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2 de maio de 2016

Anáfora e catáfora

Um texto com coesão é aquele que apresenta conexão entre suas ideias. Para que essa ligação seja estabelecida de forma clara, podemos utilizar diversas ferramentas. Hoje, vamos falar sobre um importantíssimo processo coesivo: a COESÃO REFERENCIAL.
Para começar nossos estudos, vamos à tirinha da famosa personagem Mafalda:
 (Quino)
Vejam que os pronomes “ISSO” e “ISTO” funcionam como elementos coesivos, uma vez que conectam informações presentes na tira. Percebam que tais termos aparecem em situações diversas de fala e têm propósitos diferentes.
Neste post, vamos ver a importância de saber utilizá-los corretamente em um texto. Para isso, precisamos estudar alguns conceitos mais amplos. Vamos lá?!

COESÃO REFERENCIAL
Esse tipo de coesão ocorre quando determinado elemento textual se remete a outro, substituindo-o. Areferência, inicialmente, pode ser em relação a um dado externo ou interno ao texto. Dessa forma, temos:
  • Coesão por Referência Exofórica: é aquela que se refere a um elemento fora do texto.
Exemplo:
“A gente era pequena naquele tempo. E aquele era um tempo em que ainda se apregoava nas ruas. Não em todas as ruas, mas naquela onde vivíamos. Naquela rua, que tinha por nome a data de um santo, o tempo passava mais lentamente do que no resto da cidade de Porto Alegre.”
(Trecho inicial de uma crônica, postada no site http://revistagloborural.globo.com, por Letícia Wierzchowski)
Notem que as expressões em destaque se referem a informações externas ao texto.
  • Coesão por Referência Endofórica: é aquela que faz referência a algo dentro do texto.
SE LIGA!
A referência endofórica pode ser feita a algo mencionado anteriormente no texto – anáfora – ou a algo mencionado posteriormente – catáfora.
Analisemos os exemplos a seguir:
1) Não consegui passar o recado para seu pai, pois, quando eu voltei, ele já havia ido embora.  (“ele” -> termo anafórico)
2) Lá estava ela, ali parada, minha amiga! (“ela” -> termo catafórico)
Notem que, no primeiro exemplo, o pronome “ELE” desempenha função anafórica uma vez que RETOMA a expressão “seu pai”. Já no segundo, vemos o pronome “ELA” exercendo função catafórica, já que se refere a um termo posteriormente expresso – “minha amiga”.

CoolDICA DE REDAÇÃO!
Saibam utilizar corretamente os pronomes demonstrativos na redação:
Lembrem-se:
ISTO, ESTA, ESTE (e demais contrações) -> CATAFÓRICOS
ISSO, ESSA, ESSE (e demais contrações) -> ANAFÓRICOS
Observem:
I) No Brasil, o problema é este: a violência.
II) A violência cresce a cada dia no Brasil. Esse problema deve ser combatido por meio de medidas mais eficazes.
Notem como, na frase I, o referente “violência” está localizado posteriormente, logo o pronome “este” desempenha função catafórica; já na frase II, a referência foi feita anteriormente, portanto o pronome “esse” possui função anafórica.

Para finalizar nossa aula de hoje, deixo aqui mais alguns exemplos de termos que exercem coesão referencial, evitando, assim, indesejáveis repetições vocabulares:
O trabalho que eu fiz mereceu destaque. (pronome relativo, retomando o termo “trabalho” e ligando as orações)
Tenho dois objetivos: o primeiro é passar no vestibular; o segundo, arrumar um bom emprego.(numerais que substituem os respectivos “objetivos”)
Moramos no Brasil. Aqui, as leis não são respeitadas como deveriam. (advérbio retomando o substantivo próprio “Brasil”)

CAIU NO ENEM
(ENEM 2009)
Páris, filho do rei de Troia, raptou Helena, mulher de um rei grego. Isso provocou um sangrento conflito de dez anos, entre os séculos XIII e XII A.C. Foi o primeiro choque entre o ocidente e o oriente. Mas os gregos conseguiram enganar os troianos. Deixaram à porta de seus muros fortificados um imenso cavalo de madeira. Os troianos, felizes com o presente, puseram-no para dentro. À noite, os soldados gregos, que estavam escondidos no cavalo, saíram e abriram as portas da fortaleza para a invasão. Daí surgiu a expressão "presente de grego".
Em "puseram-no", a forma pronominal "no" refere-se:
a) ao termo "rei grego".
b) ao antecedente "gregos".
c) ao antecedente distante "choque".
d) à expressão "muros fortificados".
e) aos termos "presente" e "cavalo de madeira".


