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7 de fevereiro de 2018

REPETINDO - TEMAS DE REDAÇÃO CONCURSO POLÍCIA CIVIL

TEMAS DE REDAÇÃO CONCURSO DA POLÍCIA CIVIL


1.Texto da Prova: O utilitarismo, iniciado por Jeremy Bentham, concentra-se na felicidade individual como a melhor forma de avaliar o grau de desenvolvimento humano. Outra abordagem avalia tal desenvolvimento de acordo com a renda, a riqueza e os recursos dos indivíduos. Essas alternativas ilustram o contraste entre as abordagens baseadas na utilidade e nos recursos, em contraste com a abordagem das capacidades baseada na liberdade.
Comando da Redação: A partir do que se afirma acima, desenvolva um texto dissertativo-argumentativo sobre a relação entre Felicidade e Recursos Materiais.
2. Texto da Prova: Segundo afirmou o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, “as grandes empresas adoram a noção de que o ser humano vai se tornar obsoleto. É a terceira onda do capitalismo, em que o valor do trabalho humano é zero. Porém, o cérebro humano não pode ser reduzido a um algoritmo, portanto não pode ser copiado por um computador. Jogar xadrez é um algoritmo. Já apreciar Bach… Então, por definição, não se pode repetir o cérebro. Não há como recapitular, num computador, a história coletiva da espécie e a história individual de cada um de nós. É uma impossibilidade matemática”. 
Comando da Redação: Considerando o que se afirma acima, redija um texto dissertativo-argumentativo, justificando seu ponto de vista.
3. Texto da Prova: Quando se trata da obrigatoriedade do voto, a discussão que se impõe, para alguns, é aquela sobre a qualidade do voto, mais do que sobre a sua obrigatoriedade. A questão primordial seria a de garantir a efetiva participação do cidadão no processo democrático. Outros afirmam que se deve facultar às pessoas o direito de participar ou não desse processo.
Comando da Redação: Considerando o que se afirma acima, redija um texto dissertativo-argumentativo justificando amplamente seu ponto de vista.
4. Texto da Prova: Em capítulo “Os atos do Estado” (em Sobre o estado: cursos no Collège de France (1989-92)), o sociólogo francês Pierre Bourdieu refere que analisou a diferença entre um julgamento feito por uma pessoa autorizada e um julgamento privado. Essa temática sugere reflexões relacionadas, por exemplo, a: quem representa o poder central?; quem vigiará os vigilantes legitimados pelo Estado?; que efeitos os diferentes julgamentos provocam no mundo social?
Comando da Redação: Redija uma dissertação expondo, de modo claro e coerente, seu ponto de vista sobre o tema. Seus argumentos – contemplando ou não as reflexões acima, ou, ainda, ampliando-as -, devem ser tratados de maneira a dar consistência a seu texto.
5.Texto da Prova: Atente para o texto seguinte: Não é de hoje que se pergunta se a existência do museu ainda faz sentido, por mais que os antigos e tradicionais museus continuem atraindo um bom público, ao passo que novos espaços não deixam de ser construídos. Contudo, à medida que a própria arte se modifica, com os quadros tradicionais cada vez mais dando lugar a instalações, a performances e aos grafites, parece crescer o número daqueles para quem, segundo Hal Foster, no artigo “Museus sem fim” (revista Piauí, edição 105, Junho/2015), “a contemplação estética é tediosa, a compreensão histórica é elitista e, mais do que isso, o museu é um lugar morto, um mausoléu”. Foster discorda: “Quando bem projetados e dotados de programação inteligente, os museus admitem tanto entretenimento quanto contemplação, e nesse processo promovem também alguma compreensão.” Assim, em lugar de propor que os museus permaneçam intocados, o que o historiador e crítico norte-americano propõe é torná-los capazes de nos transportar “para diferentes períodos e culturas – para diversos modos de perceber, pensar, representar e ser -, a fim de que possamos testá-los em relação a nossas próprias época e cultura, e vice-versa, e, nesse processo, quem sabe transformarmo-nos um pouco.”
Comando da Redação: Escreva um texto dissertativo-argumentativo posicionando-se em relação às diferentes ideias expostas no texto acima
6.Texto da Prova: O direito à cidade não pode ser concebido como um simples direito de visita ou de retorno; só pode ser formulado como direito à vida urbana. Entende-se por gentrificação (do inglês gentrification, “tornar nobre”) o fenômeno que afeta uma região ou bairro pela alteração das dinâmicas da composição do local, tais como novos pontos comerciais ou construção de novos edifícios, valorizando a região e afetando a população de baixa renda local. Tal valorização é seguida de um aumento de custos de bens e serviços, dificultando a permanência de antigos moradores de renda insuficiente para sua manutenção no local cuja realidade foi alterada. 
Comando da Redação: A partir dos excertos acima, elabore um texto dissertativo-argumentativo sobre o seguinte tema: Direito à cidade.
7.Texto da Prova: Epicuro havia percebido que as leis não educam: que não eram feitas para serem propriamente obedecidas, mas para garantir, sobretudo, a possibilidade de punição. Ele se deu conta, por um lado, de que a educação e as necessidades básicas do ser humano deveriam ser gerenciadas pela pólis (Estado); por outro lado, viu que era preciso, de algum modo, isolar para educar, porém, sem reclusão, porque a virtude do caráter político não se reduz, afinal, a um modelo ou teoria, tampouco ao recinto de uma instituição ou de uma pólis. 
Comando da Redação: Com base no excerto acima, escreva uma dissertação justificando amplamente seu ponto de vista.
8.Texto da Prova: I – Em uma sociedade em que o sucesso ou o fracasso do indivíduo em acirrada competição configura-se como seu supremo objetivo, o exercício de seus deveres e responsabilidades como cidadão é considerado como perda de tempo e energia. II – Para o pensador Richard Sennett, passamos a viver numa sociedade ensimesmada, voltada para dentro de si mesma, guiada pelo código do narcisismo. Nessa sociedade, o mundo público só despertaria a nossa atenção se pudesse oferecer alguma gratificação pessoal. Como isso não é possível, então ele se torna desagradável e tedioso. Por essa razão, na tentativa de descobrir aquilo que uma pessoa ou acontecimento significa para o “eu”, passa-se a dar muito mais importância à vida particular do que à vida pública. Esse comportamento, transposto para o campo político, faz com que o eleitor esteja muito mais interessado na vida privada do político do que na sua ideologia, seus programas e suas propostas de governo. Esse é o resultado do que Sennett chama de superposição do imaginário privado ao imaginário público. III – A vida política não depende somente das instituições, mas também pode residir na indignação e na discordância dos cidadãos. 
