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26 de junho de 2016
A gente aprende lendo: sinalize elemento fora de lugar
A gente aprende lendo: sinalize elemento fora de lugar
Um componente da oração fora de lugar precisa sempre ser sinalizado ao leitor. No início da frase, então, é fundamental. Se forem duas ou mais palavras, coloque vírgula, é obrigatória; se for apenas uma palavra a vírgula não é obrigatória. É comum em citações de tempo (ano, mês, dia, hora, estação, lugar, situação). Em todos os casos, o texto ganha ritmo, e o leitor agradece, principalmente a pessoa que lê as redações e as respostas das questões cursivas das provas. Veja exemplos de autores consagrados.
1 – Às seis da manhã, quando o telefone deu o despertar, eu estava sentando na ponta da cama.Chico Buarque, em Budapeste, 2004, Prêmio Jabuti melhor livro do ano de ficção.
Note que a ordem direta seria: Eu estava sentando na ponta da cama quando o telefone deu o despertar, às seis da manhã.
Note que a ordem direta seria: Eu estava sentando na ponta da cama quando o telefone deu o despertar, às seis da manhã.
2 – Meio desconfiados, abrimos caminho naquele mundo de gente ao longo do bar e fomos nos refugiar no restaurante aos fundos.Fernando Sabino, em Neve pela primeira vez, in O Gato sou eu (1983).
Veja que bastaria colocar “Meio desconfiados”, com vírgula, ao final para termos ordem direta.
Veja que bastaria colocar “Meio desconfiados”, com vírgula, ao final para termos ordem direta.
3 – Nesse diário, quase toda página é digna de menção.Frase de Elias Canetti, prêmio Nobel de literatura, em Sobre a morte (1942-1993).O início destacado deveria estar no fim da frase para termos ordem direta: Quase toda página é digna de menção nesse diário.
4 – Nunca, desde que me dei por gente, já disse “Senhor” para alguém.Frase também de Elias Canetti, na mesma obra.
Tanto a palavra nunca (citação temporal), como a frase seguinte, estão fora de lugar, por isso, estão separadas por vírgula nos dois casos. Na ordem direta, a frase começaria com o pronome ausente (eu, o sujeito) e seu verbo: (Eu) nunca já disse “Senhor” para alguém, desde que me dei por gente.
Tanto a palavra nunca (citação temporal), como a frase seguinte, estão fora de lugar, por isso, estão separadas por vírgula nos dois casos. Na ordem direta, a frase começaria com o pronome ausente (eu, o sujeito) e seu verbo: (Eu) nunca já disse “Senhor” para alguém, desde que me dei por gente.
5 – No dia 15 de novembro pela manhã, o ministério estava reunido no quartel-general do exército, que era no Campo de Santana, hoje Praça da República, sob a guarda de uns dois mil homens comandados pelo brigadeiro Almeida Barreto.Graciliano Ramos, em Pequena história da república, no livro Alexandre e outros heróis (1938).
Note que a ordem direta começa em “O ministério estava reunido…” O autor deslocou a citação de tempo do final do período para melhor situar o leitor para a manhã do dia da Proclamação da República.
Note que a ordem direta começa em “O ministério estava reunido…” O autor deslocou a citação de tempo do final do período para melhor situar o leitor para a manhã do dia da Proclamação da República.
Conheça – e evite – a falácia do falso dilema
Conheça – e evite – a falácia do falso dilema
Saber argumentar é necessário para mandar bem nas provas de redação que pedem dissertações, como a do Enem e a de outros vestibulares. Mas não só: essa habilidade é também fundamental para que você possa construir e defender suas opiniões em qualquer outro contexto.
Uma argumentação, quando utiliza o raciocínio, pode ser bem construída ou falaciosa. Quando bem construída, sua tese é apoiada por evidências organizadas de forma lógica. Quando falaciosa, contém uma falácia, ou seja, um erro de raciocínio que leva a uma conclusão incorreta (embora possa ser, muitas vezes, bem convincente).
Falácias podem ser usadas de propósito, visando manipular opiniões, mas é muito mais comum que ocorram por acidente, sem que se tenha essa má-fé: nenhum de nós está livre de cometer esse tipo de erro, seja por falta de atenção, por falta de conhecimento ou por não termos tido tempo de pensar melhor no que estamos dizendo.