Comentários:
Para resolver a questão, basta recuperar as informações do texto. Notem que a forma pronominal “no” retoma o termo “presente”, que por sua vez retoma “cavalo de madeira”, desempenhando função anafórica. Como podemos perceber, a alternativa que demonstra isso é a letra E – gabarito da questão.

Bem, galera, espero ter colaborado para que esse assunto se torne mais claro e objetivo. No próximo post, veremos outros processos coesivos.

30 de abril de 2016

Exercícios - pronomes oblíquos

1) Leia, reflita e analise os páreos de enunciados, apontando qual deles se adequá ao padrão formal da linguagem, levando em consideração os conhecimentos que você dispõe acerca dos pronomes oblíquos na função de complementos verbais. Procure justificar sua resposta. 


a) Ela o ama
          X
Atividades sobre pronome oblíquo com gabarito
Pronome oblíquo com gabarito
   Ela lhe ama

b)  Agradecer-lhe
            X
    Agradecê-lo(a)

c) Apresentar-lhe
            X
    Apresentá-lo(a)

d) Obedecê-lo(a)
           X
    Obedecer-lhe

2) (Fundação Lusíada) Preencha as lacunas do texto abaixo com os pronomes oblíquos devidos:

“ Não ______ ajudou, nem _______ pediu nada, não ______ julgou e nem _____ condenou por isso”.

a – (  ) o, lhe, o, o
b – (  ) o, lhe, o, lhe
c – (  ) lhe, lhe, o, o
d – (  ) o, lhe, lhe, o
e – (  ) o, lhe, lhe, lhe

3) (Unimep-SP)

I – Demos a ele todas as oportunidades.
II – Fizemos o trabalho como você orientou.
III – Acharam os livros muito interessantes.

Substituindo as palavras destacadas por um pronome oblíquo, temos:

a) I – Demos-lhe; II – Fizemo-lo; III – Acharam-los.
b) I – Demos-lhe; II – Fizemos-lo; III – Acharam-os.
c) I – Demos-lhe; II – Fizemo-lo; III – Acharam-nos.
d) I – Demo-lhe; II – Fizemos-o; III – Acharam-nos.
e) I – Demo-lhe; II – Fizemo-lhe; III – Acharam-nos

4) Atenha-se aos enunciados, cujo intuito é analisar o emprego dos pronomes oblíquos, atribuindo-lhes a classificação adequada, tendo em vista o seguinte código:

(O.D) Objeto direto
(O. I) Objeto indireto

a – (  ) Acharam-no interessante.
b – (  ) Colocaram-na em cima da mesa.
c – (   ) Entregaram-lhes as encomendas.
d – (   ) Disseram-lhe toda a verdade.
e – (  ) Puseram-no contra todos.
f – (   ) Analisá-lo é preciso.


Gabarito:

Resposta Questão 1
a) Ela o ama, visto que “amar” se classifica como verbo transitivo direto = quem ama, ama alguém.

b – Agradecer-lhe, pois em se tratando da regência verbal, infere-se que o verbo agradecer se classifica como transitivo indireto = quando agradecemos, o fazemos a alguém.

 c – Apresentá-lo(a), em virtude de o verbo apresentar se classificar como transitivo indireto, nesse caso em especial, bem como direto. Assim, podemos afirmar: Irei apresentá-la(O.D) aos meus amigos(O.I).

 D – Obedecer-lhe, pois no que diz respeito à predicação do verbo obedecer, esse se classifica como transitivo indireto, cujo complemento atua somente como objeto indireto.


Resposta Questão 2
Alternativa adequada expressa pela letra “A”.

Resposta Questão 3
a) Alternativa não adequada ao enunciado em questão, visto que o item III não se adequa ao padrão formal da linguagem em virtude da colocação do pronome oblíquo “los”.

b) Alternativa inadequada ao enunciado, haja vista que o pronome oblíquo demarcado no item III não se encontra adequado ao padrão formal da linguagem.

c) Alternativa adequada ao enunciado, pois todos os pronomes oblíquos, ora atuando como complementos verbais, apresentaram-se adequados à norma culta da linguagem.

d) Alternativa incoerente, pois os itens I e II se encontram ajustados de forma incorreta, tendo em vista o emprego do pronome oblíquo como complemento do verbo.

e) Alternativa inadequada ao enunciado, visto que os itens I e II não se encontram adequados ao padrão formal da linguagem, em virtude da má colocação do pronome oblíquo.

