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13 de março de 2016

Afinal, para que serve um dicionário?

Afinal, para que serve um dicionário? | infoEnem



Pai dos burros, desmancha-dúvidas, tira-teimas, tesouro do idioma… São muitas as denominações que são dadas a essa obra, mas para que exatamente ele serve?
De modo geral, as pessoas (as inteligentes, não gosto da denominação ‘pai dos burros’, pois só os inteligentes reconhecem as próprias limitações e recorrem ao dicionário  ) consultam o dicionário para descobrir o significado de termos desconhecidos, mas essa não é a única utilidade dessa obra e o dicionário de língua é o único tipo que existe.
Nos dicionários de língua, entre os quais se destacam o Aurélio, o Houaiss, o Caldas Aulete, o Michaellis (que, por metonímia, acabaram se tornando sinônimos de dicionário), podemos encontrar, além da definição do termo, uma série de outras informações úteis, como a origem da palavra, a grafia correta, a pronúncia (muito importante, agora que o trema se foi…), a forma plural (imprescindível, principalmente no caso de final em -ão), a classe de palavras a que pertence o termo, enfim, a utilidade do dicionário vai muito além de trazer sinônimos ou as definições.
Isso só para mencionar o dicionário de língua. Mas esse não é o único tipo de dicionário existente. Segundo o Houaiss, podemos encontrar:
  • d. analógico: o que reúne as palavras, em grupos analógicos segundo a sua afinidade de ideias, partindo de conceitos para indicar os seus significantes linguísticos; dicionário de ideias afins, dicionário ideológico
  • d. bilíngue: a forma mais simples de dicionário plurilíngue, que permite a tradução de vocábulos e expressões de duas línguas e estabelece o confronto entre ambas
  • d. de antônimos: obra de referência que reúne palavras em grupos relacionados com base em uma oposição entre seus significados
  • d. de língua: obra de referência atemática que procura retratar a língua do ponto de vista do conjunto de suas palavras (incluindo nisto unidades elementares mínimas do tipo dos afixos, radicais etc., as chamadas palavras gramaticais e vocábulos metalinguísticos) e descreve, por meio de abonações e/ou exemplos, suas estruturas sintáticas através do funcionamento das unidades no uso, acrescentando-lhe informações periféricas do tipo classe gramatical, ortoépia, nível de uso, propriedades sintáticas etc., para seu mais perfeito domínio; dicionário geral
  • d. de sinônimos: obra de referência que reúne palavras em grupos relacionados com base em uma semelhança ou equivalência entre seus significados
  • d. enciclopédico: obra de referência de natureza híbrida, que mescla a técnica dos dicionários de língua com informações de ordem enciclopédica, incluindo também. verbetes biográficos, toponímicos, históricos etc.
  • d. etimológico: o que registra a origem, derivação e formação das palavras a partir de suas formas mais remotas atestadas, levantando dados relativos à evolução do seu significado e por vezes identificando a família de seus cognatos
  • d. geral: m.q. dicionário de língua
  • d. inverso: dicionário que traz alfabetadas as palavras por grupos segundo as suas terminações [Freq. us. como dicionários de rimas, embora estes sejam um caso especial daquele.]
  • d. onomasiológico: aquele que parte dos significados para apontar os seus significantes (p.ex., os dicionários analógicos)  p.opos. a dicionário semasiológico
  • d. plurilíngue: dicionário que traduz ou verte termos de uma língua para duas ou mais outras línguas
  • d. semasiológico: aquele que parte do signo linguístico para determinar o seu significado (p.ex., este dicionário) p.opos. a dicionário onomasiológico
Além desses, encontramos ainda o dicionário de regência verbal, que apresenta a transitividade dos verbos e o tipo de complemento que cada sentido dos verbos necessita, o de regência nominal, que indica como deve ser preposicionado o complemento nominal dos substantivos, adjetivos e advérbios, e o dicionário de rimas, muito útil ao poetas.
E por falar em poetas, seguem alguns poemas que, metalinguisticamente, colocam o dicionário como assunto, rendendo-lhe a devida homenagem:
Marco Cremasco é prof.na Faculdade de Engenharia Química da Unicamp
Marco Cremasco é prof.na Faculdade de Engenharia Química da Unicamp
E, para finalizar, uma Ode, a “Ode ao Dicionário”, de Neruda:
ODE AO DICIONÁRIO
Lombo de boi, pesado
carregador, sistemático
livro espesso:
quando jovem
te ignorei, me vestiu
a suficiência
e me acreditei completo,
e estufado tal um
melancólico sapo
recitei: “Recebo
as palavras
diretamente
do Sinai bramante.
Reduzirei
as formas à alquimia.
Sou um mago.”
O grande mago se calava.
O Dicionário,
velho e pesado, com seu jaquetão
de couro desgastado,
se aquietou silencioso
sem mostrar suas provetas.
Porém um dia,
depois de havê-lo usado
e desusado,
depois
de declará-lo
inútil e anacrônico camelo,
quando em longos meses, sem protesto,
serviu-me de poltrona
e de almofada,
rebelou-se e se plantando
em minha porta
cresceu, moveu suas folhas
e seus ninhos,(…)
Dicionário, não és
tumba, sepulcro, caixão,
túmulo, mausoléu,
és senão preservação,
fogo escondido,
plantação de rubis,
perpetuação viva
da essência,
celeiro do idioma.
E é belo
recolher em tuas filas
a palavra
de estirpe,
a severa
e esquecida
sentença,
filha da Espanha,
endurecida
como grade de arado,
fixa no seu limite
de antiquada ferramenta,
preservada
com sua beleza exata
e sua dureza de medalha.
Ou a outra
palavra
que ali vimos perdida
entre linhas
e que de pronto
se fez saborosa e lisa na nossa boca
como uma amêndoa
ou terna como um figo.
Dicionário, uma mão
de tuas mil mãos, uma
de tuas mil esmeraldas,
uma

