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13 de fevereiro de 2017

TEMA DE REDAÇÃO - MODELO


Música: pura ou plural?

Na década de 1960, o movimento Tropicália trouxe novos ares à música brasileira, uma vez que o ritmo da Bossa Nova era considerado o grande símbolo do país. Para promover o sincretismo cultural, vários artistas incorporaram influências estrangeiras, como o uso da guitarra elétrica e a psicodelia, porém, parte da população rejeitou essa manifestação artística, incitando que os estilos musicais deveriam ser puramente nacionais. No entanto, é de se questionar até que ponto essa “pureza cultural” não incita à segregação.  
Em primeiro lugar, a ampliação de novos estilos é fruto da liberdade criativa de cada autor. Desde as Vanguardas Europeias, o rompimento de padrões e a valorização da criatividade proporcionaram a inúmeros artistas a extensão de horizontes e a possibilidade de integração. Segundo o músico Chico Buarque, as melodias brasileiras unem-se aos boleros cubanos e aos ritmos mexicanos, de modo que haja uma assimilação musical e, ao mesmo tempo, um resultado inovador e único.
É importante ressaltar, ainda, que não há uma segregação total do samba diante das influências do exterior. De acordo com o compositor Paulinho da Viola, o samba teve origem no continente Africano e possui marcas da cultura portuguesa, sendo reflexo de uma antropofagia musical. Neste sentido, o samba brasileiro absorveu os traços estrangeiros e se transformou, a partir dessa mescla, numa caracterização tipicamente brasileira: calorosa e popular.  
Dessa maneira, percebe-se que a noção de “pureza cultural” é resultado da mistura nacional e estrangeira. A música brasileira não segrega, pelo contrário, integra diferentes culturas e transmite à população o enriquecimento de conhecimentos e estilos. Tal como nos anos 60, o que se tem hoje é a inovação de distintos arranjos musicais e o reflexo da identidade do país vinculada às melodias.
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