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11 de junho de 2014

Senso comum na redação

Originalidade e Senso Comum


Você pode argumentar perfeitamente bem usando as técnicas de argumentação (exemplificação, causa e consequência, citação, etc...). Porém, a sua redação precisa ter uma coisa chamada "originalidade". É aí que entra o "pulo do gato": não é preciso ter ideias mirabolantes para ser original. Para você escrever com originalidade basta evitar o chamado senso comum.

O senso comum é formado por aquelas ideias prontas e universais, do tipo "Maria vai com as outras".

A mais clássica delas é a conscientização da população, que é uma espécie de solução universal para todos os problemas da humanidade. Se o tema é "sustentabilidade", a redação vem escrita assim: "é preciso conscientizar a população a respeito da sustentabilidade". Se o tema é "caos do trânsito", a redação vem escrita assim: "é preciso conscientizar a população a usar mais o transporte público". Se o tema é "convivência em sociedade", a redação vem assim: "é preciso conscientizar as pessoas a respeito da vida da sociedade, levando-as a refletirem que a liberdade pessoal não deve comprometer a de outra pessoa".

E por aí vai... "é preciso conscientizar" pra cá, "é preciso conscientizar" pra lá e pronto: a redação está feita, de modo genérico, sem originalidade, sendo guiada pelo senso comum da conscientização.

Outro exemplo é o Governo milagreiro. O senso comum diz que todos os problemas do Brasil são culpa do Governo e somente ele é capaz de resolvê-los, como se ele fosse uma espécie de super-homem. Se o tema é "o problema da educação", esse problema é causado pela falta de investimento do Governo. Se o tema é "problema da saúde", essa situação só pode ser resolvida pelo investimento do Governo. Se o tema é "problema na infraestrutura", esse problema é causado unicamente pelo Governo e só pode ser resolvido por ele. E, mais uma vez, acabamos de escrever uma redação embalada pelas ideias do senso comum, culpando o Governo por todos os problemas do país e atribuindo a ele uma característica de "milagreiro", como se ele esbanjasse recursos e tivesse um superávit infinito para investir em tudo ao mesmo tempo. Ora, não podemos nos esquecer de que existem outros atores importantes no cenário nacional, como a iniciativa privada e a própria sociedade

Outro exemplo do senso comum: "todos os políticos são corruptos, ladrões e etc...". Então, tudo o que acontece de ruim no Brasil é por culpa da corrupção

Ora, primeiramente quem é que enfia o camarada de terno e gravata lá dentro do Congresso Nacional? Não é a toa que existe uma máxima que diz: "a nação tem os governantes que merece ter". Afinal de contas, somos nós que temos o poder de votar e de escolher quem vai para o Planalto e, além disso, nós temos o compromisso, como cidadãos, de acompanhar os fatos políticos de nosso país, fazendo jus a nossa democracia. Agora, ficar simplesmente dizendo que "político é ladrão" sem ao menos buscar saber o mínimo de Política é típica coisa de alguém que fica na "massa", que atola no "senso comum", que não pensa, mas sim é "pensado" pelos outros.

Estar no senso comum é se deixar levar pelo o que todo mundo diz; é não se preocupar em pensar por si próprio, mas sim permite ser pensado pelos outros, concordando com o que todo mundo diz. Aí avaliador pega aquela pilha de papeis e corrige diversos textos semelhantes, todos falando que o "povo precisa se conscientizar" e que "o Governo precisa investir mais nisso, mais naquilo" e etc... Então, eis que aparece uma redação que argumenta de um jeito diferente, dizendo, por exemplo, que a iniciativa privada pode aliar a sua imagem à sustentabilidade, ganhando a credibilidade de seus clientes pela sua iniciativa e consolidando a sua marca no mercado além de chamar a atenção para a preservação ambiental. Enquanto isso, dezenas de redações dizem que a sustentabilidade é resolvida pela tal da "conscientização do povo em preservar a natureza". Qual das redações tem mais originalidade? Foi preciso criar ideias inéditas e mirabolantes para ser original?

Portanto, jamais esqueça isto: ser original não significa necessariamente ser inovador, mas sim ser diferente, fugindo do senso comum. E para fugir do senso comum você precisa ter mais leituras, ou seja: você precisa ter mais bases conceituais. E a grande verdade é que ninguém pode fazer isso por você. 
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