É preciso ficar atento ao fato de que encontrar um argumento falacioso não quer dizer que a tese defendida está necessariamente incorreta – significa apenas que aquele determinado argumento não é válido. (Se todos os argumentos que apoiam a tese são falaciosos, no entanto, é necessário repensá-la!).
Em uma série de posts que começa agora, vamos apresentar algumas das falácias mais comuns e apresentar exemplos de cada uma. Saber reconhecê-las é útil não apenas para defender suas opiniões, mas também para refutar argumentos que parecem confiáveis, mas são falsos. Nossa primeira falácia é a do falso dilema.
Falso dilema
Envolve apresentar um número limitado de alternativas – na maioria das vezes, fala-se como se houvesse apenas duas – quando, na verdade, há mais. Essa falácia está ligada a uma visão limitada e simplista, que não leva em conta as múltiplas variáveis e contextos envolvidos em uma situação.
Exemplo:
No comentário acima, o autor admite apenas duas alternativas: um governo comandado por militares ou um governo semelhante ao de Fidel Castro, que levaria tanto o Brasil quanto o Chile a uma história igual à de Cuba (que ele diz ter ficado “presa ao passado” devido a esse governo).
Esse argumento ignora outras possibilidades de formas de governo (que não fossem nem a de uma ditadura militar nem a de uma ditadura comunista) e de desdobramentos da forma de governo escolhida (sem os militares, os países necessariamente teriam o mesmo destino que Cuba, mesmo com características históricas, sociais, naturais e econômicas distintas).
Veja outros exemplos:
Aqui, são aceitas apenas duas situações possíveis: ter votado na Dilma e não poder reclamar posteriormente de preços altos, ou não ter votado e aí, sim, ter o direito de reclamar. Acontece que uma pessoa tem o direito de reclamar sobre o que bem entender e esse direito não está vinculado ao seu voto em um ou outro candidato. Logo, uma pessoa pode ter votado na Dilma e reclamar, bem como não ter votado e não querer reclamar.
O tuíte acima comete um erro comum em discussões sobre temas polêmicos: reduzir uma situação complexa a apenas dois lados possíveis. Ignora-se que é possível não concordar com nenhuma das duas partes apresentadas, ou concordar apenas parcialmente com uma delas ou até mesmo com as duas.
Embora condene a generalização, o post acima começa com uma – o que também é uma falácia, mas trataremos dela em outro post. O que nos interessa aqui é novamente aquele papo de preto-ou-branco: se você tem medo da polícia, tem que ser “vagabundo, bandido, desordeiro”, pois gente de bem não tem por que temê-la. Acontece que há muitos “vagabundos e bandidos” que não têm medo algum da polícia, bem como inúmeras pessoas “de bem” que a temem: há motivos variados para a presença ou a falta desse medo, que não se resumem ao fato de a pessoa ter cometido ou não um crime.
Fica a sugestão para um exercício: dê uma olhada nos posts que aparecem no seu feed do Facebook e veja quantos falsos dilemas você consegue encontrar. Nestes tempos de crise política, o número provavelmente será bem elevado.
5 erros que você deve evitar para não ter nota baixa na redação do Enem
5 erros que você deve evitar para não ter nota baixa na redação do Enem
A redação do Enem é uma das partes mais importantes do exame. Quando bem feita, pode aumentar a média final da prova – por isso, é essencial que o estudante se dedique a ela, não importa qual curso queira fazer.
E para ajudar você a mandar bem na redação do Enem, listamos aqui alguns dos erros mais comuns que o estudante deve evitar enquanto escreve o texto. Confira!
– Tome cuidado com radicalismos. A banca quer que a defesa do ponto de vista ocorra com argumentos e posições claras, racionais e, principalmente, respeitosas. Por isso, evite usar qualquer expressão extremista, mesmo que sejam termos como “nunca”, “sempre”, “jamais”.
– Evite usar clichês, provérbios e citações sem critério. Você pode acabar errando o autor da expressão (o que pega muito mal), ou até mesmo usá-la fora de contexto, o que pode direcionar a sua redação para um lado que você não quer.
– Rebuscar demais as palavras também não é uma boa ideia. Seu texto pode ficar sem fluência e clareza, dificultando a compreensão do corretor. Lembre-se: linguagem formal não é sinônimo de linguagem complicada.
