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11 de agosto de 2018

TEMA DE REDAÇÃO

Com a proximidade das eleições de outubro, quando decidiremos quem irá ocupar os cargos de governador, deputado estadual, deputado federal, senador e presidente da república, é cada vez mais comum ouvirmos os candidatos na televisão e no rádio, em programas de entrevistas e de debates. Com o início da propaganda eleitoral gratuita nos meios de comunicação, isso se intensificará.
Nesse contexto, já pudemos ouvir de alguns candidatos várias declarações sobre ideologia ou sobre viés ideológico e, infelizmente, muitos têm cometidos erros, inclusive conceituais, sobre esse assunto e por isso resolvemos escrever sobre isso, já que a questão ideológica pode estar intrínseca em uma dissertação-argumentativa de uma prova de redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e para esclarecermos alguns pontos.
O termo ‘ideologia‘ pode ser entendido por alguns olhares. O olhar da Filosofia, por exemplo, coloca a ideologia como um conceito filosófico proposto pelo filósofo francês Destutt de Tracy (1754-1836) que sintetiza a origem das ideias humanas às percepções sensoriais ao mundo externo.
Já a Sociologia coloca a ideologia como um sistema de ideias sustentada por um grupo social, as quais refletem, refratam, racionalizam e defendem os próprios compromissos e interesses institucionais – isto é, do grupo social – sejam estes morais, éticos, religiosos, políticos, econômicos etc.
Em outras palavras, as ideologias são conjuntos de convicções filosóficas, sociais e políticas etc. de um indivíduo ou de um grupo de indivíduos.
Nesse sentido, escrever o termo no plural é de suma importância, pois ele expressa a noção de que, no mundo, há várias ideologias circulando entre as esferas sociais, ou seja, pelas instituições e esferas dos mais diversos tipos, como por exemplo, a esfera do trabalho, a esfera jurídica, a esfera jornalística, a esfera política, a esfera religiosa, a esfera escolar, a esfera científica e assim por diante. Além disso, é importante ressaltar que, dentro dessas esferas, não há apenas uma ideologia circulando, mas sim várias.
Podemos citar como exemplo a esfera política, já que ela é a inspiração para este texto. Na esfera política existem algumas correntes ideológicas que deveriam definir, inclusive, os agrupamentos dos indivíduos, isto é, os partidos políticos.
Neste contexto, há ideologias liberais ou neoliberais que, normalmente, são praticadas por partidos tidos de direita, que visam o livre comércio, as privatizações, a propriedade privada, o Estado mínimo dentre outra coisas. Há também a extrema direita, na qual ideologias como otimismo inescrupuloso (Roger Scruton), higienização, patriotismos exacerbado, dentre outras, representam e representaram regimes como o Nazismo na Alemanha e o Fascismo na Itália no século XX.
Por outro lado há ideologias denominadas de esquerda, nas quais são pregados, por exemplo, que haja empresas estatais, a reforma agrária, serviços públicos universais, um olhar mais social etc. Também há a extrema esquerda, como pudemos ver na antiga União Soviética, por exemplo.
Deste modo (bem simples e resumido) queremos dizer que em todos os lados da política – esquerda, centro e direita, além de seus extremos – há ideologias. Não há ideologias apenas na esquerda, como alguns candidatos de direta e de extrema direita já disseram recentemente nos programas em que estiveram presentes.
Outro equívoco comum é dizer que existe neutralidade. Não, a neutralidade não existe. Ninguém é neutro e nenhuma palavra é neutra, pois toda palavra possui uma carga ideológica.
Nesse sentido, quando alguém diz, por exemplo, “Não gosto de política”, não está sendo neutro e sim está afirmando uma ideia, ou seja, uma ideologia, de não gostar de política.
Como tudo no mundo surgiu e partiu de uma ideia, tudo é ideologia e possivelmente queremos mais de uma para viver, pois elas são plurais e funcionam em consonância.
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