se preocupar. Os defensores dessa hipótese, principalmente os militares brasileiros, argumentam que as reservas de energia e água do planeta estão próximas do esgotamento e que o potencial da floresta amazônica resultará, inevitavelmente, em futuras investidas das grandes potências mundiais sobre o território brasileiro".
           
 
 
3. "Já os que analisam sob o ponto de vista do capital denunciam que a internacionalização da Amazônia já está acontecendo, não pela tomada de território físico, que é considerada hipótese remota, mas por mecanismos mais atuais e refinados ligados à exploração econômica: a aposta cada vez mais forte na mercantilização da natureza; a abertura ao mercado externo; o estímulo à participação do capital estrangeiro no país; e a flexibilização das políticas de exploração das florestas. Nessa perspectiva, os inimigos - os interesses transnacionais - já estariam em território amazônico representados pelas indústrias madeireiras, mineradoras, farmacêuticas e de sementes."
           
 
4. Segundo Stuart Pimm e Clinton Jenkins todos os países com biodiversidade têm poucas pessoas para cuidar dos problemas que vão desde a perda de espécies, passam por grandes variações na economia local, no sistema político, além de uma variedade de crenças religiosas e culturais. "Não se pode esperar que as áreas naturais permaneçam intocadas a menos que profissionais de conservação locais qualificados estejam a postos para resolver com criatividade as inevitáveis disputas sobre como usar os recursos do país. [...] Para sustentar a biodiversidade, o mundo precisa primeiro identificar, e então imediatamente proteger esses lugares especiais.[...] Decididas quais áreas proteger, como o mundo deve cumprir a tarefa? E quem pagará pela proteção?"
           
 
 
 
 
 
PROPOSTA 10
 
 
TRABALHO INFANTIL
 
Leia com atenção os seguintes textos:
"A crueldade do trabalho infantil é um pecado social grave em nosso País. A dignidade de milhões de crianças brasileiras está sendo roubada diante do desrespeito aos direitos humanos fundamentais que não lhes são reconhecidos: por culpa do poder público, quando não atua de forma prioritária e efetiva, e por culpa da família e da sociedade, quando se omitem diante do problema ou quando simplesmente o ignoram em decorrência da postura individualista que caracteriza os regimes sociais e políticos do capitalismo contemporâneo, sem pátria e sem conteúdo ético."
           
 
"Submetidas aos constrangimentos da miséria e da falta de alternativas de integração social, as famílias optam por preservar a integridade moral dos filhos, incutindo-lhes valores, tais como a dignidade, a honestidade e a honra do trabalhador. Há um investimento no caráter moralizador e disciplinador do trabalho, como tentativa de evitar que os filhos se incorporem aos grupos de jovens marginais e delinqüentes, ameaça que parece estar cada vez mais próxima das portas das casas."
           
 
"Art. 4 -  É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária."
            Estatuto da Criança e do Adolescente
 
Com base nas ideias presentes nos textos anteriores, redija uma dissertação sobre o tema:
O TRABALHO INFANTIL NA REALIDADE BRASILEIRA.
 
 
 
PROPOSTA 11
 
 
 
                                   A Verdade:
Inerente aos acontecimentos e às coisas do mundo?
Construída a partir dos acontecimentos e das coisas num dado momento e lugar?
 
                                   COLETÂNIA
 
ciência [Do lat. scientia]. S. f. [...] conjunto de conhecimentos socialmente adquiridos ou produzidos, historicamente acumulados, dotados de universalidade e objetividade que permitem sua transmissão, e estruturados com métodos, teorias e linguagens próprias, que visam compreender e, possivelmente, orientar a natureza e atividades humanas.
verdade [Do lat. veritate]. S. f. Conformidade com o real; exatidão, realidade; franqueza, sinceridade; coisa verdadeira ou certa; [...] princípio certo; [...] representação fiel de alguma coisa da natureza.
           
 
 
                                   Câncer
            Quando as estatinas chegaram ao mercado, pensava-se que elas poderiam aumentar os riscos de câncer. Agora, os médicos começam a acreditar que os efeitos do remédio podem vir a ajudar no tratamento de pacientes com câncer, especialmente os tumores malignos de fígado, de intestino e de próstata.
            Começaram a ser feitos os primeiros levantamentos sobre a relação entre as estatinas e a prevenção do câncer da mama. O processo pelo qual o remédio combateria esses tumores ainda não foi desvendado.
           
 
 
            Ninguém tem dúvida de que discordâncias e erros de interpretação podem ocorrer. Infelizmente, fazem parte do aspecto subjetivo humano, do exercício da medicina. Resta aos especialistas a tarefa contínua de melhorar ao máximo o controle de qualidade de equipamentos, métodos, técnicos e médicos, num esforço constante para evitar informações desencontradas que possam prejudicar o paciente.
            Por sorte, a maioria das discrepâncias está em detalhes periféricos que raramente têm impacto significativo no manejo clínico. As restrições impostas pelos diferentes sistemas de saúde, assim como pelo mercado, podem reduzir a capacidade dos centros de diagnóstico em manter qualidade de níveis elevados, adequados. Quanto de discrepância entre especialistas pode ser considerado aceitável? Isso ainda não está claro hoje em dia. E não se sabe se ficará claro num futuro próximo.
           
 
 
            Quando comparamos as físicas de Aristóteles, Galileu-Newton e Einstein, não estamos diante de uma mesma física, que teria evoluído ou progredido, mas diante de três físicas diferentes, baseadas em princípios, conceitos, demonstrações, experimentações e tecnologias completamente diferentes. Em cada uma delas, a idéia de Natureza é diferente; em cada uma delas os métodos empregados são diferentes; em cada uma delas o que se deseja conhecer é diferente.
           
 
 
            Se seus anzóis têm, até o momento, pescado só peixes pequenos, ele (o cientista) deve mudá-los para ver se consegue pescar peixes grandes. Se está convencido de que as coisas são de um jeito, deveria buscar evidências de que são de outro. Cada cientista consciente deveria lutar contra sua própria teoria. E é isso que o torna uma pessoa capaz de perceber o novo.
          
