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11 de abril de 2018

FUNDAÇÃO CARLOS CHAGAS

A priori, muitos candidatos têm medo da FCC e de sua alta exigência seja na prova como na redação. Contudo, aqueles que estão estudando com os Professores  certamente desenvolveram habilidades e competências de modo que esse desafio seja encarado de forma mais tranquila.
A redação da FCC requer estratégias específicas, tais como:
  1. Compreender o comando da redação
Por incrível que possa parecer, uma boa redação da FCC começa com a compreensão do comando da redação. Na maioria das vezes, o comando ou texto motivador traz uma reflexão filosófica, sociológica e histórica de algum pensador da área das Ciências Humanas. A partir do fragmento, o aluno precisa compreender e interpretar quais são os aspectos que a FCC quer que o candidato explore.
  1. Destacar as palavras-chave
Uma técnica que pode ajudar é destacar as palavras-chave do comando da redação. A partir delas fica mais fácil selecionar quais argumentos serão desenvolvidos.
  1. Aspectos essenciais
Recomendo que seu texto tenha 4 parágrafos: uma introdução, na qual será apresentada a tese; 2 parágrafos argumentativos (Arg.1 e 2); e uma conclusão, na qual será retomada a tese e será apontada possibilidades/caminhos de como solucionar a problemática levantada no comando da redação;
Não usar título;
Dar espaço nos parágrafos e evitar rasuras;
No processo argumentativo, usar de maneira contextualizada e correta, conceitos e reflexões de pensadores de renome sobre o assunto – isso sofistica a fundamentação teórica.
Feitas essas considerações, ficam aqui as minhas apostas de temas -são só especulações, até mesmo porque não sou a “Mãe Diná” rsrs-:
  • Dilemas da Urbanização -adensamento urbano, gentrificação, segregação socioespacial-
  • Mudanças no Mundo do Trabalho -economia informal, empreendedorismo, flexibilidade nas relações trabalhistas, reformas trabalhistas, reforma previdenciária-
  • Ética nas relações humanas -podendo dar ênfase numa reflexão sobre corrupção-
  • Desafios ambientais -aquecimento global, desastre de Mariana, saída dos E.U.A do Acordo de Paris-
  • A espetacularização da vida no “mundo virtual” -tecnologias, informação e desinformação, participação-
  • Os limites entre a liberdade de expressão e o discurso de ódio
  • Banalidade da violência -a FCC pode explorar tipos de violência urbana: contra a mulher, contra o idoso, contra a criança e o adolescente, tráfico de drogas, etc.-
  • Relações democráticas (justiça, construção intersubjetiva de verdades)
  • Crise Migratória no século XXI -atentar-se para a maior crise humanitária: caso da Síria-
  • Inclusão X Exclusão -pessoa com deficiência, desigualdades sociais-
  • Discriminação racial e Preconceito Social

10 de abril de 2018

SÃO OPÇÕES AOS TREINEIROS

Todo ano o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) surpreende milhões de estudantes ao propor o tema de redação, sempre vinculado aos direitos humanos, mas nunca totalmente “previsível”.
Em 2017, por exemplo, apenas 53 pessoas gabaritaram obtendo a nota 1.000 no texto sobre a “formação educacional dos surdos” (Direitos Humanos de Pessoas com Deficiência).
Já em 2016, houve 77 gabaritos sobre a dissertação acerca da “intolerância religiosa no Brasil” (Direito à Liberdade de Pensamento, Consciência e Religião). E então, o que esperar de 2018?
Para tentar responder a essa indagação podemos formular algumas hipóteses com base no histórico de temas e na diretriz dos direitos humanos como eixo norteador, observando-se que a proposta de redação sempre enfoca um problema social de grande relevância ou uma situação a ser problematizada. Vamos lá?!
  1. Necessidade de educação para a mídia no Brasil
  2. Vida moderna: estresse, ansiedade e depressão
  3. Favelização e gentrificação (processo de alteração das dinâmicas da composição de um local, valorizando a região e afetando a população de baixa renda que ali habita) como entraves da qualidade de vida da população
  4. Saúde da gestante e violência obstétrica
  5. Efeitos da inversão da pirâmide etária nacional
  6. Avanço das DSTs entre os jovens brasileiros
  7. Desafios do combate aos distúrbios alimentares no Brasil
  8. Consequências da polarização como modo de pensar
  9. Privacidade e permanente vigilância na sociedade da informação
  10. Malefícios da politicofobia no Brasil

