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21 de dezembro de 2014

Letras - profissões

Continuando nossa série Guia de Profissões 2014, para auxiliá-lo em sua escolha, falaremos hoje sobre o curso de Letras, que é o estudo da língua portuguesa e outro idioma e suas literaturas.
 Para nos ajudar, entrevistamos Rafael Vinícius Martins, graduando em Letras na Universidade de São Paulo (USP).
1- Por que escolheu Letras?
Escolhi fazer Letras, pois desde a infância tenho o hábito de ler e o desejo de escrever, por isso decidi ainda cedo que gostaria de estudar melhor o uso da linguagem. Além disso, meu interesse por cultura japonesa me impulsionou a estudar esta língua e literatura como habilitação.
2– Na prática, sua visão sobre o curso mudou? Conte-nos um pouco sobre sua rotina.
Inicialmente o curso dá um banho de água fria nos futuros escritores, mas devido à diversidade de matérias optativas que se pode cursar (na Universidade de São Paulo) é possível reunir uma bagagem de conhecimentos adequados de acordo com seus próprios objetivos. O primeiro ano do curso é composto de matérias introdutórias sobre os estudos de língua e literatura, de forma a ajudar os alunos a decidirem as habilitações que escolherão seguir a partir do segundo ano. Ao longo dos primeiros anos do curso vivi num dilema muito grande entre as áreas de linguística e literatura e com isso acabei percorrendo pelo meio termo estudando Literatura Comparada, Teorias de Tradução e Semiótica, todos como matérias optativas e Iniciação Científica. Entre as obrigatórias temos noções básicas de Linguística (Fonética-Fonologia, Morfologia, Sintaxe, Filologia e Teorias do Texto), 2 anos de estudo de Literatura Brasileira e Portuguesa, além das aulas da habilitação em Japonês, que envolvem estudo de Língua, Literatura, Cultura, além de Língua e Literatura Clássicas. Como atividades extracurriculares, além das inúmeras matérias optativas que o curso nos exige cumprir, também são oferecidas com frequência palestras das mais diversas áreas que os alunos podem assistir de acordo com sua disponibilidade e interesse. Como meu curso é Bacharelado não há estágio obrigatório.
3 – Quais os principais benefícios e dificuldades de fazer esse curso?
A fragmentação e relativa liberdade que os alunos têm para escolher a ordem que cumprirão as matérias, muitas vezes torna-se uma dificuldade para a compreensão da formação como uma unidade. No entanto, esta mesma liberdade é o que permite que o aluno especialize-se em seus campos de interesse. Além disso, o constante estudo da linguagem nos ajuda a aprimorar a habilidade de comunicação verbal (falada e escrita), fazendo com que sejamos mais precisos na construção de argumentos e com isso, mais confiantes e convincentes.
4- Quais as principais características que você acredita serem necessárias para quem escolher esse curso?
Gosto pela leitura, dedicação, autodidatismo, interesse por aprender (muitas vezes sobre coisas pelas quais não tem real interesse) e visão crítica.
5- Gostaríamos que você desse dicas, conselhos ou qualquer outro tipo de informação que ajude nossos leitores a decidir seguir (ou não) a sua profissão.
Aos interessados no curso de letras, é bom saber que terão que ler muito, e muitas vezes coisas antigas, que você pode achar chato e até mesmo discordar. Não é uma carreira fácil, ao longo do curso você será questionado muitas vezes (e se questionará também) se sua escolha foi correta, pois não é uma profissão que você faz para ficar rico, quem cursa letras cursa por amor à linguagem ou por vocação ao magistério.

20 de dezembro de 2014

Bom sábado!!!!!

Instituto de Menores de Ijuí - RS - vai a leilão

19 de dezembro de 2014

UFRGS - última análise antes do vestibular.

A última atualização

Como o ano que chega ao fim pode cair no vestibular da UFRGS de 2015

A pouco mais de duas semanas das provas, confira alguns fatos que foram assunto em 2014 e podem aparecer nas questões das provas de verão


18/12/2014 | 05h31
Como o ano que chega ao fim pode cair no vestibular da UFRGS de 2015 ARIS MESSINIS/AFP
Meninos curdos sírios andar em um campo de refugiados na cidade de Suruc , na província de Sanliurfa, em 5 de novembroFoto: ARIS MESSINIS / AFP
As atualidades que aparecerem na prova da UFRGS já terão deixado sites, jornais, rádios e revistas há alguns meses. Mas não é por isso que deixam de ser importantes. Aluno preparado é, também, aluno bem-informado. Não basta saber o que aconteceu: é preciso relacionar os acontecimentos com seus desencadeadores e ser capaz de fazer ligações históricas com a situação atual.
Até por isso as atualidades ficam bem divididas entre as provas de história e geografia. Um mesmo tema pode surgir em uma questão sobre seu contexto atual ou como pergunta sobre sua origem ou passado.
— É importante lembrar do que foi notícia nos últimos meses para não errar uma pergunta fácil na hora da prova — reflete Saul Chervenski, professor de geografia do Unificado.