Comando da Redação: Considerando o que se afirma em I, II e III, redija um texto dissertativo-argumentativo justificando amplamente seu ponto de vista. Fontes para um manual de humanidade.
9.Texto da Prova: Atente para os textos seguintes: Texto I – Poucas áreas do conhecimento humano tiveram nas últimas décadas desenvolvimento tão extraordinário como a Medicina. A pergunta que se pode fazer é em que medida esse avanço tem resultado na melhoria efetiva da qualidade de vida das pessoas. Se de fato algumas das conquistas médicas representaram aumento da longevidade humana, muitas vezes não consideraram o bem-estar com que os anos a mais de vida seriam vividos. Outro aspecto condenável é a exagerada especialização e a concentração em certas áreas em detrimento de áreas mais importantes para a saúde de todos, mas menos rentáveis. Texto II – A Medicina trouxe nos últimos anos benefícios ao conjunto da humanidade que não podem ser negados ou mesmo relativizados. Vivemos hoje mais e melhor do que no passado, e a tendência, considerando-se os avanços de todas as áreas médicas, é a melhoria gradativa e ininterrupta da saúde e do bem-estar de todos. A especialização, muitas vezes criticada, é o que tem permitido a dedicação integral do médico a um ramo passível de ser integralmente conhecido e desenvolvido.
Comando da Redação: A partir da consideração dessas duas posições divergentes, redija um texto dissertativo-argumentativo discutindo-as e posicionando-se em relação à questão de que tratam.
10.Texto da Prova: O capital é um processo de reprodução da vida social por meio da reprodução de mercadorias, em que todas as pessoas do mundo capitalista avançado estão profundamente implicadas. O processo mascara e fetichiza, alcança crescimento mediante a destruição criativa, cria novos desejos e necessidades, transforma espaços e acelera o ritmo da vida. Ele gera problemas para os quais há apenas um número limitado de slouções.
Comando da Redação: Com base no que se afirma acima, elabore um texto dissertativo-argumentativo justificando amplamente seu ponto de vista.
Texto da Prova: Mapa-Múndi – A facilidade de comunicações acabou com esses tanques em que floresciam as diferentes culturas. Quando antes se olhava o mapa-múndi e via-se cada país de um colorido diferente, podia-se tomar isso ao pé da letra. É verdade que o mundo continuou a ser uma colcha de retalhos; mas são todos da mesma  cultura.
Comando da Redação: A partir das reflexões de Mário Quintana, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o seguinte tema: A revitalização das culturas tradicionais e a promoção do respeito à diversidade cultura Globalização torna mais visíveis conflitos étnicos ao redor do mund
12Texto da Prova: I – O termo latino “ars” (arte) implica o sentido de “imaginar, inventar”, além do de “acomodar, adaptar”. Arte e ofício manual coincidem em que ambos produzem uma obra sensorialmente perceptível. Contudo, o ofício manual tem em mira o utilizável, o proveitoso, ao passo que a arte se aplica ao belo. O artista é um vidente, é um criador capaz de expressar na obra sua própria visão: intuir e criar são nele uma só coisa. (BRUGGER, Walter. Dicionário de filosofia. São Paulo: Herder, 2. ed, 1969, p. 58) II – O que me parece muito sério é que, depois de mortos, quando já deixaram de ser amáveis ou irritáveis, simpáticos, ou antipáticos, e apenas são o que realizaram menos em si do que fora de si, na paisagem do espírito, os artistas se afirmam totalmente, purificados e indestrutíveis. A morte não tem nada com os artistas. Eles não são essas pessoas que vemos. São como seres sobrenaturais … Mas o seu trabalho? Como pode morrer o que é imortal? (MEIRELES, Cecília. O que se diz e o que se entende. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980, p. 145) III – Houve época em que se fazia “arte pela arte”, como também já se entendeu a arte como meio para se alcançar certo objetivo, e não como um fim em si mesma.
Comando da Redação: Com base nos excertos transcritos, redija um texto dissertativo-argumentativo, posicionando-se a respeito da seguinte proposta: A criação artística entre representação e intervenção cultural Carreira guiada pela  arte.
13.Texto da Prova: I – Grande parte da população abdica das mais diversas ocupações para ver televisão, considerando legítima sua inatividade como espectador. II – Ver televisão hoje é um modo de se emocionar imediatamente numa sociedade que perdeu de vista o cuidado com sua própria sensibilidade, em função da avalanche de imagens que invade o cotidiano. III – É possível que pensar na própria vida seja equivalente ao desejo de devassar a vida alheia através dos programas televisivos.
Comando da Redação: Considerando o que se afirma acima, redija um texto dissertativo-argumentativo justificando amplamente seu ponto de vista.
14 
Texto da Prova: A taxa de reincidência de prisioneiros libertados nos Estados Unidos é de 60%; na Inglaterra, de 50%; na Noruega, de 20%. A prisão de Halden foi projetada para incorporar a ideia que os noruegueses têm de execução penal: a pena é a privação da liberdade, não o tratamento cruel. O objetivo é a reabilitação, não a vingança. “Fundamentalmente, acreditamos que a reabilitação do prisioneiro deve começar no dia em que ele chega à prisão”, afirma a ministra júnior da Justiça da Noruega, Kristin Bergersen: “a reabilitação do preso é do maior interesse público, em termos de segurança.
Comando da Redação: Considerando o que se afirma acima, redija um texto dissertativo-argumentativo a respeito do tema: Sistema prisional e ressocialização do preso.
15 – Administrador de Banco de Dados da Defensoria Pública de São Paulo de 2015
Texto da Prova: Tudo se reduz à questão de que há dois valores igualmente indispensáveis para uma vida humana digna: liberdade e segurança. Não se pode ter um sem que se tenha o outro. Esse é o meu ponto; mas infelizmente, na prática, eles são normalmente apresentados como tendo propósitos opostos, como sendo necessário sacrificar a segurança sob o argumento de que, quanto maior ela for, menos livre se é.
Comando da Redação: Considerando as afirmações acima, redija um texto dissertativo-argumentativo, expondo amplamente o seu ponto de vista.