Resposta Questão 4
a – ( O.D ) Acharam-no interessante.
b – ( O.D ) Colocaram-na em cima da mesa.
c – ( O.I  ) Entregaram-lhes as encomendas.
d – ( O.I  ) Disseram-lhe toda a verdade.
e - ( O.D ) Puseram-no contra todos.
f – ( O.D  ) Analisá-lo é preciso.

Onde - aonde - donde

ONDE OU AONDE, e onde coloco o DONDE?




Todos os dias ouvem-se pessoas falando “onde” e “aonde” indiscriminadamente, e poucos conhecem o seu significado e o seu uso correto.
ONDE
Advérbio – Significa “em que lugar” e deve ser usado na indicação de lugar:
“Onde tu ficas nas férias?”, “Não sei onde você mora”, “Por onde iremos hoje?” ou “Onde é a escola?”
É errado o seu uso, por exemplo, em:
“Conheça nosso Plano, onde oferece…”
“Tive um sonho onde tu aparecias e me abraçavas.”
“Naquele tempo, onde os bichos falavam…”
Plano, sonho e tempo não são lugares, e nesses casos deveriam ser usados que, em que e quando:
“Conheça nosso Plano, que oferece…”
“Tive um sonho em que tu aparecias e me abraçavas.”
“Naquele tempo, quando os bichos falavam…”
Pronome – Também com valor circunstancial de lugar, significa “em que”.
“Gosto da casa onde moro.”
AONDE
Advérbio – (preposição a+onde) e significa “a qual lugar” ou “para onde”, e, como regra geral, deve ser usado seguido de verbos que denotem movimento, como IR, LEVAR e CHEGAR. Ou seja, somente indica um lugar, para onde se vai ou se foi:
“Aonde tu vais com tanta pressa?”
“Aonde nos leva a nossa insensatez!”
“Aonde chegaremos amanhã?”
“Aonde foram todos os bichos?”
A propósito, sempre se chega a algum lugar e não em algum lugar.
Não é correto dizer-se “Aonde tu vais ficar durante as férias?”, pois nesse caso o verbo IR (vais) não está colocado corretamente, já que o certo seria dizer-se “Onde tuficarás durante as férias?
DONDE
Contração da preposição de e do advérbio onde (de+onde = donde), obviamente usado apenas quando se vem de algum lugar.
“Donde vens, aonde vais?” – do poeta Castro Alves, em Navio Negreiro.
É errado dizer-se “Daonde veio o dinheiro?” . O correto é “De onde veio o dinheiro?“, ou “Donde veio…”
Vários autores defendem o uso indiscriminado de “onde” e “aonde”, mas isso se deve também à sua desistência de tentar mudar o comportamento dos usuários da nossa conturbada língua portuguesa.

MIMTISI - INTERESSANTE

Ocorre-lhe alguma dúvida acerca do que sejam pronomes oblíquos? Pois bem, sabemos que os pronomes pessoais, cuja característica é indicar diretamente as pessoas do discurso (a pessoa que fala, a pessoa com quem se fala e a pessoa de quem se fala), subdividem-se em pronomes pessoais do caso reto e do caso oblíquo. 

Para diferenciá-los, retomemos algumas noções de análise sintática, na qual os pronomes pessoais do caso reto exercem a função de sujeito da oração, como em: 

Eu cheguei apressada.

Nós estudamos bastante.
Vejamos, pois, alguns aspectos relacionados aos pronomes pessoais: 

- Mais adiante veremos que os pronomes oblíquos tônicos são regidos por preposições. No entanto, em alguns exemplos, mesmo que a preposição esteja anteposta a um pronome, ela rege a oração por completo, e não somente esse pronome. Nesse caso, se o sujeito for um pronome, esse deverá ser sempre do caso reto. 

Enviaram vários livros para eu ler.
Caso tenhamos alguma dúvida acerca da existência do sujeito, recomenda-se desdobrar a oração, sendo essa manifestada por: 

Enviaram vários livros para que eu lesse.
Já os pronomes do caso oblíquo exercem a função sintática de complemento verbal (objeto direto e objeto indireto), complemento nominal, agente da passiva, adjunto adnominal, adjunto adverbial ou sujeito acusativo (sujeito de oração reduzida). A título de exemplificá-los, temos: 

As encomendas foram entregues a mim. (função de objeto indireto)

A decisão será favorável a mim. (função de complemento nominal, pois complementa o sentido de um adjetivo, “favorável”).

De acordo com a tonicidade, os pronomes oblíquos classificam-se em átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) e tônicos (mim, comigo, ti, contigo, ele, ela, si, consigo, nós, conosco, vós, convosco, eles, elas). 