A importância das atualidades que podem cair na prova está também na sua relevância para um Estado ou nação. Na prova do ano passado, foi o caso do leilão da exploração de petróleo no campo de Libra, da contaminação na usina nuclear de Fukushima, das fraudes no leite — que voltaram a aparecer no noticiário em 2014 —, entre outras, mostrando a grande variedade de assuntos que podem ser cobrados.
— Questões sobre os últimos acontecimentos ocorridos no Brasil, envolvendo petróleo e a nova conjuntura econômica do Nordeste, por exemplo, também apareceram e privilegiaram os alunos que estiveram atentos às notícias — define Alexandre Rosa, professor do Anglo.


No vestibular 2015, efemérides como o centenário da I Guerra Mundial e os 50 anos do golpe militar no Brasil podem cair, mas a aposta dos professores recai mais em temas com impacto atual do que em aniversários (confira abaixo). O ideal é ter acompanhado o desenrolar dessas questões ao longo do ano, mas nas poucas semanas que faltam até a prova ainda dá tempo de revisar.
Seis temas para prestar atenção 
1. Combates na UcrâniaHistoricamente na órbita de gravitação da Rússia, a Ucrânia passou por referendos que mudaram o equilíbrio geopolítico da região. Dividida entre União Europeia e Rússia, assediada pelos Estados Unidos, a Ucrânia traz à tona temas da Guerra Fria, do imperialismo e de geopolítica aplicados à atualidade.
2. Conflitos na Faixa de Gaza e na SíriaOs renovados combates entre Israel e Palestina, bem como a guerra civil síria que já dura mais de três anos, são temas fundamentais do Oriente Médio, com diversas abordagens possíveis, desde sociais até culturais e políticas.
3. Epidemia do ebolaO fantasma da febre hemorrágica que tomou conta do oeste da África e passou a ameaçar outros continentes pode ser cobrada em aspectos demográficos, sociais e econômicos dos países envolvidos.
4. Golpe militar de 1964 e Comissão da VerdadeA ditadura estabelecida em 1º de abril de 1964 desencadeou alterações na vida social e política dos brasileiros, com reflexos inclusive atuais. Na semana passada, a Comissão Nacional da Verdade listou 434 nomes de vítimas na ditadura.
5. 20 anos do Plano RealForam oito trocas de sistema econômico no Brasil até a chegada do Plano Real, em 1º de julho de 1994. Em época de inflação alta, a UFRGS pode mencionar a data redonda em alguma questão sobre estabilidade econômica, por exemplo.
6. Crise hídricaAinda que restrita a São Paulo e outras cidades do Sudeste, a crise no abastecimento pode ser um dos temas abordados — e sob diferentes perspectivas. Em geografia, pode envolver ciclo de chuvas, desmatamento, fenômenos climáticos.

Uma última olhada - postagem repetida

Vamos mudar de assunto????

Criador de frangos fica revoltado com propaganda falsa de frigorífico e abre sua granja para denunciar as condições cruéis que vivem os animais

A Perdue, um grande frigorífico dos Estados Unidos, diz nas propagandas que suas galinhas são criadas fora de gaiolas e livres de maus tratos. "Fazer a coisa certa significa tratar as galinhas com consideração", afirma o diretor da empresa, Jim Perdue, em um de seus vídeos promocionais.
A realidade, porém, revela uma coisa bem diferente. Ao invés de animais livres, os frangos têm pernas deformadas, estão sem penas e com enormes feridas. É o que mostra Craig Watts, granjeiro que cria 720 mil frangos por ano para a Perdue.
Chocado após assistir a uma das propagandas do diretor do frigorífico, ele decidiu abrir as portas de suas quatro granjas para mostrar como é realmente a vida dos frangos da empresa. "A verdade não poderia ser mais diferente", diz.
Watts convidou um grupo de defesa dos direitos dos animais, Compassion in World Farming, para documentar as condições do local. O resultado foi divulgado este mês (veja abaixo, em inglês). As cenas são fortes.
Os frangos da granja não correm, nem ciscam. Comem muito (para ficarem ideais para o consumo humano) e passam a vida parados. Eles ficam tão amontoados na granja que é como se ficassem em gaiolas. Cada ave tem para si apenas 0,05m2.
A revista científica Poultry Science calculou que, se os humanos crescessem a um ritmo semelhante ao dos frangos, uma pessoa pesaria 330kg quando chegasse a oito semanas de idade.
Para Watts, a Perdue percebeu que os consumidores estavam preocupados com o bem estar dos animais e com a segurança alimentar, e decidiu manipular o público. "Não sei onde estabelecer o limite. Mas, quando as galinhas têm imensas feridas abertas na barriga, eu me pergunto se a criação de animais não se converteu em abuso contra os animais."