 
 
            Em nossas sociedades, a "economia política" da verdade tem cinco características historicamente importantes: a "verdade" é centrada na forma do discurso científico e nas instituições que o produzem; está submetida a uma constante incitação econômica e política (necessidade de verdade tanto para a produção econômica quanto para o poder político); é objeto, de várias formas, de uma imensa difusão e de um imenso consumo (circula nos aparelhos de educação ou de informação, cuja extensão no corpo social é relativamente grande, não obstante algumas limitações rigorosas); é produzida e transmitida sob o controle, não exclusivo, mas dominante, de alguns grandes aparelhos políticos ou econômicos (universidade, exército, escritura, meios de comunicação); enfim, é objeto de debate político e de confronto social (as lutas "ideológicas"). [...] Há um combate "pela verdade' ou, ao menos, "em torno da verdade" - entendendo-se, mais uma vez, que por verdade não quero dizer "o conjunto das coisas verdadeiras a descobrir ou a fazer aceitar", mas o "conjunto das regras segundo as quais se distingue o verdadeiro do falso e se atribui ao verdadeiro efeitos específicos de poder"; entendendo-se também que não se trata de um combate "em favor" da verdade, mas em torno do estatuto da verdade e do papel econômico-político que ela desempenha.
           
 
 
A liberdade de imprensa é "um valor definitivo na democracia", mas que "nada é absoluto.

Mãos à obra - temas de redação 2014


 1  – Convivendo com a dúvida
 2 – A dívida social
 3 – A violência urbana
 4 – A única certeza é a incerteza
 5 – Buscando esperanças em meio ao sofrimento

26 de janeiro de 2014

Dicas fantásticas do professor Sérgio Nogueira

 

Tupi or not tupi, that’s the question

 

A frase bem traduz o sentimento de Oswald de Andrade. Os nossos primeiros poetas modernistas demonstraram abertamente o seu sentimento nacionalista. Exacerbado e até xenófobo. E essa aversão não era só a tudo que era estrangeiro mas também à sintaxe lusitana. Era o desejo de valorizar o que é nosso, a nossa língua, a língua falada no Brasil.
Por muito tempo, em nossas escolas, os professores ensinavam como “erro” o uso de galicismos. Era proibido falar ou escrever abajur, chofer, detalhe… Éramos obrigados a substituir por quebra-luz, motorista e pormenor. E o tempo provou que estávamos enganados. Hoje, todos nós usamos – sem culpa ou pecado – abajur, chofer e detalhe. Temos até um belíssimo réveillon, na sua forma original.
Agora o inimigo são os anglicismos. Palavras e expressões inglesas infestam e poluem a nossa fala. Temos um festival de beach soccer, play off, delivery, shopping, brainstorming, software, marketing e tantos outros.
A presença de termos estrangeiros no uso diário de uma língua não é crime nem sinal de fraqueza. Ao contrário, é sinal de vitalidade. Só as línguas vivas têm essa capacidade de enriquecimento. A forte presença do inglês na língua portuguesa é reflexo da globalização, do imperialismo econômico, do desenvolvimento tecnológico americano etc. Poderíamos citar muitas outras causas, mas há uma em especial que merece destaque: a paixão do brasileiro em geral pelas “coisas estrangeiras”. Nós adoramos a grife, o carro importado, a palavra estrangeira. Tudo dá status.
É, portanto, um problema muito mais cultural do que simplesmente linguístico.
Valorizar a língua portuguesa, sim; fechar as portas, não.
Qualquer projeto de valorização da língua portuguesa é louvável, mas é um absurdo criar uma lei que pode vir a punir o seu João da esquina porque escreveu hot dog em vez de cachorro-quente.
Se aprovada, será mais um péssimo exemplo de lei a não ser cumprida neste país. Quem vai fiscalizar? Não somos capazes sequer de fiscalizar clínicas geriátricas…
Não precisamos de lei para proteger a nossa língua. Necessitamos, sim, é de recursos para melhorar o nosso ensino, investir na educação, talvez criar um Instituto Machado de Assis, semelhante ao Instituto Camões, de Portugal, e ao Instituto Cervantes, da Espanha.
E aí você me pergunta: e a Barra da Tijuca? Eu respondo: qualquer semelhança com Miami não é mera coincidência.
E é contra isso, contra os exageros, contra os modismos, que devemos lutar. A nossa crítica deve concentrar-se no ridículo, no “desnecessário”. Para que sale, se sempre vendemos? Por que startar, se podemos começar, iniciar, principiar? Se podemos entregar em domicílio, para que serve o ridículo delivery?
O modismo a ser criticado é esta lista imensa de palavras e expressões inglesas para as quais a nossa língua já está bem provida: beach soccer (futebol de areia), paper (documento), printar (imprimir)…
O aportuguesamento de termos estrangeiros também é uma boa saída. É só lembrar o futebol, o blecaute, o estresse, o balé, o filé, o chope, o espaguete…
E o que fazer com o dumping? Não conseguimos aportuguesar e não há em português uma palavra para traduzi-la: “é quando uma empresa faz preços abaixo do mercado para quebrar o concorrente”. É demais. Nestas horas, o termo estrangeiro é bem-vindo, pois enriquece a língua. E há outros bons exemplos: ranking, show, marketing, impeachment. São palavras devidamente incorporadas à nossa língua cotidiana.
Portanto, nada de radicalismos. É importante valorizar a língua portuguesa, mas nada de purismo e xenofobia.
DÚVIDAS DOS LEITORES
1ª) Qual é o feminino de “o artista” e de “o músico”?
Para o artista, basta mudar o artigo: a artista. Temos aqui, o que chamamos substantivo “comum de dois gêneros”. É aquele cuja forma é a mesma para o masculino e o feminino, mudando apenas o elemento determinativo. Veja mais exemplos:
O jovem – a jovem;
O estudante – a estudante;
O jornalista – a jornalista;
O artista – a artista.
Quanto ao músico, podemos usar a forma “o músico” tanto para homens quanto para mulheres. Quando isso acontece, o substantivo é chamado de sobrecomum. Veja mais exemplos:
O indivíduo (homem ou mulher);
O músico;
A criança;
A vítima.
2ª) Quando devemos repetir a conjunção “ou”. Em perguntas e afirmações ou só em afirmações?
Só repetimos a conjunção “ou” quando queremos deixar clara a ideia de exclusão e só podemos usar em frases afirmativas. Em frases interrogativas, não há a necessidade da repetição.
Observe melhor:
Frase afirmativa (=ideia de exclusão):
“Ou o diretor ou o gerente deverá viajar a Brasília.”
Frase interrogativa:
“O diretor vai ficar para a reunião ou vai viajar a Brasília?”