6 de abril de 2018

APENAS UMA NOTÍCIA

Governo proíbe abertura de novos cursos de medicina

 

Apenas uma notícia

Fenda pode separar Chifre da África do resto do continente


APENAS UM TEXTO

Uma boa parte da população que frequentou e frequenta a escola no Brasil (já que, infelizmente, ainda há pessoas que não têm acesso à educação no nosso país) pensa que escrever bem é, apenas, escrever corretamente, de acordo com a gramática normativa e com a norma culta da língua.
Porém, ser um autor proficiente é muito mais do que saber regras de ortografia, concordância, regência, conjugação verbal, pontuação etc. Um texto acima da média requer um autor que o planeje por meio de uma postura autoral, isto é, uma atitude responsável pelo o que se escreve e objetivar um texto autônomo e que tenha uma progressão textual adequada. É isso, muito mais do que escrever corretamente, que o participante deve fazer na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e de qualquer outra prova, vestibular ou concurso.
Um texto planejado é aquele que, ao lermos, percebemos que foi pensado e organizado de maneira a progredir, ou seja, é um texto no qual o autor sabe de onde partir e para onde ir, muito mais do que ter um começo, um meio e um fim ou uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. Há redações com todas estas “partes” bem estabelecidas, mas que não atingem uma progressão adequada em relação ao sentido, ao o que se quer dizer.
Assim, o Enem requer um texto coeso e coerente interna e externamente, que faça sentido no contexto da proposta e fora dela e é aqui que entra o conceito de autonomia.
Como devemos imaginar um leitor universal para o nosso texto e não o corretor ou o professor que o lerá (pois sempre escrevemos com algum objetivo, com uma motivação e, no caso da dissertação – argumentativa, nossa motivação é opinar sobre um tema e mostrar que o nosso ponto de vista é coerente) para alguém, para um leitor, devemos redigir um texto que “funcione” dentro e fora do contexto da prova, que qualquer um que não conheça a proposta do Enem possa ler e entender sem nenhum problema; é aquele texto que pode ser publicado em um jornal ou revista, por exemplo, sem nenhuma alteração.
Para tanto, deve-se possuir uma postura de autor e leitor proficientes ao longo de toda a jornada escolar e buscar no professor um mediador, uma pessoa que ajude nesse processo de tornar-se e formar-se um autor. Não basta ler muito para escrever bem, já que isso depende da concepção de leitura que temos. Quem pensa que ler é apenas decodificar, não será um bom autor, pois um bom autor lê reconstruindo o sentido do que lê, respondendo ativamente, concordando ou discordando, agregando, inferindo e reconhecendo os discursos ali presentes, as vozes as quais o autor daquele texto recorreu para escrever o seu (já que estamos sempre parafraseando o que já lemos, vimos ou ouvimos). O autor proficiente relaciona fatos, ideias e opiniões com as suas próprias concepções (terceira competência do Enem) em um texto autônomo, bem organizado e com progressão textual.
Um bom autor, por exemplo, não recorre à mera colagem dos textos da coletânea da proposta nem transforma essa cópia em fragmentados em um texto desarticulado, ou seja, apenas por copiar para preencher o vazio da folha em branco. Assim, além de mostrar que não conhece o tema proposto ou que não sabe utilizar seu conhecimento prévio para escrever, redige um texto com sérios equívocos de coesão e coerência, com muitos prejuízos à articulação interna.
Uma outra questão a qual o autor proficiente deve preocupar-se é com menção de dados incorretos: resultados de pesquisa, dados estatísticos, citações etc. Isso chama-se responsabilidade. O autor proficiente relaciona a coletânea com o que ele quer dizer.
O Enem busca autores com bom senso e criticidade, isto é, pessoas que saibam ponderar e que não escrevam sob fortes emoções e/ou sejam radicais, já que o radicalismo, por várias vezes, fere direitos fundamentais (quinta competência avaliada).
Assim, é importante fugir do senso comum e dos clichês. Por exemplo, muitos alunos colocam a culpa de todos os males do mundo no capitalismo, na influência das mídias (principalmente na televisiva) e da publicidade, na indústria da moda etc. Obviamente que há essa influência, mas ninguém nos obriga a nada. Caso numa proposta de redação sobre consumismo, por exemplo, o candidato afirmar que as pessoas consomem demasiadamente devido ao capitalismo e à influência da moda e nada mais, caiu no senso comum, pois é claro que somos bombardeados de propagandas, trocas de coleções, desfiles e o sistema capitalista objetiva o lucro, mas ninguém sai da TV, te pega pelo braço e te leva ao shopping para comprar uma roupa ou um celular novo. Por que as pessoas se deixam influenciar? O que elas buscam ao consumir tanto: preencher um vazio ou realmente comprar o que precisam? Quais as consequências disso?
Ir além, com progressão, planejamento e ser coerente é o que o Enem e os demais vestibulares e concursos que têm redações em suas provas buscam nos candidatos: um autor que entende a proposta (pois a prova de redação também é uma prova de leitura), conhece o tema e escreve um texto verdadeiramente autoral e autônomo; um texto, em todos os aspectos e não só nos gramaticais, nota 1.000, que dá vontade de ler de novo, pois é fluido, gostoso de ser lido e que lhe diga alguma coisa: o que o autor pensa.