4 de fevereiro de 2018

Rúbrica ou rubrica? Cuidado com a posição da sílaba tônica | 



Rúbrica ou rubrica? Cuidado com a posição da sílaba tônica
“Boemia,
aqui me tens de regresso
e suplicante te peço
a minha nova inscrição
Voltei, pra rever os amigos que um dia
eu deixei a chorar de alegria,
me acompanha o meu violão (…)”

“Boêmio” é o indivíduo que vive na ‘boêmia’ que, de acordo com o dicionário Houaiss, é “roda de intelectuais, artistas etc. que leva a vida de modo hedonista e livre, bebendo e divertindo-se” e, por extensão, “vida de quem ama dormir a desoras, divertindo-se e em grupo e geralmente ingerindo bebidas alcoólicas”. Os termos boêmia e boêmio são acentuados por serem palavras paroxítonas terminadas em ditongo, porém a canção se vale de um deslocamento da sílaba tônica, para manter a rima com dia e alegria, que aparecem nos versos subsequentes.
Esse procedimento é mencionado por Caetano Veloso, na música “Língua”:
“Gosto de sentir a minha língua roçar
A língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar
A criar confusões de prosódia
E um profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões (…)”

Fazer “confusões de prosódia” pode ser útil para estabelecer rimas nos textos poéticos, lançando mão da chamada licença poética(que pode ser usada desde que dominemos a norma culta para poder desobedecer a ela com fundamentação, com propósito, com intencionalidade claros dentro da obra).
Mas, o que é prosódia?
A prosódia está relacionada com a correta acentuação das palavras, tomando como padrão a língua considerada culta. É o caso da palavra do título do texto de hoje: pronunciar o termo como proparoxítono é um erro de prosódia, já que a norma culta determina que seja pronunciada ruBRIca, sem nenhum acento gráfico.
Veja mais alguns exemplos de vocábulos que com frequência geram dúvidas quanto à prosódia:
  • São oxítonas: cateter, condor, hangar, mister(não é o termo da língua inglesa!!!), Nobel, ruim, sutil, ureter.
  • São paroxítonas: avaro, batavo, caracteres, cartomancia, ciclope, decano, edito, erudito,  filantropo, ibero, inaudito, gratuito, poliglota, pudico, refrega, tuli
  • São proparoxítonas:  ágape, álibi, âmago, amálgama, antídoto, aríete, bávaro, bólido, cáfila, égide, ímprobo, lêvedo, ômega, périplo, protótipo, quadrúmano, sátrapa, vermífugo, zéfiro.
Há, porém, vocábulos que admitem duas possibilidades de pronúncia. Veja alguns deles:
  • acrobata e acróbata
  • ambrósia e ambrosia
  • crisântemo e crisântemo
  • hieróglifo e hieroglifo
  • Oceânia e Oceania
  • projétil e projetil
  • réptil e réptil
  • sóror e soror
  • xerox e xérox
Na dúvida, em relação à pronúncia correta ou à ortografia, vale o conselho de sempre: consulte o dicionário – ele traz essas informações também, além de esclarecer o significado das palavras.

2 de fevereiro de 2018

ENEM

No último dia 18 de janeiro foram divulgados os resultados da edição de 2017 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pelo Ministério da Educação (MEC). Em relação aos resultados da prova de redação, que teve como tema “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil“, foram corrigidos 4,72 milhões de textos.
Desse montante, apenas 53 dissertações-argumentativas obtiveram nota máxima (1.000 pontos), uma queda em comparação aos 77 textos que conseguiram atingir a nota máxima no Enem de 2016. Os números de redações que alcançam a nota máxima no exame sempre foram baixos, algo que não vai de encontro às correções dos vestibulares mais importantes do país, nos quais a correção cria uma curva de notas mais homogênea e distribuída.
No outro extremo, receberam nota zero 309.157 textos e a maioria foi devido a fuga do tema proposto, algo infelizmente já esperado devido a surpresa que o tema causou no primeiro domingo de provas. Para a grande maioria dos participantes e dos professores de Língua Portuguesa e de Redação, abordar a educação de surdos no Brasil foi algo surpreendente, apesar de necessário, pois quase ninguém imaginava a abordagem de algo tão específico, já que a inclusão normalmente é discutida de modo mais amplo nas escolas; isso quando é discutida, cá entre nós.
O número altíssimo de redações que fugiram do tema indica dois fatos: a escola, como um todo, precisa discutir e debater todas as formas de inclusão e não apenas de maneira abrangente e generalista, mas também separada, pois cada deficiência requer um modo de inclusão; esses participantes não são, infelizmente, leitores proficientes, pois não cumpriram o tema proposto.
A coletânea de textos apresentava algumas “pegadinhas”, como por exemplo, a menção ao Braile, o que pode ter confundido vários participantes que abordaram também ou exclusivamente as pessoas portadoras de deficiência visual.
Neste aspecto, houve um aumento de redações que obtiveram nota zero comparado ao Enem 2016. Naquele ano, 0,78% dos textos receberam nota zero; em 2017, foram 5,01%.
Porém, no geral, os participantes do Enem 2017 obtiveram melhor desempenho do que os de 2016. A média passou dos 541,9 pontos para 558 pontos, o que ainda é uma nota mediana.
Em relação ao desrespeito aos direitos humanos, segundo o MEC, 205 textos desrespeitaram os direitos humanos, mas não foram anulados de acordo com a decisão do Supremo Tribunal Federal.
Em suma, os resultados da prova de redação do Enem 2017 mostram que existe uma realidade educacional heterogênea no nosso país, já que não existe uma qualidade padronizada de ensino e, deste modo, os alunos não têm acesso às mesmas oportunidades. Se a educação pública brasileira tivesse uma qualidade de ensino e de infraestrutura homogênea, sem dúvidas que os números seriam outros. Além disso, o universo de candidatos ao Enem é um universo muito mais diverso do que dos vestibulares tradicionais e isso deve ser levado em consideração.

