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3 de julho de 2016

Usos dos pronomes oblíquos átonos

Usos dos pronomes oblíquos átonos


Os pronomes oblíquos átonos são pronomes pessoais não retos. Os retos são aqueles que funcionam sintaticamente como sujeito, e os oblíquos, como complementos, havendo exceção. Os oblíquos são subdivididos em átonos, os que não são regidos de preposição, mesmo que seja exigida por um termo regente, e os tônicos, acompanhados obrigatoriamente de preposição, mesmo que ela não seja exigida por termo algum. 
Por exemplo, o verbo obedecer é termo regente da preposição a, pois "quem obedece, obedece A algo". Se o complemento de obedecer for um pronome oblíquo átono, ela desaparecerá: "Obedeço-lhe!"; "Obedeça-me". 
Porém, o verbo conhecer não exige preposição alguma, pois "quem conhece, conhece alguém". Se o complemento de conhecer for um pronome oblíquo tônico, a preposiçãoA terá de ser usada obrigatoriamente, pois um pronome oblíquo tônico sempre é regido por uma preposição: "Conheço a ele, mas ele não conhece a mim".

Pronomes Pessoais
Retos
Oblíquos átonos
Oblíquos tônicos
Eu
me
mim, comigo
Tu
te
ti, contigo
Ele, ela
se, o, a, lhe
si, consigo
Nós
nos
nós, conosco
Vós
vos
vós, convosco
Eles, elas
se, os, as, lhes
si, consigo