gota
de tuas vertentes virginais,
um grão
de
teus
magnânimos celeiros
no momento
justo
aos meus lábios conduz,
ao fio da minha pena,
ao meu tinteiro.
De tua espessa e sonora
profundidade de selva,
dá-me,
quando o necessite,
um só trinado, o luxo
de uma abelha,
um fragmento caído
de tua antiga madeira perfumada
por uma eternidade de jasmineiros,
uma
sílaba,
um tremor, um som,
uma semente:
de terra sou e com palavras canto.

CEBRASPE CESPE - estudar

É uma satisfação encontrá-l(o) por aqui!
Com a finalidade apresentar a você o perfil (atual) do CESPE/UnB , CEBRASPE,nas provas de Língua Portuguesa, compartilho uma prova recentemente aplicada pela renomada banca examinadora.
O caderno de questões em comento foi direcionado para os candidatos ao cargo de Agente Administrativo (nível médio), do Ministério do Trabalho e Emprego (M.T.E.), certame organizado em 2014 (questões “fresquinhas”, portanto). Contudo, os itens apresentados na prova também servem para auxiliar os futuros servidores que almejam cargos de nível superior.
Na prova comentada a seguir, veremos o perfil da banca, com itens abordando aspectos como reescritura de textos, compreensão e interpretação textual, tipologia textual, coesão e coerência textuais, regência verbal, sintaxe da oração e do período, valor semântico dos conectivos, redação oficial, entre outros pontos que frequentemente integram o conteúdo programático de nossa disciplina.


QUESTÕES
1. Estaria mantida a correção gramatical e o sentido original do primeiro período do texto se ele fosse reescrito da seguinte forma: Há cinquenta anos, um dos fatos mais marcantes ocorreram na sociedade brasileira: inserção crescente das mulheres na força de trabalho.

Comentário: Questão sobre reescritura de textos, um dos pontos mais recorrentes nas provas do CESPE. Inicialmente, o trecho “Há cinquenta anos” limita o período em que ocorreu a “inserção das mulheres na força de trabalho”. Entretanto, de acordo com a redação original, o segmento “Nos últimos cinquenta anos” não faz essa limitação temporal. Ademais, o trecho reescrito “um dos fatos mais marcantes ocorreram na sociedade brasileira” deveria ser reconstruído da seguinte forma (por exemplo): um dos fatos mais marcantes ocorreu (…)”.

Gabarito: ERRADO.


2 Os termos “Nos últimos cinquenta anos” (R.1), “Primeiro” (R.5) e “Segundo” (R.9) contribuem para a progressão das ideias no texto.

Comentário: Questão sobre coesão e sequenciação textual, aspecto de suma importância para compreender/interpretar textos. De fato, o emprego do adjunto adverbial “Nos últimos cinquenta anos”, indicando uma marcação (e não uma limitação) temporal, bem como os operadores argumentativos “primeiro” e “segundo” concorrem para a progressão temática das ideias do texto.

Gabarito: CERTO.


3 O trecho “Esse sucesso influenciou o comportamento e os valores sociais das mulheres” (R.13-14) poderia ser corretamente reescrito da seguinte forma: Esse sucesso influenciou no comportamento e nos valores sociais das mulheres.

Comentário: Questão sobre regência verbal, aspecto importantíssimo nas provas da banca! De acordo com as lições de Celso Pedro Luft, na obra Dicionário Prático de Regência Verbal, editora Ática, p. 333, o verbo “influenciar” pode ser:

– transitivo direto: influenciá-lo ~ Nada o influencia.

– transitivo indireto, na acepção de “exercer influência, influir: Influenciar nas (ou sobre as) decisões de alguém.

É nesta última acepção que o examinador empregou o verbo ‘influenciar’ no contexto reescrito “Esse sucesso influenciou no comportamento e nos valores sociais das mulheres”.

Gabarito: CERTO.


4 Depreende-se do texto que a participação das mulheres na sociedade brasileira deve-se exclusivamente a fatores culturais e  à formação da identidade feminina.

Comentário: Questão sobre compreensão e interpretação textual. De acordo com as ideias do texto, “esse contínuo crescimento da participação feminina é explicado por uma combinação de fatores econômicos e culturais”. No decorrer da superfície textual, entretanto, o autor menciona também fatores sociais para justificar esse aumento da força feminina na força de trabalho: “queda das taxas de fecundidade”. Logo, a redação do item caracteriza uma redução, invalidando a afirmativa.