Toda variante linguística é válida

 
 

Na antiga Roma, mais precisamente na região central da atual Itália, ficava o Lácio, onde se falava o Latim. Com a propagação do grande império romano, principalmente na Europa, o Latim passou a ser a língua oficial de muitas regiões. Foi assim, com o passar do tempo, que se formaram as línguas neolatinas: o italiano, o romeno, o francês, o provençal, o catalão, o espanhol…e, como disse o poeta Olavo Bilac, a última flor do Lácio: a língua portuguesa.
Como toda língua viva, o português sofre mudanças não só com o passar do tempo mas também nas diferentes regiões onde é falado. Assim sendo, é natural que haja diferenças entre o português do Brasil e o de Portugal, o de Angola, Moçambique, Timor Leste… No próprio Brasil, são normais os regionalismos: o gauchês, o baianês, o cearês…
Nada disso tem a ver com certo ou errado.
Todas as variantes linguísticas são válidas e aceitáveis dentro do seu contexto. É muito pobre reduzirmos tudo a uma simplista discussão de certo ou errado. A beleza da língua portuguesa está na sua variedade, na sua riqueza vocabular, nos seus mistérios.
O mais incrível e ao mesmo tempo lindo é que o brasileiro entende o angolano e que o sertanejo se comunica com o gaúcho da fronteira. As variedades só enriquecem a nossa língua, que não perde sua unicidade básica.
Além das diferenças regionais, temos as variantes linguísticas que caracterizam diferentes grupos.
No “policialês”, todo ser humano vira “elemento” e todo carro é “viatura”.
No “futebolês”, seu time tem que “correr atrás do prejuízo” para “fazer o dever de casa” e, assim, “fugir do fantasma do rebaixamento”.
No teleatendimento, “nós vamos estar analisando seu problema”, depois “vamos estar retornando sua ligação” e, por fim, “vamos estar enviando a resposta”.
“A nível de” executivo, é preciso “alavancagem de vendas” e “fidelização de clientes”.
No “internetês”, “tb axo q vc naum eh burro”.
E assim vai…temos ainda o “juridiquês”, onde tudo é procrastinado, o “economês”, que adora um “nicho de mercado”, o “trafiquês”, o “surfês”…
Tudo isso é interessante e curioso. Todas essas variantes linguísticas são válidas e têm sua utilidade, mas não devemos esquecer que, por trás de todas elas, há uma língua portuguesa comum, básica, padrão. É a língua geral. É aquela que faz com que todos esses grupos se comuniquem e se entendam.
 
 
DÚVIDAS DOS LEITORES
1ª) O correto é “não tem a ver” ou “não tem que ver”?
Tanto faz. O fato de a expressão “não tem a ver” ser um galicismo não é crime. Já se foi o tempo em que os galicismos eram considerados “erros”. Palavras como atelier, abajur, chofer, detalhe e tantas outras já estão devidamente registradas em nossos dicionários e são plenamente aceitáveis. Portanto, não se sinta um criminoso por preferir a forma “não tem a ver”.
 
2ª) Leitor tem dúvida quanto ao uso do acento da crase em “candidatos a vereador” e “candidatos à reeleição”.
Vejamos a diferença:
a)    Candidatos a vereador (sem o acento da crase)
b)    Candidatos à reeleição (com o acento da crase)
A diferença é que no primeiro caso não há o artigo definido. Vereador, além de ser um substantivo masculino, está tomado no sentido genérico, isto é, sem artigo definido. No segundo caso, ocorre a crase, porque temos o artigo “a” feminino que define a reeleição, mais a preposição “a”. No masculino, corresponderia a “candidatos ao cargo”.
 
3ª)  Leitor quer saber: em “O parcelamento não poderá ser pago a perder de vista”, esse “a” é craseado?
É impossível haver crase antes de verbos, por um motivo muito simples: jamais haverá artigo antes do verbo. Temos apenas a preposição “a”. Observe melhor:
“…a perder de vista”
“…a partir das 10h”
“…começou a chorar”
“…prefere sair a ficar em casa”
 
4ª) “Os filhos têm de obedecer aos pais ou obedecer os pais?”
O verbo OBEDECER é transitivo indireto, portanto “os filhos têm de obedecer aos pais”.
 
5ª) Qual é a diferença entre INVERTER e REVERTER? Na frase: “O Cruzeiro fez três gols no primeiro tempo e ficou difícil para o Náutico INVETER ou REVERTER o resultado?”
Rigorosamente, “ficou difícil INVERTER o resultado”, e não “reverter” como estamos acostumados a ouvir. Se um clube está perdendo e precisa ganhar o jogo, só invertendo o resultado, ou seja, INVERTER significa “mudar para o oposto”. REVERTER significa voltar ao ponto de partida. Uma situação irreversível é aquela que “não tem volta”. Reverter o quadro político ou econômico significa “voltar à situação anterior”. Em geral, não é isso o que se quer dizer. Queremos, na verdade, é inverter a situação, ou seja, se está ruim queremos que a situação fique boa.

Ocorre crase em “a vista, a venda e a porta”?


 

VOCÊ SABE…
…qual é a origem dos quintos dos infernos?
Quinto, como todos sabem, é o numeral ordinal correspondente a cinco: “O brasileiro chegou em quinto lugar”. Como numeral fracionário, corresponde a cada uma das cinco partes iguais em que pode ser dividido um todo: “Comeu um quinto do bolo”.
No período colonial, o quinto correspondia ao imposto de 20% que o erário português cobrava sobre o ouro, a prata e os diamantes extraídos do solo brasileiro. Quintos é um substantivo masculino plural, e significa “um lugar muito distante ou desconhecido”. Os quintos (sempre no plural) estão geralmente associados ao inferno, daí mandar alguém para “os quintos dos infernos”. É interessante notar que falamos dos quintos dos infernos, e não do “quinto” dos infernos, uma vez que (acho!) não estamos nos referindo aquele inferno que fica entre o quarto e o sexto inferno, muito menos à quinta parte do inferno…
Segundo o dicionário Houaiss, a expressão “ir ou mandar para os quintos” vem de “ir na nau dos quintos”, ou seja, ir degredado para o Brasil (a nau dos quintos era a que levava à metrópole o imposto de 20% sobre os metais preciosos). Por isso, “ir para os quintos” significava ser banido para esse lugar distante e desconhecido, que era o Brasil.
Acredite, “os quintos dos infernos” era o Brasil.
A DICA
Verbos – parte 20
VIAGEM ou VIAJEM?
VIAGEM é substantivo: “A VIAGEM foi ótima”.
VIAJEM é verbo (=presente do subjuntivo): “Quero que vocês VIAJEM amanhã.”