Tais pressupostos, uma vez elencados, conduz-nos mais adiante: compreender acerca das particularidades que norteiam os pronomes oblíquos tônicos. Assim, cabe dizer que esses são sempre regidos por preposições, no caso as essenciais. É interessante notar que a combinação da preposição “com” com alguns desses pronomes originou as formas já expressas: comigo, contigo, conosco, convosco e consigo. Assim sendo, valorizemos algumas construções, tidas como adequadas perante o padrão formal da linguagem, no entanto constituídas de outras preposições, ora manifestadas por: 

Não existe mais nada entre mim e ti.

As acusações foram feitas contra mim.

Não entre sem mim.
- Em se tratando da linguagem formal, jamais falaríamos assim: “ele vai com nós”, mas sim, “ele vai conosco”; nem “ele não vai com vós”, mas sim, “convosco”. No entanto, as formas “conosco” e “convosco” são substituídas por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais são reforçados por alguns vocábulos, tais como: outros, mesmos, próprios, todos, ambos ou por algum numeral. Assim, podemos constatar sua evidência por meio dos exemplos subsequentes: 

A única certeza era de que ele viajaria com nós dois.

Como precisava ir com nós todos, desistiu imediatamente.
- No que tange ao português falado no Brasil, afirma-se que o pronome “si” é exclusivamente reflexivo, fato que também ocorre como o pronome “consigo”, perfeitamente constatável em: 

Quanto egoísmo! ele somente é capaz de pensar em si próprio.

Que estranho! parece estar falando consigo mesma.
No caso do português falado em Portugal, tais formas são também utilizadas como não reflexivas – demarcadas por meio dos seguintes casos: 

Em breve, desejo estar consigo.

Penso em si diariamente.

Avaliação do Ensino Superior Irá Incluir Enem

Como o próprio nome diz, o maior concurso federal do Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), tem como função de origem avaliar os estudantes ao final desta etapa escolar. Agora a prova também passará a ser utilizada na avaliação de egressos do ensino superior.
A notícia foi dada em coletiva nesta semana, na qual o ministro da educação Aloizio Mercadante informou que a novidade fará parte de um pacote de medidas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) para aperfeiçoar a avaliação da educação superior no Brasil.
Mercadante explicou, de maneira reduzida, que o Enem será utilizado em conjunto com o Enade, Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, que atualmente consiste na principal avaliação dos formandos e é aplicado ao final do curso de graduação.
Juntos, os dois exames irão compor um novo dado que será criado pelo Inep, o Indicador da Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD). O IDD basicamente será o equivalente a diferença dos resultados dos estudantes no Enem, quando deixam o ensino médio, com o do Enade, quando se formam na universidade.
Segundo o ministro, a intenção é justamente mensurar o que o aluno aprendeu durante o curso de graduação na instituição de ensino superior, o que não era possível de se fazer somente com a aplicação do Enade.
Questionado sobre a não obrigatoriedade de se prestar o Enem, o MEC acredita que não terá problemas, uma vez que o exame consiste na maior porta de entrada para as universidades públicas através do Sisu, e que por conta disso a maioria dos estudantes se inscrevem no exame.
O Inep pretende ainda revisar algumas regras do Enade e realizar mais mudanças na avaliação do ensino superior. Para saber mais sobre o assunto, confira a matéria completa da Agência Brasil, fonte desta publicação.



A Pró-reitoria de Ensino do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) publicou comunicado informando que, a partir do processo seletivo com entrada no segundo semestre de 2016, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será usado como forma exclusiva de ingresso em seus cursos de graduação.
No documento, a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica do Instituto não informou se haverá alteração nos pré-requisitos de desempenho do exame já exigidos pelo IFG. Portanto, subentende-se que a nota mínima de 300 pontos na redação, bem como pontuação maior que zero em cada uma das quatro provas objetivas, continuarão sendo necessárias para que o candidato possa participar da seleção.
Até o último vestibular realizado pelo instituto, para ingresso neste primeiro semestre deste ano, haviam três modalidades de ingresso para os cursos superiores: o Vestibular tradicional, que representou 41% das vagas, a seleção pelo Enem, que foi responsável pela ocupação de cerca de 20% dos postos, além do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que preencheu o restante.
Nesta mesma edição, especificamente na entrada pelo exame nacional, que agora assumiu 100% das oportunidades, foram aproveitadas as edições do Enem 2015, 2014 e 2013. O IFG ainda não informou quais provas serão aceitas no próximo processo seletivo.
Desta forma, recomenda-se aos interessados em cursar a graduação no instituto que participem do Enem 2016, cujas provas ocorrerão nos dias 5 e 6 de novembro. Para isso, será preciso fazer a inscrição, cujo prazo terá início no próximo dia 9 de maio e seguirá até 20 do mesmo mês.

