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26 de maio de 2017

AMO A LÍNGUA PORTUGUESA


Sufixos são, segundo o dicionário Houaiss, afixos que, pospostos a uma raiz, radical, tema ou palavra, produzem formas flexionadas ou derivadas. São também denominados de elementos mórficos ou morfemas, que representam a menor unidade linguística que possui significado.
Existem centenas de milhares de elementos mórficos na Língua Portuguesa, o que dificulta bastante o estudo da estrutura e formação das palavras e, consequentemente, da adequada grafia delas. Há, por exemplo, o sufixo formador de substantivos abstratos -ão, que, unindo-se a determinados radicais, formam palavras terminadas em -ção, -são ou –ssãoabdicação, pretensão, discussão. A melhor maneira para se evitarem inadequações é pela pesquisa nos bons dicionários.
O sufixo –ência é daqueles que têm centenas de registros de palavras: são quatrocentos e noventa e cinco verbetes registrados pelo dicionário Houaiss. Essa abundância de palavras pode trazer um problema aos estudantes e profissionais que usam o idioma como ferramenta de trabalho: a utilização de palavras com o mesmo sufixo muito próximas, causando o que chamamos de “eco”, que é a sucessão de palavras que rimam entre si. O mesmo ocorre com os sufixos -mente (cento e quarenta e sete verbetes) e -dade (mais de mil e seiscentos verbetes).
A frase apresentada como título desta coluna traz um exemplo de “eco” que, com uma breve pesquisa nos dicionários, seria facilmente sanado: o verbo advertir, como ocorre com os verbos terminados em -ertir, -erter e -ergir, forma substantivo abstrato terminado em -sãodiversão, perversão, reversão, submersão, adversão.
Poderíamos, então, substituir o substantivo advertência por adversão:

O professor recebeu uma adversão por ter agido com negligência.

Ou, já que o substantivo adversão é pouquissimamente conhecido em nossas plagas, poderíamos substituir o substantivo negligência pelo adjetivo negligente:

O professor recebeu uma advertência por ter sido negligente.

Ou ainda usar o verbo advertir no lugar do substantivo:

O professor foi advertido por ter sido negligente.

Outros afixos que trazem problemas são os prefixos, morfemas que vêm antes da raiz, principalmente quando são semelhantes na escrita ou no som, como ocorre com des- e dis-: Por exemplo, a seguinte frase:

Desculpe-me por ter sido displicente, desatento, descuidado.

Dependendo da região em que o falante residir, dificilmente o interlocutor a ouviria de modo adequado. Os vocábulos desculpe-me, desatento e descuidado seriam pronunciados “disculpe-me, disatento, e discuidado”, e isso acaba por dificultar a escrita também.
Alguns vocábulos se tornaram “campeões” nos vestibulares brasileiros, exatamente por trazerem essa dificuldade. É o que acontece, por exemplo, com empecilho e privilégio. Muitos são os cidadãos que pronunciam equivocadamente “impecilho" e “previlégio” talvez por empecilho significar, além de outros sentidos, impedimento, e privilégioprerrogativa, algumas pessoas se confundam e troquem as vogais.
Empecilho se escreve assim, por derivar do verbo empecer, cujo significado é causar ou encontrar impedimentos, estorvosprivilégio, cujo significado é direito, vantagem, prerrogativa, válidos apenas para um indivíduo ou um grupo, em detrimento da maioria, indica que alguém um algum grupo tem prioridade em relação a outras pessoas ou outro grupo: empecilho – empecer / privilégio - prioridade. Por exemplo:

Não é por ser sócio da empresa que terá privilégios; já que causou empecilhos, terá de pagar por isso.
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