Gabarito: ERRADO.


5 O texto pode ser classificado como narrativo, por apresentar a história da inserção das mulheres na força de trabalho.

Comentário: Questão sobre tipologia textual, temática que também costuma figurar nas provas do CESPE. Podemos identificar, de modo claro, que o texto tem caráter predominantemente dissertativo-argumentativo. Primeiramente, o autor lança mão da tese “a inserção crescente das mulheres na força de trabalho”. Posteriormente, há a presença de argumentos utilizados para defender/apoiar essa tese, fugindo à modalidade textual narrativa.

Gabarito: ERRADO.


6 As expressões “outras formas de prestação/realização de trabalho” (R.5-6) e “o alcance das expressões relação de trabalho e relação de emprego” (R.12-13) desempenham a mesma função sintática nos períodos em que ocorrem.

Comentário: Questão sobre sintaxe da oração e do período. Fique de olho! Na sentença, a expressão “outras formas de prestação/realização do trabalho” exerce a função de complemento do verbo transitivo direto “englobar”. A mesma função sintática é desempenhada pelo sintagma “o alcance das expressões relação de trabalho e relação de emprego”, pois este segmento complementa o sentido da forma verbal “compreendermos”.

Gabarito: CERTO.


7 No trecho “está ligada à relação de trabalho subordinado que corresponde ao vínculo de emprego” (R.16-17), seria mantida a correção gramatical caso se substituísse o elemento “que” por a que, embora as relações entre os termos da oração fossem alteradas.

Comentário: Questão sobre emprego dos pronomes relativos. No contexto, o trecho “que corresponde ao vínculo de emprego” não complementa o sentido do nome “subordinado”. Esse segmento é uma oração subordinada adjetiva restritiva, em que o pronome relativo ‘que’ retoma a expressão ‘relação de trabalho subordinado’, sendo incorreta a substituição proposta pelo examinador.

Gabarito: ERRADO.


8 Os termos “como” (R.6) e “Por exemplo” (R.15) são usados com a mesma finalidade no texto: ilustrar o que se disse anteriormente.

Comentário: Questão sobre aspectos discursivos/textuais. Na linha 6, o elemento “como” introduz o “trabalho voluntário”, ilustrando a informação anterior “outras formas de prestação/realização de trabalho”. A mesma finalidade é encontrada no termo “por exemplo” (linha 15), exemplificando a informação “é importante termos claro o alcance de alguns termos utilizados no nosso cotidiano”.

Gabarito: CERTO.


9 Caso se substituísse o conectivo “mas” (R.10) por no entanto, seriam mantidos a correção gramatical e o sentido do texto.

Comentário: Questão sobre o valor semântico dos operadores argumentativos. Sempre “cai” nas provas da banca! A partir do excerto “Assim, toda relação de emprego (espécie) é uma relação de trabalho, mas nem toda relação de trabalho é uma relação de emprego”, identificamos uma relação de oposição entre as sentenças. Esse matiz semântico seria mantido ao substituir a conjunção ‘mas’ pelo nexo textual ‘no entanto’, validando a afirmação do examinador.

Gabarito: CERTO.


10 Depreende-se do texto que os termos “relação de trabalho” e “relação de emprego” são antônimos.

Comentário: Questão sobre semântica (pouco recorrente). É preciso ter cuidado! Fora de contexto, há uma diferença conceitual entre as expressões “relação de trabalho” e “relação de emprego”. Considerando-se o contexto, entretanto, ambos os segmentos constituem um caso de sinonímia (contextual), aproximando-lhes o sentido: “o gênero “relação de trabalho” engloba, além da relação de emprego, outras formas de prestação/realização de trabalho como o trabalho voluntário”. Logo, não há que se falar em termos antônimos, e sim em sinônimos.

Gabarito: ERRADO.


Julgue os itens subsequentes, referentes às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima.


11. Na linha 15, a forma pronominal “la”, em “anunciá-la”, refere-se a “polícia”.

Comentário: Questão sobre referenciação textual, aspecto importantíssimo, sendo uma “figurinha” carimbada no CESPE. No segmento “A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia levar a carteira à polícia, ou anunciá-la”, a forma pronominal “la” faz coesão referencial com o vocábulo ‘carteira’.

Gabarito: ERRADO.


12 Infere-se do trecho acima que o personagem está angustiado pelo fato de ter encontrado uma carteira e pelo dilema de usar ou não o dinheiro, que por acaso pudesse encontrar dentro dela.

Comentário: Questão sobre compreensão e interpretação textual. A inferência é lícita, tendo como base a seguinte passagem do texto: “Tinha medo de abrir a carteira; podia não achar nada, apenas papéis e sem valor para ele. Ao mesmo tempo, e esta era a causa principal das reflexões, a consciência perguntava-lhe se podia utilizar-se do dinheiro que achasse. Não lhe perguntava com o ar de quem não sabe, mas antes com uma expressão irônica e de censura. Podia lançar mão do dinheiro, e ir pagar com ele a dívida? Eis o ponto. A consciência acabou por lhe dizer que não podia, que devia levar a carteira à polícia, ou anunciá-la; mas tão depressa acabava de lhe dizer isto, vinham os apuros da ocasião, e puxavam por ele, e convidavam-no a ir pagar a cocheira”.