28 de abril de 2016

Apenas para exemplificar, não estou aqui ferindo direitos humanos; apenas exemplificando

Há duas semanas, os deputados federais votaram, na Câmara dos Deputados, em Brasília/Distrito Federal, acerca da abertura do processo de afastamento da Presidente da República Dilma Rousseff.
Nosso intuito não é escrever sobre a nossa posição política a respeito dessa questão, mas sim refletir sobre o que não devemos aprender com os deputados federais que votaram naquele dia. A votação, que durou horas e foi transmitida pelos principais meios de comunicação do país, foi marcada por discursos que ultrapassaram o tempo permitido e que fugiram à temática da questão.
A maioria dos deputados federais ali presentes, se estivessem prestando o ENEM, na prova de redação, se sairiam muito mal. Propositalmente ou não, a grande maioria não cumpriu o tema nem o gênero discursivo ali pedido: o voto. Ao votar, muitos dedicaram seus votos aos seus familiares, comemoraram aniversários de filhos, netos e sobrinhos, rogaram a Deus, às suas bancadas e aos seus eleitores e até a paz em Israel foi convocada.
O cerne da questão, se a Presidente Dilma cometeu ou não crime de responsabilidade, pouco foi discutida e mencionada pelos parlamentares, o que causou constrangimento, indignação e até riso por parte da população. Muitos usaram aquele momento como plataforma partidária, visando as próximas eleições. Além disso, essas falas configuram dedicatórias e homenagens e não votos.
Desse modo, temos configurados o tangenciamento, no mínimo, do tema, a fuga completa do tema e o não cumprimento do gênero discursivo exigido. A seleção, a relação e a argumentação em torno das ideias foram, no mínimo, fracas ou até nulas. A paz em Israel e na Palestina é importante, mas não tem a ver com o tema daquela votação.
Muitos deputados também demonstraram total falta de domínio da norma culta da Língua Portuguesa num contexto e num ambiente formais que exigem a adequação linguística apropriada, ou seja, a fala culta e formal.
Os Direitos Humanos também foram desrespeitados, especialmente por um determinado parlamentar que dedicou seu voto a um dos maiores torturadores e comandantes da ditadura militar brasileira. Ao mencionar uma pessoa que torturou, estuprou e matou incontáveis militantes contrários ao regime ditatorial, inclusive crianças, este deputado desrespeitou os Direitos Humanos.
O mais triste é saber que fomos nós quem elegemos estes senhores e, assim, fomos nós que os colocamos lá. Que nas próximas eleições, o estudo seja item obrigatório na lista de exigências dos eleitores, além do respeito ao próximo, o bom senso e a retórica.

Entenda o Processo de Impeachment em 7 Passos - ENEM

Entenda o Processo de Impeachment em 7 Passos |Enem




Estamos vivendo um período inusitado no Brasil. Além dos escândalos de corrupção com a Operação Lava Jato da Petrobras e da profunda crise econômica, passamos também por um momento de instabilidade política.
Sabendo que as atualidades são uma constante nas provas do exame nacional, trazemos neste artigo 7 passos que irão lhe ajudar a compreender melhor o processo de afastamento da presidente Dilma Rousseff, o polêmico impeachment. Assim, além de ficar por dentro do assunto, você pode garantir pontos preciosos caso o mesmo apareça no Enem 2016. Boa leitura!
  1. O que é? Nada mais é do que a perda do mandato de um membro do poder executivo – presidente, governadores, prefeitos, vices dos referidos cargos e ministros – por cometer algum crime de responsabilidade. Entre os considerados crimes de responsabilidade, está o descumprimento de Leis Orçamentárias, motivo da abertura do processo contra a presidente Dilma, por conta das chamadas “pedaladas fiscais”.
  2. Abertura do processo: Primeiramente a denúncia deve cumprir algumas exigências e, após ser validada pelo presidente da Câmara dos Deputados (atualmente Eduardo Cunha), deve ser apresentada em plenário na Câmara, o que exige a formação de uma Comissão especial.
  3. Defesa do acusado: Posteriormente, o acusado, no caso a presidente, deve apresentar defesa contra a abertura do processo em até 10 sessões da Câmara, que será analisada pela Comissão Especial, que por sua vez deverá apresentar um parecer em até 5 sessões.
  4. Votação na Câmara dos Deputados: O passo seguinte é a votação da abertura do processo na Câmara. Para que oimpeachment seja de fato instaurado, é preciso que 2/3 dos votos sejam a favor. No caso do processo de Dilma Roussef, a votação ocorreu em 17 de abril e a abertura foi aprovada com 367 votos favoráveis e 137 contrários. Eram necessários 342 votos a favor para o processo passar para a etapa seguinte.
  5. Votação no Senado: Aprovado na Câmara, o processo passa para o Senado, onde será julgado de fato. Após instauração do processo, o acusado é automaticamente afastado do cargo. Na votação, novamente é necessário que 2/3 dos senadores sejam favoráveis ao impeachment. Na data de publicação deste artigo, o processo da presidente Dilma encontra-se nesta etapa, aguardando a votação do Senado.
  6. Prazo para Julgamento: O processo deve ser encerrado em 180 dias após sua instauração. Caso o período seja excedido, o acusado volta a suas funções até o posterior julgamento. Se for condenado, perde o cargo e não pode se eleger por 8 anos.
  7. Pós impeachment: Encerrado o processo, quem assume o cargo de presidente será o vice (atualmente Michel Temer) e o cargo de vice passa para o presidente da Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha). Se o vice-presidente (Temer), após assumir a presidência, deixar o cargo, quem assume a posição é o presidente da Câmara (Cunha), porém por pouco tempo, pois deverá convocar novas eleições na sequência.

