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2 de outubro de 2018

TEMA DE REDAÇÃO

CARTAS CHILENAS
A lei do teu contrato não faculta que possas aplicar aos teus negócios os públicos dinheiros. Tu, com eles, pagaste aos teus credores grandes somas!
5 Ordena a sábia Junta que dês logo da tua comissão estreita conta; o chefe não assina a portaria, não quer que se descubra a ladroeira, porque te favorece, ainda à custa
10 dos régios interesses, quando finge que os zela muito mais que as próprias rendas. Por que, meu Silverino? Porque largas, porque mandas presentes, mais dinheiro
Agora, Fanfarrão, agora falo
15 contigo, e só contigo. Por que causa ordenas que se faça uma cobrança tão rápida e tão forte contra aqueles que ao Erário só devem tênues somas? Não tens contratadores, que ao rei devem
20 de mil cruzados centos e mais centos? Uma só quinta parte que estes dessem, não matava do Erário o grande empenho? O pobre, porque é pobre, pague tudo, e o rico, porque é rico, vai pagando
25 sem soldados à porta, com sossego! Não era menos torpe, e mais prudente, que os devedores todos se igualassem? Que, sem haver respeito ao pobre ou rico, metessem no Erário um tanto certo,
30 à proporção das somas que devessem? Indigno, indigno chefe! Tu não buscas o público interesse. Tu só queres mostrar ao sábio augusto um falso zelo, poupando, ao mesmo tempo, os devedores,
35 os grossos devedores, que repartem contigo os cabedais, que são do reino.
in: GONZAGA, Tomás Antônio. Poesias – Cartas Chilenas. Edição crítica de M. Rodrigues 
A LUNETA MÁGICA
Chamo-me Simplício e tenho condições naturais ainda mais tristes do que o meu nome.
Nasci sob a influência de uma estrela maligna, nasci marcado com o selo do infortúnio.
Sou míope; pior do que isso, duplamente míope, míope física e moralmente.
Miopia física: — a duas polegadas de distância dos olhos não distingo um girassol de uma violeta.
E por isso ando na cidade e não vejo as casas.
Miopia moral: — sou sempre escravo das idéias dos outros; porque nunca pude ajustar duas idéias minhas.
E por isso quando vou às galerias da câmara temporária ou do senado, sou consecutiva e decididamente do parecer de todos os oradores que falam pró e contra a matéria em discussão.
Se ao menos eu não tivesse consciência dessa minha miopia moral!… mas a convicção profunda de infortúnio tão grande é a única luz que brilha sem nuvens no meu espírito.
Disse-me um negociante meu amigo que por essa luz da consciência represento eu a antítese de não poucos varões assinalados que não têm dez por cento de capital da inteligência que ostentam, e com que negociam na praça das coisas públicas.
– Mas esses varões não quebram, negociando assim?… perguntei-lhe.
— Qual! são as coisas públicas que andam ou se mostram quebradas.
— E eles?…
— Continuam sempre a negociar com o crédito dos tolos, e sempre se apresentam como boas firmas.
Na cândida inocência da minha miopia moral não pude entender se havia simplicidade ou malícia nas palavras do meu amigo.
In: MACEDO, Joaquim Manuel de. A Luneta Mágica. São Paulo: Saraiva, 1961. p. 01-02. 
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in: Bundas, ano 1, nº 4, 6 a 12 de julho, p. 5.
PROPOSIÇÃO
Os textos que serviram de base  mostram que o problema da corrupção não é novo em nosso país. Na atualidade, tomamos conhecimento de várias formas de corrupção por meio da imprensa, bem como a vemos abordada em peças teatrais, telenovelas e ilustrada em quadrinhos, charges e programas cômicos. A maioria dos brasileiros condena a corrupção, considerando-a culpada dos principais males que atingem o país, mas há também quem afirme que é uma “doença sem remédio” ou que faz parte da natureza de nossa sociedade. Nesse contexto, o cartum de Millôr Fernandes, parodiando um gênero de publicidade oficial, convoca sarcasticamente os jovens a participar da corrupção em todos os setores da vida nacional.
Posicionando-se como alguém que pensa em seu futuro e sabe que pode encontrar no caminho a corrupção, manifeste sua opinião sobre o assunto, escrevendo uma redação, de gênero dissertativo, sobre o tema:
O JOVEM ANTE A CORRUPÇÃO: UM INIMIGO A COMBATER OU UM DADO A ACEITAR?
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