Filosofia - faço ou não faço????

Filosofia estuda a existência, o conhecimento, a verdade, os valores morais e estéticos, a mente e a linguagem. Se afasta da mitologia ao dar ênfase em argumentos racionais e se diferencia da ciência por não utilizar procedimentos e experiências sensoriais para investigação de seu estudo. A carreira do filósofo pode ser construída em instituições científicas, artísticas e culturais através de pesquisa e consultoria ou em projetos educacionais.
Em épocas de mudanças sociais e culturais, esse profissional também pode ser requisitado em jornais, revistas e telejornais para analisar notícias e mostrar ao público uma reflexão filosófica dos fatos sociais.
Para compartilhar sua vivência nesse curso, trazemos hoje uma entrevista com Vinicius Pintor, graduando em Filosofia .

1- Por que escolheu o curso de Filosofia?
A escolha do curso se deu pela identificação que tenho com a área de estudo da filosofia desde o Ensino Médio. Não somente pelo conteúdo dado em sala de aula, mas por leituras, que mesmo de maneira indireta, abordavam os temas. Acredito que a identificação com o que se vá estudar na graduação deva ser o fator principal na escolha do aluno.

2- Na prática, sua visão sobre o curso mudou? Conte-nos um pouco sobre sua rotina.
Quando ingressei no curso, não sabia ao certo o que esperar, por isso creio que minha visão do curso se mantém, em especial a minha afinidade com ele. A rotina das diferentes matérias não costuma variar muito. Em resumo, escolhemos algumas obras de algum autor, as lemos e estudamos. Provas não são comuns, apresentações e trabalhos escritos sim. O curso possibilita atividades extracurriculares envolvendo docência, ou seja, dar aulas, seja como professor propriamente dito ou como auxiliar. Eu, particularmente, dou aulas de filosofia em um cursinho comunitário, a Escola Preparatória da UFABC, experiência que para mim é extremamente enriquecedora.

3- Quais os principais benefícios e dificuldades de fazer esse curso?
Acredito que o curso de filosofia vai muito além do estudo dentro do ambiente acadêmico. Ele oferece ferramentas para que o aluno tenha uma capacidade de análise crítica forte, tendo meios para se expressar com qualidade. A maior dificuldade talvez seja externa ao curso: o preconceito que infelizmente existe com quem opta por ser professor e, em especial, estudar filosofia.

4- Quais as principais características que você acredita serem necessárias para quem escolher esse curso?
O curso exige muita leitura e o ingressante deve estar ciente disso. Mas, em suma, não acredito que existam características necessárias além do interesse pelo conteúdo. Tudo o que for necessário poderá ser aprendido durante a graduação.

5- Gostaríamos que você desse dicas, conselhos ou qualquer outro tipo de informação que ajude nossos leitores a decidir seguir (ou não) a sua profissão.
Meu conselho é que o leitor com vontade de cursar filosofia não desista por pressões externas. Coloque sua vontade e bem-estar em primeiro plano. Oportunidades para um bom profissional não faltam, para qualquer área que seja.

18 de dezembro de 2014

Paradoxos!!!!!

Um bom Natal a todos meus seguidores, alunos, ex-alunos, professores, que seja feliz!