28 de janeiro de 2018

CONCURSEIROS !!


– Você quer ajuda, amiga?
– Não, obrigado. Você tem bastante coisas para fazer, eu tenho menas.
Que tal lhes parece o diálogo acima? Muito gentil, cheio de empatia, porém… com alguns desvios em relação à norma culta.
Temos, no trecho, três casos de concordância nominal que merecem atenção: as palavras ‘obrigado’, ‘bastante’ e ‘menos’.
O termo obrigado(a) é o particípio do verbo obrigar. Lembremos que o particípio é uma das formas nominais do verbo, assim denominadas porque funcionam às vezes como verbo (A mãe tinha obrigado o filho a tomar o xarope), às vezes como nome, neste caso um adjetivo. Esse termo faz parte da expressão “estou obrigado(a)”, ou seja, “eu devo obrigação de retribuir a gentileza, o favor que recebi”, e como adjetivo, precisa concordar em gênero e número com o termo a que se refere. Dessa forma, portanto, uma mulher dirá obrigada, um homem dirá obrigado e um grupo dirá ‘obrigados‘ se forem apenas homens ou um grupo misto e ‘obrigadas‘, se forem apenas mulheres (por mais estranho que possa parecer, o termo tem plural sim!).
Já a palavra bastante pode funcionar como pronome indefinido (e será variável quanto ao número – singular/plural) ou como advérbio de intensidade (invariável) e se comportará como o sinônimo muito. Assim, na dúvida, verifiquemos como o ‘muito’ se comporta:
  • Tenho bastante ou bastantes livros?
  • = Tenho muitos livros.
Nesse caso o termo funciona como pronome indefinido (expressa a quantidade de modo vago, impreciso) e deverá concordar com o substantivo a que se refere (livros), portanto vai para o plural: “Tenho bastantes livros.”
  • Estamos bastante ou bastantes cansados?
  • = Estamos muito cansados.
Agora o termo funciona como advérbio, intensificando a ideia do adjetivo cansados. Teremos, portanto, “Estamos bastante cansados.”
E por último, falemos do termo menos. Esse termo pode ser empregado como advérbio (Ele ganha menos do que a esposa); como pronome (Gosto de mais pimenta e menos sal na comida); ou substantivo (Às vezes o menos é mais) e em todos os casos é uma palavra invariável. Ocorre com certa frequência o fenômeno da hipercorreção (quando alguém ‘corrige’ o que já estava certo), pois a palavra aparenta ser do gênero masculino, mas não há informação de gênero nesse termo, ele será sempre usado na forma menos:
  • Há menos meninas do que meninos naquela turma.
  • Eu tenho menos fé na Justiça do que meu irmão.
  • Ele aparenta menos idade do que o amigo.

25 de janeiro de 2018

UMA BOA LEITURA, GURIZADA !!

Redação no Enem: Liberdade de Expressão vs Discurso de Ódio

“Nas redações dos vestibulares eles pedem a nossa opinião, mas não podemos opinar de verdade; temos de escrever o que eles querem ler”. “A condição de respeitar os Direitos Humanos é um tipo de censura na proposta de redação do Enem”. “Tenho amigos preconceituosos que foram bem na redação do Enem; eles mentiram”.
Essas e outras afirmações podem ser ouvidas em qualquer aula de produção de texto do Ensino Médio ou de um cursinho e podem ser lidas em comentários em redes sociais, blogs e sites diversos; eu mesma já ouvi de meus alunos, mais de uma vez. Também já as discuti aqui em outras publicações, quando tratei da questão do movimento escola sem partido, por exemplo.
Em tempos de polarização, muitas pessoas têm confundido liberdade de expressão com discurso de ódio, e não só em propostas de redação como a do Enem 2016 (Como combater a intolerância religiosa no Brasil?), na qual 4.798 candidatos feriram os direitos humanos e tiveram seus textos anulados.
A liberdade de expressão é um direito constitucional, ou seja, é garantido pela Constituição Federal de 1988 e deve ser mantido, pois vivemos em um regime democrático no qual a troca de ideias é essencial, porém, de uns tempos para cá, parece que os brasileiros não sabem mais debater um assunto sem rotular ou enquadrar o outro. Amizades estão sendo desfeitas, laços familiares estão sendo cortados porque ninguém mais ouve ninguém.
O discurso pautado na liberdade de expressão não ofende, não fere, não rotula, pois assim que rótulos são postos, o debate acaba. O discurso baseado na liberdade de expressão pode questionar e discordar, mas sem desrespeitar o alvo da discórdia.
Nesse sentido, as duas propostas de redação do Enem 2016, pois houve duas edições oficiais do exame, abordaram questões delicadas, mas importantes: intolerância religiosa e racismo. Um cristão, por exemplo, pode não concordar com algum aspecto de uma religião não-cristã, por exemplo, mas isso não significa que ele possa atacar um praticamente desta outra religião.
A liberdade de expressão permite o debate das diferenças e das discordâncias, mas não permite a ofensa e a exaltação da violência ou o seu incentivo. A ofensa e a violência estão presentes nos discursos de ódio, enunciados extremistas baseados, justamente, no ódio. É o caso do racismo, da homofobia, da misoginia, misandria, do machismo dentre outro; é quando palavras de baixo calão são usadas para ofender ou inferiorizar outra pessoa por conta de sua etnia, orientação sexual, identidade de gênero, religião, nacionalidade etc.
Desse modo, não há como confundir liberdade de expressão com discurso de ódio. Por isso que o respeito aos Direitos Humanos, na redação do Enem, não é, nem de longe, censura, pois a liberdade de expressão respeita a dignidade humana e, assim, respeita os Direitos Humanos. O discurso de ódio não respeita ninguém, a não ser o seu enunciador.
Não concordar com uma relação homoafetiva não dá o direito de atacar um casal homossexual com uma lâmpada em plena avenida Paulista, em São Paulo; não concordar com o candomblé não significa apedrejar uma jovem menina nas ruas do Rio de Janeiro.
Ao apoiar o respeito aos Direitos Humanos, pautado na liberdade de expressão, o Enem não censura nenhum candidato e sim toma frente ao combate aos discursos de ódio no exame, o que também é papel na escola ao objetivar formar cidadãos críticos e livres de preconceito, juntamente com as famílias dos alunos. Trata-se de um trabalho a longo prazo, de formiguinha, mas o passo foi dado.
Infelizmente, se 4.798 candidatos feriram os Direitos Humanos no Enem 2016, muito trabalho ainda há de ser feito, pois esse número, num ideal, deveria se zero.
Seja no Enem, no Twitter, no Facebook, no Instagram ou na mesa de jantar, vamos parar, refletir e respeitar a dignidade humana ao proferirmos nossas opiniões que, aliás, devem estar baseadas em argumentos que não desrespeitem os Direitos Humanos a fim de que possamos conviver na maior paz possível.
Até mais!