4 de abril de 2018

TEMAS DE REDAÇÃO - ANTENEM-SE !!!


1. Textos de apoio para o tema “Desastres Ambientais: Qual o preço do desenvolvimento?”

Vários crimes contra a natureza são dolorosamente memoráveis. O primeiro a chamar atenção mundial foi a destruição da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, que matou pelo menos 150 mil japoneses e deixou o ambiente radioativo por décadas. Outra tragédia nuclear, a explosão de um reator na usina de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986, tirou a vida de 10 mil pessoas e afetou milhares de quilômetros de mata nativa.
Há ainda tristes lembranças como o derramamentos de óleo no mar do Alasca, em 1989, e na costa espanhola, no ano passado, além do vazamento de gases tóxicos em Bhopal, na Índia, em 1984, considerado o pior acidente químico da história.
Em nosso mosaico de desastres ecológicos, entraram fatos causados pelo homem que provocaram grande dano à natureza em um curto espaço de tempo.
“São catástrofes sérias por causa das perdas de vidas, mas são desastres pontuais. As verdadeiras tragédias ambientais ocorrem durante décadas e destroem ecossistemas locais”, afirma a naturalista Dejanira de Franceschi de Angelis, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro (SP). Exemplos disso são o avanço do buraco na camada de ozônio ou do efeito estufa, que podem comprometer a vida no planeta.
Há ainda o desmatamento das florestas brasileiras. Nos 503 anos de colonização, a Mata Atlântica perdeu 93% de sua cobertura original. Em um tempo bem menor – cerca de 30 anos – sumiram 20% da área da Amazônia e 80% do cerrado. “Esse último ecossistema deve levar milhões de anos para se recompor”, diz o biólogo José Maria Cardoso da Silva, da ONG Conservation International
Não é inesperado o que aconteceu em Mariana. Primeiro, pelos alertas dados pelo Ministério Público de Minas Gerais e por especialistas. Segundo, porque a mineração é uma atividade altamente agressiva e de elevado risco ambiental. A Vale está fazendo furos e deixando rejeitos em Minas Gerais há 70 anos. Não pode, diante de um desastre dessa proporção, soltar uma nota lacônica como se não fosse sua obrigação agir imediatamente.
A atividade mineradora no mundo inteiro tem uma série de procedimentos já consolidados ao longo do tempo para prevenir e mitigar desastre. Neste caso, se vê a cada novo passo da investigação que as empresas foram displicentes na prevenção e não demonstraram ter um plano de ação preparado para o caso de desastre. Prevenção e mitigação de danos é o mínimo que se pode exigir de uma empresa que lida com atividade de alto risco.



2 “A INTERNET FACILITOU A INFORMAÇÃO, MAS TAMBÉM RESTRINGIU A CAPACIDADE DE REFLEXÃO DAS PESSOAS.”