– O uso da linguagem oral também deve ser bem pensado. Expressões coloquiais e gírias, como “irado”, não são adequadas a um texto que exige a norma culta da língua.
– Erros de gramática: esse nem precisa explicar, não é? Deslizes graves de regras do português podem descontar muitos pontos da sua redação. Se houver dúvida na hora de usar algum termo, procure trocá-lo por outra palavra mais segura, para não arriscar.
| O que pode zerar a sua redação |
| Fugir do tema; |
| Fugir do tipo dissertação; |
| Texto com até 7 linhas; |
| Impropérios, desenhos e deboches; |
| Desrespeito aos direitos humanos (racismo, xenofobia e homofobia); |
| Folha de redação em branco. |
De novo: como fazer uma boa produção textual ? Dica
O passo a passo para uma redação nota 10
A maior parte das segunda fases dos vestibulares está por vir e com elas, as provas de redação. Tão temida por alguns alunos, esta prova exige leitura, conhecimento, vocabulário e boas ideias. Porém, mesmo combinados, estes ingredientes não garantem um dez na hora da correção. Conhecer “o esqueleto” de uma dissertação é essencial para que se faça textos completos, estruturados, gostosos de se ler e criativos. Não existe fórmula para compor uma boa redação, é verdade; mas com com a nossa explicação sobre cada parte da redação e algumas dicas, é possível que você melhore (e muito) a sua média! É tudo uma questão de: planejamento.
A estruturaGeralmente, a redação no vestibular é uma dissertação, ou seja, uma análise de uma ideia ou fato. O texto precisa ser objetivo, lógico, expositivo (quando se trata de um fato) ou argumentativo (quando se trata de ideias). É preciso ter início, meio e fim? Sim, sim e sim! Porém, num texto dissertativo nomeamos estas etapas como introdução, desenvolvimento e conclusão. Por isso é preciso que a redação tenha, no mínimo, três parágrafos – mas, o desenvolvimento, geralmente, se desdobra em dois ou três parágrafos. Cada um deles, composto por, no mínimo, dois períodos. É bacana fazer um planejamento do número de linhas, como esse exemplo:
1. Introdução (4 a 6 linhas) – Tema + 2 argumentos, um em cada parágrafo;
2. Desenvolvimento do 1º parágrafo (8 a 9 linhas) – Desenvolvimento do 1º argumento;
3. Desenvolvimento do 2º parágrafo (8 a 9 linhas) – Desenvolvimento do 2º argumento;
4. Conclusão (4 a 6 linhas).
Claro, há que se levar em consideração o número de linhas pedido pela prova para escrever a sua redação neste modelo, verdade. Entretanto, ele pode ser utilizado para qualquer dissertação: garante a organização e a coerência da estrutura da redação.
A introduçãoÉ aqui que você deve apresentar o tema que será discutido ao longo da dissertação. O ideal é que isso seja feito de maneira breve, de preferência em dois ou três períodos curtos. O importante é observar que cada argumento presente no parágrafo introdutório aumenta um parágrafo de desenvolvimento, ok? Numa boa introdução, é necessário que você escreva sobre:
– O tema da redação;
– As partes em que o tema foi dividido, na ordem em que vão ocorrer no desenvolvimento;
– Somente argumentos que serão desenvolvidos (do contrário, pode “empobrecer” o seu texto, cuidado!)
– As partes em que o tema foi dividido, na ordem em que vão ocorrer no desenvolvimento;
– Somente argumentos que serão desenvolvidos (do contrário, pode “empobrecer” o seu texto, cuidado!)
Tenha muita cautela ao iniciar falando de coisas que não se referem diretamente ao assunto, como “Este é um tema muito complexo.” ou “Há poucos livros que sejam realmente práticos.” Evite ser prolixo: vá direto ao assunto. A introdução deve conter apenas dados realmente ligados ao tema proposto. Informações adicionais, além de desviar o leitor, podem o confundir. Fugir do oposto também é uma boa rota, ou seja, não seja objetivo demais e omita informações necessárias para a compreensão do que virá a seguir.