UNICAMP - REDAÇÃO

dando continuidade às publicações sobre as propostas de redação do vestibular 2018 da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), no texto de hoje apresentamos a análise do Texto 2, já que, como dissemos no artigo da semana passada, as provas de redação do vestibular da UNICAMP são compostas por duas propostas de redação.
No último texto, analisamos o Texto 1 do vestibular 2018 da UNICAMP, o qual exigiu dos candidatos a elaboração de uma palestra sobre pós-verdade. No texto de hoje, analisamos o Texto 2, que exigiu dos candidatos a redação de um artigo de opinião sobre o seguinte tema: “Há limite para a liberdade de expressão?“.
O artigo de opinião é um gênero da mesma ordem da dissertação-argumentativa, a ordem do argumentar, mas, apesar disso, são gêneros diferentes, pois possuem marcas estilísticas distintas entre si.
Primeiramente, o artigo de opinião é um gênero que circula na esfera jornalística, podendo ser lido em jornais, revistas e em sites diversos na internet, como em blogs, por exemplo. Seu autor é denominado colunista e normalmente é um jornalista ou um especialista em determinado assunto, como política, economia, educação etc. Devido a periodicidade das publicações dos artigos de opinião em seus suportes, já que os colunistas se revezam e seus textos são publicados em dias específicos, cria-se, entre autor e leitor, uma certa proximidade, pois o leitor desenvolve o hábito e/ou o gosto por ler o artigo de opinião de determinado autor que, por sua vez, pode expressar abertamente a sua opinião.
Já a dissertação-argumentativa é um gênero que circula na esfera escolar de maneira descolada da realidade, pois a opinião ali expressa não será lida por leitores de jornais ou revistas, mas sim por um professor ou corretor com o objetivo de analisar se o autor, no caso um estudante, cumpriu a proposta de redação.
E, como bem sabemos, no caso dos vestibulares e dos exames como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), devemos seguir as instruções dos mesmos para nos adequarmos às marcas estilísticas da dissertação-argumentativa, como por exemplo, ser um texto impessoal, ou seja, não pode ser escrito na 1ª pessoa do singular.
Este é um dos riscos desta proposta de redação do vestibular 2018 da UNICAMP: confundir artigo de opinião com dissertação-argumentativa. O candidato tinha de prestar muita atenção, como sempre, no enunciado da referida proposta de redação, que dizia o seguinte:
Diferentemente dos vestibulares tradicionais, o vestibular da UNICAMP, desde 2010, nas provas de redação, apresenta um contexto de produção para o candidato, situando-o em uma situação que poderia ser real, na qual há uma motivação para a elaboração do texto exigido.
Nesse sentido, o principal segredo para começar bem as propostas de redação da UNICAMP é o candidato tentar imaginar-se inserido no contexto de produção proposto, sentindo-se motivado pela razão criada. Obviamente, como é uma prova, é uma simulação, mas de algo que poderia ocorrer na vida real.
Nesse caso, o ponto de partida foi uma postagem em rede social de uma mensagem de ódio contra nordestinos que gerou uma intensa discussão em uma cidade. Por conta da polêmica, o jornal de maior circulação desta cidade (ambos poderiam ser fictícios ou não na cabeça do candidato) resolver publicar um caderno especial sobre liberdade de expressão com artigos de opinião diversos e o candidato teve de escrever um para este caderno especial, mais especificamente sobre o tema “Há limite para a liberdade de expressão?”.
Percebe-se que o enunciado cria um contexto de produção que poderia ser real e o candidato é inserido neste contexto por meio de uma motivação. Além disso, apesar do detalhamento, o candidato deveria saber o que é um caderno especial de um jornal e o que é um artigo de opinião.
Mas não é um artigo de opinião qualquer: é um artigo de opinião que deveria responder à pergunta tema, se há limite para a liberdade de expressão. Além disso, o texto deveria trazer, obrigatoriamente, a identificação e a explicitação de dois posicionamentos principais sobre a questão e a postura assumida de um desses posicionamentos e sustentá-lo com argumentos, tudo isso levando em consideração várias citações que compunham os textos fontes da proposta.
Deste modo, levando em conta os textos fontes, o artigo de opinião deveria identificar e explicitar posicionamentos que afirmam que devem haver limites para a liberdade de expressão e que afirmam que não devem haver tais limites e, finalmente, assumir um desses posicionamentos, sustentando tal opinião em argumentos. Resumindo: o candidato não poderia ficar em cima do muro de modo algum.
No enunciado, a menção a uma postagem de ódio contra nordestinos juntamente com a palavra “limite” do tema, somando-se às citações que compõem os textos fontes deveria levar o candidato a seguinte reflexão: discurso de ódio versus liberdade de expressão. Assunto sobre o qual já escrevemos nesta coluna . Discursos que propagam preconceitos e violências como xenofobia, racismo, machismo, homofobia, dentre outros é o mesmo que liberdade de expressão ou não?
Tal reflexão e a consequente escrita do artigo de opinião deveriam levar em consideração excertos de citações de várias personalidades da cultura, da educação, do meio acadêmico, dentre outros, sobre o assunto. Tais excertos foram extraídos de uma matéria do jornal Folha de São Paulo do dia 30 de junho de 2017.
Os candidatos, dessa forma, deveriam identificar nos textos fontes pelo menos dois posicionamentos distintos e fazer o seu próprio posicionamento, opinando e argumentando, pois, como sempre afirmamos, não basta opinar, tem de argumentar. Conhecer os autores citados é meio caminho andado na interpretação de suas afirmações, pois quando conhecemos os autores, conhecemos também suas posições.