VIGENDO ou VIGINDO?
O gerúndio do verbo VIGER (=vigorar) é VIGENDO: “Este contrato ainda está
VIGENDO (=vigorando, valendo, dentro do prazo VIGENTE).

VIMOS ou VIEMOS?
VIMOS pode ser o passado do verbo VER ou o presente do verbo VIR:
“Ontem nós VIMOS o filme.” (=pretérito perfeito do indicativo do verbo VER);
“VIMOS, por meio desta, solicitar…” (=presente do indicativo do verbo VIR);
VIEMOS só pode ser o passado do verbo VIR:
“Ontem nós VIEMOS à reunião.” (=pretérito perfeito do indicativo do verbo VIR).

Tinha VIDO ou VINDO?
O particípio do verbo VIR é VINDO (igual ao gerúndio):
“Ele tinha VINDO de outra empresa.” (=particípio);
“Ele está VINDO para cá.” (=gerúndio).
Os verbos derivados (advir, convir, intervir, provir), consequentemente, deverão seguir o verbo primitivo: “Quando chegou a solicitação do presidente, o diretor já havia intervindo no caso”.
O DESAFIO

O que significa degredado?
a) quem sofreu degradação, destituído de graus, títulos ou funções,
rebaixado em sua condição moral, corrompido, degenerado;
b) desterrado, exilado, expatriado, banido;
c) quem (acusado, criminoso, refugiado) foi entregue a um governo estrangeiro que o exige em seu próprio país.

Resposta:
Letra (b). Degredado é quem foi condenado à pena de degredo (=exílio, desterro, banimento).
Degradado é “quem sofreu degradação, destituído de graus, títulos ou funções, rebaixado em sua condição moral, corrompido, degenerado”.
E extraditado é “quem (acusado, criminoso, refugiado) foi entregue a um governo estrangeiro que o exige em seu próprio país”.

DÚVIDA DO LEITOR
Ocorre crase em “a vista, a venda e a porta”?

Estamos diante de um caso bem polêmico. Nos três casos, a dúvida é se há ou não o artigo definido feminino.
Alguns partem do seguinte raciocínio: Se a compra é “a prazo”, deveria ser “a vista” sem o acento da crase, pois não haveria o artigo feminino.
Entretanto, há autores que defendem a crase para todas as locuções adverbiais femininas, incluindo aí o “à vista” e o “à venda”. Por uma questão até de clareza: “Vender a vista sem o acento da crase” pode parecer que está vendendo “o olho”. Assim sendo, muitos estudiosos defendem o uso do acento da crase para as locuções adverbiais femininas: a) à vista, à toa, às claras – de modo;
b) à noite, às vezes, às 14h – de tempo;
c) à porta, à mesa, à direita – de lugar.

 

Conheça o significado da palavra ‘palíndromo’

 

VOCÊ SABE…
…o que significa e de onde vem a palavra palíndromo?
Palíndromo, segundo o dicionário Houaiss, “diz-se de ou frase ou palavra que se pode ler, indiferentemente, da esquerda para direita ou vice-versa”: osso, Ana, radar, Renner, Roma é amor, orava o avaro, socorram-me subi no ônibus em Marrocos…
Palíndromo vem do grego: palin (=de novo, com repetição, em sentido inverso) + dromo (=caminho, curso, pista). Palindromia é “a reincidência ou agravamento de uma doença” e palinfrasia é “a repetição doentia das palavras ou frases”.
Na definição da Grande Enciclopédia Larousse Cultural, palíndromo se refere não só a palavras e frases como também a números: 121, 4554, 378873…
Para esse caso, o dicionário Houaiss nos apresenta a palavra capicua: “sequência de algarismos que permanece a mesma se lida na ordem direta ou inversa (exemplo: 13231)”. No dominó, é a pedra que pode ganhar o jogo porque se encaixa em qualquer uma das duas pontas. Capicua também pode ser o indivíduo sexualmente ativo e passivo. A origem mais provável de capicua seja capi (do latim caput = cabeça) + cu (=a parte traseira) + a.
Assim sendo, os anos de 1991, 2002 e 2112 são capicuas.
 
A DICA
Verbos – parte 19
Eu VALHO ou VALO?
O certo é VALHO.
A irregularidade do verbo VALER é apresentar “lh” na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo e, consequentemente, em todo o presente do subjuntivo:
PRESENTE DO INDICATIVO        PRESENTE DO SUBJUNTIVO
Eu VALHO                                         que eu VALHA
Tu vales                                               que tu VALHAS
Ele vale                                                que ele VALHA
Nós valemos                                       que nós VALHAMOS
Vós valeis                                            que vós VALHAIS
Eles valem                                          que eles VALHAM
O verbo EQUIVALER segue o verbo VALER:
Que ele VALHA      -  “É necessário que isto se EQUIVALHA…”
 
Quando você VER ou VIR?
O certo é “quando você VIR o filme”.
O futuro do subjuntivo do verbo VER é VIR:
Quando eu VIR, tu VIRES, ele VIR, nós VIRMOS, vós VIRDES, eles VIREM.
O futuro do subjuntivo do verbo VIR é VIER:
Quando eu VIER, tu VIERES, ele VIER, nós VIERMOS, vós VIERDES, eles VIEREM.
O derivados do verbo VER (=antever, prever, rever…) seguem o verbo primitivo:
Eu vejo            – eu prevejo (=pres. ind.)
Ele vê              – ele prevê
Eles veem       – eles preveem
Eu vi                – eu previ (=pret. perf. ind.)
Ele viu             – ele previu
Eles viram      – eles previram
Se eu visse      – se eu previsse (=pret. imp. subj.)
Quando eu vir – quando eu previr (=fut. subj.)
Na linguagem coloquial, é frequente ouvirmos a frase: “Quando a gente se ver de novo…” O correto é: “Quando nós nos VIRMOS novamente…”
 
O DESAFIO
O que é um palimpsesto?
a)    papiro ou pergaminho cujo texto primitivo foi raspado, para dar lugar a outro;
b)    retorno à vida, renascimento, regeneração;
c)    distúrbio da fala devido à repetição constante e involuntária de palavras e frases.
Resposta:
Letra (a). Palimpsesto é “o papiro ou pergaminho cujo texto primitivo foi raspado, para dar lugar a outro” (=aquele que foi raspado duas vezes, que foi usado de novo).
Retorno à vida (renascimento, regeneração) é palingenesia; e o distúrbio da fala devido à repetição de palavras e frases é palilalia.
 