Dica válida e importante: Alguns professores indicam que se deixe para escrever a introdução após desenvolver o texto, pois as ideias já estarão mais expostas e isso facilitará colocá-las como tema e as suas partes. Você pode tentar fazer alguns rascunhos desta maneira para ver como se sai. Talvez seja a forma perfeita para organizar suas ideias. Caso não funcione deste modo, vale voltar para o formato linear, com introdução, desenvolvimento e conclusão. Não tenha medo de se aventurar!
O desenvolvimentoAqui, há diversas formas de desenhar o que será escrito. O mais interessante é dividir o primeiro parágrafo em três tipos de frases: frase essencial, frase principal e auxiliar. A principal desenvolve diretamente a frase essencial (que deve ser a primeira do parágrafo, vale lembrar) e acrescenta algo sobre ela. A auxiliar ajuda a desenvolver tanto a frase principal como a essencial. Feito isso, você pode passar a desenvolver suas ideias. Chega a hora do texto em que você fica livre para citar exemplos – além de se mostrar próximo ao tema, o torna mais concreto e atraente. Pode ser tanto algo que diz respeito à sua história pessoal como uma situação que viu ou vivenciou por aí.
Deve haver um cuidado especial quanto ao entrelaçamento dos parágrafos. A ordem lógica não é suficiente dentro de um parágrafo; o escritor deve buscar também a logicidade entre eles. A relação de uma frase com a outra, de um parágrafo com outro; é necessário que ela fique clara ao leitor, certo?
A conclusãoÉ aqui que muitos estudantes travam. A conclusão, que deveria ser a parte mais fácil, acaba se mostrando uma grande cilada. Quantas e quantas vezes escrevemos belas introduções e ótimos desenvolvimentos, porém, ficamos sem saber como finalizar o texto com um impacto positivo? Muitos escritores pensam que concluir é colocar uma frase de efeito que denote o fim, ou, reforce tudo que já foi dito. É aí que eles se enganam. Na conclusão, você deve acrescentar algo ao invés de repetir um argumento já utilizado. Nada de se desculpar por não saber muito sobre o tema ou ter lido pouco!
Se a conclusão deve ter uma frase de encerramento, que frase é essa? Uma conclusão da conclusão. Sim, isso mesmo: pode conter uma mensagem de otimismo, uma advertência, uma referência ao título, uma citação. Um recurso legal que muitos utilizam é resgatar algo que foi dito na introdução,apresentar uma solução, brincar com os argumentos, sempre deixando claro o seu posicionamento ou ideia. Sem drama, você estará livre e poderá respirar aliviado ao entregar a folha preenchida, bem estruturada, dentro do tempo previsto. Boa sorte!
A gente aprende lendo
A gente aprende lendo: 4 exemplos de figuras de linguagem na literatura
Hora de lembrar das aulas de português! As figuras de linguagem são recursos que tornam mais expressivas as mensagens. Subdividem-se em figuras de som, figuras de construção, figuras de pensamento e figuras de palavras. Veja como alguns autores da literatura brasileira as usaram na composição de suas obras:
1. Abelhas
Gotas de luz e perfume,leves, tênues, delicadas,
Acesas no doce lume
de purpúreas alvoradas.
Acesas no doce lume
de purpúreas alvoradas.
- O poeta simbolista Cruz e Souza usa sinestesia, associa palavras de uma sensação humana para descrever outra.
2. Canção
Pus o meu sonho num navioe o navio em cima do mar;— depois, abri o mar com as mãos,para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadasdo azul das ondas entreabertas,e a cor que escorre dos meus dedoscolore as areias desertas.
- Cecília Meireles constrói uma metáfora (colocar o sonho em um navio) e usa sinestesias (azul que molha, cor que escorre) para reforçar a ideia de infinita perda, no livro Viagem.
3. A hora da estrela
“Você, Macabéa, é um cabelo na sopa. Não dá vontade de comer. Me desculpe se eu lhe ofendi, mas sou sincero. Você está ofendida?”
- Clarice Lispector utiliza uma metáfora que sugere a crueza, o machismo e o universo pobre do namorado-narrador e da personagem.
4. Gente humilde
(…) São casas simples, com cadeiras na calçadaE na fachada escrito em cima que é um larPela varanda, flores tristes e baldias (*)Como a alegria que não tem onde encostarE aí me dá uma tristeza… (…)
- Vinicius de Moraes e Chico Buarque de Holanda inserem uma sutil prosopopeia – personificando as flores – na letra para a canção do compositor Garoto.
