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9 de junho de 2017

ENEM




Nunca se leu tanto como nos dias de hoje. A popularização e os avanços da internet fizeram com que novas ferramentas e novos gêneros surgissem, dando origem às redes sociais, aos blogs, às plataformas wikis, às fanfics, aos portais de notícias, aos jornais e revistas digitais etc. Em consequência, surgiram os posts, os twitts, os memes, ou seja, gêneros adequados à velocidade e ao volume de informação que circula na rede. Aliado aos avanços dos aparelhos tecnológicos, como os smarphones e os tablets, com os quais temos acesso à internet a qualquer hora e em qualquer lugar, nunca se leu tanto como atualmente.
Nunca se leu tanto atualmente porque nunca houve tamanha circulação, rapidez e volume de informação. Hoje, em menos de um minuto, ficamos sabendo o que está acontecendo do outro lado do mundo, com uma pessoa que está distante de nós, em uma sociedade totalmente diferente da nossa. Ao acessarmos o Google, obtemos informações sobre praticamente tudo, inclusive o usamos de maneira equivocada certas vezes, consultando-o como se fosse um médico, por exemplo, ao pesquisarmos sintomas, efeitos colaterais etc.
Nunca se leu tanto nos dias de hoje porque há sites especializados, nos mais variados assuntos e temas. Antes dos anos 2000, no século XX, o acesso à internet no Brasil era muito caro, ou seja, era para poucos e as pesquisas acadêmicas eram realizadas, em sua grande maioria, em bibliotecas, por meio de livros e enciclopédias, copiando à mão e não digitando.
Sim, nunca se leu tanto quanto atualmente, mas as pessoas estão lendo de maneira mais proficiente, ou seja, com mais qualidade, com mais profundidade, com mais senso crítico, estabelecendo mais relações, inferindo mais, produzindo mais sentido? Uma parcela considerável das pessoas, especialmente dos jovens que frequentam as escolas não, infelizmente.
A cada dia que passa, a cada edição do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a cada prova aplicada de qualquer disciplina nas escolas (não só na de Língua Portuguesa, mas também nas demais, já que leitura e escrita permeiam o estudo e a pesquisa em todas as áreas do conhecimento) vê-se uma leitura rasa, superficial e de localização, uma das competências e habilidades mais básicas quando se fala em leitura.
Nunca se leu tanto nos dias atuais e não estamos sabendo lidar com o volume de informações. Nunca se fez tantas coisas ao mesmo tempo e nunca nos concentramos tão pouco em uma única tarefa.
Em provas de produção textual, como a redação do ENEM, por exemplo,a coletânea de textos motivadores é essencial para o candidato cumprir a proposta, já que uma avaliação como essa avalia não só a escrita, mas também a leitura. Em outros textos já apontamos algumas falhas na correção da redação do ENEM, já que a cada edição diminui o número de dissertações-argumentativas que obtém a nota máxima – mil pontos – mas é um fato: há uma parcela considerável de candidatos que não aproveitam a coletânea como poderiam e como deveriam e isso tem, como consequência, um desempenho aquém do esperado na escrita.
E isso é apenas um detalhe na vida acadêmica de todos que almejam ingressar em uma instituição de ensino superior. Lá dentro, na graduação, na pós-graduação, no mercado de trabalho e na vida lemos e escrevemos o todo tempo.
Nunca se leu tanto como atualmente, mas pais dão cada vez menos o exemplo e o incentivo à leitura para seus filhos em casa. As histórias antes de dormir foram trocadas pelos vídeos no Youtube, que também têm seu valor, mas deixando de lado os livros de fábulas e contos de fadas, os gibis, os romances, a ficção, os contos de terror dentre outros.
Nunca se leu tanto nos dias atuais notícias falsas, mentirosas e a pós-verdade. Nunca se checou tão pouco.
Ler e escrever é localizar, formular hipóteses, fazer inferências, estabelecer relações entre textos e entre um texto e o conhecimento prévio, de mundo; ler e escrever é desenvolver senso crítico, sair do senso comum, fugir do lugar comum. Ler e escrever é responder ativamente ao que se lê, se vê e se ouve. Ler e escrever é pensar de maneira autônoma, independente e embasada em argumentos consistentes.
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