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2 de abril de 2018

SEM MEDO DE ERRAR


Nos tempos do jogos liberados e cassinos em funcionamento no Brasil, muitas pessoas arriscavam seu dinheiro nas roletas, tais quais vemos e filmes e documentários sobre Las Vegas, por exemplo. E para exemplificar como a deusa da Fortuna (Tiké, em grego) é volúvel, segundo alguns, ou cega, segundo outros, Nelson Rodrigues imortalizou esta canção:
‘Jogo no pano…jogo…feito! … Vermelho 27!’
Vermelho vinte e sete
Quando a sorte caprichosa o abandonou
Vermelho vinte e sete
Cada amigo num estranho se tornou.
Os ossos do banquete aos cães ele atirou,
A vida honra tudo,
Num lance ele arriscou…
“Jogo…jogo…feito! Preto 17!”
Deu preto dezessete
Nem um cão entre os amigos encontrou!”
Por que não foi empregado ‘nenhum’? Bem, se existem as duas formas escritas, é porque ambas são necessárias, pois se enquadram em situações diferentes!
Vejamos cada caso:
  • Nem um(a) – é equivalente a ‘sequer um(a’):
    Não havia no poço nem uma gota d’água = Não havia uma gota sequer.
    Não me sobrou nem um real. = Não me sobrou um real sequer.
    Nesses casos o termo um(a) é numeral.
  • Nenhum(a) – corresponde ao termo ‘algum’ posposto ao substantivo:
    Este documento não tem nenhum valor. = Não tem valor algum.
    Nenhum remédio cura esse mal. = Remédio algum.
    Agora o termo é um pronome indefinido.
Então, como dica, use nem um(a), separado, quando tiver o mesmo sentido de “nem um sequer”, “nem uma única”, “nem um único”, “nem um só”, “nem uma sequer”, ou seja, quando estiver em jogo ideia numérica, de quantidade.
E use nenhum (a), junto, quando puder substituir o termo por seu antônimo “algum (a)” ou por “ninguém” e “nada”, isto é, quando a intenção for indefinir a ideia. Como na canção do Beto Guedes:
“Anda, quero te dizer nenhum segredo
Falo desse chão, da nossa casa, vem que tá na hora de arrumar
Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante, nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo pra banir do mundo a opressão(…)”
Ele quer dizer ‘segredo algum’, uma ideia indefinida!
Assim, se na fala não há problemas, na escrita devemos ter em mente essa distinção, senão corremos risco de errar!
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