(*) Baldias = inútil, sem uso.
3 fatos sobre a vírgula que você precisa saber
3 fatos sobre a vírgula que você precisa saber
A vírgula é, de longe, o sinal de pontuação que mais confunde a cabeça das pessoas. Dependendo de como ela é usada, pode mudar completamente o sentido de uma frase. Um exemplo famoso:
– Não, espere.
– Não espere.
Com vírgula, é um pedido para esperar. Sem vírgula, para que vá embora. Olha só! Uma vírgula pode até salvar um relacionamento ou destruí-lo. Perigoso, hein? 
Depois de ler o resumo do GUIA DO ESTUDANTE com algumas regrinhas do bom uso da vírgula, vale a pena conferir 3 fatos sobre o sinal de pontuação que você talvez não conheça! Vamos lá:
– A vírgula não existe para marcar pausas
No livro Guia Prático do Português Correto, o professor Cláudio Moreno explica que a pontuação baseada nas pausas tem origem na Idade Média. Naquela época, o hábito da leitura silenciosa ainda não era uma prática muito comum. O normal mesmo era ler em voz alta, e os sinais de pontuação serviam, por isso, para marcar as pausas e as entonações. Essa norma durou por muitos séculos e vigorou, ao menos no Brasil, até a década de 1960. Se você está no ensino médio agora, a chance de seus pais e avós terem aprendido ainda nesse modelo é grande.
Até por isso, muitas pessoas acabam separando o sujeito do predicado com a vírgula porque entendem que ali está uma pausa. Leia as frases a seguir em voz alta e tente identificar o local em que elas farão uma pausa mais marcada:
– Os quatro jogadores da Seleção Brasileira# chegaram ontem aos Estados Unidos.
– A janela, a porta e a geladeira# foram compradas na loja do meu tio.
A chance de o “respiro” cair onde estão marcados os # é grande (exatamente na divisão entre sujeito e predicado). Como vocês vão ler no próximo ponto, a função da vírgula hoje é bem diferente. Assim como as outras pontuações, ela é usada para orientador o leitor na interpretação do que está escrito.
– Colocar vírgula entre sujeito e predicado é proibido? Não é bem assim…
Ao contrário da acentuação e da ortografia, em vez de regras, a pontuação tem um princípio fundamental: ajudar o leitor a processar de forma rápida e correta o que está escrito. Desse princípio surgiram diversos procedimentos que a prática (e não a regra acadêmica) veio refinando ao longo do tempo. A recomendação é que os sinais sejam usados apenas nos locais em que o leitor precise ser avisado de que algo diferente está acontecendo. Isso faz com que ele não perca o fio da meada e tenha uma leitura fluída do texto. Não se recomenda colocar vírgula entre sujeito e predicado ou entre o verbo e seus complementos porque isso só serviria para atrapalhar a leitura.
No entanto, existem algumas exceções que permitem o uso da vírgula quando a intenção é facilitar o entendimento da frase (lembre-se do princípio fundamental!). Por exemplo, quando o sujeito é oracional (representado por uma oração subordinada substantiva). Muitos escritores usam uma vírgula para marcar com mais clareza o fim do bloco do sujeito. O professor Moreno relembra alguns exemplos presentes nas narrativas de Machado de Assis. O escritor realista usa tanto com vírgula (“Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência”), como sem (“Quem não viu aquilo não viu nada”).
Outro motivo para usar uma vírgula entre o suj/pred é evitar interpretações incorretas. Veja o exemplo abaixo:
– A pessoa que não lê mal ouve, mal fala, mal vê. (sem a vírgula depois do sujeito – marcado em negrito – existirão leitores que poderão interpretar como “a pessoa que não lê mal”. Colocando a vírgula esse problema desaparece).
– Existem 3 situações em que a vírgula antes do “e” é permitida
1 – Quando o “e” liga duas orações cujos sujeitos são diferentes
Ex:
Eu comi o bolo, e Dona Maria foi rezar na igreja. (“Eu” é o sujeito da primeira oração e “Dona Maria” o sujeito da segunda oração)
2 – Quando o “e” introduz a sequência de várias orações ou termos
Ex:
O rapaz se oferece, e pede, e argumenta; a moça vacila, e pensa…
Preciso comprar farinha, e arroz, e feijão, e mandioca.