Gabarito: CERTO.



13 Por tratar de um conflito interior acerca da ética e da moral, o trecho acima é predominantemente dissertativo.

Comentário: Questão sobre tipologia textual. O excerto de Machado de Assis constitui uma narração, em que há a predominância de verbos no passado (“não pensou”; “foi andando”; “parou”), tendo como tempo o momento em que se passa a história. Assim, invalida-se a afirmação da banca.

Gabarito: ERRADO.


14 O termo “se”, na linha 7 e na linha 10, pertence à mesma classe gramatical.

Comentário: Questão sobre emprego/reconhecimento das classes gramaticais (pouco recorrente, mas muito importante!). Na linha 7, temos em ‘se’ uma parte integrante do verbo (encostar-se ~ transitivo indireto), ao passo, na linha 10, o termo ‘se’ é uma conjunção subordinativa integrante.

Gabarito: ERRADO.


15 A expressão “lançar mão do dinheiro” (R.13), no contexto em que é utilizada, significa pegar o dinheiro para si.

Comentário: Questão sobre significação contextual de palavras/expressões. De fato, o contexto nos mostra essa significação, apoderando-se o personagem do dinheiro. A afirmação está correta.

Gabarito: CERTO.


Com base na situação hipotética acima e no que dispõe o Manual de Redação da Presidência da República, julgue os seguintes itens.


16 Na mensagem eletrônica enviada, para facilitar a organização documental, Machado deveria ter dado informações detalhadas acerca do arquivo anexado, e tê-lo encaminhado preferencialmente no formato pdf.

Comentário: Questão sobre redação oficial, tendo como base o Manual de Redação da Presidência da República. A redação do item extrapola as prescrições contidas no Manual de Redação da Presidência da República: “O campo assunto do formulário de correio eletrônico deve ser preenchido de modo a facilitar a organização documental tanto do destinatário quanto do remetente. Para os arquivos anexados à mensagem deve ser utilizado, preferencialmente, o formato Ritch Text. A mensagem que encaminha algum arquivo deve trazer informações mínimas sobre seu conteúdo”.

Gabarito: ERRADO.


17 O e-mail encaminhado por Machado, além de estar inadequado quanto ao recurso “confirmação de leitura”, não pode ser aceito como documento original.

Comentário: Questão sobre redação oficial. De acordo com o MRPR, “sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de confirmação de leitura. Caso não esteja disponível, deve constar da mensagem pedido de confirmação de recebimento”. Assim, a afirmação do examinador está correta.

Gabarito: CERTO.


18 O expediente oficial e-mail apresenta flexibilidade tanto na forma quanto na linguagem, o que tornaria adequada à situação em análise a seguinte mensagem: “Prezado Alencar, mande rápido, por favor, os materiais descritos na lista anexa.
Cordialmente, Machado”

Comentário: Questão sobre redação oficial. O fecho em análise transgride o atributo da impessoalidade ao citar “Prezado”, bem como o padrão culto da língua, ao registrar marcas de oralidade, como em “mande rápido, por favor”. Ademais, “cordialmente” poderia ser empregada numa carta a um amigo, mas nunca em um fecho de expediente oficial (ainda que seja um correio eletrônico/e-mail).

Gabarito: ERRADO.

12 de março de 2016

Vale rever - leiam Universidade do Porto

Feudalismo – Estudando e Compreendendo Sua Estrutura Enem


Os séculos IX e X foram caracterizados pelo temor às invasões bárbaras, o que causou uma descentralização do poder central e fortalecimento dos poderes locais. Hoje vamos compreender as características desse período e sua repercussão na história.
O medo das pessoas em relação aos bárbaros fê-las procurar locais seguros para ficar e estes foram encontrados nas grandes fazendas, os chamados feudos. Eles eram comandados por um senhor feudal que fornecia proteção, casa e alimento em troca do trabalho desses lavradores e pequenos proprietários.
Portanto, foi nesse período que surgiu a relação entre suserania e vassalagem, ou seja, a submissão de alguém, um vassalo, em relação a um senhor, suserano, o que criava também um regime de servidão, que difere da escravidão pois o servo é ciente da sua condição humana e tem direitos cedidos pelo senhor, embora sejam poucos.
Foi gerada então uma estratificação social com o senhor feudal no topo da pirâmide, seguido pelo clero, nobreza e servos, sendo os últimos a maior parte da população.
A base da economia era a agricultura, realizada pelos servos, que produziam para sustentar a si mesmos e a família do senhor e deviam seguir uma série de imposições, tais como a capitação por pessoa, que representava os impostos e podia ser paga com produtos ou trabalho; a corveia, que estabelecia que eles deviam trabalhar alguns dias sem receber; a talha, ou seja, a concessão de parte da produção ao senhor; as banalidades, em que deviam pagar pela utilização das instalações do feudo; entre outras.
Os feudos também eram divididos. A fração particular do senhor feudal era chamada manso senhorial, já a destinada ao trabalho dos servos era o manso servil e as terras de uso comum, como bosques, pastos e florestas eram as terras comunais, porém havia restrições ao uso delas pelos servos.
Esse período tem grande importância no estudo da história e gerou uma série de acontecimentos que mudaram a estrutura da sociedade.



