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9 de setembro de 2016

ENEM 2017


Há quatro meses, com a entrada do então governo interino de Michel Temer, agora Presidente da República efetivo, Maria Inês Fini assumiu o comando do Inep – Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio de Teixeira – e, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, em agosto, afirmou que o Enem – Exame Nacional do Ensino Médio – deve mudar apenas no próximo ano, ou seja, em 2017.
Com a mudança do alto escalão no Governo Federal, estamos vivendo uma fase política marcada por promessas e por desejos de marcar sua passagem pelo poder com mudanças, reformas e votações. Atuando como “Estado-pedagogo” (LESSARD, 2008), o governo se sente confortável na posição de alterar políticas públicas educacionais estabelecidas há algum tempo, como é o caso do Enem que, segundo fala de Fini, será alterado em 2017.
Aliás, desde sua tomada no poder, o governo de Michel Temer tem sinalizado mudanças em programas como FiesProUni, tomando como argumentação a crise política e econômica do país, sobre as quais todos os futuros e atuais candidatos ao Enem e a esses programas devem prestar muita atenção, pois existe a possibilidade de diminuir o acesso às universidades e faculdades privadas brasileiras.
Quanto ao Sisu, nada ainda foi especulado, mas Fini fala em reestruturar o Enem, existente desde o ano de 1998 e que passou por uma grande transformação em 2009, quando passou a ser aplicado não mais em um domingo, mas sim num final de semana contendo 180 questões e uma prova de redação.
Como o Inep é o órgão vinculado ao Ministério da Educação responsável pela elaboração, aplicação e correção do Enem, com a mudança de sua chefia, alterações podem ser aguardadas em 2017. Falando em termos práticos, seria praticamente impossível fazer tais supostas alteações ainda este ano, pois as versões das provas provavelmente já estão prontas e em fase de diagramação e impressão, já que as datas do Enem 2016 se aproximam – dias 05 e 06 de novembro.
Segundo Fini, com a discussão da Base Nacional Curricular Comum, o Ensino Médio no Brasil será reorganizado, o que demandará mudanças no atual modelo do Enem, já que este, de acordo com ela, “nunca foi planejado como política pública para ser vestibular nacional”. No entanto, apesar das alterações previstas, Fini garante que o exame não vai perder “todas a possibilidade de associar a ele as vantagens que vêm sendo atribuídas a ele para os jovens, como Sisu, Prouni e Fies” e esperamos, sinceramente, que isso se cumpra efetivamente.
A interdisciplinaridade continuaria sendo prioridade, mas a estrutura do exame seria modificada em relação à metodologia e à parte pedagógica.
A prova de redação, especificamente, no nosso ponto de vista, sofreu melhorias e aperfeiçoamentos ao longo dos anos em termos de elaboração e de abordagem de temas que, inclusive, são cada vez mais atuais e relevantes para a sociedade brasileira discutir e debater. Fini afirma, na mesma entrevista, que a discussão proposta pelo Projeto de Lei Escola Sem Partido é necessária, o que nos lembrar a questão de seus idealizadores proporem mudanças na quinta competência de avaliação da proposta de redação do Enem, então temos de ficar atentos quanto a possíveis alterações neste sentido.
Ademais, esperamos que essas mudanças venham para aprimorar o exame e melhorar e tornar mais justo o acesso ao ensino superior no Brasil.
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