3 – Quando o “e” integra a expressão “e sim” (com o sentido de “mas”)
Ex:
Ele não era propriamente um amigo, e sim um falso colega. (Ele não era propriamente um amigo, masum falso colega)
Tema de redação
Nova proposta de redação: Vida urbana no século XXI
Veja abaixo as instruções do tema
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema Vida urbana no século XXI: A cidade é para todos?, apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
TEXTO I
Chama-se gentrificação (do inglês gentrification) o fenômeno que afeta uma região ou bairro pela alteração das dinâmicas da composição do local, tal como novos pontos comerciais ou construção de novos edifícios, valorizando a região e afetando a população de baixa renda local. Tal valorização é seguida de um aumento de custos de bens e serviços, dificultando a permanência de antigos moradores de renda insuficiente para sua manutenção no local cuja realidade foi alterada.
TEXTO II
Sempre cabe mais um: de onde vem tanta gente?
Segundo dados da ONU, hoje a migração de áreas rurais responde por apenas 25% do crescimento das cidades. A maioria das pessoas que vai para uma metrópole já morava em áreas urbanas – nas quais, devido ao subdesenvolvimento econômico, não encontrava boas oportunidades de vida. É o caso dos bolivianos que vendem frutas em Buenos Aires, ou dos filipinos que tentam a vida em Tel-Aviv. Em Lagos, na Nigéria, foi o boom do petróleo que fomentou a explosão demográfica. E a indiana Hyderabad atrai 200 mil pessoas por ano com suas empresas de alta tecnologia – tanto que já é conhecida como “Cyberabad”. Os novos habitantes das metrópoles não são gente caipira. Muito pelo contrário.
Outra coisa: as altas taxas de natalidade, e não a migração, são as principais responsáveis pelo crescimento urbano.
TEXTO III
A prefeitura de Paris publicou um plano governamental radical para deter o processo de gentrificação pelo qual passam os bairros centrais da capital francesa: através de um comunicado oficial, o governo regional anunciou uma lista de 257 endereços – 8.021 apartamentos – onde a prefeitura terá o direito de impedir a venda dos imóveis com a finalidade de convertê-los em moradias subsidiadas.
O apartamento será vendido pelo preço de mercado. No entanto, o preço oferecido seria decidido pela prefeitura, e não pelo vendedor. Se o proprietário recusar a oferta, pode apelar a um juiz independente e pedir nova oferta ou tirar a propriedade do mercado. O que o proprietário não pode fazer é vender o apartamento a um terceiro sem antes oferecê-lo à prefeitura.
Ian Brossat, funcionário da prefeitura de Paris, justifica a medida:
“Optar por diversidade e solidariedade, contra a exclusão, o determinismo social e a lógica centrífuga do mercado (imobiliário). Também ajuda a reduzir as desigualdades entre o leste e o oeste de Paris. Em particular, onde o desenvolvimento da oferta social é insuficiente.”
TEXTO IV
Uma redação nota"quase Zerada"
A redação
Estamos diante de um desafio, e não mais diante de um problema dos outros
Por muito tempo, e ainda hoje, as favelas são as maiores referências de desigualdade social que vivemos. Mas, infelizmente, essa realidade envolve muito mais do que um crescimento acelerado de favelas por todos os cantos.
O primeiro item que deve ser levado em consideração e que contribui de maneira significativa com o crescimento das favelas é o modo que a política tem se posicionado em relação a este fator. Onde estão os investimentos para que o cidadão tenha uma condição digna de moradia e social?
Boa parte da população conseguiria associar rapidamente uma resposta a esta pergunta. Os investimentos para que o cidadão esteja incluso em condições dignas de moradia e na sociedade propriamente dita estão no papel.
Vejamos como exemplo, um adolescente de dezesseis anos que mora em uma favela. Certamente ele enfrentará grandes dificuldades para poder se formar na escola, sendo que precisa se deslocar de uma maneira praticamente desumana para o trabalho, trabalho esse que o ajuda a compor uma renda familiar. Este jovem tem grande possibilidade de dar continuidade ao que viveu durante seus dezesseis anos, tendo grande tendência a sofrer com uma desmotivação até que decida não mais se sujeitar a viver num desgaste físico e emocional, projetando sua vida a um comodismo, construindo sua casa na mesma favela onde viveu e manter um circulo vicioso.