27 de abril de 2016

Introduções - produção textual

Como desenvolver uma tese?

 dissertação – argumentativa
Ao lermos as propostas de redação do ENEM, percebemos que elas vêm acompanhadas do tema e da coletânea de textos que tem a função de inspirar, motivar e expandir o seu raciocínio e a de fixar um padrão temático e não deixar que você fuja do que foi exigido. A coletânea não é um roteiro temático e sim um conjunto de possibilidades diversas de abordar a complexidade do tema com o qual, supõe-se, que você, candidato, já teria tido algum contato. Os textos não possuem, entre si, uma hierarquia; eles podem e devem ser aproveitados de diferentes formas, conforme o modo de cada um mobilizar seu trabalho de leitura e escrita em função de seu projeto de texto.
Assim, ao lermos o tema e a coletânea textual, devemos analisar que padrão temático ela estabelece. Por exemplo, a proposta de redação do ENEM 2011 (“Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado”) vinculava-se a um assunto mais amplo, “tecnologia”, e envolveu a discussão sobre privacidade no uso da internet na vida cotidiana, sob a forma das redes sociais. Isso comprova que o tema proposto é um recorte do assunto “tecnologia” sob o ponto de vista da “inserção da informática na vida cotidiana”, que poderia gerar também outros temas como “A influência do telefone celular nas relações interpessoais”, “O comércio eletrônico via Web”, “Inclusão digital e a mudança de hábitos de leitura” e “Hackers e crimes cibernéticos” etc.
Para desenvolver o tema proposto, o participante deveria abordar o uso das redes sociais, tais como  Twitter e Facebook, discutindo a questão da privacidade – quais os pontos positivos e negativos da exposição da vida pessoal que hoje ocorrem devido aos avanços tecnológicos. A redação deveria, portanto, problematizar as consequências dessa exposição excessiva que torna a vida privada cada vez mais pública e os riscos decorrentes dessa exposição, procurando defender uma tese, um ponto de vista a esse respeito.

Cuidado para não tangenciar o tema
Considera-se tangenciamento ao tema a abordagem parcial, ou marginal, do tema dentro do assunto. Por exemplo, se um candidato ao ENEM 2011 abordasse outros aspectos relacionados à inserção da informática na vida cotidiana, como inclusão digital, internet de um modo geral, referindo-se de forma superficial e paralela às redes sociais e à questão da privacidade, poderia ser considerada como fuga parcial ao tema, ou tangenciamento. Isso ocorre porque o autor partiu do assunto “tecnologia” (levando-se em conta que “assunto” é mais amplo do que “tema”) sem focalizar plenamente o tema “redes sociais e privacidade”. O tema foi abordado, portanto, apenas parcialmente, de maneira marginal, superficialmente. O tangenciamento também ocorreria se a redação abordasse a questão da  privacidade  sem  relacioná-la às redes  sociais ou se confundisse a distinção entre público x privado com governamental x particular, gratuito x pago.

