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23 de julho de 2017

LER - LER - LER

Qualquer gênero textual que uma pessoa escreva ou fale tem que passar, religiosamente, por um arsenal arquitetônico na mente ou no papel, construindo com os tijolos, cal e areia das palavras a estrutura que será as suas frases, as suas ideias, a sua essência, ou seja, a sua base comunicacional.
Numa prova de redação, por exemplo, terror dos vestibulandos, o primeiro passo ao elaborar um texto é ler e interpretar o enunciado. Ninguém pode começar a escrever sem entender bem a proposta do que está sendo solicitado. Por isso, ler uma, duas ou três vezes é fundamental para que não se fuja do tema pedido.
Depois desse início, há a necessidade de ter uma opinião sobre a ideia núcleo, o tema. É importante saber algo sobre o assunto, ter referências sobre ele. A respeito desse quesito, sairá sempre na frente dos demais aqueles que forem leitores do mundo, da realidade, pois saberão abordar temas que lhes são comuns.
O terceiro passo é elencar tudo o que vem à cabeça sobre o assunto. Fatos, exemplos, dados, estatísticas, argumentos, servirão de apoio para a elaboração do texto como um todo. Separando tudo o que vem à mente, ficará fácil escolher as melhores elucubrações, os melhores conceitos, a melhor estratégia.
Os três passos iniciais podem ser feitos apenas com a leitura do tema. Passada essa série, elabora-se a introdução do texto, que, no caso de uma dissertação-argumentativa, será composta com o tema, sob a perspectiva que se quer adotar (chamada também de tese), acrescido dos argumentos (apenas mencionados) que serão trabalhados nos parágrafos seguintes.
Finda a introdução, sem pular etapas, elabora-se o desenvolvimento. Cada argumento citado na introdução será discutido em seu parágrafo específico. Aqui, algumas ideias que foram selecionadas no terceiro passo serão aproveitadas para fundamentar o argumento. Esse é o momento que o redator tem à sua frente para dizer tudo o que sabe sobre os tópicos ambicionados, justificar o seu posicionamento, amparar as suas argumentações.
A sexta e penúltima etapa é elaborar a conclusão, para alguns a parte mais preciosa do texto. Como todo texto dissertativo deve ser cíclico, é interessante aqui retomar a tese debatida na introdução, já agora fundamentada pelo desenvolvimento. Para finalizar, seria interessante o redator acrescentar uma observação final, que poderia ser crítica(s) ou solução(ões) para o problema que está sendo enfocado.
Por fim, o último estágio deve ser feito com carinho e muito cuidado: revisar, corrigir o que se escreveu. É muito difícil para quem redige enxergar os próprios erros, principalmente com um texto que é feito assim de chofre, para ser entregue logo, dispondo de apenas uma hora ou duas para a sua feitura. A dica é rascunhá-lo e deixá-lo respirar, desapegar-se dele, desapaixonar-se da sua criação, indo, talvez, fazer outra prova, se for o caso. Numa segunda leitura, a visão já será um pouco mais distanciada e, com certeza, poderá ter maior possibilidade de ver os deslizes.
Escrever não é uma arte para iniciados, tampouco é motivado através da inspiração das musas, do vinho ou dos deuses. É, sim, trabalho de transpiração do redator. Ler é fundamental para que se tenha visão global de mundo, saiba falar sobre variados tópicos, melhore o vocabulário, etc. E a prática – sentar e escrever, corrigir e reescrever – é extremamente necessária para se desenvolver a palavra escrita.
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