Com base na afirmação acima, construa um texto dissertativo-argumentativo, posicionando-se quanto à ideia expressa na frase.
OBSERVAÇÕES:  
1.    Seu texto deve ter, obrigatoriamente, de 25 A 35 linhas.
2.    Aborde o tema sem se restringir a casos particulares ou específicos a uma determinada pessoa.
3.    Formule uma opinião sobre o assunto e apresente argumentos que defendam seu ponto de vista.
4.    Não se esqueça de atribuir um título ao texto.
5.    A redação será considerada inválida (grau zero) nos seguintes casos:
·         modalidade diferente da dissertativa;
·         insuficiência vocabular, excesso de oralidade e/ou graves erros gramaticais;
·         constituída de frases soltas, sem o emprego adequado de elementos coesivos;
·         fuga ao tema proposto;
·         texto ilegível;
·         em forma de poema ou outra que não em prosa;
·         linguagem incompreensível ou vulgar;
·         texto com qualquer marca que possa identificar o candidato e;
·         texto em branco ou com menos de 18 (dezoito) linhas ou mais de 38 (trinta e oito) linhas.




3. Hi, I’m here.
Essa é a primeira frase dita pelo sistema operacional Samantha (voz por Scarlett Johansson). A simples saudação anima, pois parece fazer referência ao curta-metragem lançado por Spike Jonze em 2011 chamado “I’m here”. Nele, Jonze nos faz imergir em uma história onde a relação homem-máquina transcende a função instrumental, apresentando-nos a dois robôs que se apaixonam e nutrem um sentimento tão forte que o ato de doar-se para o outro é feito sem hesitar.
No curta, o diretor coloca em questão se os seres lógicos construídos com chips e peças possuem mais sentimento e amor ao próximo do que os feitos de carne e osso. Contudo, em Her, o diretor faz absolutamente o contrário, exibe um relacionamento que parecia ser improvável e que vai além da relação entre o homem contemporâneo e a tecnologia. […]
Embora criados para facilitar a vida humana, o personagem principal utiliza a tecnologia para tornar mais fácil a convivência consigo mesmo. Uma vez que estava carente de perspectivas de vida, apaixonar-se pela voz de seu computador não parecia tão ilógico. Ainda mais quando é uma voz como a de Scarlett Johansson. Entretanto, uma descrição grossa e curta sobre o filme, reduzindo-o em “uma história de um homem que se apaixona por uma versão ultra tecnológica da Siri” é injusta e não compreende as reflexões presentes no contexto.
Esse conceito bruto pode até ter sido o ponto de partida de Spike Jonze ao pensar em Her. No entanto, sua mise en scene é construída de tal forma que um romance entre homem e máquina soa lúcida e porque não possível? Como uma ode a Annie Hall, eles tentam adivinhar as vidas de pessoas aleatórias e o piquenique com os amigos de Theodore que acham Samantha uma ótima companhia são exemplos de cenas em que acreditamos nessa possibilidade.

“NOSSO MUNDO É CADA VEZ MAIS AMÁVEL, ESPECIALMENTE EM LOS ANGELES. NO ENTANTO, CADA VEZ UM SE SENTE MAIS ISOLADO E SÓ. NO FILME, NÃO SE SABE MUITO BEM SE ESSE FUTURO É UTÓPICO. MAS ACHO QUE NOSSA SOCIEDADE TENDE A ISSO. E, APESAR DE TUDO O QUE PRECISA, SENTE-SE CADA VEZ MAIS SÓ”

TEXTO II

Para Primo (1997), a tecnologia tem a capacidade de modificar a sociedade. Assim como a internet revoluciona a comunicação humana, criando comunidades mesmo sem proximidade física. “A comunicação humana pode definir-se como interação social através de mensagens ou como processo pelo qual as relações humanas existem”, (Alves, s.a., p. 1068). As relações humanas podem ser classificadas de duas formas: por contato primário ou direto e por contato secundário ou indireto. A primeira corresponde a um tipo de relação fisicamente presencial, face-a-face. À segunda as relações sem contato físico, normalmente mediadas por computador. A comunicação molda a cultura porque “nós não vemos … a realidade … como ‘ela’ é, mas como são nossas linguagens. E nossas linguagens são nossas mídias. Nossas mídias são nossas metáforas. Nossas metáforas criam o conteúdo de nossa cultura”, (POSTMAN apud CASTELLS, 1999, p. 354). Se a cultura é modificada pela comunicação, a alteração destes meios acarreta em quais mudanças sociais? Muito mais do que uma troca de mensagens, a comunicação vai além de uma linguagem. Marcondes (1948) coloca como um espaço de troca de informações, sensações e vivências com o outro. Sendo hoje realizada por meio de aparelhos e máquinas eletrônicas, o autor também revela que “as tecnologias tentam artificialmente reagregar um mundo de contatos humanos que na prática já está totalmente rarefeito, pulverizado”.