Não fuja do tema!
Fugir do tema é abordá-lo de uma forma completamente diferente do recorte temático feito pela coletânea textual e, assim, construir um texto que nada tenha a ver com a proposta de redação. Ainda no exemplo do ENEM 2011, dentro do assunto tecnologia, a não consideração dos limites entre o público e o privado na questão dos avanços em hardware, como tablets e smartphones, foi considerada fuga ao tema. Foi considerada também fuga ao tema a  abordagem de temas relacionados a outros assuntos, como meio ambiente, saúde ou educação.

Como começar a escrever?
Uma prova de redação é, essencialmente, uma prova de leitura e escrita que visa avaliar a leitura do aluno da proposta de redação, seu conhecimento prévio (escolar e de mundo) e sua escrita, isto é, como ele definiu sua tese e a desenvolveu através de argumentos e estratégias argumentativas. Para tanto, é essencial um projeto de texto no qual tudo esteja organizado e ele pode ser feito no rascunho.
O projeto básico de uma dissertação – argumentativa é o seguinte:
No rascunho, você pode construir o seu projeto de texto tendo em mente esta estrutura básica.
Título
O título deve ser diferente do tema, já que trata do seu ponto de vista particular sobre ele. O título é como se fosse o cartão de visitas do texto, pois ele será a primeira parte a ser lida e, por isso, deve ser expressivo, isto é, deve chamar a atenção, de alguma forma, para o seu texto; é como uma manchete de jornal que deve ser boa o bastante a levar o leitor a ler a matéria inteira. Assim, o título deve estar relacionado ao tema e à tese e deve ser, na medida do possível, criativo e nada vago. Ainda pensando no ENEM 2011, títulos como “A internet” seriam considerados pouco expressivos, vagos e nada criativos, além de ter apenas uma palavra, muito abrangente. Palavras-chaves retiradas do tema e da coletânea podem compor um bom título.
Introdução
A introdução é, normalmente, o 1º parágrafo da dissertação – argumentativa e é nela que o tema e a sua tese devem ser apresentados ao leitor. Aliás, pensando nele, lembre-se que qualquer um deve conseguir ler seu texto e, assim, não pressuponha que o leitor conheça a proposta de redação e o tema: o leitor deve conhecer o tema através do seu texto, através da sua tese. É como quando um jornalista escreve uma notícia: é ele quem deve contar e apresentar os fatos ao leitor, que nada sabe do ocorrido. Vamos ver um exemplo de uma das melhores redações da Fuvest 2012; você saberia dizer, pela introdução, qual é o tema e a tese da redação?

O triste aborto político
 Em 2011, a revista “Time” elegeu como a pessoa do ano o ser que protesta, “The Protestant”. De fato, tal ação foi amplamente verificada no ano que se passou, como exemplifica a “Primavera Árabe”. Nesta, milhares de pessoas lutaram pelos seus direitos e exigiam algo que muitos parecem ter esquecido: participação política.Entretanto, enquanto muitos árabes lutam por seus direitos políticos, o mundo ocidental parece ter descartado tal conquista, tratando-a como um objeto substituível por outras coisas que preenchem o vazio ali estabelecido.

Essa candidata optou por iniciar com dados históricos e não há problemas nisso. Repare como a menção de informações atuais como a eleição daTime e a Primavera Árabe contextualizam melhor o tema. O tema também auxilia, já que é impactante.
Exemplo da Fuvest ; qual é o tema e a tese?

Sobre equívocos, Narcisos e imediatismos
Caracterizada pela evidente degradação do “ser” em “ter”, a atual estrutura socioeconômica, embasada no que é efêmero e aparente, acarreta na vida uma devastadora inversão de valores. Os indivíduos, influenciados pela vivência em meio a um mercado de consumo marcado pela competição, passaram a enxergar o outro como um inimigo em potencial. Diante disso, entre relacionamentos superficiais, valores egocêntricos e atitudes que priorizam o imediato, o altruísmo vai se desfalecendo e se tornando uma raridade no mundo contemporâneo.

Já na introdução, a candidata não só apresenta o tema e introduz a sua tese como as contextualiza e as relaciona com aspectos sociais e econômicos e também faz isso no título que traz uma alusão histórica – mitológica, o que demonstra seu amplo conhecimento prévio e sua capacidade de relacionar assuntos.
 Se você respondeu que os temas da Fuvest  foram, respectivamente, participação política (Participação política: indispensável ou superada?) e altruísmo (O altruísmo e o pensamento a longo prazo ainda têm lugar no mundo contemporâneo?), você acertou! Parabéns!

