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6 de janeiro de 2015

UFRGS

Vestibular UFRGS 2015
Análise da Proposta de Redação
A proposta de redação do vestibular da UFRGS 2015 estruturou o tema
a partir de um trecho de “Canção da América”, de Milton Nascimento e
Fernando Brant. Após breve análise da passagem, na qual se discute a
amizade – inserida em determinada época – capaz de resistir à distância e ao
tempo, a proposta estabeleceu relações entre a realidade apresentada na
música e o conceito de relações permeadas pela conectividade das redes
sociais – característica do momento atual. Apresentado tal cenário, propôs ao
candidato a seguinte pergunta: Na sua opinião, o que é a amizade nos dias
de hoje? A resposta, portanto, levava à necessidade de considerar-se a
amizade, a influência das redes sociais em tal tipo de relação e a atualidade.
Por meio de comandos pontuais – expressar a opinião sobre o que
caracteriza a amizade nos dias atuais; apresentar argumentos
consistentes; organizar um texto dissertativo –, a Universidade Federal
abriu o segundo dia de provas.
Mais uma vez (diferentemente dos concursos de 2009 até 2012), a
Universidade afastou-se do exame de questões estritamente sociais e pontuais
da atualidade, propiciando ao candidato, no entanto, um nível de reflexão que
ultrapassa a macroanálise, a exemplo do que ocorreu em 2014, quando ao
candidato foi proposta uma discussão sobre o conceito de clássico em relação
à obra literária. Dessa forma, não só estimulou o ato de pensar detidamente
acerca de uma realidade presente na existência humana – notadamente na
adolescência –, mas também valorizou e ressignificou para o jovem (faixa
etária predominante no concurso) o seu cotidiano.
Assim sendo, a UFRGS permitiu a tão perseguida liberdade de
expressão, despindo-se do molde que, muitas vezes, engessa o aluno. Vimos
na proposta de redação da UFRGS em 2015 a inovação que, contudo, resgata
o caminho da subjetividade presente no concurso em outros tempos, sem,
todavia, afastar-se do cotidiano do sujeito compulsoriamente conectado.
Parabéns à banca. E obrigada por permitir a nós, professores, um
trabalho coerente. Afinal, nem tudo é problema; nem tudo tem solução. Mesmo
em 50 linhas!
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