DÚVIDA DO LEITOR
A FORA ou AFORA?
AFORA deve ser escrito sempre junto:
a)    “para o lado de fora” = “Saiu porta afora”;
b)    “ao longo de” = “serviu-lhe pela vida afora”;
c)    “com exceção de” = “Afora este caso, o restante está correto”;
d)    “além de” = “Ela, afora ser bonita, é muito inteligente”
A FORA – Só escrevemos separadamente na expressão “de fora a fora” (=em toda a extensão): “Andou na fazenda de fora a fora”

Conheça a origem da palavra ‘carnaval’


 

VOCÊ SABE…
…qual é a origem do carnaval?
Vem da antiguidade. Era um período anual de festas profanas e hoje corresponde ao período de três dias, que sempre acaba na Quarta-Feira de Cinzas, às vésperas da Quaresma.
A palavra carnaval vem do latim carnem levare, que significa “abster-se, afastar-se da carne”.
Segundo a Grande Enciclopédia Larousse Cultural: “…no latim medieval carnelevarium, carnilevaria, carnilevamem, véspera de Quarta-Feira de Cinzas, tempo em que se iniciava a abstinência da carne.”
É importante lembrar que o afastamento da carne é uma exigência da Quaresma.
Segundo o dicionário Houaiss: “…do latim clássico carnem levare (…) fixa-se no italiano carnevale (séc. XIV) e daí no francês carneval (1552) carnaval (1680), passando às demais línguas europeias ainda no século XVII.”
O primeiro elemento vem do latim caro, carnis (=carne), e o segundo elemento vem do verbo latino levare (=tirar, sustar, afastar). Há quem suponha que a segunda parte do vocábulo pertença ao domínio popular, do latim vale (=adeus); daí carnevale (=adeus à carne).
Resta uma dúvida: será que é por isso que a “carne” é tão valorizada durante o carnaval?

A DICA
Verbos – parte 18
TEM ou TÊM ou TEEM ou TÊEM?
TEEM e TÊEM não existem.
Ele TEM (=3ª pessoa do singular do presente do indicativo);
Eles TÊM (=3ª pessoa do plural do presente do indicativo).
Observação 1:
Os verbos TER e VIR seguem o mesmo esquema:
3ª pessoa do singular = ele tem – ele vem (=sem acento gráfico);
3ª pessoa do plural = eles têm – eles vêm (=com acento circunflexo).
Observação 2:
Os verbos derivados de TER (conter, manter…) e VIR (intervir, provir…) seguem o seguinte esquema:
3ª pessoa do singular = ele contém, mantém, obtém, intervém, provém (=com acento agudo);
3ª pessoa do plural = eles contêm, mantêm, obtêm, intervêm, provêm (=com acento circunflexo).
É importante lembrar que esta regra não foi alterada pelo novo acordo ortográfico.
TRUXE ou TROUXE ou TROUCE ou TROUSSE?
O certo é TROUXE.
Truxe, trouce e trousse não existem.
O pretérito perfeito do indicativo do verbo TRAZER é:
Eu trouxe, tu trouxeste, ele trouxe, nós trouxemos, vós trouxestes, eles trouxeram.
Observação:
TRAZER é infinitivo: “Calou-se para não nos TRAZER problemas.”
TROUXER é futuro do subjuntivo: “Se eu TROUXER, quando ele TROUXER…”

O DESAFIO
Que é abstêmio?
a)    quem se priva do uso de algumas coisas: fumo, drogas, sexo, carne, bebidas…
b)    renúncia do eleitor ao direito ou dever de votar;
c)    quem não ingere ou ingere muito pouco bebidas alcoólicas, moderado, sóbrio.
Resposta:
Letra (c). Abstêmio se refere unicamente a quem não bebe ou tenha parado de beber bebidas alcoólicas.
Para qualquer tipo de privação, o termo correto é abstinência.
E abstenção é a renúncia do eleitor ao direito ou dever de votar.

DÚVIDAS DOS LEITORES
1ª) FIM DE SEMANA ou FINAL DE SEMANA?
 Tanto faz. As duas formas são corretas e aceitáveis.
Há quem prefira FIM DE SEMANA, porque se opõe a “início de semana”. FINAL se opõe ao adjetivo INICIAL.
Como usamos FINAL FELIZ, e não “fim feliz”, dizer FINAL DE SEMANA também está correto.
2ª) RISCO DE VIDA ou RISCO DE MORTE?
Tanto faz.
Se o risco é de morrer, “risco de morte” está correto; mas falar “risco de vida” é a forma mais usada e consagrada. Nesse caso temos uma elipse: risco de perder a vida.

Conheça a origem da palavra ‘ruído

 

VOCÊ SABE…
…o que é ruído?
Ruído vem do latim rugitus (=rugido). É qualquer som indistinto, rumor, barulho, estrondo, estrépito…
Se você está achando meio óbvio o assunto da nossa coluna de hoje, dou-lhe total razão. Penso igualzinho.
Mas…você sabe qual é o conceito de ruído na teoria da comunicação?

Ruído é tudo aquilo que dificulta a comunicação e perturba a recepção ou compreensão da mensagem. Assim sendo, na teoria da comunicação ruído pode ser o barulho que impede o destinatário de ouvir o que se fala pelo telefone, mas pode ser também o uso de palavras pouco usuais ou desconhecidas.
Certa vez, afirmou o presidente de uma grande empresa: “A nossa organização ficará com a imagem obnubilada caso a assinatura do contrato seja mais uma vez procrastinada”.
Eu também acho. Se o presidente falou…

Frases mal construídas também podem criar mal-entendidos, como aquela loja que “só vendia roupas para homens de segunda mão”.
Leitor nos mandou a seguinte história. Parece piada, mas ele jura que é verdadeira:
“Um advogado de Porto Alegre viajou para Recife. Aproveitou o computador do hotel para mandar uma mensagem eletrônica para a esposa que só chegaria no dia seguinte. O endereço eletrônico saiu errado e a mensagem foi para a casa de um pastor que havia morrido no dia anterior. A viúva quase morreu ao ler a mensagem na tela:
Querida, acabei de chegar. Foi uma longa viagem. Aqui tudo é muito bonito. Uma paisagem verdadeiramente paradisíaca. Muitas árvores e jardins…Apesar de estar só há poucas horas, estou gostando muito. Falei com o pessoal e já está tudo programado para a tua chegada amanhã. Tenho a certeza de que também vais gostar!”
Se for verdade, isso não foi ruído. Foi estrondo mesmo!
A DICA
Verbos – parte 17
Que eu ROBE ou ROUBE?
O certo é ROUBE.
O verbo é ROUBAR (=sempre com a vogal “u”).
SABER ou SOUBER?