21 de janeiro de 2018

ISENÇÃO DA INSCRIÇÃO DO ENEM 2018, GURIZADA !!

No início deste mês o Ministério da Educação (MEC) publicou o Edital do Enem 2017 – Exame Nacional do Ensino Médio – confirmando as mudanças que já haviam sido antecipadas pelo próprio governo. A única novidade que consta no Edital e que não foi anunciada antes foi o valor da taxa de inscrição, que subiu de R$ 68 (Enem 2016) para R$ 82 nesse ano.
Apesar da elevação do custo da inscrição no exame nacional, o MEC continuará concedendo a isenção ou gratuidade para a maioria dos candidatos, como vinha ocorrendo nas últimas edições. Nesse artigo vamos esclarecer quais os três grupos de participantes que poderão se inscrever no Enem de graça, lembrando que o prazo para cadastro ficará aberto entre 8 e 19 de maio.

Terceiro Ano do Ensino Médio em Escolas Públicas

Estudantes que vão concluir o ensino médio neste ano e estão regularmente matriculados em escolas da rede pública de todo o país terão isenção automática dos 82 reais da inscrição. Ao preencher o campo “escolaridade” no formulário, o sistema do Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – reconhecerá imediatamente que a instituição é pública e concederá o benefício.

Lei de Isenção em Processos Seletivos de Instituições Federais

Também terão direito a isenção da taxa os candidatos contemplados pela Lei nº 12.799/2013, que discorre sobre a gratuidade nos processos seletivos de ingresso em cursos das instituições federais de educação superior. Se enquadram nesta Lei aqueles que atendem, cumulativamente, as seguintes exigências:
  1. concluir o ensino médio em escola pública ou privada na condição de bolsista integral (100% da mensalidade);
  2. possuir renda familiar máxima de 1,5 salário mínimo (R$ 1405,50) por pessoa.

Inscritos no CadUnico da Caixa Econômica Federal

A partir desta edição os participantes inscritos no Programa Cadastro Único (CadUnico) da Caixa Econômica Federal poderão solicitar a isenção da inscrição do Enem. O procedimento, no entanto, será mais criterioso. Será preciso apresentar, na ficha online de inscrição do exame, comprovação de renda familiar completa, inclusive o Número de Identificação Social (NIS), que permite identificar aqueles que estão cadastrados em programas sociais.

ENEM 2018, GURIZADA !!!

Juntamente com a liberação oficial das notas do Exame Nacional do Ensino Médio de 2017 em 18 de janeiro, o Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – aproveitou a coletiva de imprensa para anunciar as datas das inscrições, de publicação do edital e das provas do Enem 2018.
Conforme informações da autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC) do governo, cada um dos eventos importantes descritos a seguir se darão nas seguintes datas ou prazos:
  1. Edital do Enem 2018 (21 de março) – consiste no documento que torna públicas todas as regras referentes a próxima edição do exame nacional, definindo normas para inscrições, pedidos de isenção, documentação e materiais aceitos, critérios de correção e atribuição de notas, entre outros;
  2. Inscrições do Enem 2018 (7 a 18 de maio) – prazo para cadastro online dos interessados que pretendem participar da avaliação, independente de se inscreverem como candidatos regulares ou treineiros (que prestam apenas para autoconhecimento). Há também um prazo para pagamento da taxa, cujo valor e data de vencimento ainda não foram informados;
  3. Provas do Enem 2018 (4 e 11 de novembro) – consiste nos dois domingos da aplicação propriamente dita das provas. No primeiro deles serão 90 questões de ciências humanas e linguagens e códigos, além da redação. No segundo serão 90 itens de ciências da natureza mais matemática.

Isentos no Enem 2017 e 2018

Conforme as regras do Inep para o Enem, aqueles que foram isentos de pagar a taxa de R$ 82 na edição de 2017 e faltaram as provas deverão justificar sua ausência, caso contrário perderão o direito da isenção em 2018 (saiba as regras para solicitar o benefício . Esses deverão enviar os documentos aceitos para justificar a falta no prazo que vai de 2 a 11 de abril.
Será neste mesmo período que aqueles que se encaixam no perfil de isentos poderão solicitar a gratuidade no Enem 2018. Esta é primeira vez que isso ocorrerá antecipadamente, poios até a última edição o procedimento só poderia ser feito durante as inscrições.

VITIVINICULTURA



Em São Roque (SP), ocorre nesta época do ano, em algumas adegas, a chamada Vindima (ou Pisa da uva). A vindima é a colheita das uvas para posterior produção de vinho. A uva e seu produto mais nobre, o vinho, tem importância ímpar na história da humanidade, na cultura e na alimentação, ao lado do pão. Não é à toa que são os dois símbolos dos mais marcantes no Cristianismo e retomados com frequência, de modo intertextual, em muitas músicas, como fez Chico Buarque em Cálice: “Pai, afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue”.
Esses dois alimentos são também icônicos em muitas culturas, como a portuguesa:
Numa casa portuguesa, fica bem
Pão e vinho sobre a mesa
E se à porta humildemente
Bate alguém
Senta-se à mesa com a gente (…)

