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14 de maio de 2016

Ler - ler muito


Dentre todos os benefícios da leitura, talvez o mais importante seja aprender a se comunicar com mais eficiência. Quem lê bastante tem mais cultura e, consequentemente, mais poder de comunicação. Cultura no sentido do conjunto de características humanas que não são inatas, mas que se criam e se aprimoram por meio da comunicação e da cooperação entre os indivíduos. Há outros significados para o vocábulo “cultura”, mas, neste texto, ater-nos-emos a somente esse.

Observe que ocorre um ciclo: quem tem cultura se comunica bem, e quem se comunica bem tem mais cultura, uma vez que é por meio da interação entre os indivíduos que se cria a cultura, e que, quanto mais cultura tiver o cidadão, mais ele interagirá adequadamente com seus semelhantes. Ninguém é sujeito na solidão, ou seja, é a partir dos relacionamentos que nos tornamos agentes de nossa própria cidadania. Há, no dia a dia, constante troca de experiências e de informações entre os membros da sociedade, o que nos abastece espiritual e intelectualmente. Cultura, portanto, não é algo estanque; não é algo que se compra ou que se adquire gratuitamente. Cultura é o que acrescentamos aos demais seres humanos no sentido de ajudá-los a desenvolver-se intelectualmente, a fim de que possam, por conta própria, alcançar a aprendizagem. Tudo o que for edificante, portanto, deve ser considerado cultural.

A leitura de uma obra literária deve ocorrer de acordo com esse ponto de vista. Deve-se ler um livro buscando a comunicação com o seu autor. Este — o autor — é o emissor do contexto; o leitor é o receptor. Não se pode ser, porém, um receptor passivo, mas, sim, indagativo, inquiridor, sempre buscando informações instrutivas em cada linha da obra. Há filosofia onde nem se imagina encontrá-
-la. Basta ler as frases com a alma, com o espírito, para examinar o conteúdo de cada parágrafo por meio do entendimento, por meio da razão.

Análise psicológica

O leitor é elemento agente; é ele quem dá vida às personagens, participando com elas da história e realizando a análise psicológica de cada uma delas. Se tal ação não for efetivada, a leitura será inútil, ou um mero passatempo. Deve-se ler com a intenção de se tirarem ensinamentos para a própria vida. Os livros são verdadeiros consultórios de psicanálise. Por meio da análise do comportamento de cada personagem, pode-se aprender a viver relacionamentos mais harmoniosos consigo mesmo e com os demais. Seria como se as personagens fizessem parte de nosso mundo e com elas aprendêssemos a viver e a conviver, como ocorre em nossa vida, mas com a vantagem de podermos analisar friamente as ocorrências, sem a paixão que caracteriza nossos relacionamentos.

Aristóteles, um dos mais importantes filósofos de todos os tempos, dizia que a diferença entre o filósofo e o cidadão comum é que o filósofo pensa, e o cidadão comum deixa que os pensamentos passem por sua mente aleatoriamente. É preciso, pois, aprender a pensar sistematicamente. E isso só se consegue com muito treinamento. Uma das maiores oportunidades que há para esse treino está no jornal, que, diariamente, nos apresenta textos de diversos gêneros textuais. A partir da leitura desses textos, além de ocorrer o aumento do conhecimento de mundo, há também a oportunidade de o cidadão incrementar seu conjunto de bens intelectuais.

Boa leitura é leitura edificante. Edificar é induzir à virtude. Essa deve ser a missão de todo cidadão educador – professores, jornalistas, pais e mães, dentre outros. Todos os adultos interessados em construir uma sociedade de fato devem preocupar-se com o “ensinar virtudes” às demais pessoas. Só ensina algo quem consegue se comunicar adequadamente; só aprende algo quem está preparado para interagir com os demais. Essa é a chave do sucesso: a comunicação
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