TENDO EM CONTA AS IDEIAS DOS TEXTOS, ALÉM DE OUTRAS INFORMAÇÕES QUE JULGUE RELEVANTES, REDIJA UMA DISSERTAÇÃO EM PROSA, NA QUAL VOCÊ EXPONHA SEU PONTO DE VISTA SOBRE O TEMA “A REVOLUÇÃO DAS RELAÇÕES PESSOAIS DO SÉCULO XXI”.









4. ÉTICA, RESPEITO E HONESTIDADE SÃO QUALIDADES ENALTECIDAS E ALVO DE PREOCUPAÇÃO DE PAIS E ESCOLAS, MAS DESVIOS SÃO TÃO FREQUENTES QUE LEVAM À PERGUNTA: É POSSÍVEL ENSINAR PRINCÍPIOS A OUTRA PESSOA?

No aconselhamento que o grupo promove em colégios, a instrução é criar um ambiente que estimule a autonomia e a autorregulação. “O professor deve dar às crianças condições de resolver problemas pela conversa, deixar que, num conflito, saiam de seu ponto de vista e percebam o do outro. Só assim se desenvolve a autonomia do dever moral”, diz a professora.
O colégio Bandeirantes, de São Paulo, dá curso de formação em ética para professores e funcionários e, nas salas de aula, mantém a disciplina Convivência em Processo de Grupo, que ocupa uma hora por semana do sexto ano ao fim do ensino médio, apresentando dilemas morais.
“A ideia é, sem mencionar a palavra ética ou moral, permitir que problemas relacionados apareçam naturalmente”, diz a coordenadora, Maria Estela Zanini.
Também para Giselle Magnossão, diretora do Albert Sabin, o ambiente é mais importante do que a aula expositiva para o estímulo da ética. No currículo, há momentos em que alunos são convidados a sustentar posições. “Não é preleção sobre respeito, mas um debate em que o aluno reflete e argumenta.”
É possível expandir para toda a comunidade a noção de que o ambiente é peça-chave na formação da moral.
Mesmo rechaçando a máxima de que o homem é produto do meio, Cortella diz que a conduta resulta em boa parte do
sistema de valores vigente, a que a pessoa adere “para não se sentir excluída”.
Microcosmos como o trânsito oferecem tubos de ensaio, afirma Giannetti. “Se você pegar um motorista carioca e levar a Zurique, em pouco tempo ele estará dirigindo como o suíço, e vice-versa”.
Mas o contrato social que rege a vida é mais quebradiço do que se pensa. Na Nova York de 1977, bastou um apagão de pouco mais de 24 horas, entre 13 e 14 de julho, para haver explosão no número de crimes: 1.600 lojas danificadas e mil incêndios foram reportados, levando a mais de 3.000 detenções.
Não é preciso ir tão longe em tempo e espaço: todo brasileiro deve se lembrar da greve de policiais militares no Espírito Santo, em fevereiro, que deixou 198 mortos em três semanas.
“Mesmo em sociedades avançadas, quando há o colapso da dimensão da submissão, rapidamente descamba-se para uma situação de guerra de todos contra todos”, afirma Giannetti. “E você percebe como é frágil esse acordo da ética cívica.”

TEXTO II

A SENSAÇÃO QUE SE TEM É QUE O BRASIL VIVE UMA CRISE ÉTICA E, NESSAS HORAS, SEMPRE SURGE A PROPOSTA DE AMPLIAR AS AULAS DE ÉTICA NAS ESCOLAS. MAS SERÁ QUE EXISTE UMA CORRELAÇÃO ENTRE ESTUDAR ÉTICA E SER ÉTICO?