ENEM - PPL 2014 - redação


O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) possui uma versão para pessoas privadas de liberdade – o Enem PPL – destinado a pessoas que cumprem penas em presídios. Neste ano, o Enem PPL foi aplicado nos dias 9 e 10 de dezembro para 38,1 mil candidatos, além dos participantes da cidade de Escada, localizada na Zona da Mata pernambucana, que não puderam finalizar o Enem devido a uma queda de energia no prédio onde estavam fazendo a prova.
O Enem PPL é estruturalmente idêntico ao Enem, apenas destinado a um público exclusivo – jovens e adultos que cumprem medidas socioedutivas e penas – e, portanto, no segundo dia do exame há a proposta de redação e, neste ano, o tema foi “O que o fenômeno social dos ‘rolezinhos’ representa?”.
Infelizmente não foi divulgada a proposta de redação completa, com todos os textos motivadores da coletânea, mas o Jornal do Comércio publicou parte da prova. Aliás, para quem tiver interesse em ler as provas do Enem PPL e fazê-las como forma de estudo e preparação para o Enem 2015, o Portal EBC disponibiliza os exames anteriores e seus respectivos gabaritos.
Voltando à proposta de redação do Enem PPL 2014, pensamos ser interessante este tema por algumas razões.
O Enem PPL 2014 trouxe um tema bastante recente, já que os rolezinhos estiveram em pauta desde o fim de 2013 e até foi assunto nesta coluna, no texto Redação e “Rolezinhos”, já que gerou uma enorme repercussão e discussão em todo o país, envolvendo várias esferas da sociedade brasileira.
Outro motivo que o deixa interessante no Enem PPL 2014 é que os criadores e os frequentadores dos “rolezinhos” foram alvos de preconceitos por parte da mídia e da população, assim como acontece com os jovens e adultos que cumprem penas criminais, visto a dificuldade que o Brasil tem de reeducá-los e de reinseri-los na sociedade; muitos não conseguem colocações no mercado de trabalho, por exemplo.
Obviamente podíamos discutir todas as causas e consequências destes problemas sociais, mas infelizmente o espaço é pequeno e, por isso, vamos nos atentar à análise da proposta de redação do Enem PPL 2014.
O primeiro texto motivador da coletânea conta a origem dos “rolezinhos” e mostra a importância para o jovem de conhecer um ídolo, seja ele um “famosinho” da rede social ou um MC (mestre de cerimônias do funk). Deste modo, este primeiro texto motivador situa o candidato acerca do tema.
Já o segundo texto motivador é uma charge que retrata a atuação dos shoppings ao barrar jovens humildes em suas dependências, pois o cartunista mostra um segurança pedindo a dois meninos a carteira de identidade e um extrato bancário a fim de analisar se permite ou não a sua entrada.
Esta charge é, claramente, uma crítica ao comportamento dos empresários do comércio frente aos “rolezinhos”, já que os proibiu e apenas permitiu a entrada de jovens de determinada classe social e, possivelmente, de determinada etnia.
Por fim, segundo Margarida Azevedo, jornalista que assina a coluna do Jornal Comércio, o terceiro texto motivador da coletânea era do site Geledés Instituto da Mulher Negra e abordava as atitudes dos MCs e as relacionava com o funkostentação e, consequentemente, com o consumismo e a exaltação do luxo.
Assim, diante deste cenário, o candidato deveria dizer o que o fenômeno dos “rolezinhos” representa ou representou na sociedade brasileira e responder a questões cruciais, como por exemplo, como isto iniciou, por que teve tanta repercussão, o que estava em jogo, por que incomodou tanto etc.
Aspectos como inclusão social por meio do consumo, influência do estilo musical e dos ídolos, direito de ir e vir, direito ao lazer que é tão pobre nas periferias do Brasil poderiam e deveriam ser tratados pelos candidatos ao Enem PPl 2014.
Os participantes poderiam colocar-se contra os “rolezinhos”? Possivelmente, mas estes deveriam atentar-se à charge que crítica a postura dos shoppings que, de uma certa maneira, segregaram os jovens que iam aos encontros e, para tanto, deveriam derrubar este argumento e construir um contra-argumento, provando que não houve discriminação, por exemplo.
No entanto, isto é difícil, já que o recorte temático da proposta partia para uma abordagem mais crítica em relação à segregação social e étnica promovida por parte dos comerciantes e por parte da mídia.
Assim sendo, é um tema atual, de ampla repercussão e que merecia um tratamento em um vestibular ou exame como o Enem, já que suscita discussões acerca de inclusão social, segregação, falta de oportunidades de lazer, consumismo e ostentação, tão presente na sociedade capitalista em que vivemos.

17 de dezembro de 2014

UNESP

 A redação da segunda prova da segunda fase do vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), realizada nesta segunda-feira (15), teve como tema "O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil." A prova teve ainda 12 questões discursivas de linguagens e uma redação. O tema da redação foi "O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil".

14 de dezembro de 2014

UFSM

A prova de redação começou às 15h. Os candidatos tiveram até às 18h para concluir. O tema foi divulgado às 16h30min, quando a sirene soou indicando que os candidatos já poderiam deixar as salas.
Em um artigo opinativo, de até 25 linhas, o tema trazia o seguinte questionamento: "Juventude conectada: evolução ou problema social?

12 de dezembro de 2014

Um texto interessante



Transa Gramatical 


Redação feita por uma aluna do curso de Letras, da UFPE Universidade Federal de Pernambuco - (Recife), que venceu um concurso interno promovido pelo professor titular da cadeira de Gramática Portuguesa.
Redação: 


Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador.
Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida.
E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um  maravilhoso predicado nominal.
Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.
O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice..
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o   substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.

Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo.

Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.

Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.
Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo.

É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.
Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisso a porta abriu repentinamente.

Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.

Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.  
Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício.
O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto.
Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois.
Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu  trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.