A população mais prejudicada de uma sociedade espera que esse problema seja visto e sentido por quem tem o poder de fazer alguma diferença. É preciso tratar essa questão como algo extremamente importante e urgente, afinal, as pessoas que se instalam nas favelas cada vez mais e que as fazem crescer, consequentemente, não sou culpadas por estarem ali.
A análise
A dissertação é bem fraca, pois o texto pouco ou quase nada tem do aspecto argumentativo que é peculiar da dissertação e que, portanto, deveria estar presente. A parte estrutural teria nota zero.
A produção textual até começa bem. O primeiro parágrafo (“Por muito tempo, e ainda hoje, as favelas são as maiores referências de desigualdade social que vivemos. Mas, infelizmente, essa realidade envolve muito mais do que um crescimento acelerado de favelas por todos os cantos.”) traz boas afirmações com riquíssimo potencial para um bom trabalho argumentativo, mas isso não se consolida ao longo do texto.
O segundo parágrafo, também introdutório, começa a levantar o que seria uma das causas da existência das favelas (a falta de investimentos para a construção de moradias dignas para o cidadão, ou ainda, a presença de planos relativos a isso, mas que ficam somente no papel), porém esse tópico não vai adiante, não progride, não resulta em trabalho argumentativo.
O aluno poderia ter “respondido” a questões implicitamente presentes nas próprias afirmações iniciais, questões como “por que as favelas são as maiores referências de desigualdade social em que vivemos?” ou também “por que as favelas refletem mais do que um crescimento acelerado das grandes cidades?”. Se as respostas a essas perguntas estivessem presentes na sua dissertação, o autor não só teria feito um bom texto quanto ao aspecto de gênero, como também teria elaborado uma boa construção textual no quesito temático, inclusive atendendo – extremamente mais e melhor – as próprias instruções da proposta (Instrução “2” – Enfoque a favela num sentido mais amplo da realidade urbana. E “3” – Discuta causas e consequências da existência do fenômeno social dentro das cidades brasileiras).
O cumprimento dessas instruções não se faz presente neste texto. Além disso, grande parte do problema temático e argumentativo dessa produção advém da “escolha” feita pelo autor ao apresentar seus “argumentos” (efetivamente, nem são argumentos) sob a forma de “exemplo” em todo o quarto parágrafo. Esse modo de expor as ideias as tornou deterministas e, portanto, por si sós, fracas, frágeis; como consequência, quase nada produtivas quanto à discussão temática esperada.
O último parágrafo – além de apresentar vários problemas (como o da não retomada, o da presença de ideias novas, não explicadas, não desenvolvidas) e de não ser, efetivamente, uma conclusão traz um “ato falho”, no mínimo curioso: o da presença do “sou” – provavelmente, um equívoco cometido pelo autor ao usar a forma verbal de primeira pessoa do singular do verbo “ser” quando, na verdade, pretendia efetuar uma simples conjugação verbal (verbo “são” concordando com o sujeito “pessoas”).
Temas de redação que fariam nossos alunos não reclamarem quando o fizemos com belos texto de apoio
5 temas surpreendentes de redação nos últimos vestibulares
Muitos candidatos se descabelaram ao se deparar com a prova de redação de alguns vestibulares recentes, seja por causa do formato pedido, seja por conta do tema a ser explorado. Separamos aqui alguns deles (e disponibilizamos os links para baixar cada prova, caso você queira encarar o desafio):
Escreva um panegírico?
A Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) deve ter espantado os calouros de 2015. A prova pedia, como era habitual, três textos que, juntos, valiam 10 pontos. O mais valioso (4 pontos) era o primeiro: “Elabore um panegírico (discurso elogioso a alguém ou a algo), em prosa, tendo como base os textos da coletânea.”
O problema é que a coletânea trazia apenas a definição de ética no dicionário, e um cartaz sobre ética: “Imagem não é nada. Ética é tudo. Alguns valores não se compram.”
Fique índio!
Mais amigável, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) oferece três propostas de texto para escolha do candidato. Mas olha a primeira da prova de 2016: “Crie uma lenda a ser contada por um sábio indígena às crianças de sua aldeia.” Trazia coletânea de apoio, mas ajudava pouco ou nada.
