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28 de agosto de 2016

EXERCÍCIOS SOBRE VERBOS

Sabe o Português? 

[...] temos muitos modos. Mas não só modos de boa educação, daqueles que sua mãe aconselha a mostrar às visitas; e sim modos verbais. Dispomos de três, cada qual subdividido em tempos: indicativo, subjuntivo e imperativo - o menos usado e mais legal. Ou você não acharia o máximo dizer "faze tu!" quando seu irmão pede alguma coisa? 
Mas vamos nos ater ao indicativo, que exprime algo certo. Nele, conjugamos em seis tempos: presente (ok), pretérito imperfeito (que não trata necessariamente de um passado maculado), pretérito perfeito (tampouco se refere a uma biografia certinha), pretérito mais-que-perfeito (mania de grandeza!), futuro do presente (eu pensava "mas, afinal, isso é futuro ou presente?") e, pasme, futuro do pretérito (que embananou de vez minha cabeça ginasial).
Portanto, irmão em língua, conjuguemos. Eu conjugo, tu conjugas, ele conjuga. Nós conjugamos, vós conjugais, eles conjugam. Fácil, pois trata-se de um verbo regular de primeira conjugação. É só trocar por qualquer outra ação terminada em -ar e copiar os finais: eu copio, tu copias, ele copia. Nós copiamos, vós copiais, eles copiam
A não ser que o verbo em questão seja irregular. Alguns nem chegam a mudar tanto, mas outros só podem estar de sacanagem. Como o verbo ir. Tão pequeno e tão feroz, o danado é uma anomalia. Literalmente: ir é um verbo anômalo, ou seja, tem mais de um radical quando conjugado. Vejamos, em rápido passeio pelos tempos: eu vou, eu ia, eu fui, eu fora, eu irei, eu iria. Que  você. Se eu fosse. Quando eu for. Não vás. Ou , você é quem sabe! Já podia ter ido. Eu tô indo. E pensar que chegamos à escola já intuindo boa parte disso. Por isso que eu digo: Português é para os fortes. 


 

1. O texto trata das dificuldades existentes, na língua portuguesa, no aprendizado dos verbos e das noções a eles associadas. Quais são essas dificuldades? 
>  Por que, segundo a autora do texto, o Imperativo é o modo "mais legal"? 

2. Ao tratar dos verbos regulares e irregulares, a autora destaca que alguns oferecem menor dificuldade de conjugação. Quais deles são mais fáceis de conjugar? Por quê? 
a) Como a autora exemplifica essa facilidade? 
b) Por que, do ponto de vista gramatical, os verbos irregulares ou anômalos são mais difíceis de serem conjugados? 

3. A autora se refere ao verbo ir como uma anomalia. Explique por quê. 
a) Algumas das formas do verbo ir identificam-se com outras do verbo ser. Do texto apresentado, transcreva as passagens em que isso ocorre. 
b) Do ponto de vista gramatical, como pode ser explicada essa identidade formal entre esses dois verbos, nas passagens identificadas? Apresente exemplos de frases em que se verifique essa igualdade. 


Gabarito:

1. Em primeiro lugar, a autora trata da dificuldade associada aos modos verbais (Indicativo, Subjuntivo e Imperativo). Depois, refere-se à confusão, gerada em sua "cabeça ginasial", pelas noções associadas aos tempos do modo Indicativo. Por último, trata da conjugação dos verbos regulares e irregulares, ressaltando que estes últimos são mais difíceis, em especial o anômalo ir. 
Porque, para ela, a ideia de ordem ou comando associada a esse modo verbal permitiria dizer, de forma incisiva, àquele que pede um favor (um irmão, no caso), que ele mesmo fizesse o que estava pedindo ("faze tu!"). 

2. Há uma facilidade maior em conjugar os verbos regulares, pois basta conhecer o paradigma dessa conjugação. 
a) A autora conjuga dois verbos da primeira conjugação (conjugar e copiar), no presente do Indicativo, destacando as desinências que formam o paradigma desse tempo verbal. 
b) Porque esses verbos apresentam formas que se distanciam do paradigma da conjugação a que pertencem, ou seja, sua conjugação apresenta irregularidades nos radicais e nas desinências verbais (de número-pessoa e modo-tempo). 

2.  Porque o verbo ir constitui-se como uma anomalia se comparado aos verbos regulares. A autora, ao fazer uso desse termo, evoca a classificação desse verbo: ele é um verbo anômalo, isto é, apresenta profundas irregularidades no radical, como ela comprova, em seu texto, ao apresentar as conjugações do verbo em diferentes tempos (vou, ia, fui, fosse, ido, indo, etc.). 
a) As passagens no texto são: "Se eu fosse"; "Quando eu for". 
b) O que explica essa identidade formal, nas duas passagens identificadas, é o fato de o verbo ser e o verbo ir estarem conjugados, respectivamente, no imperfeito e no futuro do Subjuntivo. Sugestão: Se eu fosse completamente livre, faria o que quisesse.; Se eu fosse a Minas Gerais, não deixaria de visitar as igrejas; Quando eu for candidato, responderei a todas as questões; Quando eu for à Bahia, visitarei à Universidade. 
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