Vamos brindar
com vinho verde que é do meu Portugal
e o vinho verde me fará recordar
A aldeia branca que deixei
atrás do mar (…)
 gravada também pelo sertanejo Daniel.
Ou a italiana – os mais velhos talvez se lembrem de um filme muito famoso que apresenta esses elementos logo no título: “Marcelino, pão e vinho”
Mas a questão linguística relacionada ao título provém de uma pergunta que me foi feita no evento da vindima: “Qual é a forma correta, vinicultura ou viticultura?” As duas estão certas, na verdade, mas cada uma se refere a uma produção específica.
O nome científico da videira, planta que produz as uvas, é Vitis sp, e a espécie mais difundida é a Vitis vinifera. O latim é, por tradição, a língua das ciências, então vamos traduzir esse nome científico: vitis significa videira (a planta) e vinífera significa ‘que produz vinho’ (fero = que produz + vinum = vinho).
Acredita-se que as uvas são originárias da Ásia e foram introduzidas na Península Itálica pelos gregos. Foram os romanos, porém, que transformaram a produção de vinhos em um comércio lucrativo, difundindo essa cultura por todo o Império. Daí termos o hábito de consumo da bebida e bons produtores de vinho em todas as regiões da Europa que fizeram parte do Império Romano.
Voltando ao questionamento, temos então duas palavras corretas, como eu mencionei, mas a viticultura diz respeito à produção das uvas e a vinicultura refere-se à produção do vinho.
E, no caso daquelas propriedades em que se planta e colhe a uva e posteriormente se faz o vinho numa sequência, temos a vitivinicultura.
E por que falar tanto desse tipo de formação de palavras e seus significados? Ora, porque, entre outras coisas, esse conhecimento é cobrado nos concursos.
Na prova da 2ª fase da Unicamp deste ano, havia uma questão que exigia dos candidatos o conhecimento da estrutura e formação de palavras, além do conhecimento do significado e função dos afixos (prefixos e sufixos) e radicais e da interpretação que estes têm na criação do sentido do texto. Bom motivo? Além é claro do fato de que, ampliando o vocabulário, sempre teremos maior facilidade na leitura e interpretação de textos em geral.

15 de janeiro de 2018

SINONÍMIA -CUIDADO !!!

A sinonímia é o fenômeno linguístico presente quando duas ou mais palavras têm significação igual ou muito próxima e o que originou o presente texto foram algumas redações em que os alunos, tentando não repetir termos (atitude louvável), acabaram escolhendo palavras inadequadas no contexto, já que o significado era diferente, embora o senso comum as tome por sinônimas.
Vejamos alguns termos e expressões usadas frequentemente por muitas pessoas e que podem criar diversas confusões semânticas:

  • Acatar x acolher
    acatar = obedecer
    Os alunos acataram a ordem do diretor.
    acolher = aceitar, receber
    O juiz não acolheu a ação dos grevistas contra a empresa.

  • Ao invés de x em vez de
    Ao invés de = significa “ao contrário de”.
    Ao invés de subir, desceu a rua.
    Ao invés de virar à esquerda, virou à direita.
    Em vez de = significa “em lugar de”, dá ideia de “substituição”.
    Em vez de comprar sapatos, comprou livros. (sapato não é contrário de livro)
    Em vez de ir para a balada, fiquei em casa lendo um livro.

  • Arruinado x destruído
    arruinado = quem perdeu tudo;
    Aquele famoso empresário acabou arruinado.
    destruído = destroçado.
    O carro foi todo destruído no acidente.

  • Comercializar x vender
    comercializar = comprar, vender, alugar, emprestar
    Aquela empresa comercializa software em todo o mundo.
    vender = é uma das atividades da comercialização de um produto.
    O carro está sendo vendido por R$30.000,00.

  • Conflito x confronto
    Conflito = confusão, divergência de posição, de postura, de ideias.
    O conflito entre os católicos e protestantes resultou em muitas mortes na Irlanda no século passado .
    Confronto = enfrentamento, combate, comparação, acareação.
    O confronto entre grevistas e policiais deixou vários feridos.

  • De encontro a x ao encontro de
    De encontro a = ir contra, confrontar, ‘bater de frente’
    As medidas tomadas pelo governo vão de encontro às necessidades da população.
    Ao encontro de = a favor, ir no sentido de alguma coisa ou alguém.
    Os filhos foram ao encontro de seus pais.
    Minhas ideias vão ao encontro das suas, por isso não brigamos.

  • Desabrigado x desalojado
    desabrigado = quem fica sem casa para morar;
    As fortes chuvas deixaram muitos desabrigados (as casas foram destruídas)
    desalojado = quem teve de sair de casa, quem perde o lugas.
    As fortes chuvas deixaram muitos desalojados (as casas não foram destruídas, mas as pessoas tiveram que sair delas e ir para um local seguro).
    O gato ocupou o sofá e desalojou o cachorrinho.

  • Em princípio x a princípio
    A princípio = no início, antes de mais nada.
    A princípio, viajaríamos para o Nordeste, mas desistimos.
    A princípio acreditávamos que os alunos ficariam quietos durante a palestra, mas as conversas continuaram.
    Em princípio = em tese, teoricamente, de modo geral.
    Em princípio, todos os funcionários receberão a participação nos lucros da empresa em outubro.
    Em princípio, o voo sairia do Aeroporto de Viracopos no início da noite.

  • Inúmeros X numerosos
    inúmeros = incontáveis;
    Olho para a praia da Copacabana e vejo inúmeros banhistas.” (= São tantos que é impossível contá-los);
    numerosos = muitos.
    É uma família muito numerosa, são 12 irmãos. (= É uma família compostas por muitas pessoas).

  • Mesmo x igual
    mesmo = um só;.
    Ela está com a mesma roupa que usou no evento do mês passado. (= É uma roupa só, usada novamente);
    igual = outro idêntico
    Aquela candidata usou um vestido igual ao da rival, no concurso de beleza. (= É outro vestido, com as mesmas características daquele usado pela outra pessoa)

  • Questionar x perguntar
    questionar = pôr em dúvida;
    O juiz questionou a validade do depoimento.
    perguntar = indagar.
    “Quem é a favor da greve? perguntou o presidente do sindicato.

  • reverter  x  inverter  x  modificar
    reverter = voltar ao que era antes;
    O paciente entrou em coma e os médicos tentavam reverter o quadro.
    inverter = mudar para o oposto
    A prefeitura inverteu a mão desta rua sem aviso, o que causou muita confusão.
    modificar = alterar
    É preciso modificar o sistema de cálculo das notas, para não prejudicar os alunos.

