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15 de março de 2017

UM POUCO DE UFRGS

UFRGS 2017
 Análise da Proposta de Redação A proposta de redação do vestibular da UFRGS 2017 estruturou o tema a partir de três textos de apoio. No primeiro (“E se Obama fosse africano?”), Mia Couto afirma que “O melhor modo de criar o próprio estilo é receber influências, as mais diversas e variadas influências.”, destacando, contudo, a diferença entre repetição e inspiração. No seguinte, disponível no youtube, lê-se uma declaração de Elis Regina, que construiu seu estilo a partir da imitação – singularizando-se, todavia – de Ângela Maria. Logo, em ambos a mimese como caminho positivo na busca do estilo próprio. No entanto, na continuidade, a declaração de Dufour (flósofo francês) apresenta viés oposto: a sociedade atual não permite espaços à singularidade – hoje, ter estilo “é exatamente não ter estilo, é permanecer no universo da imitação...” Após a análise de tais textos de apoio, ao candidato eram propostas algumas reflexões – após a reafirmação de que a singularidade faz de cada um o ser único. Concordaria o aluno com o fato de sermos singulares ou acreditariam na mera repetição?
 Permitia, pois, uma escolha, o tema O QUE É TER ESTILO. Por meio de comandos pontuais [apresentar o seu entendimento sobre o que é ter um estilo; exemplificar ou com fatos, ou com acontecimentos ou com situações de vida cotidiana, sua ou de qualquer outra pessoa, o que é ter um estilo; desenvolver argumentos que evidenciem que o exemplo dado permite identificar um estilo], a UFRGS abriu o segundo dia de provas.
 Afastando-se do assunto levado à pauta em 2016 – a tecnologia –, a Universidade centrou-se no exame de questão atemporal, propiciando ao candidato um nível de reflexão que não se restringe à microanálise (o universo do leitor – tão diminuto em nossa sociedade), a exemplo do que ocorreu em 2014, quando foi proposta uma discussão sobre o conceito pessoal de clássico em relação à obra literária.
 No ano de 2016, a temática das escolhas foi sistematicamente trabalhada com os alunos (inclusive quanto ao “temido” uso do “eu” nas proposições apresentadas pela UFRGS quando do vestibular – o que não foi obrigatório nesta edição). Dessa forma, os alunos, do Ruyzão, que conosco conviveram ao longo desse ano letivo estavam preparados para redigir um bom texto que, considerando-se a possibilidade de ampla abordagem, permitia o exercício da autonomia e o investimento autoral.
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