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7 de outubro de 2016

TEMA DE REDAÇÃO - ENEM

A falta de acesso à cultura na sociedade brasileira

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema“A falta de acesso à cultura na sociedade brasileira”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Texto I
O ser humano é essencialmente cultural. Ele nasce, vive e morre imerso em uma determinada cultura, com seus modos de vida, língua, rituais, instituições, conhecimento e valores próprios. Por isso, ele vê o mundo a partir de sua própria cultura. Dentro desse tecido cultural em que vivemos e nos desenvolvemos, podemos fazer um recorte específico da cultura, igualmente importante para que nos tornemos seres humanos completos: as artes. Independentemente de serem artes populares, como o cordel, a música popular, o repente, a dança de salão, a escultura na areia ou artes eruditas como a música clássica, as artes visuais, a literatura, o teatro, o cinema, vídeo-arte.
As artes, por não se dirigirem à razão, mas à sensibilidade, comportam várias interpretações, agregando significados à medida em que são desvendadas por olhares diferentes. As artes organizam a experiência vivida a partir do sentimento e da imaginação e, por isso mesmo, abrem as portas das possibilidades. Não têm por função retratar o mundo como ele é, mas indicar como ele pode ser para o artista e para cada um de nós. De qualquer forma, as artes são uma forma de conhecimento do mundo, conhecimento sensível da estrutura, da organização do mundo humano. Mobilização do sentimento, do poder de imaginar outros mundos além do mundo real que habitamos, compreensão da nossa relação com o mundo e a natureza, prazer estético: esses são os benefícios da cultura e da arte dos quais todos nós temos o direito de usufruir. Desse direito deriva a preocupação com a democratização cultural, considerada em seu sentido restrito. Mas o que vem a ser a democratização cultural e como ela pode ser feita?
Um dos sentidos de democratizar a cultura é ampliar o acesso aos bens culturais universais, já existentes, permitindo que as pessoas construam o seu modo próprio de ser e de participar na comunidade e na sociedade como um todo. Ampliar a distribuição e a compreensão da produção cultural, em vez de adaptá-la ou facilitá-la, enfraquecendo-a, permite que nós nos apropriemos de instrumentos de expressão e possamos construir uma consciência crítica diante do mundo em que vivemos. O acesso à cultura envolve vários aspectos: o acesso físico implica em melhor distribuição geográfica dos equipamentos culturais e o transporte fácil e seguro para que todos, da periferia, do centro, dos subúrbios, possam chegar facilmente e com segurança aos locais onde os eventos culturais acontecem; o acesso econômico diz respeito aos custos de participar da vida cultural da cidade ou de uma comunidade, custos esses que precisam ser subvencionados tanto para que a criação quanto o consumo sejam possíveis para todos os membros da população; e o acesso intelectual, ou seja, a compreensão das linguagens da arte, da história e do contexto social em que a cultura é criada. O acesso intelectual propicia uma compreensão mais profunda de um produto cultural e pressupõe dois trabalhos: o de formação de público e o de formação de agentes culturais.


Texto II
Enquanto se discute como enfrentar o desafio da inclusão digital, muitas cidades brasileiras não passaram sequer pelo processo de inclusão cultural. Milhões de cidadãos estão distantes não só dos computadores, mas também dos livros, discos e filmes. São os habitantes dos 1.185 municípios que não possuem bibliotecas públicas, ou dos 5.141 que não têm sequer uma sala de cinema. Os dados foram tirados do "Perfil dos Municípios Brasileiros", traçado pelo IBGE, que mostra o quanto ainda há por fazer para evitar que a televisão seja a única fonte de informação a atingir cem por cento do território nacional.
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