SABER é infinitivo: “Estude para você SABER mais.”
SOUBER é futuro do subjuntivo: “Se eu SOUBER…”, “Quando você
SOUBER…”
SAIA ou SAÍA?
SAIA (=sem acento agudo) é presente do subjuntivo: que eu SAIA;
SAÍA (=com acento agudo) é pretérito imperfeito do indicativo: antigamente eu SAÍA…
O mesmo se aplica ao verbo CAIR:
CAIA (=presente do subjuntivo);
CAÍA (=pretérito imperfeito do indicativo).
O DESAFIO
O que significa obnubilação?
a)    estado de perturbação da consciência, caracterizado por ofuscação da vista e obscurecimento do pensamento;
b)    pequeno donativo, esmola;
c)    destruição, eliminação, apagamento, extinção.
Resposta:
Letra (a). Obnubilar é “tornar(-se) obscuro, escurecer(-se)”. Vem do verbo latino obnubilare, que significava “cobrir com nuvem, escurecer, obscurecer”. Daí o céu nublado.
Óbolo é esmola; e obliteração é “destruição, eliminação, extinção”.

DÚVIDAS DOS LEITORES
1ª) SUPER PAI ou SUPER-PAI ou SUPERPAI?
Com os prefixos terminados em “R” (SUPER, HIPER e INTER), usamos hífen quando a palavra seguinte começa por “H” ou “R”: super-homem, super-herói, super-resistente, super-rápido, hiper-realismo, inter-regional, inter-helênico.
Com as demais letras, devemos escrever sem hífen, sempre junto: supermercado, superinteressante, supersábado, superlegal, SUPERPAI, hipermercado, hipertensão, interestadual, intermunicipal, internacional…
2ª) MEIA-NOITE ou MEIA NOITE?
MEIA-NOITE (com hífen) equivale à “0h”: “Só chegou à festa de aniversário do chefe à meia-noite”;
MEIA NOITE (sem hífen) significa metade de uma noite: “Era para ela ter trabalhado durante a noite inteira, mas só trabalhou meia noite”.

Conheça a origem da expressão ‘deixar para as calendas gregas’


 

VOCÊ SABE…
…que significa a expressão “deixar para as calendas gregas”? E de onde vem o “tear de Penélope”?
“Deixar para as calendas gregas” significa “deixar para uma data muito distante, é adiar a solução de alguma coisa para um tempo que nunca há de vir”. Calendas (daí o calendário) era o primeiro dia de cada mês no calendário romano. Não havia o termo calendas no calendário grego. Quando os romanos ironicamente falavam das “calendas gregas”, queriam referir-se a uma data que não existia. Adiar a solução de um problema para as calendas gregas é, portanto, deixar para o dia de “São Nunca”.
O “tear de Penélope” é o trabalho que precisamos recomeçar sempre, e que nunca acaba. A origem do “tear de Penélope” está na Odisseia, umas das famosas obras épicas de Homero, escritor grego. Penélope era a linda e fiel esposa do valente Ulisses. Após anos de ausência, muitos supunham que o herói estivesse morto. Em razão disso, os jovens príncipes de Ítaca acharam-se no direito de desejar a mão da bela Penélope. A sempre fiel esposa prometeu casar-se tão logo terminasse de tecer a mortalha do seu velho sogro Laertes. O problema é que Penélope tecia durante o dia e desfazia o trabalho à noite. Dessa forma o tempo passou sem que a obra chegasse ao fim. Assim fez Penélope até a volta de Ulisses.
Pelo visto, a nossa Penélope ficou tecendo, tecendo e deixou o casamento com os jovens pretendentes para as calendas gregas.
 
 
A DICA
Verbos – parte 16
QUIZ ou QUIS?
O certo é QUIS.
Nas formas do verbo QUERER, o som “zê” é sempre escrito com “s”: tu quiseste, ele quis, eles quiseram, se eu quisesse, quando eu quiser…
Observação:
QUISER é futuro do subjuntivo: quando eu quiser, se eu quiser…
QUERER é infinitivo: “Fez isso para eu querer sair.”
Ele REQUEREU ou REQUIS?
O certo é REQUEREU.
REQUERER não é derivado do verbo QUERER. REQUERER não é “querer de novo”:
Eu requeiro (=presente indicativo), que eu requeira (=presente do subjuntivo); no pretérito e no futuro, REQUERER é regular: eu requeri, tu requereste, ele REQUEREU, eles requereram (pretérito perfeito do indicativo); se eu requeresse (pretérito imperfeito do subjuntivo); quando ele requerer (futuro do subjuntivo)…
Nos tempos do passado e do futuro, o verbo REQUERER deve ser usado segundo o padrão dos verbos regulares da 2ª conjugação:
TEMER         VENDER       REQUERER
Pretérito Perfeito do Indicativo: ele         temeu            vendeu            requereu
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo: ele  temesse        vendesse        requeresse
Futuro do Subjuntivo: quando ele           temer             vender             requerer
 
 
O DESAFIO
Que significa sinecura?
a)    sem data marcada;
b)    emprego rendoso que exige pouco trabalho;
c)    indispensável, essencial.
Resposta:
Letra (b). Segundo o dicionário Houaiss, sinecure, em inglês, significa na sua origem “benefício eclesiástico sem cuidado real de almas”. Por extensão, passou a significar “qualquer função ou situação que assegura uma remuneração sem que seja exigido trabalho ou responsabilidade real”. Sinecura entrou no português pelo francês sinécure, cargo ou emprego que não obriga a nenhuma função ou que necessita de pouco trabalho.
Adiar o evento sine die significa adiar o evento “sem data marcada”; e condição sine qua non é o indispensável, o essencial.
 
 
DÚVIDA DO LEITOR
Nosso leitor critica o uso do acento da crase: “…continuamos na mesma situação, andando à reboque deles, porque esse pacote não resolve o problema”; “…não precisam se desviar das bolinhas de frescobol, nem ver algum acampamento montado à beira-mar”.
O nosso leitor tem razão no primeiro caso. O uso do acento da crase em “a reboque” é absurdo. É impossível haver crase, pois reboque é um substantivo masculino. Temos apenas a preposição “a”.
Em “à beira-mar”, o uso do acento da crase está correto. Beira-mar é um substantivo feminino e a expressão “à beira-mar” é um adjunto adverbial de lugar. Corresponde a “…montado na praia” ou “no litoral”. Isso comprova a existência da preposição e do artigo definido feminino.