O filósofo Eric Schwitzgebel, da Universidade da Califórnia, Riverside, tentou medir isso. Perguntou a professores de ética, isto é, gente que ganha a vida ensinando os outros sobre o que é certo e o que é errado, com que frequência votavam, ligavam para suas mães, respondiam a e-mails de alunos, comiam carne, doavam sangue, contribuíam para associações de caridade etc. e comparou suas respostas com as dadas por filósofos de outras especialidades e professores de outros cursos.
Schwitzgebel também foi aos arquivos para ver se os eticistas relutaram mais do que colegas de outras áreas em aderir ao nazismo ou se eles roubavam menos livros das bibliotecas. Os resultados, como o leitor já deve suspeitar, indicam que não há diferenças importantes nos comportamentos dos diversos professores.
Duas exceções são os livros —as chances de títulos de ética desaparecerem das estantes são 50% maiores do que os de outras matérias— e o abate de animais para consumo humano: 60% dos eticistas o condenaram, contra 19% dos professores de outras áreas. A diferença, contudo, despareceu quando se mediu a frequência com que comem carne: 38% dos professores haviam jantado um mamífero na noite anterior, contra 37% dos eticistas. Como dizia Terêncio, “sou humano e nada do que é humano me é estranho”.

TENDO EM CONTA AS IDEIAS DOS TEXTOS, ALÉM DE OUTRAS INFORMAÇÕES QUE JULGUE RELEVANTES, REDIJA UMA DISSERTAÇÃO EM PROSA, NA QUAL VOCÊ EXPONHA SEU PONTO DE VISTA SOBRE O TEMA “ÉTICA NO SÉCULO XXI”.







5. TEMA DE REDAÇÃO UNESP: SISTEMA DE COTAS PARA ACESSO À EDUCAÇÃO: AVANÇO OU RETROCESSO?


A Lei de Cotas nas universidades completa três anos neste sábado, 29. Mas há algo mais a comemorar. As metas da Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012, têm sido atingidas antes mesmo do previsto pelas 128 instituições federais de ensino que participam do sistema.
A lei reserva no mínimo 50% das vagas das instituições federais de ensino superior e técnico para estudantes de escolas públicas, que são preenchidas por candidatos autodeclarados pretos, pardos e indígenas, em proporção no mínimo igual à presença desses grupos na população total da unidade da Federação onde fica a instituição.
Em 2013, o percentual de vagas para cotistas foi de 33%, índice que aumentou para 40% em 2014. Para se ter uma ideia do avanço, a meta de atingir 50% está prevista para 2016. Do percentual de 2013, os negros ficaram com 17,25%. O número subiu para 21,51% em 2014.
Até agora, de acordo com projeção da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), a medida já abriu aproximadamente 150 mil vagas para negros.
A norma também garante que, das vagas reservadas a escolas públicas, metade será destinada a estudantes de famílias com renda igual ou inferior a 1,5 salário mínimo.

2 de abril de 2018

SEM MEDO DE ERRAR


Nos tempos do jogos liberados e cassinos em funcionamento no Brasil, muitas pessoas arriscavam seu dinheiro nas roletas, tais quais vemos e filmes e documentários sobre Las Vegas, por exemplo. E para exemplificar como a deusa da Fortuna (Tiké, em grego) é volúvel, segundo alguns, ou cega, segundo outros, Nelson Rodrigues imortalizou esta canção:
‘Jogo no pano…jogo…feito! … Vermelho 27!’
Vermelho vinte e sete
Quando a sorte caprichosa o abandonou
Vermelho vinte e sete
Cada amigo num estranho se tornou.
Os ossos do banquete aos cães ele atirou,
A vida honra tudo,
Num lance ele arriscou…
“Jogo…jogo…feito! Preto 17!”
Deu preto dezessete
Nem um cão entre os amigos encontrou!”
Por que não foi empregado ‘nenhum’? Bem, se existem as duas formas escritas, é porque ambas são necessárias, pois se enquadram em situações diferentes!
Vejamos cada caso:
  • Nem um(a) – é equivalente a ‘sequer um(a’):
    Não havia no poço nem uma gota d’água = Não havia uma gota sequer.
    Não me sobrou nem um real. = Não me sobrou um real sequer.
    Nesses casos o termo um(a) é numeral.
  • Nenhum(a) – corresponde ao termo ‘algum’ posposto ao substantivo:
    Este documento não tem nenhum valor. = Não tem valor algum.
    Nenhum remédio cura esse mal. = Remédio algum.
    Agora o termo é um pronome indefinido.
Então, como dica, use nem um(a), separado, quando tiver o mesmo sentido de “nem um sequer”, “nem uma única”, “nem um único”, “nem um só”, “nem uma sequer”, ou seja, quando estiver em jogo ideia numérica, de quantidade.
E use nenhum (a), junto, quando puder substituir o termo por seu antônimo “algum (a)” ou por “ninguém” e “nada”, isto é, quando a intenção for indefinir a ideia. Como na canção do Beto Guedes:
“Anda, quero te dizer nenhum segredo
Falo desse chão, da nossa casa, vem que tá na hora de arrumar
Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante, nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo pra banir do mundo a opressão(…)”
Ele quer dizer ‘segredo algum’, uma ideia indefinida!
Assim, se na fala não há problemas, na escrita devemos ter em mente essa distinção, senão corremos risco de errar!