 
Os pronomes oblíquos átonos podem ser usados com as seguintes funções sintáticas:
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1- Objeto Direto: Os pron. obl. át. me, te, se, o, a, nos, vos, os, as podem exercer a função sintática de objeto direto, ou seja, podem complementar o sentido de um verbo transitivo direto (VTD).
Por exemplo, o verbo esperar é transitivo direto, pois quem espera, espera algo (ou alguém). Podem-se, então, construir frases assim:
  • Ela me esperou.
  • Eu te esperei.
  • Eu o esperei.
  • Eles a esperaram.
  • Ela nos esperou.
  • Eu vos esperei.
  • Nós os esperamos.
O pronome se funcionará como objeto direto quando for reflexivo ou recíproco:
  • Ela se feriu.
  • Eles se amam.
Observe que, quando o objeto direto for de terceira pessoa, não se usa ele, ela, eles, elas, e sim o, a, os, as. É inadequado usar Eu esperei ele, apesar de ser uso corrente no Brasil. O certo é Eu esperei-o ou Eu o esperei.
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Variantes de O, A, OS, AS:
Você observou que, nos exemplos acima, os pronomes foram colocados procliticamente, ou seja, antes do verbo. Se forem colocados encliticamente, ou seja, depois do verbo, os pronomes o, a, os, as podem sofrer mudanças. Vejamo-las:
- Se o VTD terminar em vogal ou em semivogal, usam-se os pronomes o, a, os, as:
  • Eu esperei-o.
- Se o VTD terminar em M, -ÃO ou –ÕE, os pronomes se modificam para no, na, nos, nas:
  • Eles esperaram-no.
  • Eles sempre reservam as melhores empadinhas e dão-nas aos amigos.
  • Pega os sapatos e põe-nos no armário se não quiseres ficar de castigo.
- Se o VTD terminar em R, S ou Z, essas terminações desaparecem, e os pronomes se transformam em lo, la, los, las:
  • Não vou esperá-lo.
  • Nós esperamo-los.
  • O padre sai com as crianças todas as manhãs e condu-las até a capela (= conduz as crianças)
  • Se tu quiseres dizer a verdade a todos, di-la (= diz a verdade)
  • A verdade? Qui-la (= quis a verdade)
  • Os animais silvestres, matamo-los.
- Se o VTD terminar em –mos, e o OD for nos ou vos, o s do verbo desaparecerá:
  • Respeitamo-nos.
  • Esperamo-vos.
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2- Sujeito acusativo (sujeito de verbo no infinitivo ou no gerúndio, que com ele constitui oração subordinada substantiva objetiva direta)
Os pron. obl. át. me, te, se, o, a, nos, vos, os, as podem exercer a função sintática desujeito acusativo, que é o sujeito de um verbo no infinitivo ou no gerúndio, que, por sua vez, é o núcleo do objeto direto de um verbo causativo (fazer, mandar, deixar) ou de um verbo sensitivo (ver, sentir, ouvir). Destrincemos isso:
Haverá sujeito acusativo quando o complemento de fazer, mandar, deixar, ver, sentir eouvir for uma oração cujo verbo esteja no infinitivo ou no gerúndio. O sujeito deste verbo é o acusativo. Por exemplo:
  • Fizeram o réu devolver o dinheiro.
O objeto direto de fazer não é o réu, como à primeira vista possa parecer, mas sim a oração o réu devolver o dinheiro. Alguém fez o quê? O réu devolver o dinheiro. A expressão o réu é o sujeito do verbo devolver, que está no infinitivo. Há, portanto, a constituição de uma oração subordinada substantiva objetiva direta.
O sujeito o réu pode ser substituído por um pronome, que tem de ser oblíquo átono:Fizeram-no devolver o dinheiro.
  • Mandei-o sair da frente.
  • Deixaram-me ficar naquele lugar.
  • Viram-nos pulando o muro.
  • Senti-a puxar meus cabelos.
  • Ouvi-os cantando alegremente.
Observe que ocorrem as mesmas variantes dos pronomes o, a, os, as.
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3- Objeto Indireto: Os pron. obl. át. me, te, se, lhe, nos, vos, lhes podem exercer a função sintática de objeto indireto encabeçado pela preposição a, ou seja, podem complementar o sentido de um verbo transitivo indireto (VTI) que exija a prep. a. Esta, porém, desaparece quando o objeto indireto for um pronome oblíquo átono.
Por exemplo, o verbo obedecer é transitivo indireto e exige a prep. a, pois quem obedece, obedece a algo (ou a alguém). Podem-se, então, construir frases assim:
  • Ela me obedeceu.
  • Eu te obedeci.
  • Eu lhe obedeci.
  • Elas nos obedeceram.
  • Eu vos obedeci.
  • Nós lhes obedecemos.
Apesar de ser raro o uso, o pronome se funcionará como objeto indireto quando for reflexivo ou recíproco:
  • Ela se arroga o direito de reclamar sempre.
  • Elas se obedecem.
- Se o VTI terminar em –mos, e o OI for nos ou vos, o s do verbo desaparecerá:
  • Perdoamo-nos.
  • Obedecemo-vos.
- Se, porém, o OI for lhe ou lhes, nenhuma terminação do VTI desaparecerá:
  • A vocês, meninas, perdoamos-lhes.
  • Às leis de trânsito, obedecemos-lhes.
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4- Adjunto adnominal (aa): Os pron. obl. át. me, te, lhe, nos, vos, lhes podem exercer a função sintática de adjunto adnominal. Isso acontecerá quando houver indicação de posse: algo de alguém. A construção sintática ocorrerá da seguinte maneira:
verbo + pronome oblíquo átono + substantivo.
  • Cortaram-me os cabelos = cortaram os meus cabelos.
  • Ainda te apaziguo os ânimos = ainda apaziguo os teus ânimos.
  • Se quiser, beijo-lhe os pés = beijo os seus pés.
  • Multou-nos os carros = multou os nossos carros.
  • Pego-vos o material e não o devolvo = pego o vosso material.
  • Roubaram-lhes os documentos = roubaram os documentos deles.
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5- Complemento nominal (CN): Os pron. obl. át. me, te, lhe, nos, vos, lhes podem exercer a função sintática de complemento nominal. Isso acontecerá quando houver a expressão algo a alguém complementando um verbo, sendo que o algo é um substantivo abstrato, um adjetivo ou um advérbio e que a prep. a provém dele (do algo). Por exemplo:
Eu sou fiel. O adjetivo fiel exige a preposição a, pois quem é fiel, é fiel a algo (ou a alguém), portanto eu sou algo (fiel) a alguém.
A preposição a, portanto, encabeça um complemento nominal (complemento de um elemento que não é verbo). Pode-se, então, usar um pronome oblíquo átono como complemento desse adjetivo:
  • ― Tu me és fiel? ― Sim. Sou-te fiel.
Tenho-lhe muito mais respeito do que tem por mim. (Tenho respeito a alguém. A prep. a não provém do verbo ter, e sim do subst. abstrato respeito)
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