Você sabe de onde vêm o elefante branco e o bode expiatório?

 

VOCÊ SABE…  
…de onde vêm o elefante branco e o bode expiatório?
Um elefante branco é algo grandioso, com aparência magnífica, mas que cria muitos problemas ou provoca grandes prejuízos devido ao trabalho ou despesas que dá.
Dizem que na Tailândia havia uma prática antiga: toda vez que o rei queria arruinar um inimigo, dava-lhe um elefante branco. Por tratar-se de um animal sagrado, o presenteado não podia desfazer-se do elefante branco. É como diz o professor Antenor Nascentes no seu Tesouro da Fraseologia Brasileira: “…e a despesa com a manutenção bastava para comprometer as mais sólidas fortunas”.
Quanto ao bode, primeiro é importante observarmos que expiatório se escreve com “x”. Um bode expiatório não é, como alguns imaginam, um cara chato que anda espiando os outros. Não é um “bode espião”.
Expiatório vem do verbo expiar (=penar), e não de espiar (=espionar, olhar, observar). O tal bode expiatório é aquele que paga pelas culpas alheias, é quem pena pelos outros.
A origem é bíblica. Os hebreus tinham o costume de, anualmente, fazer uma festa para aplacar a ira divina. Um bode, após receber todas as maldições, era jogado no deserto. Sua função era expiar (=redimir, purificar) a culpa do povo. Daí o bode expiatório.
 
 
A DICA
Verbos – parte 15
Eu REAVEJO ou REAVENHO?
Nenhum dos dois.
O verbo REAVER é defectivo:
a)    no presente do indicativo, só há: nós REAVEMOS e vós REAVEIS;
b)    no presente do subjuntivo, nada;
c)    no pretérito e no futuro, segue o verbo HAVER: reouve, reavia, reouvera, reaverei, reaveria, reouvesse, reouver, reavendo, reavido…
Como não existem as formas “reavejo” e “reavenho”, a solução é “eu estou reavendo” ou substituir por um sinônimo: “eu recupero”.
 
REAVERAM ou REAVIRAM?
É a “famosa” dúvida do nada com coisa alguma. Nenhum dos dois.
O certo é REOUVERAM, porque REAVER é derivado do verbo HAVER:
Ele houve                – ele REOUVE
Nós houvemos        – nós REOUVEMOS
Eles houveram        – eles REOUVERAM
Se eu houvesse      – se eu REOUVESSE
Quando ele houver – quando ele REOUVER
REAVER não é “ver de novo”. REAVER é “haver de novo”, por isso deve seguir o verbo HAVER.
 
 
 
O DESAFIO
Que significa bancarrota?
a)    quebra, falência ou insolvência;
b)    pobreza extrema, indigência, miséria;
c)    emigração, saída, retirada.
Resposta:
Letra (a) = bancarrota vem do italiano banca (=banco) + rotta (=quebrado). Quando alguém está na bancarrota é porque está na ruína, faliu, quebrou. Quem está na pobreza extrema (indigência, miséria) está na penúria; e emigração (saída, retirada) pode ser êxodo.
 
 
 
DÚVIDAS DO LEITOR
1ª) Leitor quer saber se, na linguagem popular do Brasil, uma das acepções de medrar é “ter medo”.
Meu caro leitor, como você bem sabe, o significado original de medrar é “fazer crescer, prosperar, progredir, desenvolver-se, melhorar”. No dicionário Aurélio, encontramos um célebre exemplo de Castro Alves: “Lá no solo onde o cardo apenas medra / Boceja a Esfinge colossal de pedra / Fitando o morno céu”.
É importante, entretanto, saber que tanto o dicionário Houaiss quanto o novíssimo Aurélio já registram o verbo medrar com a acepção de “ter medo”. No dicionário Houaiss, encontramos um típico exemplo da linguagem falada brasileira: “O time medrou diante do adversário”.
2ª) A BAIXO ou ABAIXO?
DEBAIXO ou DE BAIXO?
EMBAIXO ou EM BAIXO?
A BAIXO = só na expressão “de cima a baixo”: “Examinou tudo de cima a baixo”;
ABAIXO = nas demais situações: “Veio tudo abaixo”; “Posicionou-se abaixo de mim”;
DEBAIXO DE = quando estiver seguido da preposição DE: “Escondeu-se debaixo da mesa”;
DE BAIXO = nas demais situações: “Mora no andar de baixo”;
EMBAIXO (sempre junto) = DEBAIXO DE: “Escondeu-se embaixo da mesa”.
Existe “em baixa”: “O mercado de imóveis está em baixa”

Você sabe o que significa a expressão ‘pomo da discórdia’?

 

VOCÊ SABE…
…o que significa e qual é a origem da expressão “pomo da discórdia”?
Pomo da discórdia é a pessoa ou coisa que provoca uma desavença e sua origem está na mitologia grega.
Pomo foi uma maçã oferecida pela deusa Discórdia que gerou uma grande disputa.
Tudo começou com o nascimento de Páris, segundo filho de Príamo, rei de Troia. Devido à profecia de que Páris causaria a ruína da pátria, o rei mandou matar o próprio filho. Entretanto, atendendo aos apelos de Hécuba, a rainha, o pastor Agelus levou Páris para o monte Ida, onde o menino cresceu e tornou-se forte e belo como um deus do Olimpo.
Num belo dia, foi chamado para decidir uma difícil questão. Na festa de núpcias de Tétis e Peleu, todas as divindades estavam presentes, menos a deusa Discórdia, que não fora convidada. Irritada pela ofensa, a deusa apareceu repentinamente na hora do banquete, e jogou sobre a mesa uma maçã (= pomo, daí a palavra pomar) de ouro com a seguinte inscrição: “À mais bela”. As deusas Juno, Minerva e Vênus começaram a brigar pela maçã. Júpiter, o pai dos deuses, teve de intervir. Encarregou o deus Mercúrio de levar as rivais para Frígia e de submeter o caso a julgamento do primeiro mortal que fosse encontrado.
Adivinha quem foi? Páris, é claro.
Como de hábito (e péssimo exemplo para o futuro), cada deusa ofereceu algo valioso para que Páris lhe desse o julgamento favorável: Minerva prometeu-lhe sabedoria e glória; Juno, riqueza e o império da Ásia; e Vênus ofereceu a Páris o amor da belíssima Helena, esposa do rei grego Menelau.
Páris deu o pomo da Discórdia para Vênus. Ganhou, assim, o amor de Helena, e, com isso, deu origem à guerra que causou a ruína de Troia.
 