O Enem vem sendo aproveitado, desde 2014, para ingresso de estudantes brasileiros em algumas das principais instituições de ensino superior de Portugal. De lá para cá 11 delas já haviam aderido ao exame nacional, a exemplo da Universidade de Coimbra. E nesta quarta-feira mais uma firmou parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep): a Universidade do Porto.
Situada na segunda maior cidade portuguesa, ao noroeste do país, a U.Porto é reconhecida como uma das mais importantes universidade locais e pleiteia figurar em breve entre as 100 melhores da Europa. Ela conta atualmente com aproximadamente 32 mil alunos e 14 faculdades com oferta de cursos de graduação em licenciatura, mestrados integrados, mestrados, doutorados e educação contínua.
O valor a ser desembolsado para entrada na U.Porto é de 1.500 euros, cerca de R$ 5.995, pela conversão atual das moedas. Isso porque estudantes internacionais oriundos de países de língua portuguesa (CPLP – Comunidade de Países de Língua Portuguesa) pagam metade do preço original, que é de 3 mil euros. Além dos brasileiros, recebem o benefício alunos de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Já a anuidade para estudar na instituição varia conforme o curso escolhido pelo interessado, podendo oscilar entre 1.998 e 4.500 euros (de aproximadamente R$ 7.986 a R$ 17.986), sendo este último custo referente a cursos de tempo integral.
Para o atual presidente do Inep, Carlos Eduardo Moreno, a parceria reflete em ainda mais motivação para quem vai prestar o Enem:
É importante ressaltar que as avaliações do INEP, em especial o ENEM, produzem oportunidades para os estudantes se qualificarem em boas universidades no Brasil e no exterior

10 de março de 2016

Redação no Fundamental é fundamental


Há algumas semanas,  questionei se os professores trabalhavam temas de redação no 9º ano do Ensino Fundamental e resolvi abordar, junto a eles, a questão das propostas de redação em vestibulares, já que acredito que os alunos dessa série já podem começar a conhecer como a produção textual se dá em exames oficiais.
Em dado momento , comentei a frequente atualidade dos temas das propostas de redação do ENEM e perguntei se alguém sabia qual foi o tema da prova de produção textual da edição do ano de 2015 do exame e, resultado, ninguém sabia. Então, comentei que havia sido a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira e afirmei que, desde já, eles poderiam ficar de olho nos temas das propostas de redação de exames vestibulares.
Por um lado, houve a desculpa de que faltava muito tempo para isso,  tem certa razão, já que faltam alguns anos para  começar a prestar o ENEM o os demais vestibulares. Porém, por outro lado, acredito que os adolescentes dos anos finais do Ensino Fundamental devem se manter atualizados não só em relação aos temas de redações, mas a tudo o que acontece ao seu redor nas esferas política, econômica, social, cultural, jornalística etc.
Obviamente não é necessário ser um especialista em política, por exemplo, mas saber dos assuntos que estão em alta no momento é de extrema importância para a formação não apenas escolar, mas também para a formação cidadã. Sempre digo que devemos almejar sermos pessoas com as quais é bom conversar, aquelas pessoas que sabem um pouco de tudo e opinam, de maneira embasada, sobre tudo.
Infelizmente, assuntos tristes nos cercam e com uma certa constância, como a violência contra a mulher, a homofobia, o machismo, o racismo, as discriminações, os preconceitos, a corrupção e devemos estar atentos a eles inclusive para combatê-los.
Somente com acesso e interesse às informações formaremos jovens cidadãos ativos, críticos e protagonistas de suas vidas e de sua nação, além de candidatos acima da média na redação do ENEM.

9 de março de 2016

5 dicas para acertar questões do Enem


5 dicas para acertar questões do Enem

Olá caro vestibulando, 
Devido a minha carreira de professor (ensino médio e cursinho pré-vestibular, posso garantir que conheço, como poucos, os atalhos para conseguir uma boa nota no Enem.
E hoje, quero compartilhar 5 dicas que fazem a maior diferença no desempenho de qualquer candidato. 
São simples, mas quem as seguem a risca, sempre se dão muito bem na hora da prova... 
Vamos lá?
1- Leitura atenta e interpretação: As questões do Enem sempre trazem textos, imagens, gráficos ou tabelas. Treinar todas essas formas de interpretação é fundamental.
2- Em questões com longos textos, leia o enunciado primeiro: Caso já tenha feito o Enem,  certamente percebeu que existem questões com textos de quase uma página. Nestes casos, a dica é que leia a pergunta primeiro. Desta forma, você lerá o texto mais atento e ¨caçando¨ a resposta para o item, além de evitar perda de tempo relendo o enunciado.
3- Elimine as alternativas absurdas: Exercícios do Enem sempre trazem 5 alternativas (A, B, C, D e E), sendo que normalmente uma ou duas delas apresentam informações completamente incompatíveis com a pergunta, podendo ser facilmente eliminadas. Sempre marque um ¨x¨ ao lado destas respostas para saber que foram descartadas e então releia com muita atenção as que restaram. Caso tenha que chutar, suas chances de acerto aumentarão bastante.
4- Em último caso, chute: Se mesmo seguindo as orientações anteriores você permanecer em dúvida entre duas ou três alternativas, não resta outra opção a não ser chutar, ainda mais porque o tempo é escasso. Uma boa dica é escolher, entre as alternativas que está em dúvida, aquela que aparece com menor frequência em seu gabarito, uma vez que há uma tendência de exames bem elaborados em distribuir equilibradamente as respostas.
5- Pratique: Deixei essa dica por último, mas não foi a toa, pois acredito que esta seja a mais importante de todas. Assim como qualquer estratégia de estudo, você não agregará de fato estes recursos apenas com a leitura destas dicas. Portanto, não fique de mãos abanando, acreditando que poderá aplicar essas recomendações só no dia do exame. Isso não ocorrerá! Você precisa praticar! Assim, treinar através da realização de simulados e refazendo edições anteriores do Enem é fundamental para que tudo isso que falei para você até agora realmente funcione.