Redação ENEM

Aprenda a fazer a redação do Enem passo a passo

Fazer um rascunho é essencial para se dar bem na prova


O formato de redação escolhido pela grande parte dos vestibulares, inclusive pelo Enem, é a dissertação-argumentativa. Esse gênero textual possibilita que o estudante construa uma tese inicial e a defenda diferentes pontos de vista ao longo do texto. Separamos aqui algumas dicas para você construir um bom texto. Confira!

1º) Veja o tema de redação e faça uma leitura cuidadosa da prova - Essa é a principal dica e vai influenciar todo o seu desempenho. Leia e releia a proposta e os textos de apoio. Dê uma lida também nas questões da prova. Pode ser que alguma informação ajude no tema da redação. Atenção: essa etapa é essencial para que você não fuja do tema.
2º) Elabore o projeto de texto e escolha uma tese - Esse é o momento em que você deve escolher a sua abordagem e os argumentos que usará para defender sua tese. Separe as ideias principais sobre o assunto em um rascunho. Na tese, escolha um tema que você domine para argumentar e expor o seu ponto de vista.
3º) Faça a primeira versão do texto - Nessa etapa do rascunho, preocupe-se com o conteúdo e não com a gramática. Foque sua atenção para organizar os argumentos da melhor forma. As ideias devem fazer sentido e devem estar ligadas entre si. Um texto bem amarrado valoriza a sua argumentação e fará com que o corretor não se sinta confuso ao lê-lo.
Lembre-se da estrutura básica da dissertação-argumentativa
IntroduçãoApresente o tema e o recorte que você fará dele. Evite fazer rodeios. É recomendável que a tese seja exposta para direcionar a leitura e mostrar sua linha de raciocínio. Lembre-se de que na dissertação seus argumentos devem ser usados para convencer quem estiver lendo.
DesenvolvimentoDefenda a sua tese apresentando ideias que a justifiquem, de forma consistente, e apresente seus argumentos. Essa parte é importante, por isso coloque tudo da forma mais clara possível para que o leitor compreenda seu ponto de vista. Para deixar organizado, uma dica é reservar um parágrafo para cada argumento, analisando todos os aspectos que você quer abordar.
ConclusãoRetome as ideias expostas na introdução, junto com os principais argumentos que a justificam para confirmar a tese e encerrar o debate. Diferente das outras redações, no Enem é nessa parte que você deve propor a solução ao problema, a partir dos pontos já levantados durante sua redação.
4º) Revise o texto: Agora é hora de corrigir a gramática e encontrar outros errinhos na sua redação. Caso tenha dúvida na grafia de alguma palavra, tente substituir por outra expressão. Preste atenção se não existe alguma frase sem sentido perdida pelo texto e avalie se há coerência entre as ideias.
5º) Passe o texto a limpo: Finalmente, essa é a última etapa da redação. Por isso a importância de preparar seu texto em um rascunho. Respeite o limite de linhas e não coloque informações fora da área de correção.

26 de abril de 2016

O Título Será Obrigatório na Redação do Enem 2016?


Uma dúvida muito comum  diz respeito a obrigatoriedade do título na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). E a resposta para essa pergunta é: NÃO. O título não será obrigatório na dissertação.

Na prática, isso significa que aquele que não intitular seu texto não será prejudicado, ou seja, não perderá pontos por isso. Da mesma maneira, caso haja um título, a redação não poderá ser beneficiada.

Então Não Vale a Pena Intitular Minha Redação?

As informações contidas no último parágrafo podem levá-lo a concluir que não vale a pena incluir um título em sua dissertação, o que é válido e plausível. No entanto, destacamos que, se elaborado com inteligência e criatividade, o mesmo valoriza a redação e “fisga” o leitor (no caso o corretor), chamando sua atenção.
Nesse sentido, vale destacar alguns erros que devem ser evitados na hora de escolher um bom título para uma dissertação argumentativa:
  • nunca utilize o tema propriamente dito como título. Ele deve remeter e se relacionar com a proposta, mas não reproduzi-la;
  • evite verbos e frases imperativas, além de reticências;
  • se colocar uma pergunta ou questionamento do título, lembre-se que deverá respondê-los a longo do texto;
  • procure utilizar palavras-chave do tema/proposta e também do texto em seu título.
A decisão de colocar ou não título na sua redação não precisa ser tomada agora. O ideal é que você chegue na prova dissertativa do Enem 2016 preparado para intitular bem sem texto, com a opção de não fazê-lo caso não encontre o título ideal durante o exame.
Lembre-se que, assim como qualquer parte que envolve a habilidade da escrita, a escolha do título é algo que pode e deve ser aperfeiçoado com a prática, ainda mais se você contar com acompanhamento personalizado de um professor especialista.