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28 de outubro de 2013

Comentando o tema de redação ENEM 2013

Segundo a professora Maria Aparecida Custódio, que dá aulas de redação no Curso e Colégio Objetivo, em São Paulo, o tema da redação do Enem 2013 é pertinente e condiz com as características da prova, que sempre exige do candidato uma proposta de ação social. Nesse caso, segundo ela, é essencial questionar um dos principais efeitos esperados pela nova legislação, mas que não se concretizou: a redução das mortes provocadas por acidentes de trânsito.
"O candidato deve questionar até que ponto a Lei Seca reduziu consideravelmente os índices de acidente, ao que parece ela não conseguiu os êxitos que se esperava. Existem os recursos de avisar sobre blitz nas redes sociais, então tem como driblar [a Lei Seca]", afirmou ela ao G1. Um dado que Maria Aparecida considera importante aparecer nos textos dos estudantes é o número de brasileiros que morrem todos os anos nas estradas e ruas do país, além do fato de a maioria das vítimas ser jovem (de 15 a 24 anos) e a maioria dos acidentes ser causado por excesso de velocidade de motoristas embriagados.
O professor de língua portuguesa do Anglo Francisco Platão alertou que é preciso também cautela ao definir os argumentos e contra-argumentos na hora de redigir o texto. Segundo ele, é preciso compreender a mensagem por trás dos textos motivadores selecionados pelo MEC. Ele lembrou que "a capacidade de leitura e apreensão da questão posta" faz parte da primeira de cinco consequências avaliadas pelos corretores.
O tema sobre a Lei Seca brasileira "é o caso típico daquele tema que é polêmico, porque os argumentos favoráveis são quase equivalente aos desfavoráveis", afirmou Platão. Por isso, em termos genéricos, é possível argumentar tanto pela motivação da lei, que é defender a vida dos cidadãos, quanto pelas restrições às liberdades individuais que a nova regra implantou, como o fato de que todos os motoristas recebem a mesma punição ao serem pegos dirigindo após beber, mesmo que uns tenham bebido menos que outros, por exemplo. "Ela defende a vida, mas desrespeita os direitos da pessoa", disse ele.
Outro debate possível de inserir na redação deste ano é a questão da impunidade. Platão afirma que uma das brechas da lei é o fato de que, por ser tão radical, ela pode provocar arbitrariedades por parte dos policiais que a aplicam. No caso dos tribunais, a mau aplicação da lei também pode ser citada pelos candidatos, segundo a professora Maria Aparecida.
"A impunidade vai ser palavra-chave na redação, isso incentiva o jovem a continuar se excedendo, porque outros praticaram crimes gravíssimos e estão aí podendo dirigir." Ela disse que é possível debater no texto como o peso distinto que a Justiça dá a réus de acordo com o poder aquisitivo e a capacidade de contratar bons advogados pode fazer com que as pessoas não respeitem a legislação, por se sentirem confiantes de que não serão punidas.
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