6 de março de 2016

Acordo Ortográfico – O Que Fazer Com o Hífen?


O hífen ou traço de união é outro dos elementos cujo uso sofreu alterações pelo Acordo Ortográfico.
Vamos relembrar a função desse ‘tracinho’… Ele é empregado para:
  • Indicar separação de sílabas e translineação (passagem de parte da palavra para a outra linha);
  • Unir o verbo e o pronome oblíquo nos casos de ênclise e mesóclise;
  • Unir alguns prefixos ao radical das palavras derivadas;
  • Unir os termos dos substantivos e adjetivos compostos.
Os dois primeiros empregos foram mantidos sem alteração, mas com prefixos e na composição de palavras ocorreram diversas alterações. Vamos conferir?
1) O hífen passa a ser usado quando o prefixo termina em vogal e a segunda palavra começa com a mesma vogal ou se o segundo elemento iniciar por H
Grafia atual:
Anti-inflamatório
Micro-ondas
Neo-helênico
Anti-higiênico
Sobre-humano
Observação:
  1. Essa regra padroniza algumas exceções já vigentes antes do Acordo: auto-observação / auto-oscilação / contra-almirante
  2. Tal regra não se aplica aos prefixos -co, -pro, -re, mesmo que a segunda palavra comece com a mesma vogal que termina o prefixo: coocupar / reescrever / proótico / proinsulina
2) O hífen NÃO é mais usado quando prefixo terminar em vogal e a segunda palavra começar por uma vogal diferente. Se o segundo elemento iniciar por R ou S, essas letras serão dobradas
Grafia atual:
Autoescola
Semianalfabeto
Coedição
Autorretrato
Autossustentável
Ultrassom
Observação:
  1. Essa nova regra padroniza algumas exceções existentes antes do Acordo: antiaéreo / antiamericano / socioambiental
  2. A nova regra padroniza também algumas exceções já existentes antes do acordo, como: minissaia / minissubmarino / minissérie
3) Utilizamos o hífen quando o prefixo terminar em consoante e a segunda palavra começar com a mesma consoante:
sub-bibliotecário
inter-regional
super-romântico
4) Com o prefixo -sub, diante de palavras iniciadas por R, usa-se o hífen:
sub-reino
sub-região
sub-reitor
5) Diante dos prefixos -além, -aquém, -bem, -ex, -pós, -recém, -sem, – vice usa-se o hífen:
além-túmulo
aquém-mar
recém-casado
sem-teto
vice-diretor
6) O hífen encontra-se presente após os advérbios bem e mal, quando a segunda palavra começar por vogal ou “h”:
mal-acabado
mal-humorado
bem-intencionado
bem-estar
Observação: Não se usa o hífen com o advérbio “mal” quando o segundo elemento começar por consoante:maldormido / malgovernado / malvestido / malsucedido. Já o advérbio bem pode ou não aglutinar-se: bem-ditoso / benfeitor
7) Com os prefixos “-circum” e “-pan”, diante de palavras iniciadas por “vogal, m, n ou h”, emprega-se o hífen:
circum-navegação
pan-americano
pan-helenismo
8) Usa-se o hífen mediante os sufixos de origem tupi-guarani, representados por -açu, -guaçu, -mirim:
jacaré-açu
cajá-mirim
9) Emprega-se o hífen em palavras compostas que não contêm elemento de ligação, como também naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas.:
arco-íris
Sócio-gerente
amarelo-claro
guarda-costas
conta-gotas
caneta-tinteiro
batata-inglesa
bem-te-vi
erva-doce
10) Emprega-se o hífen com os prefixos pré, pró, pós (eles têm tonicidade própria):
Pré-escola
Pós-graduação
Pró-governo

Casos em Que NÃO Se Emprega o Hífen

1) Não se usa mais o hífen em palavras que perderam a noção de composição:
paraquedas
Paraquedista
Passatempo
Girassol
2) Não se usa mais o hífen em locuções substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuntivas:
pé de moleque
Dona de casa
Mão de obra
Fim de semana
Exceções: O hífen ainda permanece em alguns casos, cuja grafia está consagrada pelo uso:
cor-de-rosa
água-de-colônia
lua-de-mel
mais-que-perfeito
São, sem dúvida, muitos detalhes, por isso volto a recomendar: consulte sempre um dicionário atualizado, quando as dúvidas surgirem. E com o tempo e o uso do dicionário, aos poucos vamos memorizando essas alterações.
Nas próximas semanas, veremos mais mudanças estabelecidas pelo Acordo.
Até a próxima!

