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7 de maio de 2017

Figura de linguagem


Retomando nossa conversa da semana passada, vejamos mais uma figura de linguagem que pode dar um toque de estilo no texto, mesmo no dissertativo: a anáfora.
Essa figura é bastante empregada como reforço de algumas ideias, como a circunstância de tempo nesta canções de Chico César:
Quando não tinha nada, eu quis
Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei
E nesta de Nando Reis e Samuel Rosa:
E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe (…)
A anáfora consiste na repetição de palavras em uma sequência. Nos exemplos acima, aparece no início de cada verso, mas na prosa pode ser empregada no interior das frases, numa sequência de orações. Nesse segundo caso, devemos ficar atentos para manter o paralelismo  . Padre Vieira recorreu a esse expediente no “Sermão de Santo Antônio aos peixes”, quando critica alguns pregadores:
“Vós —diz Cristo Senhor nosso, falando com os pregadores —sois o sal da terra; e chama-lhes sal da terra, porque quer que façam na terra o que faz o sal. O efeito do sal é impedir a corrupção, mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou é porque o sal não salga, ou porque a terra se não deixa salgar. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina, ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber; ou é porque o sal não salga, e os pregadores dizem uma coisa e fazem outra, ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem; ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si, e não a Cristo, ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda mal.”
Observe que o religioso mantém o paralelismo e relaciona substantivo com substantivo e verbo com verbo, sem nunca misturar, dentro das sequências, outras palavras de classes diferentes.
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