  • suplementação  x  complementação
    suplementação = quantia extra, adicional
    Para terminar a obra, foi necessária uma verba suplementar.
    complementação = segunda parte, o que completa.
    Um bom café faz complementação perfeita do almoço.
Esses não são os únicos, mas alguns dos falsos sinônimos mais frequentemente empregados.
Além desse engano comum, há também aquelas palavras que se encaixam em diferentes contextos, mas não são sinônimas e algumas pessoas acabam, por distração, usando-as erroneamente. Esta semana um amigo se queixou do emprego, por alunos da pós-graduação, de uma palavra inadequada. O estudante queria dizer uma coisa e acabou dizendo outra pois as palavras tinham certa semelhança: ele falou em porcentagem de assertividade, com intenção de se referir à porcentagem de acerto de um determinado teste. Não é um caso de falso sinônimo, mas de falta de consulta ao dicionário para ter certeza do sentido antes de empregar um termo. Algumas vezes vários termos se encaixam num determinado contexto, mas isso não significa que sejam adequados ou que expressem a ideia pretendida pelo emissor.
Assim, volto ao mesmo conselho (“mesmo” mesmo! – é um só!): consulte sempre um dicionário, para garantir a exatidão da mensagem.

14 de janeiro de 2018

TEXTO PUBLICADO EM ZERO HORA - CADERNO DONA FOI TEXTO DE APOIO E TEMA DE REDAÇÃO DA UFRGS 2019

O termo vem do latim pater patriae e simboliza o papel de determinada personalidade na formação da unidade nacional e de sua independência. O nosso Pai da Pátria não é um, mas dois: Dom Pedro I e José Bonifácio. Cada nação tem o seu, que serve de modelo de heroísmo e dignidade.
O Pai da Pátria está acima de nós, como numa família tradicional. Não em valor, que valorosos somos todos, mas em representatividade. O Pai da Pátria poderia, inclusive, ser o epíteto de todo chefe do executivo, não fosse, especialmente no nosso caso, uma piada. Há pesquisas sérias sobre a importância de se ter um pai reconhecido em certidão. O Brasil, de forma simbólica, tem os dois já citados, mas, na prática, é como se fôssemos filhos de um pai fantasma, que não nos deu o senso de inclusão familiar, de responsabilidade e de orgulho, deixando-nos à deriva.
Quem me dera ser crédula, confiante. Do tipo que admite estarmos em meio a uma crise medonha, mas que dela brotará um Estado maior, melhor. Já fui assim otimista, mas o tempo passou e me cobrou alguma lucidez e coragem para encarar a realidade. Agora não me é mais dada a alternativa de embarcar num faz de conta, acreditar em devaneios: o fato é que sempre estivemos irreversivelmente lascados, pois desde que essa história começou (1500), foi um tropeço atrás de outro, um país descoberto por engano, por causa de uns ventos inesperados que conduziram as caravelas para outro destino que não a Índia e foram parar aqui sem querer, e quem dá importância ao que foi sem querer? Descuidos não são levados a sério, nunca fomos e jamais seremos a primeira opção nem pra nós mesmos. O Brasil é um acidente de percurso do qual se tenta tirar alguma vantagem para que o engano de rota não resulte em total perda de tempo.
Se você discorda, se ainda acredita que um dia seremos um país íntegro, digno, consistente, me declaro invejosa da sua fé. Sou uma ratazana descrente que não abandona o navio porque tem parentes no convés, apenas por isso.
Sorte a minha, e provavelmente a sua, de que colecionamos algumas vitórias particulares: amigos fiéis, o gosto pela música, amar e ser amado, gozar de boa saúde, poder ir ao cinema de vez em quando, não ter vergonha do passado e acreditar-se merecedor de um banho de sol, de um banho de mar, de um banho de chuva, essas trivialidades naturais que mantêm o corpo e a alma azeitados. A vida vale a pena em sua simplicidade, aquela que ainda comove, pois rara.
Mas não nos gabemos, pois ainda que nossa família nuclear e nossa trajetória pessoal não nos envergonhem, somos todos habitantes de uma pátria órfã.

UFRGS - REDAÇÃO

A Prova de Redação do Vestibular deste ano apresentou aos candidatos o artigo “Pai da Pátria”, da escritora gaúcha Martha Medeiros. Os vestibulandos foram provocados a escrever uma redação dissertativa expondo seu ponto de vista a respeito das ideias da autora sobre o Brasil. A prova apresentou o seguinte enunciado: “Você deve se posicionar a respeito das ideias da autora sobre o Brasil: contestá-las parcial ou integralmente; aprová-las parcial ou integralmente.”
Em Pai da Pátria, Martha Medeiros traz vários recursos que a permitem formular o seu ponto de vista de maneira muito clara. Há metáforas, ironias, argumentos e exemplos, entre outros recursos, tudo a serviço das ideias defendidas pela autora. “Quem me dera ser crédula, confiante. Do tipo que admite estarmos em meio a uma crise medonha, mas que dela brotará um Estado maior, melhor. Já fui assim otimista, mas o tempo passou e me cobrou mais lucidez e coragem para encarar a realidade. Agora não me é mais dada a alternativa de embarcar num faz de conta, acreditar em devaneios: o fato é que sempre estivemos irreversivelmente lascados...”, escreve a autora. (texto completo)
Os candidatos foram convidados a considerar que o seu texto fosse lido pela autora, contendo, assim, uma opinião bem fundamentada, com argumentos que sustentassem o ponto de vista, para que a autora entendesse claramente o posicionamento adotado.
A redação deveria conter de 30 a 50 linhas, além do título. O texto será avaliado em duas modalidades – analítica e holística – por examinadores distintos, e cada um atribuirá escores independentes entre 0 e 10. Se os escores atribuídos pelos avaliadores tiverem um distanciamento maior ou igual a 2,5 pontos, será considerado que houve discrepância na avaliação da redação. Nesse caso, a redação será reavaliada por outro examinador, que irá ponderar sobre a propriedade das duas avaliações anteriores, equilibrar e/ou atribuir novo escore, para desfazer a discrepância e registrar os novos resultados.