4 de março de 2016

Ruyzão - ler, pesquisar - temas de redação

1º. Endemias: Com os constantes casos de doenças virais atualmente no Brasil e no mundo, esse pode ser um tema bem provável do Enem 2017.
2º. Terrorismo: Pode ser o tema da redação do Enem 2017, devido aos últimos ataques que ocorreram, deixando a sociedade perplexa e assustada.
3º. Crise migratória: Com a constante devastação e falta de perspectiva de alguns povos, ocorre à migração entre as mais discutidas estão as dos refugiados sírios.
4º. Conflitos, e guerras civis: Atualmente vivemos no mundo um período onde há conflitos e guerras civis, e o assunto pode ser o tema da redação do Enem 2017.
5º. Consumo e sustentabilidade: Com a grande preocupação com o consumo consciente e a sustentabilidade esse pode ser o tema da redação do Enem 2017.
6º. Agropecuária e impactos ambientais: Como é um tema bem discutido pela sociedade pode estar presente com tema do exame desse ano.
7º. Trafico internacional de drogas: Um assunto bem discutido no momento pode ser o tema da redação.
8º. Questões ligadas aos direitos das crianças: Os temas ligados aos direitos humanos sempre é um dos preferidos pelo Enem.
9º. Questões étnicas raciais: É um tema de direitos humanos que também é discutido pela sociedade atual.
10º. Mudanças climáticas: O tema pode estar presente nas provas e redação do Enem 2017
11º. Avanços científicos: Com os últimos avanços científicos esse pode ser o tema da redação do Enem 2017.
12º. Estado islâmico: Pode ser o tema da redação, e também das outras provas do Enem 2017
13º. Mobilidade urbana: Com as grandes metrópoles em constante caos devido à dificuldade de locomoção, esse pode ser o tema.
14º. Igualdade de gênero: é um tema muito discutido pela sociedade, e pode ser o tema escolhido para o Enem 2017

3 de março de 2016

ENEM

Redação no ENEM: Compreensão e Expressão | Enem



Segundo um estudo realizado pelo Instituto Paulo Montenegro – IPM – e pela Organização Não Governamental Ação Educativa, no qual 2002 pessoas entre 15 e 64 anos de todas as regiões do país, inclusive de áreas rurais, foram entrevistadas, apenas 8% dos brasileiros em condições e em idade de trabalho são considerados plenamente capazes de compreender e de se expressar por meio de letras e números. Em outras palavras, oito pessoas a cada grupo de cem indivíduos da população do Brasil.
Este pequeno e seleto percentual representa os cidadãos proficientes, ou seja, o nível mais alto de alfabetismo no qual as pessoas são capazes de compreender e de escrever diversos gêneros que circulam nas esferas de atividade humanas e que são da ordem do argumentar, narrar e descrever, como por exemplo, uma mensagem eletrônica (e-mail), cartas de variados tipos (do leitor, de reclamação, de solicitação, aberta, de foro íntimo dentre outras), um relatório, um resumo, uma síntese, um artigo de opinião, um verbete virtual etc.
Além desses gêneros, os puramente verbais, os proficientes também são capazes de compreender e de produzir gêneros multimodais como tabelas, gráficos, imagens dentre outros, gêneros presentes em praticamente todas as propostas de redação do ENEM, o Exame Nacional do Ensino Médio.
Apesar do referido exame exigir a escrita de uma dissertação-argumentativa, um gênero puramente escolar, a coletânea textual das suas propostas de redação contém gêneros diversificados como notícias, infográficos, mapas, fotos, depoimentos, músicas, poesias dentre muitos outros, o que requer do candidato um nível avançado de proficiência, assim como os demais vestibulares brasileiros.
Aliás, o vestibular nacional da UNICAMP – Universidade Estadual de Campinas -, por exemplo, vai além e exige a produção obrigatória de dois gêneros distintos em sua proposta de redação, o que demanda do candidato a capacidade de planejamento e organização dos seus textos, algo também fundamental nas redações do ENEM.
Esses dados nos revelam e atestam como a desigualdade, tanto no campo econômico e social quanto no educacional, interferem na alfabetização e no alfabetismo das crianças e dos jovens brasileiros, o que, consequentemente, ocasiona índice baixos de alfabetismo entre os adultos em idade de trabalho no Brasil.
De acordo com o estudo mencionado no início do texto, 27% dos brasileiros são analfabetos funcionais e uma grande parcela desta porcentagem está no mercado de trabalho e corre um sério risco de perder seus empregos se não enfrentarem, adequadamente, a chamada quarta revolução industrial. Além disso, a quantidade de candidatos mais velhos que prestam o ENEM tem aumentado, já que no ENEM 2015, por exemplo, 4.491.953 inscritos já eram formados no Ensino Médio.
Por isso precisamos dar a importância correta ao processo de alfabetização das crianças e dos jovens, desde muito cedo, a fim de eles se tornem adultos proficientes para atuarem de forma crítica, autônoma e reflexiva em todas as esferas da sociedade humana, inclusive na acadêmica cuja porta de entrada é o ENEM e os demais vestibulares