1 de abril de 2018

Terceiro Ano do Ensino Médio em Escolas Públicas


No início deste mês o Ministério da Educação (MEC) publicou o Edital do Enem 2017 – Exame Nacional do Ensino Médio – confirmando as mudanças que já haviam sido antecipadas pelo próprio governo . A única novidade que consta no Edital e que não foi anunciada antes foi o valor da taxa de inscrição, que subiu de R$ 68 (Enem 2016) para R$ 82 neste ano.
Apesar da elevação do custo da inscrição no exame nacional, o MEC continuará concedendo a isenção ou gratuidade para a maioria dos candidatos, como vinha ocorrendo nas últimas edições. Neste artigo vamos esclarecer quais os três grupos de participantes que poderão se inscrever no Enem de graça, lembrando que o prazo para cadastro ficará aberto entre 8 e 19 de maio.

Terceiro Ano do Ensino Médio em Escolas Públicas

Estudantes que vão concluir o ensino médio neste ano e estão regularmente matriculados em escolas da rede pública de todo o país terão isenção automática dos 82 reais da inscrição. Ao preencher o campo “escolaridade” no formulário, o sistema do Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – reconhecerá imediatamente que a instituição é pública e concederá o benefício.

ENEM E A ISENÇÃO


Na próxima segunda-feira, 2 de abril, o Inep – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – começa a receber os pedidos de isenção da taxa de inscrição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2018), cujo valor será novamente de R$ 82,00, assim como no ano passado.
Os candidatos terão prazo até dia 11 do mesmo mês de abril para fazer a solicitação pela internet, por meio da página de isenção do Ministério da Educação (MEC), após cadastro na sessão Isenção 2018.
A senha gerada nesse processo será a mesma para a inscrição no Enem e para consultar o Cartão de Confirmação da Inscrição. Vale mencionar que esta foi uma das principais novidades anunciadas no Edital desta edição, primeira na qual o participantes farão o requerimento do gratuidade antes mesmo do prazo de inscrições.
As regras para solicitação continuam basicamente as mesmas do Enem 2017 , sendo que pode pedir o benefício o inscrito que se encaixar numa das seguintes situações:
  • está regularmente inscrito no terceiro ano do ensino médio em escola da rede pública de ensino (isenção automática);
  • prestou o Encceja 2017 e obteve a pontuação exigida para certificação do ensino médio;
  • cursou todo o ensino médio em escola pública e possui renda familiar máxima de 1,5 salário mínimo por pessoa (Lei nº 12.799/2013);
  • inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), através do Decreto nº 6.135/2007.
O resultado informando se o candidato teve seu pedido de isenção aprovado ou não sairá em 23 de abril, no próprio sistema online. Aquele cuja solicitação foi negada terá prazo para entrar com recurso desta mesma data até 29 de abril.
Todos os participantes, incluindo aqueles que conquistaram o benefício da isenção, deverão efetivar sua inscrição no Enem 2018 na página do participante, no prazo entre 10h de 7 de maio e 23h59min do dia 18 seguinte.

Ausentes no Enem 2017 Têm que Justificar Falta

Estudantes que se inscreveram no Enem 2017 como isentos e faltaram às provas deverão justificar a ausência para continuar com direito ao benefício neste ano. O procedimento também será feito no portal do Inep, por meio de documentos digitalizados como atestado médico, documento judicial, certidão pública ou boletim de ocorrência que comprove e justifique a ausência.
Quem tiver a justificativa reprovada após recurso e quiser se prestar o exame nacional deverá pagar o valor da taxa de inscrição, entre 7 e 23 de maio.