 
A DICA
Verbos – parte 14
PROVEJO ou PROVENHO?
PROVEJO é do verbo PROVER (=fornecer, abastecer);
PROVENHO é do ver PROVIR (=originar, vir de).
 
O verbo PROVIR segue o verbo VIR:
Eu venho            -  eu provenho
Ele vem              -  ele provém
Eles vêm            -  eles provêm
Nós vimos          -  nós provimos (=presente do indicativo)
Nós viemos        -  nós proviemos (=pretérito perfeito do indicativo)
Eu vim                -  eu provim
Ele veio              -  ele proveio
Eles vieram        -  eles provieram
Se eu viesse      -  se eu proviesse
Quando eu vier  -  quando eu provier
 
O verbo PROVER só segue o verbo VER nos tempos do presente:
Eu vejo               -  eu provejo
Ele vê                 -  ele provê
Eles veem          -  eles proveem
Que eu veja       -  que eu proveja
No pretérito e no futuro, é REGULAR:
Ele proveu, eles proveram (=pretérito perfeito do indicativo);
Se eu provesse (=pretérito imperfeito do subjuntivo);
Quando eu prover (=futuro do subjuntivo);
Eu proverei (=futuro do presente do indicativo);
Eu proveria (=futuro do pretérito do indicativo).
 
 
O DESAFIO
Que significa peremptório?
a)    Tudo que for perene, eterno, imortal;
b)    Algo totalmente verdadeiro;
c)    O que é decisivo, categórico.
Resposta:
Letra (c) = ser peremptório é apresentar uma decisão categórica. Peremptório é o que perime. Perimir é “pôr fim a, extinguir”.
 
 
 
DÚVIDA DO LEITOR
Leitor nos escreve: “A apresentadora do programa perguntou: ‘Você tem uma descendência literária de peso, não?’ O entrevistado respondeu: ‘É verdade, Alceu Amoroso Lima era meu bisavô.’ Não seria o caso de ascendência?”
Hoje em dia, muita gente boa confunde ascendência com descendência. Ascendência vem de ascender, que significa subir; e descendência vem de descender, descer. Assim sendo, meus pais, avós, bisavós… são meus ascendentes. Meu filho e futuros netos são meus descendentes.
A nossa leitora, portanto, tem razão. Se o entrevistado é bisneto (descendente) de Alceu Amoroso Lima, ele tem uma ascendência (bisavô) literária de peso.

O certo é ‘eu me precavenho’ ou ‘eu me precavejo’? Veja essa e outras dúvidas de português

 

VOCÊ SABE…
…o que é lugar-comum?
Se você imaginou que era um lugar comum, enganou-se. Quero falar do lugar-comum, com hífen. Trata-se daquela expressão batida e tão repetida que já perdeu a graça. É o mesmo que chavão ou clichê.
Vejamos alguns exemplos encontrados com alguma frequência em nosso meio jornalístico:
1)    O agente da lei teve que invadir a aeronave.
2)    Ao apagar das luzes, o Palmeiras conseguiu dar a volta por cima e, finalmente, fez as pazes com a vitória.
3)    O Chefe do Executivo respondeu em alto e bom som.
4)    Via de regra, esse tipo de notícia estoura como uma bomba no congresso nacional.
5)    É preciso aparar as arestas e chegar a um denominador comum.
6)    Foi dar o último adeus ao amigo, e foi obrigado a dizer cobras e lagartos para o administrador do cemitério.
7)    Sua explicação deixou a desejar.
8)    Nada vai empanar o brilho da sua conquista.
9)    Sua contratação veio preencher uma lacuna.
10) Vamos encerrar com chave de ouro.
11) O atacante estava completamente impedido.
12) O todo-poderoso Manchester United perdeu para um desconhecido clube da terceira divisão.
13) A festa não tem hora para acabar, mas amanhã o carioca volta à dura realidade.
14) São imagens impressionantes que nos deixam uma lição de vida.
15) Mas nem só de shows vive a cantora.
16) Muitos finalmente poderão realizar o sonho da casa própria.
17) Resta saber, se o governo vai pôr a ideia em prática.
18) Bandidos fortemente armados invadiram o banco e transformaram o saguão numa verdadeira praça de guerra.
19) E o cidadão tupiniquim continua sua via crúcis.
20) A fúria da natureza deixou um rastro de destruição.
21) As ruas viraram verdadeiros rios e o barco era o único meio de transporte.
22) O artista foi recepcionado por um batalhão de repórteres e cinegrafistas.
23) A ousadia dos traficantes não tem limites.
24) Para você ter uma ideia, eram 20 quilos de cocaína pura.
25) Cinco times ainda lutam para fugir do fantasma do rebaixamento.
26) O estádio virou um verdadeiro caldeirão.
27) Conseguiu carimbar o passaporte para as Olimpíadas.
28) O jogo está eletrizante.
29) O trânsito está complicado.
30) As eleições estão literalmente pegando fogo.
 
 
A DICA
Verbos – parte 13
Eu me PRECAVENHO ou PRECAVEJO?
Nenhum dos dois.
O verbo PRECAVER-SE é defectivo:
a)    no presente do indicativo, só apresenta PRECAVEMOS e PRECAVEIS;
b)    no presente do subjuntivo, nada;
c)    o pretérito e o futuro são regulares (ele se PRECAVEU, ele se PRECAVERÁ).
Se as formas “precavejo” e “precavenho” não existem, a solução é “estou me precavendo” ou substituir por sinônimo (=”eu me previno”, “eu tomo cuidado”…)
 
 
O DESAFIO
Que é um monegasco?
a)    quem nasce em Mônaco;
b)    homem ou mulher que só tem um cônjuge;
c)    relativo aos monges.
Resposta:
Letra (a). Monegasco é o natural ou habitante de Mônaco.
Quem só tem um cônjuge é monogâmico ou monógamo.
Monacal ou monástico é relativo aos monges.
 
 
DÚVIDA DO LEITOR
Leitor apresenta versão diferente do dicionário Houaiss para a origem da palavra pindaíba: “Vem do tupi-guarani pindá (anzol) e yba (vara), formando-se no português para designar a vara de pescar. Pindaíba, no sentido de pobreza absoluta, origina-se do seguinte fato: o índio vivia principalmente da pesca. Quando o anzol e a vara não o ajudavam, ele ficava sem os peixes, ou seja, na miséria, sem recursos, sem seu principal meio de subsistência.”