1 de março de 2016

Terceirão - Ruyzão - 2016

  • A bandeira com as cores do arco-íris tornou-se um símbolo primeiramente da comunidade gay norte-americana nos anos 1970 e, depois, da diversidade sexual
    A bandeira com as cores do arco-íris tornou-se um símbolo primeiramente da comunidade gay norte-americana nos anos 1970 e, depois, da diversidade sexual
Em São José dos Campos (SP), no dia 22 de fevereiro de 2016, um estudante de 18 anos foi violentamente agredido com pauladas, socos e pontapés, na saída da escola. Motivo: ele é homossexual. Apesar de abominável, o fato não chega a ser inédito. A propósito, uma pesquisa recente revelou que cerca de 20% dos alunos de vários Estados brasileiros não querem ter colegas homossexuais, travestis, transexuais ou transgêneros

Intolerância: Coexistir com as diferenças é um desafio?

Você gosta do partido A ou B? Cuidado. Provavelmente a resposta pode gerar algum tipo de discórdia. É cada vez mais comum no Brasil brigas por causa de partidos ou posições políticas. Militantes são hostilizados nas ruas, políticos são vaiados em locais públicos e amizades se desfazem na rede social.
(...)
A palavra política surge na Grécia Antiga como uma tradição que estimula o debate e a liberdade no pensar e no agir. Uma cultura democrática é uma cultura do diálogo. A democracia é um sistema de governo baseada no diálogo da sociedade civil. O problema é quando não existe o debate de ideias, mas o pensamento único que leva ao ódio e ações violentas. 
O radicalismo do debate político é apenas uma das faces da intolerância da sociedade brasileira. Basta espiar as notícias e perceber a violência contra o outro em diversas esferas: uma apresentadora de TV foi ofendida na internet por ser negra. Nas favelas do Rio de Janeiro, traficantes convertidos em evangélicos proíbem umbanda e candomblé em territórios que estão sob seus domínios. Em São Paulo, motoristas do aplicativo Uber foram agredidos por taxistas.
A tolerância acontece quando existe uma convivência respeitosa entre as diferenças. Já a intolerância é um comportamento que se materializa pela violência física ou simbólica, motivada pelo ódio ao outro. Trata-se de uma violência que é usada no cotidiano contra pessoas e povos, baseada na dificuldade de entender e aceitar as diferenças. Ela pode ser étnica, política, de gênero, de classes, religiosa, sexual, cultural e social. O desafio do mundo contemporâneo é o de que todas essas identidades consigam conviver juntas e em paz. 
(...)
A noção de tolerância que temos hoje tem raízes no Iluminismo. Em 1689, o filósofo inglês John Locke (1632-1704) escreveu a Carta sobre a Tolerância, que trouxe importantes argumentos na defesa da tolerância. 
Naquela época, eram comuns massacres recíprocos entre católicos e protestantes na Europa. Na Carta, Locke defende a preservação de certos direitos dos indivíduos e afirma que os homens não têm o direito de infligir tortura por motivo religioso.
Locke rejeita a conversão da fé à força. Ele acredita que ninguém pode mudar sua fé pelo simples comando de outro. Para ele, as perseguições religiosas provocam ainda mais intolerância. Por outro lado, o respeito pela consciência alheia disseminaria a paz na sociedade. 
As reflexões dos filósofos iluministas influenciaram a criação de leis que reconhecem todos como iguais. Após a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, a ONU assinou a Declaração Universal dos Direitos do Homem. O primeiro artigo da Declaração diz que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Os indivíduos têm direitos porque são seres humanos, e não por sua condição social. 
Constituição brasileira também assegura que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza e garante aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. 
(...)
A palavra alteridade, originária do latim possui o prefixo alter (o outro) que significa compreender o lugar do outro e ter consciência que ele existe. A convivência com a alteridade é uma forma de pensar, escutar e dialogar com o outro. 
No entanto, o exercício da alteridade não é fácil. Começamos a olhar o outro como um estranho, mas não como um "outro". A visão de alteridade é ser capaz de olhar o outro como um sujeito visível, próximo, e não como um inimigo. Sair de sua própria visão de mundo para entrar na existência da outra pessoa. 
Hannah Arendt (1906-1975) acreditava que a pluralidade fazia parte da condição humana. Para ela, não nascemos iguais, mas nos tornamos iguais. A igualdade seria uma construção que poderia existir somente na esfera pública da vida, na liberdade pública e no acesso a direitos. Arendt reconhece que o totalitarismo obstrui a experiência do outro, para focar na dominação e supressão do outro. Quando o mundo perde a capacidade de relacionar as pessoas, o poder cede lugar à força e à violência. Nesse caso, o sujeito cidadão desaparece.

Observações

Seu texto deve ser escrito na norma culta da língua portuguesa;
Deve ter uma estrutura dissertativa-argumentativa;
Não deve estar redigido sob a forma de poema (versos) ou narração;
A redação deve ter no mínimo 25 e no máximo 30 linhas escritas;
De preferência, dê um título à sua redação.