Com molho especial?
A prova de redação do vestibular 2016 de Direito da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) realmente procurou levar o vestibulando a refletir sobre si mesmo com o tema: “Amo muito tudo isso!”. Sim, o slogan da rede de hambúrgueres. O problema era o que foi solicitado:
“Redija uma dissertação em prosa, na qual você discuta a visão de mundo e os valores implicitamente transmitidos pelo anúncio, argumentando de modo a deixar claro seu ponto de vista sobre o assunto.” Teve candidato que perdeu a fome na hora!
Uma mentirinha só, baby?
Parada dura! A prova para o curso de Economia da FGV-SP, no primeiro semestre de 2016, também não foi fácil. O tema da dissertação: “É correto mentir para evitar problemas de convivência social?”. O problema é que os textos da coletânea estavam “mais pra lá do que pra cá”, digamos. Que tal Nietzsche e Platão destacando características positivas de mentir? Dos quatro textos da coletânea, só um trazia crítica aberta.
Ajude um detento!
A prova da disputada Faculdade de Medicina de Marília (Famema, instituição pública do governo paulista) também surpreendeu. Você sabia que existem programas estaduais que permitem aos presidiários reduzir dias de suas penas pela leitura de cada livro? Pois a coletânea trazia textos sobre esses programas no Paraná, Ceará e São Paulo. A questão foi: “A leitura deve ser uma medida para a redução da pena de presidiários?” O que está em discussão, claro, é esse aspecto da intenção de ressocialização dos presos.
Ruyzão : tema de redação
Nova proposta de redação: A importância do voto consciente
Alô, pessoal: já temos proposta de redação nova! Dessa vez, o tema é A importância do voto consciente para a sociedade brasileira.
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema A importância do voto consciente para a sociedade brasileira apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista
TEXTO I
Antes do século 20, escolher representantes era privilégio de poucos
A história do sufrágio universal, o direito do ser humano de escolher de forma livre seus representantes mediante o voto, é bem recente. E ainda incompleta. Neste momento, menos de metade das pessoas do planeta vive em democracias. Mas essa situação já é um avanço considerável. (…)
O voto feminino foi uma conquista árdua. No Brasil, no início do século 20, a advogada carioca Myrthes de Campos (a primeira mulher a ingressar na Ordem dos Advogados do Brasil, em 1906) teve negado o pedido de participar das eleições. Esse direito só foi reconhecido às mulheres com o Código Eleitoral de 1932. E olha que o Brasil estava na vanguarda. Na Suíça e em Portugal, o “voto de saias” só virou lei, respectivamente, em 1971 e 1974.
Em compensação, no Brasil, o direito de voto aos analfabetos, previsto até 1889 e depois negado, só foi restabelecido a partir de 1985. Fomos o último país da América do Sul a fazê-lo.
TEXTO II
Você liga a TV e as mesmas palavras aparecem: desvio de dinheiro público, improbidade administrativa, caixa 2. Sem falar nos deslizes que os governos cometem mesmo quando são bem-intencionados. Diante de tanta desilusão com a política no Brasil, muita gente decide chutar o balde, recusar todos os candidatos de uma vez e votar nulo. Outros se perguntam se, afinal de contas, o ato de anular tem algum valor para melhorar o país.
Na história, o voto nulo já foi uma bandeira ideológica. Era uma ideia básica dos anarquistas, um dos movimentos utópicos que nasceram no século 19 e fizeram sucesso no começo do século 20. Para eles, votar nulo era uma condição para manter a própria liberdade, se recusando a entregá-la na mão de um líder. (…)
Quando o país votava escrevendo em cédulas de papel, era comum aparecerem entre os vencedores personagens esquisitos, como o rinoceronte Cacareco, campeão de votos a vereador de São Paulo em 1958, ou o bode Cheiroso, eleito vereador em Pernambuco. (…)
O voto nulo não serve como protesto, mas como exercício de consciência: se o eleitor não conhece os candidatos bem o suficiente para votar neles, é melhor ficar quieto e não votar em ninguém. (…) O voto nulo pode ser um direito jogado fora, mas também uma escolha consciente de quem não se sente apto para tomar uma decisão.
TEXTO III
TEXTO IV
“Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam.”
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